sábado, 12 de março de 2011

MEDIR O TEMPO (I)



Artigo (1ª parte) publicado na "Ciência J".


Há quanto tempo medimos o tempo?

Podemos supor que a espécie humana terá começado a percepcionar uma sensação de Tempo, através da observação de coincidências, de fenómenos aparentemente sucedâneos uns dos outros, independentemente de estabelecerem ou não relações causais entre si.
A sucessão continua de períodos de iluminação solar (dia) com períodos de sua ausência (noite) num mesmo determinado ponto terrestre é anterior ao surgimento da vida no próprio planeta Terra. Assim, a vida evoluiu com a alternância de períodos com e sem exposição solar.

Sabemos que as células, eucarióticas e procarióticas, possuem vias de sinalização cíclicas, oscilantes numa dada relação de concentrações, ritmadas por períodos de 24 horas. A actividade metabólica celular parece estar sincronizada com a rotação da Terra, e podemos “imaginar” vagas de concentração de metabolitos a oscilar em gradientes citoplasmáticos, aromas de actividade no mar interior.

Com o aumento de complexidade, com a invenção da multicelularidade, a incorporação de períodos de actividade ritmados e sincronizados com o envolvente, também ele alterado pela maior ou menor exposição solar, poderá ter influenciado a força motriz evolutiva, conferindo uma melhor adaptação ao seres que ritualizavam moléculas com o tempo.

A repetição de fenómenos e a coincidência da repetição do par dia/noite poderão ter permitido uma inclusão de padrões de intervalo de tempo, e da sua duração, na evolução sensorial das espécies.

Neste fluir podemos dizer que a sinalização biomolecular de intervalo de tempo é profundamente intrínseca a toda a vida e, claro está, ao ser humano.

(Continua)

António Piedade

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