domingo, 17 de fevereiro de 2008

Ei, intelectuais! Deixem as crianças em paz!


A propósito da “Colecção de Clássicos da Literatura Portuguesa Contados às Crianças”, uma publicação conjunta do semanário Sol e das Quasi Edições.

O título deste texto, praticamente decalcado de uma famosa canção do álbum The Wall dos Pink Floyd, pretende denunciar a tendência de alguns intelectuais se intrometerem entre as crianças e os livros, porque supõem que as crianças de hoje não gostam de ler ou que, de facto, não lêem.

Antes de mais, esta suposição é muitíssimo discutível, pois não temos dados precisos sobre os gostos e a quantidade de leitura das crianças de hoje. Por outro lado, não temos, mesmo, dados sobre os gostos e a quantidade de leitura das crianças de outros tempos, de modo que não podemos proceder a qualquer comparação objectiva entre gerações.

Ainda que sem fundamento científico, a dita suposição tem justificado o recurso a uma estratégia que se vai instalado, progressiva e confortavelmente, entre nós: em vez de se passarem para as mãos das crianças obras originais, passam-se-lhes extractos breves e adaptações ligeiras das mesmas, em que se nota um cuidado cirúrgico em extrair ou substituir toda e qualquer palavra ou frase supostamente mais difícil, para que as crianças não sintam nenhuma dificuldade ao ler os textos e, assim, não se “desmotivem”. Para tornar esses extractos e adaptações ainda mais atractivos, rodeiam-se de amplas e garridas ilustrações.

Se nos manuais escolares de Língua Portuguesa do Ensino Básico esta estratégia é uma constante, porque não estendê-la a outras iniciativas para captar a atenção dos pequenos leitores, de modo que um dia sejam grandes leitores?

Esta deve ter sido a pergunta que o semanário Sol e as Quasi Edições fizeram e que desencadeou uma parceria entre ambos para adaptar textos de alguns dos nossos melhores autores. Trata-se da “Colecção de Clássicos da Literatura Portuguesa Contados às Crianças”, sendo os clássicos em causa os seguintes:

Sermão de Santo António aos Peixes, de Padre António Vieira;
Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente;
Frei Luís de Sousa e Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett;
A Morgadinha dos Canaviais e Os Fidalgos da Casa Mourisca, de Júlio Dinis;
Amor de Perdição e A Queda de um Anjo, de Camilo Castelo Branco;
Os Maias, A Cidade e as Serras e A Relíquia, de Eça de Queirós;
O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa.

Não se trata de clássicos, no sentido específico do termo, mas de autores ou obras cujo valor é reconhecido por todos. Os livros que até ao momento saíram são muito fininhos, com caracteres muito grandes, palavras destacadas, frases dispersas por linhas irregulares, ilustrações que ocupam páginas inteiras, remetendo o texto para um lugar secundário. E que texto? Não o texto esperado, o do grande escritor, mas um outro texto, o do autor da adaptação ou do resumo, que nem adaptação chega a ser.

Facilmente se retira a seguinte conclusão: os autores responsáveis por estas adaptações, que são escritores e professores universitários, alguns deles com uma forte influência na opinião pública em matéria de cultura e de educação, consideram que para as meninas e os meninos se prenderem à leitura dos clássicos, o melhor é poupá-los à leitura dos clássicos.

Antes de tudo, o procedimento em causa não está isento de uma reflexão ética: que legitimidade tem um escritor, por muito mérito que lhe seja atribuído, de mexer na obra de outro escritor? Ainda que daí resultassem ganhos importantes em termos de gosto e competência na leitura das crianças, não se pode negligenciar o princípio de que nem todos os meios justificam os fins, por muito louváveis que estes se afigurem.

No caso concreto, estamos em crer que esta questão nem se chega a pôr, pois não há qualquer ganho, mas o contrário. Com base em dados da investigação pedagógica podemos afirmar, com segurança, que independentemente do nível socioeconómico, cultural, étnico ou outro aspecto distintivo, as crianças:
- adquirem competências na leitura e gosto por ler se os adultos que as acompanham lhes proporcionarem, desde idades precoces, bons textos e as ensinarem, por um lado, a inferir a informação neles implícita e, por outro, a apreciar os próprios textos;
- não se desmotivam quando encontram palavras desconhecidas ou frases estranhas nem quando se confrontam com textos extensos sem imagens, desde que os adultos estejam atentos e consigam gerir o grau de dificuldade que se lhe deve proporcionar.

Enfim, as crianças compreenderão e prender-se-ão aos clássicos se tiverem contacto com eles.

Outro aspecto a destacar é o seguinte: as obras dos grandes escritores, agora adaptadas, são literatura, são criação, são obra de arte. E a obra de arte deve ser inviolável.

Não passa pela cabeça de ninguém, por exemplo, macular um quadro de um grande pintor, retirando-lhe elementos, esmaecendo cores ou transformando algumas das figuras ou paisagens retratadas, para que uma criança o interprete melhor. Do mesmo modo, na obra literária tal não pode ser feito, sob pena de estarmos a estragar o que é belo, a ultrajar o autor e a enganar o leitor, que pensa que está a ler um clássico e, está, afinal, perante um produto medíocre, que, naturalmente, o fará detestar a literatura, por pensar ser literatura aquilo que lhe apresentam como tal.

Efectivamente, como era previsível, os livros da dita colecção já divulgados são exemplo de produtos medíocres, um atentado, uma afronta às obras dos clássicos.

Mesmo uma leitura superficial permite, de imediato, verificar que, na adaptação do Auto da Barca do Inferno, o texto vicentino é substituído por um outro texto em verso, com supressão de cenas, alteração do conteúdo essencial de outras, acrescentos abusivos, sendo mantidos termos hoje classificados de calão e introduzidos outros do mesmo teor... E a obra vicentina é, no próprio texto, denominada “entremês”, assim mesmo, com o erro ortográfico. Ora, classificar de entremez o Auto da Barca do Inferno é insultar Gil Vicente.

Quanto à adaptação de Amor de Perdição, que dizer de passagens como “Domingos Botelho Meneses, apesar de ser mesmo muito horroroso, ao ponto de assustar o medo e pôr a noite a fugir a sete pés, era um homem inteligente”, “quando chegaram a Vila Real, D. Rita pôs-se logo a mandar vir com o marido”, “os pais estavam muito chateados com ele”. Camilo Castelo Branco nunca teria imaginado que pudessem introduzir tais expressões em obra sua!

A pior destas três primeiras adaptações é a de Os Maias. Nela desaparece o estilo do escritor, desaparece a crítica social, desaparecem as cenas da crónica de costumes, desaparece a simbologia, desaparece a reflexão sobre o homem e o destino e fica uma historinha sobre o incesto entre dois irmãos, o adultério, relações pautadas pela falsidade, Ega assim caracterizado: “estudava pouco, mas era muito esperto, apaixonava-se com frequência e arranjava sempre festas para se divertir”... Edificante para as crianças!... Isto para não falar dos erros de pontuação (por exemplo, vírgula entre o sujeito e o predicado e entre o predicado e o complemento directo), do deficiente emprego do particípio passado (“não tinha aceite o casamento”), dos constantes erros na utilização dos tempos verbais (por exemplo, “Ega veio ao seu encontro, desesperado, e contou-lhe que aconteceu o pior”; “Entretanto, acabou por saber que Castro Gomes foi para o Brasil”), de erros de regência (“exprimiu todos os seus ciúmes para com Carlos”), de repetições e construções frásicas arrepiantes (“Ega contou-lhe a forma como esse livro iria contar toda a história da humanidade”; “Carlos decidiu partir numa longa viagem, onde visitou grande parte do mundo”; “voltou então a reencontrar amigos”)... Ah, e da transformação de um americano em eléctrico! Na época retratada n’Os Maias ainda não havia eléctricos em Lisboa...

As crianças perguntar-se-ão: mas... são estas as obras dos grandes escritores portugueses? Os grandes autores escrevem assim?

É preciso dizer claramente que não, que os grandes escritores portugueses não escrevem assim, que estes textos apenas usurparam os títulos de renome, e que vale a pena ler os clássicos, mas os clássicos, e não isto!

É preciso considerar, ainda, que as más adaptações são prejudiciais. Se um texto de menor qualidade não afecta uma criança que já é uma boa leitora e que lerá esse e outros, sendo mais imune aos efeitos nefastos daquilo que não presta, já um mau texto na mão de uma criança que não tem muito gosto pela leitura fará com que ela se desinteresse de vez.

E também se deverá referir que nem todas as obras são adequadas a todos os níveis etários, quer pela extensão, quer pela temática, quer pela construção de universos adultos que as crianças ainda desconhecem. Assim, será bom que as obras sejam lidas na idade própria, em que se poderá apreciar toda a sua riqueza.

Posto isto, entendemos que as adaptações dos clássicos que desencadearam o presente texto constituem mais um factor a concorrer para o empobrecimento da competência linguística e literária das crianças. E, em última instância, para que elas se afastem dos melhores livros, pois não são estes que lhes são proporcionados, mas, sim, maus sucedâneos.

Maria Helena Damião e Maria Regina Rocha

Nota: Pela pertinência e actualidade do assunto, terá este texto continuação.

Imagem retirada de:
http://www.digestivocultural.com/upload/fabiosilvestrecardoso/classicos.jpg

13 comentários:

  1. Aníbal Fernandes, prefaciador e tradutor de «O Vazio da Onda» (de «R. L. Stevenson»), refere, a propósito das adaptações feitas às obras do autor, muitas outras, famosas, em que isso sucedeu: Moby Dick, A Ilha do Tesouro, Robinson Crusoé, etc.

    O último, p. ex., tem, fundamentalmente, três partes, das quais a mais conhecida é "a do meio", a que descreve a vida na ilha. Em miúdo, foi essa "parte" que li, nessas tais adaptações para a juventude. Só muito mais tarde li a obra completa. Confesso que não veio daí mal nenhum aos meus conhecimentos literários nem ao meu interesse pela leitura. Se calhar, antes pelo contrário: tendo (como todos os miúdos) adorado a parte das aventuras na ilha, foi com grande prazer que, anos mais tarde, li a obra completa.

    Passou-se o mesmo com «Moby Dick», com «20.000 Léguas Submarinas», etc., cujas versões integrais são intragáveis para crianças de 9 - 10 anos, mas em que as simplificadas podem ser acessíveis, criando-lhes o interesse para, anos mais tarde, lerem as versões integrais.

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  2. Eu conheci uma menina, pequenina, que pedia à mãe livros como os da mamã: SEM bonecos.

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  3. é uma pena esse assassinato acontecer nas obras literárias citadas. Essas obras estãos endo oferecidas nas escolas, vestibulares, onde? Como uma mãe, que não tem hábito de leitura, deve se manifestar nas escolas? é possível a mãe exigir da escola que os livros escolhidos pelos filhos sejam analisados na escola?

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  4. Há uma grande diferença entre excertos e adaptações. E também há uma diferença entre adaptações e más adaptações. O texto da Helena e da Regina mostra claramente que estamos perante adaptações péssimas, com base numa percepção empiricamente falsa dos gostos e capacidades das crianças.

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  5. Que parvoíce tratar as crianças como estúpidas. Eu sempre adorei ler desde os 5 anos e quando havia palavras difíceis ou coisas que não entendia, fazia como qualquer criança: ó mãe o qué isto?? E depois aprendia. E assim enriquecia-me a mim e ao vocabulário. Não substimem a curiosidade dos infantes.

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  6. Apesar da retórica da tutela, e da mais que evidente necessidade de desenvolvimento de competências de Literacia, a literatura mais erudita não é no presente encarada como fundamental para o desenvolvimento de competências. Basta ter presente as orientações curriculares para o Ensino Básico em que o que interessa e prevalece é a contextualização sócio-cultural dos saberes e das aprendizagens, logo, para quê estudar autores clássicos se estão distantes no tempo e da realidade contextual dos alunos? E de que serve aprender poesia se não tem qualquer utilidade imediata, nem se vislumbra o desenvolvimento de competências “em uso”?
    No fundo é esta a linha orientadora das politicas educativas. E para onde é que nos conduzem? (a nós, aos nossos filhos e ao futuro do país) Para o abismo, digo eu.

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  7. Quando era puto fiquei fulo por ter descoberto que o robinson Crusoé, que comprei, estava cortado!
    Concordo em tudo com o artigo.
    Também não gostei de, com 14 anos, ter que gramar com Os Lusiadas, acho que as obras não estavam adequadas às idades a que eram ensinadas, não sei como está agora, imagino que não muito melhor.
    É engraçado que o Eça, no Cartas de Inglaterra, já falava sobre o problema de não darmos os livros adequados às crianças. Esse livro já tem 130 anos mas parece que continuamos na mesma!
    Boa postada, muito bem!

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  8. Cara Helena!
    Os meus sinceros, mas mesmo sinceros parabéns por este post! Ando há anos a pregar aos peixes acerca da chamada literatura infantil. Coincidência, pus ontem um post no Meditação na Pastelaria, a minha chafarica, intitulado: Tertúlia Literária à mesa do jantar ou «porque lhes dais tanta dor?!»
    A maioria das coisas que aparecem por aí publicadas e - mais grave - que se obrigam as crianças a ler nas escolas é mais de meio caminho andado para as desmotivar da leitura. E, neste sector, não é sinal de paranóia falar-se de lóbis poderosíssimos que controlam as coisas. Pôr, por exemplo, o José Luís Peixoto a "adaptar" Os Maias é lesa-literatura e uma imbecilidade sem nome. Se são crianças não lêem Os Maias, lêem As Bruxas do Roald Dahl ou lêem A Bruxa Mimi; se são jovens, espera-se que leiam o Eça. Agora se começam a ler Peixotos de pequeninos, o mais certo é acabarem em adultos no paulo coelho... É o que eu acho.

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  9. Algumas "dicas":

    Em 1954, então com 7 anos incompletos, li, nos primeiros números do «Cavaleiro Andante», «Tarzan e os Homens Formigas». Só mais tarde li a edição de 226 páginas da CEN (e, por sinal, todos os outros livros que apanhei). Fiz mal?

    Muito antes de, já crescidote, ler os 3 volumes de «O Conde de Monte Cristo» (836 pág na edição de bolso das PEA), li versões mais simples, porventura aos quadradinhos. Fiz mal?

    O mesmo se passou com «Os Três Mosqueteiros» e com a «Odisseia». Fiz mal?

    Li também várias adaptações que Adolfo Simões Muller fez, que me abriram o apetite para as versões "sérias", que li mais tarde. Fiz mal?

    E, se sim, deverei - já agora - penitenciar-me por não ter lido as obras nas suas línguas originais?
    Será preciso ler as fábulas de Esopo em grego, recusando as adaptações que por aí correm, feitas por Fedro e La Fontaine - ainda por cima traduzidas?

    Como todos os miúdos, li muita banda-desenhada. Se fiz mal, e a crer no livro «As Misteriosa chama da Rainha Loana», de Humberto Eco, estou bem acompanhado.

    Curiosamente, nem todos os livros ilutrados são maus só por esse facto.
    Não falando já nos d' «Os Cinco», aqui ficam alguns "com bonecos":

    «O Paraíso Perdido», «Dom Quixote de la Mancha» e «A Divina Comédia» (todos ilustrados por Gustave Doré), «As Pupilas do Senhor Reitor» (ilustrado por Roque Gameiro), todas as obras de Júlio Verne (ilustradas por Édouard Riau, Montaut, Férat, Alphonse de Neuville, Léon Benett, Beaurepaire...), «Os Lusíadas» (ilustrado por Lima de Freitas), etc.

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  10. Aqui ficam mais algumas dicas sobre o tema:

    Já que falamos de Eça: o que são «As Minas de Salomão» senão uma tradução/adaptação?
    Quem se preocupa em ler a obra tal como H. Rider Haggard DE FACTO a escreveu (para já não falar na continuação, que também é interessante)?

    Quem não leu as Viagens de Sindbad, a história de Aladino e a Lâmpada Mágica ou a de Ali Baba e os 40 Ladrões?

    Pois se as leu "avulso", quase de certeza leu adaptações, pois a obra completa (que, na edição francesa, inclui os Contos Orientais) tem 1456 páginas de texto cerrado.

    Inversamente, há adaptações que ficaram mais longas do que a obra adaptada: é o caso da tetralogia de Thomas Mann acerca de José do Egipto.

    Resumindo e concluindo:

    Não vejo mal nenhum que um miúdo leia adaptações simplificadas (que as há de boa qualidade) se (e só se, como se diz em lógica...) isso contribuir para lhe despertar o gosto pela leitura e lhe abrir caminho para saborear as obras nas versões completas.
    -
    NOTA: O «Conde de Monte Cristo» tem, na Edição das PEA, 1190 páginas e não as 836 que atrás indico.

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  11. O passatempo foi ganho por 'Musicólogo' pelo seu comentário ao outro post.

    Pede-se-lhe, pois, que escreva para sorumbatico@iol.pt (até às 20h do próximo dia 25), indicando morada para envio do prémio.

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  12. Tenho 16 anos e sempre senti que há um excesso de discriminação, seja qual for o tópico.
    "Os jovens não têm opinião sobre nada, os jovens não conseguem fazer raciocínios lógicos, os jovens não conseguem ler livros
    avançados, os jovens são basicamente...estúpidos. E isto vê-se não só no exemplo dos livros mas em situações do dia-a-dia.
    Quando me fui inscrever na nova Biblioteca Municipal da minha cidade, apontaram como área de interesse o andar para
    Crianças. Contendo livros como "Uma Aventura" ou "Os Cinco".
    Isto não seria inconveniente se eu não tivesse 16 anos a poucos dias de fazer 17.
    Vi um programa sobre esta matéria na RTP 2 e lembro-me das palavras de uma professora da Universidade, Maria Lepecki que comentava que sobre a crença errada que as crianças não conseguem ler livros grandes. Apontou nessa emissão os livros de J.K.Rowling como exemplo de livros grandes que eram devorados pelos mais novos.
    Prova óbvia que quando existe interesse e estímulo, existe capacidade.
    Não é só a falta de rigor que me assusta sobre estas adaptações, mas sim a falta de estímulo para as crianças que devem
    ver o Noddy até terem 18 anos e que são consideradas como bonequinhas de enfeitar.
    Além disso, além de geralmente não se incentivar as crianças a ler, as poucas que o fazem são objecto de estranheza.
    Quando era mais novo e dizia que gostava muito de ler, a maior parte das pessoas abanava a cabeça e dizia algo do género: "Não, agora a sério, diz lá o que é que gostas de fazer?"
    Depois há quem fale "da juventude de hoje em dia, agarrada aos jogos de computador e aos Morangos com Açúcar."
    Gosta-se da educação, mas não se gosta de educar. Quem me dera viver num país, onde em vez de horas sem fim a ver o Wrestlingas crianças pudessem ler livros e fossem incentivadas pelos pais. Talvez assim, não seriam os leitores uma "espécie cada vez mais em extinção".
    Eurico Graça

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