segunda-feira, 30 de março de 2009

No rescaldo do doutoramento de José Mourinho


Resposta final de Rui Baptista sobre a polémica em torno do doutoramento de José Mourinho (na imagem, estátua de Adónis no Museu do Louvre):

“Qualquer ideia proferida desperta outra ideia contrária” (Johann Wolfgang Goethe)

Eu sabia, quando o redigi o post, haver umas tantas cabeças que dificilmente me perdoariam a heresia de enaltecer a justa homenagem que a actual Faculdade de Motricidade Humana (FMH), da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), prestaram a um ex-aluno em dignificação do seu diploma de licenciatura num mundo em que as actividades corporais ainda despertam a sobranceria de uns tantos pseudo-intelectuais que se refugiam em resquícios de um inefável pedantismo. Pedantismo, ao arrepio do legado deixado pelo alemão Ernest Krestchemer (1888-1964), médico psiquiatra germânico, doutor honoris causa em Filosofia pela Universidade de Wurzburgo, quando nos diz que “o homem pensa com o corpo todo”, e que parece vivificar em nacionais nossos - como escreve o meu amigo Carlos Félix Fernandes, citando Alexandre O´Neill, “que andam engravatados todo o ano, mas assoam-se na gravata por engano…” - que parecem acreditar naquilo que eu tenho como a proporcionalidade inversa entre a inteligência e os músculos. Aqueles músculos que o escritor Almada Negreiros – tido por João Bigotte Chorão como, “talvez, a personalidade mais completa e complexa e fascinante da cultura portuguesa do século XX” – elevou a alto pedestal, ao proclamar: “É preciso criar a adoração dos músculos”.

Todavia, por um tardio remorso, persiste, ainda, em nosso tempo e em nossa cultura, a subalternidade do corpo, paradoxalmente credor de ostentosas cerimónias fúnebres quando matéria sem sopro de vida, fétida, pútrida. Quiçá por isso, as Ciências do Desporto e a Psicologia (excluo a Medicina por lidar com pessoas fragilizadas pela doença para quem ela constitui a esperança da sua cura), continuam, no seu estatuto de Ciências Humanas, a sofrer o calvário de arrastarem a cruz da incompreensão do homem comum com que nos defrontamos no nosso dia-a-dia.

E tanto assim é que, com amarga ironia, George Miller, doutorado em Psicologia pela Universidade de Harvard e professor da Universidade de Princeton, presidente da Associação Americana de Psicologia e considerado o criador da moderna ciência cognitiva, apesar do seu impressionante currículo científico, relata em vivência própria: “Hesito um pouco antes de dizer que sou psicólogo, não porque tenha vergonha em ser psicólogo, mas porque sei que provavelmente me vou meter numa série de equívocos. Há pessoas que me dizem: ‘Ah, então é psicólogo? Parece-me que a minha mulher me está a chamar – e vão-se embora. Depois há a reacção oposta: - ‘Então é psicólogo? Bem, eu também sou um bocado psicólogo’ – e contam como treinaram o cão para que lhes levasse o jornal a casa”.

Mutatis mutandis, esta parece ser - e foi-o, em certa medida - a reacção desencadeada pelo doutoramento honoris causa de José Mourinho em estratos de uma sociedade afastada ou não da vivência universitária. Haja em vista, a reacção (a ser verdadeira) de alguns docentes da FMH sob o argumento de Mourinho ser demasiado jovem, como se o mérito exigisse requisitos de idade atestados pelo Bilhete de Identidade! Mas, neste mar revolto de ondas alterosas de contradição opinativa, surgiu a acalmia judiciosa e de muito peso de Fernando Ramôa Ribeiro, professor catedrático de Química e Reitor da UTL, através do seu testemunho na cerimónia de reconhecimento público pela pessoa e estatuto de José Mourinho: “José Mourinho tem feito muito pela imagem da Faculdade onde se formou, além de representar muito bem o país” (TVI 24, 27/Março/09).

A terminar e em torno de discussões, mal resolvidas ou mesmo não resolvidas, sobre o valor relativo das diversas formas de conhecimento, tomo de empréstimo palavras do naturalista francês Georges Cuvier (1773-1838), membro da Academia de Ciências de França, quando escreveu: “Discutia-se há algum tempo, sobre a preeminência das Ciências e das Letras (…). Tinha valido mais discutir sobre a preeminência da Primavera e do Outono, do sol e da chuva”. Já chega, portanto, dos inúmeros representantes das diversas formas de cultura, quais gentis-homens em defesa de sua dama, cruzarem ferros em busca de uma supremacia. Muito menos o louvor sobre o doutoramento honoris causa de José Mourinho deve servir de motivo para reacender uma fogueira, que deveria estar extinta!

Rui Baptista

17 comentários:

  1. Concordo plenamente com tudo, apesar de eu não achar a psicologia uma ciência, podiam chamar-lhe outra coisa, mas nem vou dizer mais nada.
    Se o Mourinho não merece, quem é que merece um louvor? Acho que não passa de inveja típica. Quais são as pessoas em Portugal quem têm sucesso (nem são muitas) que não são odiadas por grande parte da população? Temos algum ídolo de que quase todas as pessoas gostem? Não.
    O Mourinho não, é um arrogante, o C. Ronaldo não, é um vaidoso e um burro, o P da Costa não, é um corrupto, O Belmiro de Azevedo não, é um gatuno e não paga nada, O Carlos Fiolhais não, só manda posts fracos e nem sequer saca o nobel, o Saramago não, é meio espanhol e os gajos devem-se ter enganado quando lhe deram o nobel, a Marisa não, limita-se a tentar imitar a Amália, o Egas Moniz não, até lhe deviam ter retirado o nobel, O Eusébio não, é moçambicano e não passa de um preto burro apesar de simpático, o Afonso Henriques não, era um cabrão que se virou contra a própria mãe, etc, etc, etc. Até eu, um dos melhores comentadores de blogues, a nível mundial, ninguém me grama!
    Até logo, bons posts!
    luis

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  2. Antes de mais uma pergunta: porque não fazer do Rui Baptista membro permanente do blogue? Penso que a sequência de posts e a qualidade dos mesmos já o justificava, não?

    Agora o comentário em si. Antes de mais devo sublinhar que sou engenheiro químico, com licenciatura (pré-Bolonha) na Universidade de Coimbra e doutoramento na Universidade de Twente, na Holanda.Enquanto estive em Coimbra, fui membro do Senado e estive, inclusive, na sessão em que se aprovou a criação da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, a qual contou com o meu voto positivo e sem reservas. Se bem me recordo, houve uma ou duas votações para a atribuição de doutoramentos honoris causa no período em que lá estive, mas optei (decisão tomada ainda antes de ir à minha primeira sessão) por nunca votar tais decisões, por entender que tais opiniões ultrapassavam a minha competência, uma vez que não me via como qualificado para dar opiniões sobre o assunto (mesmo sabendo que a aprovação em Senado não mais era que um pro-forma).

    Este parágrafo acima serve para explicar que nada tenho contra as Ciências do Desporto (como desportista que ainda sou, tenho um enorme apreço por elas) e que a minha posição sobre os doutoramentos honoris causa (dhc) sempre teve uma perspectiva científica.

    Retomo, portanto, a minha crítica inicial, feita no post anterior sobre o assunto: José Mourinho, por muito competente e bem sucedido que seja, não me parece merecedor de um dhc porque não participa no acto mais simples da ciência: a divulgação de conhecimentos. É uma escolha dele e não a critico, mas parece-me que, sem esta componente, o dhc não deveria ser atribuído.

    Dizem da UTL: «José Mourinho tem feito muito pela imagem da Faculdade onde se formou, além de representar muito bem o país». Vê-se bem onde se pretende chegar: à imagem da faculdade (o que tem toda a lógica, da parte deles). É isto portanto um critério? Tivéssemos hoje um actor a ganhar um óscar por sabe-se lá que acaso, e teríamos uma faculdade a atribuir-lhe um dhc? Ou se um engenheiro qualquer ficasse famoso por ser o director de uma enorme obra (imaginemos um engenheiro civil como director da construção do edifício que ficará no lugar do WTC em NY). Mereceria o doutoramento?

    Eu não tenho inveja da Mourinho, até gosto muito dele, especialmente por ser arrogante e especialmente porque aquela arrogância é fingida e obviamente porque é bem sucedido. Mas é isso tudo motivo para um doutoramento? Se sim, o que é que torna um dhc diferente de uma comenda do PR? Ou já não se liga a isso desde que a faculdade (seja ela qual for) receba atenção?

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  3. Meu Caro Professor: A resposta ao seu comentário ao meu "post" anterior, "Ainda o Doutor José Mourinho", utilizando uma expressão popular estava "em vinha de alhos" pela pesquisa feita sobre a "paternidade" da frase que,impropriamente, numa espécie de Maria vai com as outras, atribuí a Einstein. Erro para o qual, muito portunamente, chamou a atenção. De posse desses elementos dar-lhos-ei a conhecer na resposta a este seu comentário. Para já, embora imerecida (dado o leque notável de académicos que lhe dão um estatuto de grande e valioso nível cultural e científico) a referência que faz à minha modesta contribuição no "De rerum natura" não pode deixar de merecer o meu profundo agradecimento.

    Entretanto, por ordem de chegada, vou responder ao primeiro comentário para, de seguida, com muito gosto,entabular consigo um diálogo sobre o doutoramento de José Mourinho que quero frutuoso da minha parte numa questão, como diria Rui Veloso (por mim citado outras vezes), em que me parece ser mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. Cordialmente, Rui Baptista

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  4. Caro Rui Baptista, agradeço o tratamento por professor, mas é desadequado. Do meu ponto de vista, alguém com doutoramento, sem mais, deve apenas ser autorizado a usar (e a ser tratado por) Dr. (eventualmente, doutor por extenso). Para professor, creio que será necessário sê-lo academicamente ou, em alternativa, profissionalmente (para o que se dispensa o doutoramento, como é óbvio). Após o meu doutoramento, voltei a trabalhar como engenheiro, pelo que isso me basta. Aliás, como tratamento, basta-me bem o meu nome. E o meu tempo no Senado foi durante os tempos de estudante de licenciatura, já há uns 10 anos.

    Quanto à frase de Einstein, ressalvo que não sei se a frase é dele ou não (não me recordo se o frisei devidamente). Apenas me parece ser pouco típica.

    Quanto ao diálogo, fico à espera.

    E não me parece que a colaboração mais formal fosse desajustada. Se assim fosse, não creio que fosse convidado a publicar no DRN com esta frequência.

    Cumprimentos,
    João André

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  5. Caro Luís:Os comentários feitos aos meus três post's sobre o doutoramento honoris causa de José Mourinho suscitaram, num clima de polémica salutar, opiniões prós & contras (fujo a utilizar esta expressão para que se não julgue estar a plagiar o nome de um programa da RTP1, assim chamado) que muito os valorizaram. Permito-me chamar a atenção para o comentário do meu bom amigo Carlos Félix Fernandes, docente de uma cultura milenária ocidental com berço na Antiga Grécia, quando argumenta favoravelmente, e muito a propósito esse doutoramento, em analogia como o atribuído ao motociclista italiano de alta competição, Valentino Rossi, por uma universidade transalpina.

    Este o leitmotiv para este meu post que pretende (apenas isso), em última análise, ser um libelo contra aqueles que, ao arrepio de uma concepção holística do homem, continuam a ver no corpo/carne a tentação do demónio ou um escravo subserviente sem vontade própria ao serviço da mente. Corpo que, qual Espartaco, se rebela contra a mente (espírito) anunciando em períodos de doença: “Aqui estou eu com os meus muitos achaques a dominar-te, a fragilizar-te, a tornar-te num barco sem rumo em ondas de sofrimento”. Só então o caso muda de figura, e o escravo assume a ponte de comando de um destino trágico da frágil e desamparada condição humana feita simples casca-de-noz de um mar alteroso de mazelas físicas e psíquicas.
    Detenho-me por momentos, ou passo mesmo de raspão, sobre o facto de não achar a psicologia uma ciência. Aliás, esse o desalento que descrevo no testemunho de George Miller, figura de proa no mundo novo da Psicologia, e a que me não parece estranho o duelo que se trava entre os defensores das chamadas ciências duras e ciências moles (a simples adjectivação de moles denuncia uma pretensa fragilidade destas últimas). As ciências humanas, de entre elas a Psicologia, a última a emancipar-se da Filosofia, matriz que perdura em tempos do conhecimento científico (no meu tempo de estudante do último ano do ensino liceal era ela, a Psicologia, estudada pela rama na disciplina de Filosofia muito da minha preferência curricular embora frequentado eu o então chamado curso complementar de ciências e não das letras) arrastam consigo a querela secular de que dou conta no meu post ao citar Georges Cuvier quando escreve sobre a preeminência das Ciências e das Letras (Da História das Ciências à História do Pensamento, Georges Gusdorf, Pensamento- Editores Livreiros, Ldª., Lisboa 1988, p.33). Daqui emerge, forçosamente, aquilo porque se entende por Ciência. O próprio Edgar Morin, uma das melhores cabeças pensantes da nossa contemporaneidade, defensor acérrimo da interdisciplinaridade de que fez intérprete, através do cursos que frequentou e tirou, da Antropologia à Biologia, se interroga, e nos interroga, a este propósito: “A questão 'que é a ciência?' é a única que ainda não tem uma resposta científica” (Ciência com Consciência, Edgar Morin, Publicações Europa-América, s/d, p.13). Se me é permitido, eu quase diria, a exemplo de Monsieur Jourdain que fazia prosa sem o saber, muitos fizeram Psicologia avant la lettre.

    Mas o cerne do seu comentário, o seu sumo, a sua substância suculenta, está, numa perspectiva pessoal, no retrato sociológico que faz da sociedade portuguesa sempre pronta a viver na mesquinhez de apoucar quem se distingue em qualquer actividade da vida humana. Mesmo aqueles que por obras valorosas, no dizer de Camões, “da lei da morte se foram libertando” não escapam à má-língua de uma sociedade mesquinha e invejosa. Muito apreciei os exemplos que apresenta e que abrangem um leque de personalidades que se destacam, ou destacaram, na sociedade portuguesa. Leque que engloba Amália, José Saramago, Carlos Fiolhais, Eusébio, Egas Moniz etc. vítimas da maledicência de medíocres e invejosos - sempre pronta a desmerecer o que é nacional (o slogan o que é nacional é bom tem apenas intuitos comerciais para vender o que cá se produz do bom ao pior) e a exaltar o que nos chega da estranja ou seja, “a galinha da minha vizinha é melhor do que a minha”, como reconhece a sabedoria popular em que a sua voz assume a verdade da “vox Dei”.
    Mas este statu quo não remonta unicamente aos dias que vivemos actualmente e à adultícia. Lembro-me que no meu tempo de rapaz sempre que numa roda de amigos de ambos os sexos as jovens representantes do impropriamente chamado sexo fraco gabavam os atributos físicos ou profissionais de um determinado cantor ou actor na berra, logo uma voz masculina contra-atacava: “Só é pena que...”, mesmo que os exemplos citados fossem modelos de uma masculinidade a toda a prova! Ora mentalidades destas não se mudam num dia para o outro nem numa geração. O justo doutoramento de Mourinho mais não representa que a ponta de um icebergue que perdura em certa mentalidade portuguesa. O seu comentário teve, e tem, o grande mérito de “chamar os bois pelos nomes” e, estou certo disso, mais fez que os meus post's na denúncia do desconforto que as actividades corporais, de entre elas, o desporto, parecem ainda causar em colarinhos engomados que rescendem a uma intelectualidade secular com raízes cartesianas no res cogitans,rex extensa, se possível hoje mais exacerbada ou mesmo paroxística. Bem-haja!

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  6. Bom amigo Rui Baptista,

    Mourinho, vacas, Kuhn, ciência e Rossi.

    1. É claro que o estimado Rui Baptista já devia residir, há muito, no De Rerum Natura.

    2. Quero lembrar a todos aqueles que têm dificuldade em perceber o valor da subjectividade, mesmo na Ciência mais pura e dura (as formais e as empírico-formais), da necessidade de lerem algo de K. Popper e Thomas Khun. São sempre poucos, uma minoria, que conseguem pensar diferente e dar o salto para outras objectividades que só a cultura, os valores pessoais e a personalidade de cada um permitem: a subjectividade.
    A Ciência tem falhado ao longo da História, mas é exactamente o facto de ser falível que permite o seu fantástico e inexorável progresso: essa é a sua beleza, subjectiva.

    Quem não entende isto e procura distorcer o valor de outro tipo de saberes (felizmente, não tão objectivos) não merece qualquer título...

    3. O Mourinho (e atenção que eu prefiro observar uma manada de vacas a pastar ou uma vara de porcos no monte, do que um jogo de futebol) mereceu (bem)o título DHC. As causas que lhe propiciaram tal honraria já foram aqui enunciadas. Porém, como deambulam por aí algumas almas que desprezam a cultura física (indissociável do poder da mente), qual Eusebiozinho de perninhas bambas, magistralmente caricaturado por Eça, nos Maias (em contraponto à cultura de mente sã e corpo são da educação inglesa), vejo-me obrigado a rever o meu comentário sobre o já mito vivo que é Valentino Rossi.

    4.Lembro que o muito mais jovem Valentino Rossi, 8 vezes campeão do mundo, 6 na categoria máxima do desporto motorizado de duas rodas, o MotoGP, também já foi agraciado com um doutoramento "honoris causa" por uma Universidade italiana.

    "Il docttore" ("the doctor" como é internacionalmente conhecido) detentor do mítico número 46, conseguiu proezas e recordes inimagináveis.

    Consulte-se
    (http://pt.wikipedia.org/wiki/Valentino_Rossi)
    (http://www.motogp.com/)

    Os anteriores detentores de mais títulos mundiais corriam, na altura, em três categorias distintas ao mesmo tempo. Tal era permitido. Acresce que disputavam menos provas.

    O seu talento, determinação, técnica, competetividade, profissionalismo, capacidade de liderança e inteligência para fazer desenvolver as máquinas (na pista e nos laboratórios/oficinas de engenharia HI-TEC) levaram a que se lhe atribuísse tal honraria (DHC).

    Em comparação com o Mourinho, ganha tanto como ele (milhões de dólares; é a estrela absoluta a anos-luz dos montantes auferidos pelos outros corredores), porém, apresenta qualidades de relacionamento interpessoal que o já fizeram premiar como o desportista mundial com mais "fair play". Tem estado sempre nomeado para melhor desportista do ano.

    Merece ou não o título?
    Penso, inequivocamente, que sim, dado que Rossi consegue apontar o caminho para o desenvolvimento tecnológico das máquinas (de diferentes marcas), escolhe os motores-feto (as fábricas seguem-no) e "chassis" mais promissores e desenvolve-os, com mestria, em pista, aliando os seus talentos competitivos (tácticos, técnicos e físicos) e ganha às estratégias dos restantes contendores.

    Rossi produz conhecimento e transmite-o aos seus engenheiros de corrida (especialidades de: mecânica, electrónica, ciclística e pneumática), para além da informação que passa a técnicos de pista, preparadores físicos, director desportivo e responsável de comunicação e marketing (que não dispensa).

    Não transmite os seus conhecimentos aos outros contendores, é claro, mas, em boa verdade, algum cientista informa o público, em geral, antes de publicar algo na Nature ou na Science, ou, por exemplo, antes do laboratório farmacêutico/multinacional que o patrocina registar a patente?

    Tal como os paradigmas científicos são incomensuráveis, também (numa outra escala) as subjectividades opinantes sobre as capacidades que permitem que um grupo de sábios confira o grau de DHC são de difícil medição.
    Um doutoramento honoris causa apresenta-se com uma natureza diferente de um doutoramento "normal", na justa medida em que propicia, fora do canon "normal" atribuir qualidades de investigação, empreendedorismo, preserverança e de consecução de resultados, superiores à maior parte dos demais pares, deles se destinguindo. Por isso é que a honraria tem o nome de "honoris causa".

    Quem não entende isto é porque se tem em muito boa conta... e de arrogância (justificada) já nos chega a do Mourinho!

    Carlos Félix Fernandes

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  7. Caro Anónimo Luís:
    Discordo em absoluto porque o maior comentador sou eu. Comento neste e noutros.
    Cumprimentos do
    José.

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  8. Atenção: José é o meu verdadeiro nome, fui respeitoso e cordial. Fiz objecções e não mandei bocas, penso eu. Só não fui capaz de pensar com profundidade como me é recomendado. Portei-me bem? Sim, pelo menos dentro das minhas fracas possibilidades intelectuais. Procurarei pensar, de futuro, com mais profundidade como fazem aqueles que mandam postas (é assim que se diz?) neste blogue.

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  9. Rui, não me dês muita importância senão o Desidério ainda se chateia. Além disso, eu sou uma pessoa com pouca formação e nem estou aqui para ser levado a sério, vou apenas mandando uns bitaites.

    Porque é que o Rui ainda o passaporte do De Rerum? É fácil, já há muito que sei porquê: de certeza que não tem um doutoramento!! Eu não quero meter veneno, mas se não é essa a razão, que se expliquem, embora eu já saiba que não vai haver explicação nenhuma!
    Eu já aqui disse várias vezes que o pessoal do de rerum andam sempre com o Eça na boca mas depois parecem as personagens ridículas dos romances do man. É que para muitos parolos portugueses, ter um doutoramento é uma coisa do outro mundo, e esquecem-se que há milhares de portugueses que tiram doutoramentos, e que se formos a ver o resto do mundo, serão muitos milhões com esse tipo de títulos. Mas no nosso país, quem vá tirar um doutoramento a Londres, ou a Oxford, que ainda é mais chiquérrimo, está safo, é o maior, e se for um bocadinho melro, até arranja uma coluna num qualquer pasquim. Não estou a inventar, contem os exemplos de maus cronistas que têm este tipo de cv.
    Este tipo de parolos obcecados com as cenas dos doutoramentos, que só vivem para isso, esquecem-se que a grande maior parte das pessoas relamente importantes no mundo, não têm um doutoramento, basta ir ver as gentes do teatro, cinema, empresas, música, política, etc. E os que têm um doutoramento, aqueles poucos cientistas realmente importantes, e não aqueles que fazem uns artiguecos para jornais de centésmia categoria, só têm um doutoramento porque sem ele não conseguem arranjar trabalho, são as normas da academia, embora haja casos de grandes cientistas, como o Freeman Dyson, que era tão bom que os gajos disseram-lhe: ouve lá, se tu consegues resolver esses problemas, para que é que queres um doutoramento?, deixa lá essa merda.
    Eu posso ser um bocado ignorante, mas nestas coisas, os do de reum não me comem a cabeça, o que eles sabem já eu me esqueci há muito! Expliquem lá porque é que o Rui não tem a password, andem lá, quero-vos ver, quero ver a vossa lata, seus importantões.

    José, tu, para desceres ao meu nível, ainda tens que comer muita sopa!
    luis

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  10. Queria dizer: Porque é que o Rui ainda NÂO TEM o passaporte do De Rerum?

    É só para emendar.
    luis

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  11. Caro Luís:
    Eu tenho um doutoramento e acho que é mesmo uma coisa importante. Os tipos que cita e não têm doutoramento são importantes em que sentido? Arranjaram cunhas para serem considerados?
    Hoje comi muita sopa e estou quase a chegar lá. Mas compare o meu português com o seu...
    José

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  12. Se o Mourinho é Doutor, ao Cristiano Ronaldo deveriam dar a Agregação. Suponho que ele sabe ler, se não souber vai pelas novas oportunidades e sai Doutor.

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  13. Ó José, quem és tu, quem é que te conhece a tua importância? Como é que te queres comparar com uma cambada de gajos geniais que não têm absolutamente doutoramento nenhum? Queres que te faça uma lista? Saramago, Lobo Antunes, Amália, Pessoa, Paula Rego, Picasso, Scorcese, Churchill, os Beatles, os Rolling Stones, Gandhi, Faraday, Bill Gates, Onassis, etc, etc. Eles são mais do que as mães, não dá para continuar a lista, e são decerto muitos mais do que os tais dos doutoramentos. E se puseres de parte as ciências, então é que não há comparação possível. Os académicos são muito fraquinhos, nem na escrita se safam, basta olhar para os escritores. É uma mentalidade muito fechada, só vêem para um lado.

    Quem é que te disse que o meu português é bom? Eu nunca fui bom aluno nessas coisas e já te disse que tenho pouca formação, não tenho um doutoramento como tu!
    Tens que comer muita mais sopa, deixa lá de olhar para as picuinhices dos erros de português e aprende a ver melhor o que interessa.
    se ficas muito contente com essa coisa dos títulos, fixe para ti, tu é que sabes.
    luis

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  14. Carissimo João de Sousa André: Começo por responder ao seu segundo comentário pelo esclarecimento que lhe devo pelo tratamento que lhe dei de professor, e que teve como “desadequado”. Começo por discordar de si (será má sina minha?) no que tange ao tratamento que lhe é devido por esforço académico por ser doutorado e que diz, em alternativa, ser a abreviatura de “dr.” ou de doutor por extenso a que lhe deve ser concedida. Isto porque o tratamento de doutor (por extenso) é o mais adequado e, mais do que adequado, justíssimo perante a Lei. O “dr.” é uma simples norma de cortesia, sem suporte legal, apenas de trato social, que criou profundas raízes em Portugal.
    No que respeita à tradição dos portugueses que, apesar de todas as novidades (algumas boas, outras más!), com ela se mostram respeitosos, como adverte Fialho de Almeida, “não se exijam ao povo metamorfoses de hábito e gostos que a tradição lhe inveterou secularmente”. E essa tradição remonta não apenas às licenciaturas outorgadas pela Universidade de Coimbra, como a diplomas de estudos superiores por escolas não universitárias como foi o caso, por exemplo, das Escolas Médicas de Lisboa e do Porto anteriores à criação das respectivas universidades dessas cidades (1911), em que foram integradas de pleno e justíssimo direito. Bem sei, que o tratamento de “doctor” é atribuído no estrangeiro, tão-só, aos médicos, mas como diz o ditado “cada terra como seu uso, cada roca com seu fuso”. E esse uso, sem comentários meus (apenas um ponto de exclamação), estendeu-se, ou os próprios usufrutuários o estenderam a si, aos recentes diplomas de licenciatura de umas tantas escolas do ensino politécnico!
    Conta-se até, a este propósito, que um espanhol chegado a Portugal, estranhando o facto de grande parte das pessoas serem tratadas por “dr.”, perguntou se esse tratamento seria correspondente ao tratamento dado em Espanha de “dom” às pessoas de uma certa respeitabilidade e estatuto social. Em história que alguns dos alunos do catedrático de Química e director da Faculdade de Ciências de Lisboa, de seu nome completo, António Augusto Álvares Pereira de Mello Sampaio Forjaz (1893-1972), contavam nas tertúlias académicas de cafés da minha juventude, ele exigia (ou pelos menos mostrava agrado) dos alunos o tratamento de “Senhor Professor Doutor Dom António Pereira Forjaz”. Mais se contava que numa aula comunicou aos alunos ter estado num Congresso Mundial dizendo: “Só de sábios éramos cinco. Dois sabiam muito de Química Orgânica, outros dois muito de Química Inorgânica e um quinto muito de ambas, mas que a minha modéstia não me permite dizer quem era!” Julgo que este última historieta não passa disso mesmo para evidenciar a sua “evidente” vaidade que emparelha com aquele de alguém que terá dito, por sua vez: “Graças a Deus sou muito modesto e muito inteligente!”
    Passemos agora ao tratamento por professor, numa perspectiva de claustros universitários. Aqui, estamos plenamente de acordo. Esse tratamento deve ser atribuído aos detentores do grau académico de doutor que leccionem em faculdades ou institutos superiores universitários numa tradição que tem feito escola no seio universitário da Capital e, vamos lá, da Cidade Invicta, mas que encontra uma certa resistência intra-muros da margem do Mondego, com excepção dos professores de Medicina e um ou outro professor universitário que mantém contacto académico com os seu pares dessas universidades. E assim, um pequeno “deslize” involuntário da minha parte em o tratar por professor me obriga a este esclarecimento de quase confissão pública, que faço com todo o prazer de um dever cumprido. Quanto a isto de faculdades e institutos superiores julgo de interesse referir que o Instituto Superior de Engenharia (IST) e o Instituto Superior de Economia e de Gestão de Lisboa (ISEG), ambos da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), fazem gala em manter essa denominação. No que diz respeito ao tratamento por “doctor”, atribuído nos países anglo-saxónicos, apenas, aos médicos, os médicos com a especialidade de cirurgia desses países sentem-se mais dignificados com o tratamento de “Mister”, tão-só.
    Passo agora ao seu segundo comentário. Defensor, quase diria “canino”, das actividades corporais (de que o João André se diz praticante e assumido defensor), sinto-me um simples soldado raso de uma campanha em que outros se fizeram generais. “Erro meu, má fortuna, amor ardente”? É bem possível. E se esse facto, por vezes me tem criado amargos de boca, outras vezes tem tido reconhecimento público como foi, por exemplo, o caso de uma conferência que proferi na antiga Sociedade de Estudos de Moçambique, em 03/07/73 (agremiação cultural e científica agraciada com “Palmas de Ouro” da Academia de Ciências de Lisboa), a que se seguiu o convite que me foi feito ,e que cumpri honrado, para ser vice-presidente da respectiva direcção, assumindo simultaneamente o cargo de presidente da sua Secção de Ciências e de seu bibliotecário.
    A conferência em causa, intitulada “Os pesos e halteres, a função cardiopulmonar e o doutor Cooper”, publicada posteriormente em livro com edição esgotada, baseava-se no atrevimento da minha parte em contestar, com dados colhidos em investigações levadas a efeito por mim, os malefícios para o coração atribuídos, à época, pelo papa do condicionamento físico, através de exercícios de corrida de natureza aeróbica, de seu nome Kenneth Cooper, médico responsável pela boa forma física dos astronautas americanos e autor de um livro intitulado “Aptidão Física em qualquer idade” (5.ª edição brasileira, Janeiro de 1972, “em tradução de M.Evans and Company, Inc., New York. USA. 1968). Desse livro que conheceu os escaparates de livrarias dos quatro cantos do globo, em várias e esgotadas edições, consta o testemunho entusiasta do senador norte-americano William Proxmire , que o prefaciou, dirigindo-lhe um encómio de que extraio um pequeno naco de prosa: “Tenho a certeza de que quando o livro for um ‘best-seller’ ( e quanto a isso não tenho a menor dúvida) irá contribuir mais para a saúde e longevidade dos americanos do que qualquer outra descoberta ou realização do ano no campo da Medicina”.
    Com evidente agrado e como é natural, fiquei a saber por si que fez parte, como aluno, da reunião do Senado da Universidade de Coimbra que aprovou a criação da actual Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física, de que, como convidado, fiz parte do seu primeiro corpo docente. Os preliminares dessa criação, que foi apadrinhada por nomes como o do então reitor, Ruy Alarcão, do saudoso professor catedrático de Farmácia, Pinho Brojo, de Olímpio Bento, catedrático do então ISEF da Universidade do Porto, de António Poiares Baptista, se a memória me não falha, director da Faculdade de Medicina e, por último, mas não menos importante, de Viegas de Abreu, catedrático da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, deram azo a questões de “lana caprina”, em artigos na imprensa de coimbrã sobre o nome a dar-lhe: Cultura Física, Educação Física, Motricidade Humana, Instituto Superior de Educação Física ? As sugestões apresentadas eram muitas e muito variadas. Também eu, escrevi, sobre este tema e em analogia com o nome das pessoas, no “Diário de Coimbra” (25/11/87), um artigo de opinião intitulado “Na Universidade de Coimbra: Faculdade ou Instituto Superior de Educação Física?” Nele, levantei a importância do nome na vida das pessoas, da forma de que dou conta: “ Uma Sofia ignorante? É uma questão de antonímia! Ana é um doce nome de mulher solteira, mas perde a musicalidade com o casamento e torna-se numa cacofonia: Senhora Dona Ana! É uma questão de estado civil! Uma feia Anabela não se livra do comentário: “Anabela? Hum! Ana…feia! É quase sempre uma questão de genética!”. Mais adiante acrescentava:” Minha Mãe contava ter tido uma amiga, de sua (des)graça Felisbela que, de quando em vez, sussurava em longo e conformado suspiro: ‘Bela não direi que não, agora feliz, isso não’. Em boa verdade , ainda segundo o testemunho de minha progenitora, era ela muito, mas mesmo muito infeliz. Tanto como uma desgraçada nubente a quem o noivo fugisse com a sua melhor amiga (essa sim, bela!) no próprio dia do casamento. Mas não era essa a sua desdita maior: era bem mais feia do que infeliz, feia como a noite dos trovões. Mas apesar de tudo, tivera uma réstia de sorte. Ninguém é baptizada com o nome de Infelizfeia. È uma questão de bom senso!”
    Mas como se tratava de um artigo de opinião, no parágrafo derradeiro do meu texto/depoimento, escrevi: “Não se mudam as vontades só por se terem mudado os tempos: Faculdade de Educação Física é uma questão de regra, de tradição, de coerência por parte da Universidade de Coimbra”. Foi essa a denominação que acabou por vingar para a actual Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física
    Falo agora da frase que tem sido atribuída a Einstein, sem qualquer fundamento, e de que eu involuntariamente me fiz porta-voz. Transcrevo-a: “O único lugar onde o sucesso vem antes de trabalho é no dicionário”. Com assinalável e oportuno espírito crítico, levantou o João André a lebre ao pôr em duvida essa paternidade. Numa aligeirada e apressada busca à Net, encontrei Vidal Sasson como autor da frase, com uma alteração inicial: em vez de “ The only place” , “O único lugar do mundo…”
    Como é óbvio, esta consulta não me satisfez de forma alguma. Assim, nada como dirigir-me a quem bem mais habilitado para uma resposta que saísse do domínio especulativo. Para o efeito, consultei o Prof. Carlos Fiolhais de que recebi a informação que transcrevo, devidamente autorizado: “Julgo que a frase não é de Einstein. Procurei na melhor colectânea de frases de Einstein (“The new quotable Einstein, ed. Alice Calaprice, Princeton University Press, 2005) e não vem lá. Há muita gente a quem a frase é atribuída: “The only place success comes before work is in the dictionary”. Atttributed to: Donald Kendall, Vince Lombardi, Paul Mul Meyer and May Smith. Não sei de quem é e será difícil saber, parece-me…” Posteriormente, acrescentou-me: “Apesar do livro ter frases apócrifas, essa nem nele consta”. Aliás, o próprio Mourinho citando uma frase, mil vezes repetida pelo seu antigo professor catedrático, Manuel Sérgio, dizia, durante a sua cerimónia de doutoramento, que ( e cito de memória) um licenciado em Educação Física que só sabe de Educação Física nem isso sabe. Ora, esta frase via-a eu citada no Instituto de CIências Médicas Abel Salazar do Porto (escola universitária de formação de médicos) tendo como autor esse professor universitário de uma vasta e profunda Cultura. Reza ela: “Um médico que só sabe de Medicina nem isso sabe”. Assim, intencionalmente, ou não, se deturpam ou usurpam frases alheias. Mas adiante!
    Regresso ao cerne da questão. Ou seja, a justiça ou oportunidade da atribuição do grau de doutor “honoris causa” a José Mourinho e que tem servido (e servirá) de pano para mangas e de que eu me tenho tornado intérprete exaustivo por ser mais fácil levantar os problemas em poucas linhas do que propriamente a eles responder de forma resumida. Como se sabe, alguns docentes da própria FMH levantaram outras alternativas a nomes de pessoas também merecedoras dessa honra, e de saber de maior experiência feita, como sejam Teotónio Lima, Carlos Queiroz e, até (este meu até é intencional no direito que me assiste em também eu ter uma opinião própria) Jesualdo Ferreira. Fala-me agora, o João André, em comparação com José Mourinho do festejado treinador de atletismo Moniz Pereira, a quem foi atribuída, em anterioridade, idêntica honraria. A propósito e em preito de homenagem, sinto-me na grata obrigação de aqui evocar o nome do octogenário José de Sousa Esteves, galardoado igualmente e nessa mesma altura.
    A minha admiração por esta figura da cultura e da política portuguesas (sempre fiel aos seus princípios democráticos, antes e pós-25 de Abril) desenvolveu uma obra meritória, e de um destacado pioneirismo no campo da Sociologia Desportiva, através de vários livro, de que referencio “O Desporto e as Estruturas Sociais”. Exerceu ele alguns anos a docência no então Liceu D.João III, em Coimbra, foi subdirector da então única escola superior de formação de professores de Educação Física, tendo merecido da minha parte uma referência neste blogue, inserta no meu “post” “No rescaldo dos Jogos Olímpicos de Pequim” (17/09/2008), de que extraio este trecho:
    “Conta a lenda que Pigmalião se perdeu de amores por Galateia (estátua de rara beleza por si esculpida ), em tão grande e sofrida paixão que Vénus, condoída, concedeu à estátua o sopro de vida. Émulo seu, o português José Esteves cinzelou, com o bater do coração e o escopo da alma, a grande paixão da sua vida: as práticas corporais e a sua docência em moldes éticos de desportivismo, da escola ao clube. A uma desumanizante máquina de bater recordes contrapôs José Esteves, figura impoluta de professor de Educação Física, doutorado honoris causa pela Faculdade de Motricidade Humana e autor do best-seller “O Desporto e As Estruturas Sociais” , a utopia de não trocar a iniciação de milhares de crianças das nossas escolas primárias por medalhas em competições internacionais. E porque os Jogos Olímpicos são, hoje, verdadeiros campeonatos mundiais de diversas modalidades, a um simples mortal os deuses do Olimpo jamais poderiam perdoar tanto descaro e tamanho desafio”.
    Aliás, João Correia Boaventura assumiu idêntico protagonismo e pioneirismo no campo do Direito Desportivo, através da sua tese de formatura, em finais dos anos 50 do século passado, referenciada em bibliografias desta matéria por especialistas formados em Direito que a leccionam em diversas faculdades.Mas é o doutoramento mediático de José Mourinho que está em discussão. Muito já foi escrito e reescrito a este respeito e, por vezes, “com razões do coração que a razão desconhece” ( Blaise Pascal, 1623-1662). Todavia, gostaria para findar este comentário - que vai já vai demasiado longo, correndo, com isso, o risco de merecer a frase (essa garanto que apócrifa) de ser como “o peixe espada, chato e comprido” - de esclarecer que José Mourinho não faz caixinha da sua metodologia científica de treinamento dispondo-se, pelo contrário, a dar guarida a outros treinadores que o procuram para com ele estagiarem nos clubes sob a sua orientação…e aprenderem aquilo que a sua formação académica universitária, aptidão genética e meio ambiente lhe proporcionou. Aliás, existem alguns livros escritos por autores que disso dão conta tornando público a sua filosofia de treino de um jogo, como qualquer jogo, sujeito a imponderáveis de sorte e azar a que alguns chamam da estrelinha que ilumina o talento (ou inspiração) de Doutor José Mourinho.
    Responsabilizo o interesse do seu comentário pela extensão deste meu obrigando-o, como castigo, a lê-lo até ao fim. Só isso é que não lhe posso perdoar e, porventura, um eventual leitor que tenha a pachorra de me ler até à última palavra da última linha deste meu texto também não. Com cordialidade dou por finda esta minha participação num diálogo que me atrevo a ter como esclarecedor das nossas posições, por vezes, concordantes, outras tantas, nem tanto. Não reconheceu o próprio Sá de Miranda que “tudo seus avessos tem”?

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  15. Quando no meu comentário anterior referi, de memória, Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, da Universidade do Porto, amputei-o do prefixo bio, escrevendo "Instituto de Ciências Médicas de Abel Salazar". Outras gralhas surgirão,pela certa, no texto que terminei de madrugada. Para o leitor mais atento vão as minhas desculpas. No melhor pano cai a nódoa, no dizer do povo. Quanto mais em pano de serapilheira!...

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  16. Bom amigo Carlos Félix Fernandes: As voltas que a vida dá, permitiu o nosso reencontro neste blogue e, mais do que isso, colher os frutos dos seus comentários aos meu post's. Com eles, muito ganhei sob o ponto de vista da amizade que o leva a ver em mim qualidades que eu gostaria de ter. Apenas isso.

    Como disse num dos meus últimos comentários,mais não sou que um soldado raso no mundo cultural em que outros atingiram as estrelas do generalato.

    O seu último comentário navegando à bolina, com mestria, no mar imenso e, por vezes, desconhecido, da epistomologia foi uma ajuda preciosa para o desmistificar de ventos contrários que sopram para bem longe tudo que não seja conhecimento científico de sólida e cimentada tradição como se fossem dogmas. Valha-nos, nesse sentido, a obra de Karl Popper desmistificadora de Karl Popper. Um abraço amigo.Rui

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  17. Encontrando-me de saída, redigi este comentário à pressa como facilmente se verifica, v.g.: "a obra de Karl Popper desmistificadora de Karl Popper"!... Um perfeito disparate nascido da repetição do nome deste reputado filósofo da ciência. Corrijo: "a obra desmistificadora de Karl Popper". Por outro lado, uma gralha na grafia da palavra "epistomologia" que rectifico: epistemologia..

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