terça-feira, 13 de novembro de 2007

Argumentos contra a clonagem

O blog Páginas de Filosofia cita alguns argumentos que Armindo dos Santos Vaz terá publicado no jornal Público. Não li o original, mas aqui fica a transcrição de alguns excertos retirados do blog:

"Sou, em princípio, contrário à clonagem porque estão elevados valores humanos em causa."

Quando leio este tipo de conversa, desconfio que vem desgraça logo a seguir — desconfio que não se trata, realmente, de "elevados valores humanos", mas apenas de preconceitos religiosos ou outros que se querem fazer passar como se fossem princípios tão importantes, tão importantes, que o melhor é nem usar o nosso sentido crítico para saber se há boas razões para os aceitar ou não. Quando se fala em tentar erradicar a fome, por exemplo, raramente ou nunca se começa por dizer que estão em causa "elevados valores humanos" ou "princípios éticos fundamentais". Porque neste caso ninguém tem medo de não haver argumentos realmente bons a favor da ideia em causa.

"Primeiro, a reprodução idêntica de uma pessoa a partir de outra, mediante manipulação genética, constituiria um empobrecimento da diversidade humana: passaríamos a ser todos iguais num igualitarismo redutor."

Perdão? Li bem? O Armindo é contra a clonagem porque toda a gente seria igual, é isso? Hum. Mas se só o José e a Maria, que não conseguem ter filhos de outra maneira, fizerem um clone da Maria e outro do José, para criarem como filhos, isso não faz toda a gente igual a toda a gente, ou faz? E se o Armindo não gosta de pessoas geneticamente iguais umas às outras será que vai instituir a pena de morte para quem se atrever a ter gémeos verdadeiros?

Claro que estou a gozar, mas este tipo de afirmações malucas não merece outra coisa. Só merece comentários Fedorentos de Gatos (Ok, rapazes, depois pagam-me os direitos se pegarem na ideia).

Mas é importante notar uma coisa: a argumentação aqui presente não é inocente. Chama-se a isto a "argumentação do medo": sugere-se uma ideia que ninguém deseja — uma humanidade toda geneticamente igual ao Armindo, por exemplo, ou um Planeta de Josés Cids — e espera-se que os incautos não topem que isto nada tem a ver com a clonagem. Pois é. E eu que pensava que um dos mais "elevados valores humanos" era não prostituir a argumentação com sofismas manipuladores.

"Segundo, a clonagem seria uma manipulação grosseira das fontes da vida humana. Atentaria contra o que é pressuposto básico na geração de vida humana: o amor afectivo. A clonagem seria reprodução assexuada, de laboratório, fora do calor humano de uma relação homem-mulher e fora do contexto familiar que acolhe e educa o novo ser humano gerado como próprio, isto é, de um homem e mulher que se amam e estabelecem o ambiente para que o fruto das suas entranhas seja amado."

Ui, vejam só! Portanto, as crianças que nasceram fruto das técnicas in vitro apanham também pela medida grande! Ok, mas o Armindo é precisamente o tipo de pessoa que não gosta dessas modernices: bebés é coisa que tem de sair do calor da fêmea e do suor do macho. O que significa que quem tem problemas de fertilidade, e muitos casais têm problemas de fertilidade, deve recolher-se apenas em contrita oração e abandonar as clínicas de fertilidade. Tudo bem, é uma perspectiva pessoal aceitável. Mas o que raio tem isto a ver com "elevados valores humanos"?

O mais interessante é o que vem depois: a ideia de que um bebé-proveta, como na altura se chamava, seja ou não um clone, não será criado num contexto familiar perfeitamente normal. Claro que qualquer pessoa imagina o Armindo a meter na varanda, juntamente com a tartaruga e o cão, qualquer bebé que não tenha nascido da penetração do pénis numa vagina autenticamente humana, e devidamente lubrificada por humores naturais. Mas, felizmente, e sem apelar a "elevados valores humanos", a maior parte das famílias são sensatas e acolhem no seu seio os seus filhos — independentemente do modo como foram concebidos ou do modo como nasceram. Isto para não falar nas adopções; ou será que o Armindo também acha contra-natura criar num lar um bebé, como filho, que realmente não é nosso filho biológico? Mas porquê esta fixação com a biologia?

Talvez eu esteja a ser injusto e o Armindo esteja a defender que é a própria concepção que deve ter lugar no seio da santa família — quem sabe se na sala, ao pé dos outros filhos e da sogra. Esse tão belo acto de concepção natural, tão belo que é um "elevado valor humano", bem poderia ter mais visibilidade no seio da família — aqui, talvez o pensamento do Armindo seja radicalmente pós-modernaço, e não retrogradamente matarruano.

"Pela clonagem foge-se à dignificante função de ser pai e mãe: em realidade não haveria pai."

Ah, agora compreende-se o argumento! O Armindo está a imaginar que as pessoas vão deixar de fazer amor naturalmente, à frente da sogra e dos filhos, e vão em vez disso fazer bicha à porta das clínicas de clonagem. Quem não é contra tal aberração? Claro!

Só que estamos uma vez mais perante o mesmo sofisma rasteiro: não se trata de fugir à função de ser pai e mãe como a natureza, na sua infinita sabedoria, determinou, mas de tentar ter filhos quando a natureza, em toda a sua infinita injustiça, falha. Portanto, que resposta tem o Armindo para um casal que quer ter um filho, mas não pode ter um filho por métodos naturais? A resposta é pensar nos "elevados valores humanos" — e desistir de ter filhos.

"Terceiro, logo a clonagem não é humana, ao contrário, é desumanizadora e despersonalizante; não respeita o ideal moral da reprodução da vida humana através da sexualidade"

É como ter uma válvula artificial no coração: é desumanizador e despersonalizante. Eu não quero ter uma válvula artificial, quero ter a natural, que me faz muita precisão. O problema é que se me falhar a natural, não tenho outro remédio senão ter uma artificial.

Claro, estou a gozar: o Armindo pensa que há uma grande diferença nestas duas coisas. E há. Mas nenhuma delas foi por ele apontada. Só aponta disparates que nada têm a ver. Alguém pode pensar seriamente que pelo facto de o meu filho ter o mesmo código genético do que eu, e pelo facto de não ter nascido do calor da fêmea e do suor do macho, fica despersonalizado? Afinal a personalidade é determinada pela genética? Mas quem conhece gémeos idênticos sabe que isto é um disparate. Ok, na aldeia do Armindo não há ainda gémeos verdadeiros (nem livros, ao que ouvi dizer). Mas ele devia então vir até à cidade para conhecer alguns gémeos verdadeiros. De onde poderá vir a idiotice de pensar que um clone meu, só por ser geneticamente idêntico a mim, será tão trocista como eu? Deve vir do Planeta dos Josés Cids.

"Quarto, além do mais, pela fé, ou seja, como forma de elevarmos à mais alta dignidade a vida humana, dizemos que o ser humano, através da sua dimensão sexual, é gerador de vida humana enquanto colaborador de Deus criador. Ora, esse valor teológico da relação homem-mulher desapareceria mediante a reprodução por clonagem. Concluindo, só nos animais, em certos casos rigorosamente regulamentados em função do melhoramento da vida humana, se poderia praticar a clonagem."

Caraças, quer dizer que Deus está ausente da relação sexual dos animais não humanos?

Eu não disse que a conversa fiada dos "mais elevados valores humanos" era só para despistar? Os valores humanos do Armindo são tão elevados, tão elevados, que só se aplicam a quem acredita, como ele, num certo tipo de Deus — que aparentemente é um bocado voyeur e gosta de participar numa ménage à trois com a malta toda que faz amor a sério; mas o mesmo Deus evita, com todo o pudor, a bestialidade, o que acho bem.

Seriamente: Armindo, veja lá se entende duas coisas. Sente-se, reze e acalme-se. Agora vamos pensar.

  1. Tudo bem, para si, que é religioso, a reprodução natural é um acto de profundo significado teológico. Para outras pessoas, que não são religiosas, não é. Logo, quem não é religioso, não tem problemas com a clonagem, do seu ponto de vista. É mesmo isto que quer pensar?


  2. Quando foi que Deus lhe disse que o acto de criar uma vida humana in vitro ou por clonagem não é igualmente um acto de profundo significado teológico? Os seres humanos, iluminados pela razão que Deus lhes deu, e com a esperança de resolver problemas humanos graves e que muitas vezes levam famílias a desagregar-se, conseguiram criar modos alternativos de reprodução humana. Deus, se for realmente bom e misericordioso, não tem qualquer razão para desaprovar tal coisa. Um ser humano é um ser humano — tenha nascido do calor da fêmea e do suor do macho, tenha nascido de um conhecimento científico profundíssimo que é o resultado directo da aplicação da inteligência que Deus nos deu para resolver problemas humanos e para conhecer melhor o universo. E por isso, se o seu deus dignifica os seres humanos, participando nos seus actos sexuais, não há razão alguma para pensar que os discriminará em função do modo como foram concebidos. Não vamos voltar à ideia de que Deus é um europeu branco que discrimina índios e negros, para não falar nas mulheres, vamos?

21 comentários:

  1. Dério,

    Tenho aqui esguichado muita mágoa rebarbativa, mas fico melhor com a minha consciência se lhe disser que só encontro razões para concordar com este post.

    A discussão da "ética reprodutiva" parece-me, no entanto, indissociável de um importante factor relativizante: a adopção. Com todo o respeito pelos visados, julgo que um casal que gasta um rio de dinheiro na senda da gravidez está um pouco refém do seu metro cúbico existencial.

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  2. O cão, tal como nós, sabe distinguir um gato de um homem. Isto é um certo tipo de sabedoria. Mas é duvidoso que tenha o conceito de homem. Pela mesma razão é duvidoso que tenha o conceito de deus ou de clonagem. Os conceitos só existem enquanto realidade da linguagem, que é a nossa. Deus é um conceito que o homem inventou num determinado momento da sua evolução para colmatar necessidades várias. Uma delas deve estar relacinada com o medo. E parece natural que o tenha inventado numa certa região e num certo tempo à sua imagem. Portanto nós não somos à imagem de deus mas deus é que é à nossa imagem. O facto de ser um conceito não significa que não tenha consequências práticas na vida das pessoas. Mas isso é outra história, quanto ao que é certo ou errado em relação às nossas deliberações e em relação à motivação para fazer coisas como por exemplo a clonagem. São os sentimentos que nos movem para a acção, e é a luta entre os vários sentimentos que faz vingar o melhor, ou é a razão que nos deve mover como normativo kantiano ditado por uma razão independente colada ao corpo?

    Apesar do estilo coloquial do Desidério Murcho, que parece superficial, compreendo e concordo com a profundidade da sua mensagem. Não podemos fazer mais, na ajuda ao medo dos crentes moralistas categóricos, do que isto. Outra mensagem implícita é um apelo ao esforço para que joguem o mesmo jogo de linguagem argumentativa, sem pretender fazer disso um absolutismo ontológico categórico.

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  3. Creio que é importante ressalvar que a Clonagem não tem como fim único e não se restringe à reprodução humana, conforme descrito neste artigo. As pessoas tem medo do que não conhecem. E muitas, "imaginam" a clonagem (e outros temas) como sendo uma coisa que esta não é, criando-se assim condições para surgirem mitos. Antes das questões éticas, proponho que seja elaborado um post que esclareça sobre o que é cientificamente a Clonagem. Sandra

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  4. Olá a todos

    Estes comentários, às vezes quase que justificariam sózinhos a existência deste blog.

    Fico deliciado com as mesuras de alguns comentários e divirto-me muito com outros.
    Quanto aos primeiros, acho sensacional o conjunto de adjectivos usados quando não se concorda com os post's do Desidério, "pretensão de superioridade", "esconder um certo grau de incerteza interior", "absolutismo ontológico categórico", "abordagem menos simplista e redutora da questão". Mas a cereja em cima do bolo é a pergunta de se o autor do post é "Gay". Não consigo deixar de me interrogar. E se for? Isso já resolve o problema da "superioridade" e da "abordagem simplista"? O que é que ser gay tem a ver com a melhor ou pior fundamentação de uma argumentação? Ou por se ser (ou não ser) Gay, já não se tem de escolher argumentos para fundamentar opiniões?

    Fico francamente espantado com estas opiniões destrutivas sobre um post que apenas expôs uma verdade triste e redutora (essa sim) da cultura portuguesa. O facto de as nossas tribunas públicas (Jornais, Revistas, Rádio e Televisão) estarem cheiras de Autoridades/Especialistas que ao pé dos "Velhos do Restelo" os transformas em catraios de cueiros.
    Não entendo como é que se pode por principio ser contra a clonagem. Seria como por principio sermos contra a produção de "Aspirina" sei lá, não me dá jeito... Penso que por principio (Humano e social) podemos (e devemos) ser contra regimes ditatoriais, por exemplo. Não se pode ser contra a investigação (Científica, criminal, artística, musical, etc. ...). Também devemos ser contra as pessoas que manifestam opiniões de "Principio", porque no fim têm sempre algo a esconder.

    Alguém se deu ao trabalho de ir ver o artigo original comentado pelo Desidério?

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  5. Muito, muito bom Desidério.
    No conteúdo e na forma.

    Cumpts

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  6. Desidério Mucho, desculpe-me meter estopa ou "foice em seara alheia. Não vou entrar na "polemicazonha" sobre a clonagem. Essa discuto-a ou a isso estou disposto conquanto vislumbre alguma hipótese de adquirir dados ou conhecimentos científicos que permitam ou enriqueçam o meu próprio argumentário e consequentemente satisfaçam a pretensão de se um dia tiver de optar ou dar opinião o possa fazer o mais ciente possível da maior assertividade possível - se é que essa é possível.
    Então o que aqui me traz? De acordo ou em desacordo com Armindo dos Santos Vaz no que à questão em apreço respeita não gostei - nem tenho de gostar! -dos termos e dos modos em que lhe responde. E assim estou em crer que as suas obrigações nessa matéria são maiores do que as minhas por exemplo.As suas obrigações e o seu dever.Perante mim que sou seu leitor, não sou professor de Filosofia e filósofo nem pensar.
    Conter-me-ei pela sua catilinária a propósito de Armindo escrever que «em princípio...»
    Desidério Mucho, senhor professor, quem assim escreve ou diz, escreve-o ou di-lo numa postura de humildade intrínseca - me parece! o que diz, di-lo, sujeitando-se a eventuais e melhores esclarecimentos futuros sejam eles quáis forem. E isso não é impeditivo de ser peremptório nas afirmações que aduz em proveito da sua tese, da sua opção. Ou é?
    Receba os meus cumprimentos e não esqueça as suas obrigações... Um general não se reconheçe só e apenas pelas dragonas. Se assim fosse eu vestia farda de gala e o senhor tinha de bater a pala - no caso de sermos militares.
    David Oliveira

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  7. Fernando Caria,
    eu não leio «por princípio». Leio «em princípio». É a mesma coisa? quer dizer a mesma coisa? é que eu «por princípio» não duvido se si mas garanto-lhe que «em princípio» não tenho algumas duvidas. Fará parte do seu papel desfazê-las. Ou não é?

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  8. correção: que «em princípio» tenho...
    Obrigado
    David Oliveira

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  9. Eu sou a favor da clonagem para fins terapêuticos. Como médico não tenho dúvidas do benefício e da exequibilidade desta tecnologia, nem tenho dúvidas que certos problemas ainda existentes serão ultrapassados. Mas tenho que fazer aqui declaração de interesses profissionais e pessoais. Poderei ter que aceitar que digam que estou a ser parcial mas queria ver se escapava à acusação de estar a ser desonesto intelectual. Penso que um indivíduo pode ser parcial na defesa de um argumento e todavia não ser desonesto intelectual. As tais hipocrisias intelectuais que muito bem o Desidério tem falado.

    A benefício pessoal, é uma hipótese de que estou à espera para produzir um certo tipo de células, para tentar travar a progressão do martírio de uma doença, e habilitar-me com um bilhete de lotaria que pode adiar a morte aí uns vinte anos. Claro que com a euforia poderei morrer de desastre de viação logo a seguir. Não acredito que haja um Deus como é pintado, portanto deixando-me de eufemismos sou ateu, melhor, sou apóstata porque fui baptizado e fiz a comunhão solene. Mas procuro cultivar sentimentos, valores espirituais humanistas, sentido de responsabilidade, simpatizo com o Dalai Lama, etc., etc. Mas também por outro lado tenho consciência que estas coisas não são balelas assim tão simples como isso.

    Esta questão da clonagem pode envolver uma triangulatura do círculo ao nível da Razão:
    1A - A razão para a acção – a motivação
    2A - A razão instrumental – os meios
    3A - A razão consequencial – os fins

    1B - Pode haver boas razões sentimentais para esta acção.

    2B - Como meio instrumental parece razoável para satisfazer a razão sentimental.

    3B - E em relação às consequências?
    O qe está implicado aqui a curto, médio e longo prazo? Não sabemos. A avaliação das consequências, como em muitos casos como este, só é possível à posteriori. Tantas coisas tiveram que ser suspensas porque deram para o torto, mas só se pôde saber à posteriori. Cada vez recebemos mais notícias da suspensão de medicamentos. Claro que um dos últimos casos, o do Silomat ao fim de 30 anos até parece brincadeira. Mas a Talidomida não foi brincadeira e ainda há mais alguns casos parecidos recentemente. E esta é a questão.

    Mas o que acabei de dizer não é um problema em si mesmo se tivermos uma ponderação equilibrada entre as responsabilidades e as consequências. Muitos e bons pensadores, cientistas e filósofos, são a favor da clonagem, aceitando correr riscos, porque à priori aceitaram que o risco faz parte da nossa existência e portanto não vale a pena chover no molhado. Portanto têm consciência das consequências e como seres responsáveis assumem a responsabilidade de se um dia tiverem que torcer o pescoço ao monstro, torcem, ponto final. Não vão pedir ao padrinho para o fazer por eles.

    Michel Houellebecq, com a possibilidade de uma ilha, faz-nos o favor de fazer isso por nós através da ficção. É o que aliás muitos têm feito à volta deste tema, cada um à sua maneira, desde Aldous Huxley com o Amirável mundo novo.

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  10. Sr. Desidério:

    Clap, clap, clap. Tiro-lhe o chapéu. Há muito que me não ria assim, com tanto gosto, o que não significa que considere o seu texto um mero exercício humorístico. Na verdade, o passar dos anos levou-me há muito a desesperar de algum dia viver num Portugal que não dê tribuna sempre a estes urdidores de mediocridades, especialistas de quase tudo e em especial de esconderem mal os seus paroquiais preconceitos e minúscula formação atrás de proclamações grandiloquentes sobre "os mais elevados valores humanos", ou disparates quejandos, sempre cortados à medida do que realmente move tais Catões - o eterno preconceitozito religioso.
    No mais, não lhe doam as mãos, é o meu desejo; alguém nestes comentários pareceu excessivo e portanto desnecessário, arrogante até, o tom do seu escrito. Isso é uma falácia. Arrogante, na pequenez que nos quer vender, foi o Sr. Armindo, e com gente assim só à bruta (sem perder a racionalidade do argumento, claro está). Em boa verdade, na aldeia dele não deve haver livros; ou, pior ainda, talvez os haja - haverá decerto - e ele não quer é lê-los, ou não sabe.

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  11. Tudo bem, mais ironia menos ironia. Só uma pergunta - afirmação, de tão categórica, me levanta reticências: “De onde poderá vir a idiotice de pensar que um clone meu, só por ser geneticamente idêntico a mim, será tão trocista como eu?”
    Não será tendencialmente( probabilidade forte) trocista?
    Responda um biólogo, não um filósofo.

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  12. "Pela clonagem foge-se à dignificante função de ser pai e mãe: em realidade não haveria pai."

    Isto são argumentos já provindos do séc.XIX em que com o triunfo do darwismo se começa a usar a biologia para fins politicos em dizer que os pobres, delinquentes, pretos, ciganos, etc, eram biologicamente inferiores por isso deviam estar na base da piramide social, é da mesma senda apenas articula com a questão mais contemporanea da clonagem.
    Não haveria pai porquê? Afinal não receberia metade dos genes masculinos e metade dos femininos?
    Não teria sempre mãe e pai? Afinal o que é ser mãe e pai?
    O autor do post já lá está a meter deus e o discurso da sagrada familia e da decadencia da familia, muito caracteristico da santa imaculada igreja católica ou de qualquer seita fundamentalista cristã.

    Eu tambem sou contra a clonagem de seres humanos por motivos eticos devido à possibilidade de isso puder acarretar diferenciações sociais como se os clones fossem escravos ou algo do género por não terem nascido normalmente, ou serem utilizados pra guerra por exemplo.
    Agora clonagem para fins terapeuticos porque não?
    Mas se a clonagem humana vier a acontecer que seja com regras muito rigidas e não se clone porque apetece..
    Mais uma vez os lacaios da padralhada a meter medo às populações sem conhecimentos cientificos para prezarem a ordem vigente com privilegios para os parasitas da sociedade à custa das mesmas populações não esclarecidas.

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  13. "Primeiro, a reprodução idêntica de uma pessoa a partir de outra, mediante manipulação genética, constituiria um empobrecimento da diversidade humana: passaríamos a ser todos iguais num igualitarismo redutor."

    Desidério, o gajo meteu água aqui: a clonagem não é manipulação genética. Quando se clona, faz-se apenas uma cópia de certa informação genética; não se altera essa informação.

    Acho que a qualidade argumentativa do texto do Armindo pedia o tom que usaste. A bioética em Portugal é quase sempre esta miséria e já não há pachorra.

    PG

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  14. Parece que os arautos da desgraça não conseguem acompanhar o ritmo das polémicas, já que só fazem comentários (idiotas) horas depois da publicação do texto....

    Há uma coisa que não percebo, de que têm medo estas pessoas? Compreendo que se seja contra a clonagem pelas mais diversas razões, mesmo que essas sejam de índole religioso ou sobrenatural ou até por desconhecimento do processo ou até, quem sabe, por acharem que é muito caro. Só não compreendo é a razão que os leva a atacar a clonagem com argumentos pseudo-filosóficos e a tentar justificar a sua oposição à clonagem invocando uma «ciência» que obviamente não existe se não nas suas cabeças.
    De uma vez por todas assumam que não gostam da ideia da clonagem porque têm medo de ir para o inferno ou porque lhes dá jeito impingir ideias anti-globalização ou (esta é genial) porque "a infertilidade não baixaria se se passasse a usar mais adubos naturais, em vez de sintéticos, na agricultura?"
    Deixem-se de tretas. A clonagem, como muitas outras aplicações da ciência, irá vingar ou claudicar por conta própria e não há razão para se fazer distinção entre clonagem terapêutica e outra qualquer. Ainda não chegámos ao admirável mundo novo mas também não caminhamos para lá.
    Portanto, os profetas do apocalipse à míngua de tema vingam-se na dureza do discurso aqui apresentado ou na sua ligeireza ou em qualquer mecanismo da sua prosa, escusando-se a discutir o conteúdo e enxovalhando-lhe a forma.

    Para esses teimosos, para não dizer ressabiados, só o antigo:
    «Delenda Cartago!»

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  15. Não sei exactamente porquê, mas associo, talvez inconscientemente, a clonagem a um processo muito mal controlado cientificamente. Como a minha formação é essencialmente técnica, vejo estes passos incertos dados no desconhecido, como os dos meus filhos, que quando pequeninos, se aventuravam, alheios ao perigo, a tentar atravessar uma rua na hora de ponta. É certo que o cientista é como uma criança grande. A sua capacidade de se deixar deslumbrar com a novidade, motor do próprio conhecimento, pode tornar-se no seu maior adversário.

    É nisto que se distingue a ciência da sabedoria. Aquela não passa de um pequeno subconjunto desta.

    Não quero com isto ter a pretensão (longe de mim) de ser sábio ou sequer cientista. Sou um humilde pensador, como todos nós.

    Mas a minha experiência ensinou-me há muito que nos devemos interrogar seriamente sobre as consequências dos nosso actos, para que as "bombas atómicas" não nos caiam em cima e nos auto-destruamos.

    Isso sim, sempre soubemos fazer muito bem. Alguém disse e eu subscrevo: O Homem encerra em si mesmo a semente da sua própria destruição.

    O conhecimento científico em de estar ao serviço da Humanidade. De que serve muito saber, se o legado não for sustentavelmente transmitido às novas gerações, para que estas saibam mais ainda?

    Isto, ainda que o saber fosse a única coisa interessante à face do Universo...

    Cumprimentos,
    Henrique Breda

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  16. Perante argumentos estúpidos a arrogância é inevitável!

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  17. :) simplesmente adorei todo este discurso!!! Vou retirar algumas das suas ideias pois sou completamente a favor da sua "tese" e de todos os argumentos apresentados. Obrigada pela ajuda! ;)

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  18. Valeu pela ajuda, tenho q apresentar um trabalho de júri, fazendo a acusaçao

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  19. espero q a equipe q eh defesa no juri simulado q vai ter na escola, nao entre nesse blog!

    bjaoo

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  20. Isabel
    Ok, muito bem, ate posso concordar com a sua prespectiva ... Eu estou agr a fazer um trabalho sobre clonagem e pus-me a reflectir que talvez nao fosse bem assim como exemplificou. Repare, é claro que o "Armindo" e os seus argumentos podem ser muito pouco validos, contudo nao cnsg perceber o pk de ver apenas o lado positivo da clonagem, eu pessoalmente tb vejo um lado negativo, pois muito embora o clone da pessoa seja 20, 30, ou 40 anos mais novo e educado de forma diferente vai conter igualmente os valores inatos do seu progenitor nao é verdade? Logo, eu acho que nunca esse ser irá ser totalmente único, é como se tivesse uma grande parte da minha personalidad,e e eu tal como todos os Homens quero ser eu própria... claro que se fosse um filho gerado de forma comum tb teria parecenças fisicas e psicologicas, a questao é, mas nao era igual, nao seria uma fotocópia. Sim é verdade existem gemeos mas esses nascem de forma expontanea ninguêm adivinha que vai gerar um par de gemeos no seu ventre correcto ?!
    Com isto nao quero dizer que nao tenha razao como é obvio, até pk a clonagem pode ajudar imenso a nivel de tratamento de doenças, porém nao percebo como é que as pessoas nao querem ser unicas...do genero, quando olhar para uma pessoa cnsg distingui-la pk "já sei quem é pkausa disto ou daquilo", agr se houver 1 ou 2 pessoas iguais a essa, como posso eu diferencia-las ? Todos nós deveriamos ter as nossas caracteristicas nao ? E deveriamos ser uma unica vida. Eu penso que a clonagem tb se pode descontrolar pois podemos vir a tornar-nos cada vez mais individualistas nao participando no espaço publico, visto que deixamos de precisar uns dos outros cada vez mais ... Em conclusao, nao sou nem a favor nem contra, pelo menos por enquanto!!!

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