quinta-feira, 31 de maio de 2007

Argumentos cogentes

No postArgumentos Sólidos” foi apresentada a distinção entre argumentos válidos e argumentos sólidos: um argumento sólido é um argumento válido com premissas verdadeiras. No fim do post, apresentava-se um argumento obviamente mau, mas sólido:

Sócrates não era engenheiro.
Logo, Sócrates não era engenheiro.

Isto mostra que não basta um argumento ser válido e ter premissas verdadeiras para ser bom. Uma terceira condição para que um argumento seja bom é ter premissas mais plausíveis do que a conclusão. É isso precisamente que não acontece nos argumentos circulares.

O que é ser mais ou menos plausível? É o que um agente encara como mais ou menos provável, em função do seu estado cognitivo — isto é, em função das suas restantes crenças. Trata-se de uma noção epistémica, ao passo que a verdade é uma noção metafísica: a plausibilidade é relativa aos agentes, mas a verdade não. É verdade que a Terra se move ou não, independentemente do que as pessoas pensam sobre isso; mas um agente pode estar num estado cognitivo que não lhe permita saber que a Terra se move, e que lhe dê até boas razões para pensar que não se move.

Argumentar sem atender ao estado cognitivo das pessoas com quem argumentamos é perder tempo. Pois se não partirmos de premissas que tais pessoas considerem plausíveis, e mais plausíveis do que as conclusões a que desejamos chegar, os argumentos não persuadem — pois essas pessoas irão sempre rejeitar as premissas. Assim, argumentar é partir do que as pessoas consideram plausível e concluir validamente o que elas não aceitavam antes da nossa argumentação. Imaginemos duas pessoas a discutir a questão de saber se ter fé em Deus é racional na ausência de provas da existência de Deus. Para que esta discussão seja profícua é necessário que os argumentos usados por qualquer das partes se baseiem exclusivamente no que a outra parte considera plausível. Dito de forma mais clara: se eu sou crente e quero argumentar, perante um ateu, que a fé é racional na ausência de provas, só posso usar premissas que o ateu com quem estou a discutir considere plausíveis.



Concluindo, estas são as três condições necessárias da boa argumentação: usar argumentos válidos, usar premissas verdadeiras e usar premissas mais plausíveis do que a conclusão. Chama-se “argumentos cogentes” aos que reúnem as três condições. Resta saber se estas três condições são suficientes, além de necessárias.


17 comentários:

  1. Diz-se que uma premissa é necesária por decorrer do facto de não ser falsa. Mas pelo facto de não ser falsa não implica que seja suficiente para a conclusão ser verdadeira.

    W.V.O. Quine duvida que a categoria de necessidade seja um auxiliar útil para o pensamento. Uma classe de premissas necessárias seriam as analíticas, por parecerem trivialmente verdadeiras. Mas as verdades aparentemente sintéticas e necessárias levantam problemas. Por exemplo: o meu Ferrari vermelho é verde. Quine pode levar-nos a pensar, que consideramos certas premissas como necessárias por mera convenção linguística.

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  2. Caro F. Dias

    Obrigado pelo comentário!

    "Diz-se que uma premissa é necesária por decorrer do facto de não ser falsa." Isto é falso. Uma premissa pode não ser falsa e ser contingente. Uma premissa é uma verdade necessária quando não poderia ter sido falsa e é uma falsidade necessária quando não podia ter sido verdadeira.

    Também não é verdade que as verdades analíticas pareçam trivialmente verdadeiras. Os teoremas sofisticados da lógica são verdades analíticas, mas não são triviais.

    Não é verdade que "O Ferrari vermelho do fdias é verde" seja uma falsidade sintética, no sentido robusto do termo, dado que resulta directamente de uma verdade analítica ou conceptual: que nenhum objecto vermelho é verde. Podemos distinguir verdades analíticas de verdades conceptuais, mas é natural juntar as duas numa única categoria.

    As verdades necessárias sintéticas verdadeiramente problemáticas para quem defende a teoria convencionalista da necessidade são verdades como "A água é H2O", que não resultam directamente de verdades analíticas nem conceptuais.

    Finalmente, uma coisa é considerar que uma premissa é necessária e outra completamente diferente é ela ser realmente necessária.

    Em qualquer caso, o meu post nada tem a ver com o facto de as premissas serem necessárias ou contingentes. Tudo o que eu disse se aplica igualmente a premissas contingentes e a premissas necessárias.

    Espero que estas notas sejam esclarecedoras!

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  3. Caro Desidério Murcho

    Fico muito grato pelos esclarecimentos.
    Mais uma vez peço desculpa, porque sem dúvida que os meus comentários revelam conhecimentos muito incipientes, mas quem quer aprender, tem que arriscar…

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  4. Caro F Dias

    Não tem nada de pedir desculpa. Aprendemos todos uns com os outros e com o mundo.

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  5. A hardened reporter once asked a pastor if there were any way God could change the world into a better place. The pastor said, "Yes, a supernatural way and a natural way." The reporter wanted no nonsense about the supernatural, so he asked, "What's the natural way?" The pastor said, "God could send legions of angels to force everyone to do what God wants done." The flummoxed reporter then asked, "What's the supernatural way?" The pastor gently replied, "We could let God change our hearts."

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  6. Desidério:

    devo dizer que durante dias não consegui perceber porque é que uma redundância é um mau argumento... mas, como tudo em ciência, quando se vê a resposta até temos vergonha de ter tido a dúvida...

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  7. Fiquei um pouco confusa lendo o exemplo "Imaginemos duas pessoas a discutir a questão de saber se ter fé em Deus é racional..." - não me refiro à utilização dele no contexto das afirmações anteriores (ajudou-me a entender a noção de "argumentação plausível"), mas a algo na sua estrutura interna (não sei se o nome é adequado).

    Suponhamos que obtínhamos uma prova racional da existência de um deus, e nenhuma prova da sua "vontade" ou "expectativas" em relação a nós ou ao universo. Não faria sentido ter fé na sua existência, visto estar demonstrada. Mas eu poderia acreditar (não por uma cadeia de argumentos/provas racionais) que esse deus gosta de bolos de passas, e gosta de mim se eu os comer. E comer bolos por causa disso.

    Penso que é a isto que se chama "fé": um nome que damos a algo que está presente na lista de causas da minha decisão de comer muitos bolos de passas, e que não é como que um elo de uma cadeia dedutiva que se inicia com um auto-sustentado "a razão existe" e termina com o "portanto vou comer um bolo de passas".

    Não consigo ser mais clara.

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  8. Se as coisas estivessem melhor sem Ele, poderia-se concluir que não existe, mas como cada vez mais há mais pessoas sem rumo e entendimentos básicos da vida, presume-se que o que lhes é oferecido não seja realmente analitico - "não acredito em Deus, logo vivo melhor". A eterna descrença (e crença em premissas humanas) mais não faz que procurar que o ferrari vermelho seja realmente verde, pois é assim que o vemos. Quando nos afastamos (deixamos cair as premissas em ue acreditamos)do carro, talvez possamos ver que realmente é vermeho. Até lá, ficaremos tão confusos como o jornalista da mensagem acima, dado que à força não vai, e não deixando cair as premissas também não. O que nos resta então?

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  9. Rui, tentando responder à sua pergunta (e mantendo o raciocínio do meu comentário acima), eu diria que nos resta, diante de cada bolo de passas, tomar uma decisão racional: comê-lo ou seguir adiante.

    Mas nisto o crente e o ateu não se distinguem. Ambos se deparam com bolos de passas, ambos escolhem, e em nenhum deles o resultado da escolha é previsível como o de uma soma de números.

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  10. Voltando ao texto do D.M., não sei se entendo bem o ponto "premissas mais plausíveis do que a conclusão". A ideia é a de que há como que uma sedimentação da plausibilidade? Isto é, numa primeira fase - digamos, "durante" a discussão - eu aceito uma conclusão como se desse um arriscado passo em frente a partir de um ponto em que me sinto "segura", e numa segunda fase - depois de ser "vencida" na discussão, ainda que só porque não soube argumentar - verifico que ainda "tenho pé"? Nesse caso, neste segundo momento a conclusão já me apareceria como "tão plausível" como a premissa, e portanto, argumentativamente, estou "pronta para outra"?

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  11. Helena, esta questão das "premissas mais plausíveis do que a conclusão" é um endurecer da questão que não vai dar a resposta que os ateus necessitam pois para eles o ferrari vermelho é verde e só verão que é vermelho se se afastarem dele. Ou seja, uma pessoa está muito perto do objecto, tão perto que não o deixa ver todo. É como a questão do elefante que é apresentado a várias pessoas que tocando em várias partes dele, dizem que é tudo menos um elefante. Somente afastando-se é que podem ver o elefante no todo. Nesta questão das premissas mais plausíveis que a conclusão é o mesmo caso, dado que a resposta é possivel de ser obtida se se deixar cair a necessidade de premissas mais plausíveis que a conclusão e procurar premissas que justificam a conclusão. Depois há a questão da distância necessária para ver o elefante e distingui-lo como elefante, ou seja, se se tiver demasiado longe, dificilmente se distingue um elefante e portanto, acaba por procurar premissas mais plausíveis que a conclusão quando não se quer dar uns passos à frente e verificar que o elefante é realmente um elefante. Na questão da crença em Deus, Jesus está sempre à distância certa para quem acredita n'Ele. Como a história do jornalista diz, Deus poderia mandar uma legião de anjos para forçar as pessoas a fazer o que Ele quer (acreditar n'Ele) ou podemos dar deixar que Ele mude os nossos corações. Já vimos que a primeira situação não funciona (quer para forçar a crença em Deus, quer para forçar a crença que a humanidade "safa-se" sozinha) e portanto, basta a segunda alternativa. Como Jesus diz, não temos de fazer nada. Somente crer. E deixar que Deus mude realmente os nossos corações.

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  12. Caros Leitores

    Obrigado a todos pelos comentários.

    Hellena, pense apenas nas afirmações que pensa serem verdadeiras. Que a água lhe matou inúmeras vezes a sede, por exemplo, que nasceu num dado país e que a água é H2O. Apesar de acreditar em todas estas afirmações, algumas são mais plausíveis do que outras, no sentido em que exige menos provas para rejeitar umas do que outras.

    Se amanhã ler no jornal que os cientistas cometeram um erro e descobriram que afinal a água não é H2O, você a acredita na notícia; mas se ler que afinal a água nunca mata a sede ficará muitíssimo mais desconfiada de que algo está mal na notícia.

    Atribuímos maior ou menor plausibilidade a uma afirmação ou outra de modo insusceptível de ser quantificado rigorosamente, mas este processo é crucial para a nossa economia cognitiva: sem este processo ou morreríamos por em nada acreditar sem provas matemáticas, ou seríamos crédulos e acreditaríamos em todos os disparates.

    A plausibilidade é uma forma intuitiva de avaliarmos até que ponto uma dada afirmação é mais ou menos provável dado todas as outras informações que temos sobre o mundo.

    Usamos então a plausibilidade para argumentar porque não faz sentido aceitar um argumento que parte do que estamos menos dispostos a aceitar para concluir o que estamos mais dispostos a aceitar. Fazer isso é um disparate porque nesse caso recusamos pura e simplesmente as premissas. Infelizmente, muitas vezes as pessoas não sabem pura e simplesmente argumentar e portanto nunca conseguem persuadir racionalmente ninguém, porque partem do que elas mesmas aceitam e não do que o seu interlocutor aceita.

    Rui, nada do que eu disse tem seja o que for a ver com o debate teísmo/ateísmo. Na verdade, trata-se de oferecer aos leitores alguns instrumentos fundamentais para poderem ter esse debate, e outros, se o desejarem. É tão absurdo pensar que as explicações que dei da natureza da argumentação cogente está comprometida com o ateísmo como é absurdo pensar que uma explicação de aritmética elementar (como dividir números ímpares, por exemplo) está comprometida com o ateísmo.

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  13. Desidério respondeu:

    Hellena, pense apenas nas afirmações que pensa serem verdadeiras. Que a água lhe matou inúmeras vezes a sede, por exemplo, que nasceu num dado país e que a água é H2O. Apesar de acreditar em todas estas afirmações, algumas são mais plausíveis do que outras, no sentido em que exige menos provas para rejeitar umas do que outras.

    >> Maior plausibilidade quer dizer necessidade de menos provas? E como vamos saber quantas são necessárias? Baseamo-nos em quê?

    Se amanhã ler no jornal que os cientistas cometeram um erro e descobriram que afinal a água não é H2O, você a acredita na notícia; mas se ler que afinal a água nunca mata a sede ficará muitíssimo mais desconfiada de que algo está mal na notícia.

    >> Basearam-se em quê? Se as premissas porque partem os cientistas para verificarem forem erradas, é provável que as conclusões também o sejam.

    Atribuímos maior ou menor plausibilidade a uma afirmação ou outra de modo insusceptível de ser quantificado rigorosamente, mas este processo é crucial para a nossa economia cognitiva: sem este processo ou morreríamos por em nada acreditar sem provas matemáticas, ou seríamos crédulos e acreditaríamos em todos os disparates.

    >> Quem muito procura, pouco encontra e portanto muitas vezes morremos pelas duas situações apresentadas.

    A plausibilidade é uma forma intuitiva de avaliarmos até que ponto uma dada afirmação é mais ou menos provável dado todas as outras informações que temos sobre o mundo.

    >> E essas outras informações foram obtidas baseadas em quê?

    Usamos então a plausibilidade para argumentar porque não faz sentido aceitar um argumento que parte do que estamos menos dispostos a aceitar para concluir o que estamos mais dispostos a aceitar.

    >>Exacto, mas há algo mais forte que pode não nos deixar aceitar o que é plausível para aceitar o que estamos mais dispostos. E enquanto não percebermos isso, vamos continuar a agradar a essa força.


    Fazer isso é um disparate porque nesse caso recusamos pura e simplesmente as premissas. Infelizmente, muitas vezes as pessoas não sabem pura e simplesmente argumentar e portanto nunca conseguem persuadir racionalmente ninguém, porque partem do que elas mesmas aceitam e não do que o seu interlocutor aceita.

    >> Alguma arrogância é demonstrada aqui o que à partida pode mostrar alguma falta de entendimento do que a outra pessoa pode querer dizer.

    Rui, nada do que eu disse tem seja o que for a ver com o debate teísmo/ateísmo. Na verdade, trata-se de oferecer aos leitores alguns instrumentos fundamentais para poderem ter esse debate, e outros, se o desejarem.

    >> Muitas vezes tem-se que a forma como as pessoas argumentam demonstra que partem de premissas que as impede de ver mais sobre as questões. Andar constantemente a perguntar sobre argumentos sólidos, racionais, válidos, e este serem apresentados e mesmo assim se continuar a perguntar diz-me que algo escapa ao entendimento.

    É tão absurdo pensar que as explicações que dei da natureza da argumentação cogente está comprometida com o ateísmo como é absurdo pensar que uma explicação de aritmética elementar (como dividir números ímpares, por exemplo) está comprometida com o ateísmo.

    >> O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Explicar coisas com argumentos absurdos não os faz mais racionais.

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  14. Caro Desidério Murcho, muito obrigada pela sua resposta. Completamente de acordo.

    O que acontece então é que, no contexto de uma discussão racional sobre a questão A, eu posso verificar que o dissenso vem de o meu interlocutor considerar implausível o meu argumento X (e por isso a discussão está bloqueada, digamos assim). Então - e aqui está aquilo a que chamei atrás "sedimentação" - eu poderei experimentar persuadi-lo, em primeiro lugar, a aceitar X, para só depois, em caso de sucesso, regressar à questão principal "A".

    Fazemos isto todos os dias, mas é curioso pensar explicitamente sobre isso.

    Devo acrescentar que a minha primeira intervenção (que julgo ter suscitado a do Rui) vem de não conseguir perceber como pode haver uma fé (no sentido da "fé dos crentes") justificada pela razão. O que só vinha a propósito do exemplo dado no texto, e não do resto. É claro que, sendo eu ignorante em química, "acredito" que a tal água é H2O porque tenho "fé" no que me ensinaram na escola ou no que ouço dizer que dizem os químicos: mas esta fé é parecida com a indução, no sentido de que nasce de hábito/repetição/normalidade. E nada tem que ver com a outra. Não sei em qual das categorias (ou se em nenhuma) se deve colocar algo como "eu acredito que esta noite sonhei com Brueghel, porque ainda me recordo do sonho". Será esta crença uma fé parecida com a fé dos crentes? Refiro-me a crentes que experimentam, ao que contam, uma "indizível felicidade", etc.

    Rui: "quando passei a acreditar na real existência do deus Baal, a existência de Baal tornou-se-me evidente. Em tudo, mesmo na mais pequena flor, vejo a acção de Baal. Todas as noites degolo uma criança em sua honra.". Quer dar uma volta neste ferrari púrpura? :)

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  15. Parabéns aos autores!
    Este blog é brutal!!!

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  16. helena serrao: há uma questão que me deixa um pouco confusa e que agradecia que me explicassem. Se um argumento para ser cogente tem de ser sólido, isto é ter premissas verdadeiras e ser válido, qual a utilidade da plausibilidade? Só me parece necessário este critério se ele substituir o critério de verdade, isto é, como não podemos saber com segurança se as premissas são verdadeiras ou falsas então aceitamos o argumento que tiver premissas mais plausíveis. Não compreendo é como os dois critérios se podem conciliar, isto é a questão da verdade das premissas exclui a sua plausibilidadee, sendo assim não faria sentido esta distinção entre argumentos sólidos e cogentes, só faria sentido, se nada pudessemos saber sobre a verdade das premissas. Não sei se fui clara.

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  17. Helena:
    por favor, alguem me pode ajudar? sou aluna de 10º ano e tenho filosofia. nao estou a perceber esta parte da matéria.

    alguem me pode dizer se o seguinte argumento é válido, sólido ou cogente?

    Se houvesse vida para além da morte, a vida faria sentido. Dado que a vida faz sentido, tem de haver vida para além da morte.


    este argumento está no meu livro e eu nao sei resolver o exercício. alguém me pode ajudar?
    obrigada

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