quarta-feira, 21 de março de 2007

JOAQUIM BARBOSA, DE BEJA



(Minha última crónica do "Sol")

Subir mais alto, para ficar mais perto das estrelas, sempre foi o sonho do homem. Do homem género humano, mas também do português comum como Joaquim Barbosa, de Beja. Sabemos, pelo anúncio televisivo, que este último conseguiu!

A proeza foi possibilitada por duas circunstâncias. Uma foi o alargamento das viagens espaciais, o chamado “turismo espacial”. Desde 2001 que se pode pagar um bilhete para subir mais alto. A excursão ainda não é para todos, só para quem tem posses. Mas quem pode pode: têm subido para o espaço pessoas como o gestor de investimentos Dennis Tito (dos EUA), o empresário de informática Mark Shuttleworth (da África do Sul), o empresário de electrónica Greg Olsen (dos EUA) e a empresária de telecomunicações Anousheh Ansari (do Irão). Pagaram cada um mais de 20 milhões de dólares pelo seu passeio na Estação Espacial Internacional, com uma ajuda dos russos para o transporte. É bem possível que surjam qualquer dia ofertas de voos suborbitais “low cost”. Nessa altura pessoas sem grandes posses como eu e o leitor poderão também voar alto.

Mas, pelo menos no anúncio, Joaquim Barbosa, de Beja, já voou. Vemo-lo até a acenar aos portugueses (a nós todos) no final do voo. E como é que ele conseguiu? Terá ele criado uma empresa de sucesso na Amareleja, por exemplo de células fotovoltaicas que aproveitam melhor o sol alentejano? Não. Ao contrário do português de Quinhentos que partia para a aventura do Cais de Belém, basta ao português de hoje entrar no quiosque e jogar. Joaquim simplesmente ganhou o Euromilhões. Ele é o português comum, o tal que joga no Euromilhões todas as semanas (somos de entre os povos europeus quem mais joga e, por causa disso, quem mais Jackpots ganha!). É o português comum que confia na sorte mais do que no saber, que confia no acaso mais do que no trabalho. Ele “fia-se na Virgem e não corre”. A Virgem hoje dá pelo nome de Jackpot e há, de facto, milagres estatísticos. Por alguma razão o Euromilhões é, entre nós, administrado pela Santa Casa.

7 comentários:

  1. está bem visto, mas o spot é um pouco mais inteligente do que aquilo que você diz ser.

    eu vejo ali uma crítica, não sei se intencional ou não, que é esta: alguém de beja no espaço? só mesmo saindo o euromilhões. é uma triste realidade. mas é verdade. e diz muito sobre o atraso em que vivemos.

    em suma, o spot é um belo momento de humor.

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  2. Ao contrário do comentarista anterior considero-o o suficiente para lhe fazer as perguntas: O que nos terá levado e ainda nos leva a pensar assim? O que leva os fazedores de opinião a tratarem-nos desta maneira?

    Não me parece que o spot seja um momento de humor nem me parece que a intenção do publicitário seja fazer-me rir.

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  3. "O que nos terá levado e ainda nos leva a pensar assim?"

    assim como?, pergunto eu.

    "O que leva os fazedores de opinião a tratarem-nos desta maneira?"

    a triste realidade em que vivemos. portugal é um país de grandes atrasos. já ouviu falar do "choque tecnológico"? porque será que precisamos dele?

    "nem me parece que a intenção do publicitário seja fazer-me rir."

    então qual era?

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  4. "Ao contrário do português de Quinhentos que partia para a aventura do Cais de Belém, basta ao português de hoje entrar no quiosque e jogar."

    penso que responde às duas perguntas.

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  5. "penso que responde às duas perguntas"

    vai desculpar-me, mas não responde a nada.

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  6. se não tem nada para dizer, mais valia estar caladinha. há gente muito otária. foda-se pró caralho!

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