quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Debate e combate

Há uma  diferença colossal entre um debate de ideias e um combate político, e esta diferença nem sempre é adequadamente compreendida. Quando nos entregamos a um debate de ideias a nossa preocupação central é a verdade: queremos ajustar o que pensamos à realidade. Por isso, damos atenção aos argumentos, procuramos ser cuidadosos e rigorosos, e estamos prontos a mudar de ideias. Mas quando nos entregamos a um combate político, não queremos ajustar as nossas ideias à realidade, mas sim mudar a realidade de acordo com as nossas ideias: queremos empurrar o mundo numa certa direcção — queremos um mundo com mais isto ou mais aquilo, com mais pessoas a pensar uma coisa ou menos pessoas a pensar outra coisa.

Infelizmente, o combate político disfarça-se muitas vezes de debate de ideias. E assim se prostitui um dos instrumentos fundamentais da descoberta das coisas, que é precisamente a troca de argumentos entre várias pessoas que partilham um forte interesse pela verdade. Quando o combate político se disfarça de debate de ideias, insulta-se as pessoas, não se faz um esforço para compreender o que estão a dizer, não se procura ser justo, imparcial e objectivo, usa-se todo o género de trapaças lógicas, trocadilhos e fantasias — pois o objectivo é apenas suprimir ideias de que não se gosta, e não pesar cuidadosamente os argumentos a favor e contra essas ideias.

Esta situação é grave porque sem debates genuínos de ideias qualquer falsidade ou palermice fica ao nível de ideias e argumentos plausíveis, cuidadosamente argumentados e honestamente concebidos. A própria possibilidade da investigação científica ou filosófica, assim como a possibilidade de uma democracia saudável, é posta em causa. Não há maneira de organizar programas de investigação nem sociedades que resistam automaticamente à instrumentalização ideológica, política ou interesseira; sem a boa vontade dos participantes, não é pura e simplesmente possível conduzir uma discussão frutuosa sobre seja qual for o tema.

Poder-se-á fazer alguma coisa de significativo quanto a isto? Não creio. À excepção de algumas pessoas, a generalidade dos seres humanos chegam a uma idade em que jamais irão mudar de ideias e tudo o que lhes resta agora é combater politicamente para empurrar o mundo numa direcção em vez de outra. Há até a ideia desafortunada de que combater ferozmente por convicções fortes é de aplaudir, ao passo que pesar cuidadosamente os argumentos a favor e contra essas convicções é visto como pura perda de tempo: os ociosos analisam interminavelmente ideias, os activos impõem-nas aos outros através do combate político e da opressão social e psicológica. As mentiras são tanto mais perigosas quanto mais misturadas estão com verdades, e este é um desses casos: sem dúvida que precisamos de agir e de tomar decisões práticas e políticas, e não podemos ficar sentados eternamente a discutir se realmente vem aí ou não um tsunami que vai arrasar a nossa cidade. Mas desta verdade não se segue que não possamos nem devamos precisamente sentar-nos para discutir cuidadosamente quando podemos claramente fazê-lo, nem se segue que não devamos discutir cuidadosamente quais serão os melhores cursos de acção. Segue-se apenas que por vezes a discussão tem de ser mais expedita, mas uma discussão expedita de ideias, se for genuína, ainda não é, e está muito longe de ser, um combate político.

Apesar de nada de significativo podermos fazer quanto a isso talvez se possa melhorar as coisas ligeiramente, ensinando os alunos a discutir ideias, fazendo uma intervenção pública ponderada e reflectida para que o grande público tenha também por ostensão uma concepção da diferença entre um debate genuíno de ideias e um combate político. Infelizmente, isto não é fácil de fazer porque há a tendência para cair no extremo oposto: para se ser imparcial e “académico” ou “escolar”, as pessoas limitam-se a repetir ideias sem pensar nelas outra vez e sem saberem se realmente as aceitam genuinamente ou se apenas estão a dar voz a mais um formalismo escolar que nada tem a ver com coisa alguma. Precisamos de um meio-termo entre esta indiferença formalista que faz as pessoas repetir coisas sem pensar outra vez, nem compreender adequadamente, e o debate de ideias metamorfoseado em combate político. A grande ilusão é pensar que ou somos imparciais e objectivos — mas nesse caso só debitamos academices irrelevantes, ou, pior, resultados científicos que não podem ser postos em causa — ou nos entregamos pessoalmente e calorosamente a um debate de ideias — mas nesse caso não seremos imparciais nem objectivos, adoptando ao invés as conhecidas técnicas do sujo combate político. Este falso dilema é perigoso, mas não sei o que se poderá fazer de significativo para mostrar a sua falsidade.

11 comentários:

  1. Caro Desidério Murcho

    A sua contra-ofensiva a partir da diferença entre debate científico e debate político é profundamente obscurantista: o debate de ideias reduzido ao debate de argumentos! Mas que argumentos? Aqui insinua-se uma política "suja", para lhe retribuir um termo que usou: fazer o jogo da ordem estabelecida, como se esse fosse o jogo da filosofia ou a procura da verdade de que fala. Os seus argumentos parecem cair de pára-quedas a partir de um local desconhecido mas que todos conhecemos bem. Ensinar isso aos alunos é deixá-los desprotegidos diante da artilharia espiritual difundida pelos mass media, publicidade, propaganda, etc.

    Não se esqueça das mediações sociais, culturais e linguísticas do conhecimento: não há conhecimento puro, como o mostrou toda a filosofia contemporânea. Verdade? Rejeitar a ideia de "deus" é verdade? Querer reduzir o mundo a um pobre jogo de linguagem é verdade? Não levar em conta tudo o que se opõe às suas ideias é verdade? Desprezar a história é verdade? Recusar ideias porque elas não cabem na sua concepção do mundo ou da filosofia é verdade? E tudo isto é democrático? A democracia não é uma pedra! No fundo, a crítica que faz aos outros que supostamente não argumentam mas "insultam" (não li insultos) é-lhe restituída!

    Afinal, parece pensar ou fingir pensar sacando do "deus" que critica a capacidade de "criar a partir do nada": sem conteúdos de conhecimento não há crítica e muito menos debate de ideias, como lhe chama.

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  2. Desidério Murcho diz:

    "A grande ilusão é pensar que ou somos imparciais e objectivos"

    Não somos. Todos interpretamos os dados reais com base em visões do mundo.

    Os criacionistas têm uma visão do mundo, ao passo que os evolucionistas têm outra visão do mundo.



    As ideias que o Rerum Natura promove em nome da ciência são as de que o Universo explodiu do nada por acaso, a vida surgiu da não vida por acaso, todos nós viemos de um ancestral comum e as espécies evoluiram das menos complexas para as mais complexas.

    A verdade é que nenhuma dessas afirmações pode ser validada empiricamente, por mais intensamente que se pretenda usar o método científico.

    Sobre esses alegados factos não existe nenhuma observação directa ou reprodução laboratorial. Até o registo fóssil falha na demonstração de evolução gradual.


    Sobre elas o método científico nada pode, em última análise, dizer.

    Daí a nossa dependência do Criador, que nos fornece as premissas racionais do conhecimento científico e o critério de verdade (não provisório nem falível) para a avaliação das teorias científicas.

    Nunca ninguém explicou como é que surgiu a singularidade primordial que deu origem a todo o Universo.

    Trata-se aí de um modelo matemático empiricamente indemonstrado e indemonstrável. Por sinal, cheio de falhas.

    Também nunca ninguém demonstrou que a vida surgiu por acaso. Isso nunca foi observado por ninguém ou reproduzido em laboratório.

    A vida necessita de quantidades inabarcáveis de informação, codificada dentro dos próprios seres vivos, sendo a probabilidade de ela surgir por acaso virtualmente zero.

    O ancestral comum também nunca foi visto por ninguém, nunca foi encontrado qualquer vestígio fóssil da existência. Ninguém sabe o que e como teria sido.

    Na verdade, toda a evidência observável é inteiramente compatível com a noção de um Criador Comum.

    Também nunca ninguém viu uma espécie mais complexa a evoluir de uma menos complexa.

    O que nós observamos é mutações e selecção natural dentro da mesma espécie, podendo resultar em doenças, morte ou na criação de sub-espécies com redução do “pool genético” original.

    As ideias sobre a origem casual da vida, a existência de um ancestral comum ou a evolução de partículas para pessoas não são científicas.

    As mesmas são corolários da ideologia naturalista que já existia no tempo e Epicuro ou do seu discípulo romano Lucrécio. Epicuro já era evolucionista, porque a isso era obrigado pela sua visão naturalista do mundo.

    Por aqui se vê que o naturalismo não tem qualquer fundamento.

    Para defender tais teorias é inútil apelar aos métodos e aos desenvolvimentos científicos e tecnológicos modernos.

    Os mesmos só são possíveis com inteligência e informação, nada tendo a dizer sobre a indemonstrada origem acidental do Universo e a evolução aleatória de partículas para pessoas.

    É bom discutir estas questões partindo do princípio de que ninguém é imparcial.

    Os evolucionistas têm uma fé naturalista, os criacionistas têm uma fé bíblica.

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  3. Caro Perspectiva

    Concordo com a sua conclusão final:

    "Os evolucionistas têm uma fé naturalista, os criacionistas têm uma fé bíblica.",

    desde que não queira ensinar o criacionismo nas aulas de biologia ou de filosofia. Contudo, acho que pode fazer uma crítica mais substancial ao evolucionismo sem precisar opor-lhe o criacionismo. São registos inteiramente diferentes: um é uma hipótese de trabalho, a evolução; o outro tem uma relevância moral e religiosa: é uma empresa doadora de sentido.

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  4. Ah, concordo consigo, caro Perspectiva, quando denuncia a falsidade do "falso dilema" colocado por D. Murcho: Que horror de falsidade! Estamos lançados no mundo, logo temos interesses. A minha sinceridade leva-me a dizer o que penso: um bom começo de "debate de ideias". Honestidade intelectual!

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  5. Ah, outra brincadeira com D. Murcho que deve conhecer as teorias de Karl Popper: num debate o que está em causa são as ideias e não as pessoas que as transportam. Em termos de evolução cognitiva: a morte das ideias não implica a morte dos seus adeptos. Não há verdadeiramente combate, até porque os combates políticos não são lutas de vida ou de morte. Como diria Hegel, são lutas pelo reconhecimento, de puro prestígio. É bom dominar a "história dogmática" da Filosofia, porque assim não somos tentados a imaginar que dizemos coisas a partir do nada. :)

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  6. Pois, não podemos ser imparciais, quando dizemos sim a uma coisa, estamos a dizer não a outra. Não podemos dizer sim às duas, nem não às duas também. Se dizemos que sim a uma outra, é porque cremos que esta é a explicação mais plausível acerca da questão que procuramos, no entanto, esta explicação ainda que pareça plausivel, pode não ser a melhor explicação que podemos obter. Você, Desidério, quer um debate de ideias. Acho importante haver debates de ideias, contudo acho tão ou mais importante, chegarmos a conclusões e afirmarmos essas conclusões daí para a frente. Ou seja, não vamos andar continuamente a debater o que já fomos convencidos que seja a conclusão para a questão debatida. O problema que vejo na filosofia, é que procura-se debater ad infinitum, e quando porventura se chega a uma conclusão, os proponentes da filosofia, querem continuar a debater a questão, pois acham que nada é absoluto, e tudo está em aberto. Pois, mas o facto de chegarem aí, já vai contra o seu argumento, absolutizando o argumento que até aí chegaram.

    O Desidério procura a verdade. A Bíblia diz que Jesus é a Verdade. O Desidério quer debater se Jesus é a Verdade? Debater leva-nos a querer entender Deus e a Sua Palavra e depois então apresentar factos acerca da questão para debater. Quando procura somente debater sem buscar a um entendimento que lhe possa ajudar no debate das ideias, então, não está a ajudar no debate, mas sim, a procurar continuar a pedir que se debatam as questões. Venha então esses debates, mas prepare-se de antemão para eles com vontade de chegar a conclusões, não venha somente para eles com a atitude de somente debater e não chegar a conclusão nenhuma (que acaba por ser uma conclusão). Ou seja, prepare-se para não ser imparcial... ou desafiar a sua parcialidade.

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  7. Concordo com os argumentos contra a verdade desideriana (penso que a podemos denominar assim) de Francisco Saraiva de Sousa. Ela não pode existir da forma evidente e ingénua como Desidério crê.

    Por outro lado, também o termo realidade carece de confirmação. Dizer "queremos ajustar o pensamento à realidade" faz muito pouco sentido. É que este ajustamento necessitaria obrigatoriamente de um terceiro elemento que pudesse, do exterior, verificar o grau de ajustamento. É óbvio que não pode ser o pensamento, visto que está no processo de se ajustar, nem a realidade, visto que, na forma como a entende Desidério, é uma espécie de coisa-em-si.
    Caro Desidério, a forma elementar como trata das questões epistemológicas e ontológicas básicas indica desrespeito pela história da Filosofia, pelo seu "jogo de linguagem" próprio, como até pelo neo-pragmatismo norte-americano, apesar de tudo mais especulativo do que o seus textos.

    Compreendo que o faça dentro de uma estratégia mediática relativamente bem definida, mas creio que presta um mau serviço à Filosofia.

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  8. Quando alguém começa a dizer que aqueles que dele discordam não são sérios, não são honestos, não reflectem nos seus argumentos, sem especificar a acusação ou contra-argumentar, devemos claramente desconfiar.

    O problema do Desidério é que a filosofia, por si só, não tem respostas para as questões últimas acerca da origem, do sentido e do destino da vida. Só alguém que possa ser omnisciente é que tem essas respostas. Por outras palavras, só Deus é que pode ter a resposta.

    Os cientistas vivem no presente e fazem as suas observações e experiências no presente. Depois procuram extrapolar para o passado e para o futuro distante. Mas essas extrapolações dependem sempre se pressuposições não demonstradas acerca desse passado e desse futuro.

    Por exemplo, com o acelerador de partículas LHC, do CERN, nunca saberemos o que aconteceu há 15 biliões de anos atrás, mas apenas o que é que acontece dentro do LHC. Depois, quando muito, poderemos especular e extrapolar.

    Mas nunca poderemos confirmar essas especulações acerca do passado distante.

    As mesmas serão sempre reféns de modelos teóricos e das pressuposições não demonstradas em que eles se apoiam.

    É para essa diferença entre as observações propriamente ditas e os modelos e pressuposições com base nas quais elas são interpretadas que os criacionistas alertam.

    Se não se fizer uma distinção clara entre observações e interpretações e se não se tiver consciência do modo como as visões do mundo condicionam essas interpretações, os nossos alunos continuarão a pensar, ingenuamente, que a biologia demonstra a evolução de partículas para pessoas, quando no fundo, por causa da sua vinculação ao naturalismo, ela assume, sem qualquer prova e contra todas as provas, que a evolução ocorreu.


    P.S. chamo a atenção de todos os leitores para o novo site

    www.conhecerdeus.com

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  9. Também não acredito que haja cura para tudo. Confrontamo-nos ainda com grandes disparidades na forma de pensar em todo o mundo.

    Mas o debate social continuará a prosseguir, umas vezes para travar o ímpeto liberalista dos cientistas que não vêm problemas em que tudo se experimente, outras vezes a tentar convencer os políticos fundamentalistas liberalistas ou anti-liberalistas a serem mais éticos para se evitarem problemas que são evitáveis.

    Os debates éticos em ciência ainda vão aumentar. Mas quanto ao fundamentalismo religioso a cura ainda me parece difícil. A resistência moral das pessoas reside na sua raiz constitutiva.

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  10. Caro Jonatas, mais dois apontamentos:

    1) O presente é um infinitésimo e como corolário 2) não há uma distinção clara entre interpretações e observações; aliás esta última não é mais que uma idealização da primeira. O que se observa, ouve ou sente de alguma forma é sempre uma realidade que ocorreu noutro tempo e noutro local, seja este texto, seja a luz que o sol emitiu há 8 minutos atrás e que nos chega agora ou seja a explosão de uma supernova há 30000000 de anos.
    Este é mais um erro fundamental que o jonatas faz.
    As "certezas" são sempre de ordem probabilistica e provem da análise cuidada, da coerência e da regularidade dos estímulos que, em última análise impressionam os nossos sentidos.

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  11. Nem todos os caminhos da ciência levam a Deus, ou é cada vez mais assim?
    Se é assim, porque é que é assim?
    É porque os cientistas querem ou porque se sentem cada vez mais constrangidos a pensar assim?
    E será que todos os caminhos que levam a Deus são bons caminhos?
    Ou já não resta mais quase nada para se investigar com financiamento e, portanto, com segurança, isto é, sem que depois se esteja sujeito a um processo interposto por alguma multinacional ou religião?
    Triste mundo este! Não é tanto a ciência que está errada (dessa precisamos ainda), mas os moldes, inclusivamente de natureza ideológica (ou a mundivisão...) a que ela, por razões económicas, continuamente se tem de ajustar, para sobreviver. Porque sem dinheiro há certas coisas que não se podem demonstrar, e se não se podem demonstrar, então é-se acusado de subjectivismo, algo que, sendo natural numa especulação religiosa, em ciência é ainda tabu, ou pelo menos algo de profundamente incompreendido.
    Depois, quando por pressão externa se investiga o extremamente longe e difícil - nada mais nada menos do que o todo e o tudo -, a coisa ainda se complica mais, caso uma peça não encaixe bem na engrenagem, ou a engrenagem deixe de encaixar na cabeça dos cientistas que para ela contribuem.
    Não me levem a mal, é só uma tentativa de interpretar o silêncio! Realmente, a discussão em torno do conceito de realidade é cada vez mais premente.
    E já agora: juro-vos que estou neste momento a bater nas teclas, e que isto que escrevi não é simplesmente uma projecção bidimensional de mim mesma. Penso e escrevo, logo existo. Juro que existo! Mas não haverá por aí cada vez mais gente que, em nome duma dada realidade, prefere não pensar e não escrever, para existir?
    Que quer tudo isto dizer, incluindo o silêncio? Aposto que quase só eu é que ainda vou lendo estas coisas, em vez de estar a cuidar da minha saúde e a tratar da minha vidinha, como andam todos, muito afanosa e silenciosamente. Mas tenho este defeito de fabrico: nasci com um ponto de interrogação na alma.
    Adelaide Chichorro Ferreira

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