segunda-feira, 20 de agosto de 2007

HUMOR NA CIÊNCIA


Como estamos na "silly season" vai um texto humorístico, saído na "Gazeta de Física", que mistura ciência, religião e sexo (ou melhor, a falta dele). Na imagem o Inferno de Dante.

O Dr. X (vamos manter o anonimato na medida do possível), do Departamento de Física da Universidade de Y, é conhecido por fazer perguntas do tipo "Porque é que os aviões voam?". A sua única questão na prova final de Maio de 1997 para a turma de "Transmissão de Momento, Massa e Calor II" foi: "O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique a sua resposta." (ou seja, se o Inferno é um sistema que liberta calor ou se recebe calor).

Vários alunos justificaram as suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma, mas um aluno escreveu o seguinte: "Em primeiro lugar, postulamos que, se as almas existem, então elas devem ter uma certa massa. Se tiverem, então uma mole de almas também tem massa. Então, em que percentagem é que as almas estão a entrar e a sair do inferno? Eu acho que podemos supor com segurança que uma vez que uma alma entra no inferno nunca mais sai. Por isso, não há almas a sair. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhadela às diferentes religiões que existem no mundo hoje em dia. Algumas dessas religiões pregam que, se não pertenceres a ela, então vais para o inferno. Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos pensar que todas as pessoas e almas vão para o inferno. Com as taxas de natalidade e mortalidade da maneira que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar para a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem constantes, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno também deve ser constante. Existem então duas opções:

1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir.
2) Se o inferno se estiver a expandir numa taxa maior do que a de entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele.

Então, qual das duas opções é a correcta? Se nós aceitarmos o que a aluna Teresa Maria me disse no primeiro ano: "Haverá uma noite fria no inferno antes de eu ir para a cama contigo", e levando em conta que ainda não obtive sucesso na tentativa de ter relações sexuais com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico."

O aluno António José tirou a nota máxima. Bem merecido...

6 comentários:

  1. Deveria ter sido reprovado. O postulado "se as almas existem, então devem ter uma certa massa" assim obrigaria.

    De resto, nota-se que esta é estória antiga: havia um Dr. a dar aulas de física numa universidade.

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  2. Nesta altura do campeonato já o inferno congelou quando o António José casou com a Teresa Maria...

    Mas não demorou muito o inferno a explodir quando os dois se divorciaram!

    Também é bom um pouco de humor para se aprender, usar, gostar, e... amar a Ciência.

    PM

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  3. 1997?
    A questão é bem mais antiga, bem da década de setenta, o que não invalida a sua oportunidade.

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  4. a mim a que me chateia é não saber a que raio de nivel vou parar, abuso da luxuria, da gula nem se fala, fico irado quando o sporting perde (e tambem blasfemo muito, especialmente o treinador) tenho pensamentos violentos e gosto de musica barronca (13), nunca comi uma harpia mas já que calhou a aproximação (dasse...) , só nunca levei no cócito....

    enfim , terei um desconto de quantidade????

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  5. Eu não lhe dava a nota máxima. Mesmo que o Inferno se esteja a expandir a uma taxa maior do que a de entrada de almas, o António não conhece a massa destas nem a taxa de expansão do Inferno, logo não sabe se o Inferno vai demorar a congelar mais ou menos tempo do que o já decorrido desde a sua primeira tentativa de levar a Teresa para a cama. O facto de isto ainda não ter acontecido não prova nada.

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  6. Esta pergunta é um "mito urbano", existem muitas versões, uma para cada Universidade existente no mundo com aulas de termodinâmica.

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