sábado, 23 de fevereiro de 2008

MOZART E A MATEMÁTICA


Minha crónica do "Sol" de hoje:

O que tem Mozart a ver com a matemática? Já houve quem dissesse que ouvir música de Mozart aumenta a capacidade de raciocínio espacio-temporal e, portanto, a aptidão para a matemática. Este é o chamado “efeito Mozart”, um termo inventado pelo médico francês Alfred Tomatis, que detectou um maior desenvolvimento cerebral de crianças pequenas depois de elas ouvirem Mozart. Acreditando nisso, um governador de um estado americano mandou distribuir discos de música de Mozart a todas as parturientes... De facto, o efeito Mozart não está provado. É um daqueles mitos que os média espalharam sem haver confirmação científica.

Mas Mozart tem mesmo a ver com a matemática. Na imensa obra do génio de Salzburg encontram-se bons exemplos de um importante conceito matemático – a simetria. Um espelho exibe uma simetria particular entre um objecto e a sua imagem, trocando a esquerda e a direita. Em certas peças mozartianas, há mesmo um espelho: é tocada a imagem de um excerto da pauta ao espelho. Encontra-se também um espelho do tempo: um excerto da pauta é repetido, mas tocado do fim para o princípio. É ainda frequente encontrarmos simples repetições. Mozart revela-se exímio em combinar de maneira harmónica todas estas simetrias. E o nosso ouvido fica tão entretido com a música que só olhando com atenção para a pauta é que conseguimos detectar esses truques matemáticos.

Pois a matemática e música Carlota Simões vai dar exemplos no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, no sábado, dia 23 de Fevereiro, pelas 15h30. A palestra é uma iniciativa da Agência Ciência Viva e da Sociedade Portuguesa de Matemática, integrando-se num ciclo intitulado “A matemática das coisas”. Nesse ciclo, a escritora Isabel Alçada já falou sobre a matemática das histórias infantis e, a seguir, um bancário irá falar sobre a matemática financeira, uma “croupier” sobre a matemática dos jogos de azar e uma jurista sobre a matemática do bem e do mal. Não é só na música. A matemática está, afinal, por todo o lado: nas bibliotecas, nos bancos, nos casinos e nos tribunais.

6 comentários:

  1. A matemática estão tão imensamente presente e é a base de tanta e toda a música que já me pus a pensar, por vezes, se em vez de haver matemática em toda a música o que há é música em toda a matemática!...

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    1. Engraçado é que os funkeiros não aprenderam nada sobre matemática, a coisa mais incrivel do universo

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Veja-se [aqui] uma curiosidade musical (dos anos 20 do se'culo passado), do ge'nero da que se refere no post: tocada de 4 maneiras: do fim para o princi'pio, de pernas para o ar, etc...

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  4. Olá,

    desculpe, mas o que está a dizer não faz muito sentido. Pode indicar em que peças de Mozart têm essa capacidade palindrómica?

    Se é isso que você quer ouvir na música, então aconselho muita música renascentista desde Machaut/Dufay (http://en.wikipedia.org/wiki/Isorhythm), até ao (exceptuando) estilo novo de Monteverdi. Nesses compositores há obras que são verdadeiros tratados matemáticos, estando todos os parâmetros matematicamente definidos - e o mais importante, soa bem.
    Um caso especial em Bach seriam algumas peças da Oferenda musical.
    Estes "formalismos" voltam a ser actuais no século XX, especialmente a partir do estilo dodecafónico da 2a escola de Viena. Para isso podem ouvir peças de Webern, a partir do Op. 19. Nessas sim, há muitas qualidades palindrómicas.
    E contnuando até ao serialismo dos anos 50-70, música algorítmica, Xenakis, música espectral... as ramificações são muitas.

    Outras curiosidades incluem análises sobre o uso da proporção de ouro em Debussy e Bartók (e também nos Lusíadas).

    Em Mozart, é que não estou a ver onde é que isso acontece...


    Mas de qualquer modo, a importância destes recursos não deveria ser extrapolada. Um exemplo seria de tocar o excerto apresentado pelo CM Ribeiro: os números estão certos, mas a música é chata.

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