quinta-feira, 22 de março de 2007

Mais pedradas no charco


Para além do Murchy e restantes meteoritos, existem outras evidências de que a síntese abiótica de moléculas orgânicas é possível, aliás parece ser bastante comum no Universo.

Em Outubro de 2005 a NASA revelou a existência no espaço de compostos orgânicos que desempenham um papel crucial na química da vida. De acordo com um artigo científico publicado na revista Astrophysical Journal apresentando o trabalho da equipa liderada por Douglas Hudgins, do centro de investigação Ames da NASA, estes compostos são «prevalecentes através do Universo». Afirmação que é suportada pela investigação efectuada com recurso ao telescópio espacial Spitzer da NASA, que mostrou que «moléculas complexas orgânicas chamadas hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH's) se encontram em cada canto e recanto da nossa galáxia»

Embora estes PAH's de per se não sejam muito atractivos para os astrobiólogos, a descoberta de Hudgins de que no espaço a maioria destes compostos incorpora azoto na sua estrutura alterou tudo. Porque, como relembrou um dos membros da equipa, «A clorofila, o composto que permite a fotossíntese em plantas, é um bom exemplo desta classe de compostos, chamados heterociclos policíclicos aromáticos de azoto (PANH's). Ironicamente os PANHs são formados abundantemente em torno de estrelas moribundas. Assim, mesmo na morte, as sementes da vida são semeadas».

Uns meses depois, em Dezembro de 2005, mais precursores das moléculas da vida foram detectados pelo Spitzer, desta vez perto de uma estrela muito jovem. Investigadores holandeses descobriram moléculas orgâncias simples, precursoras do ADN, num disco protoplanetário que rodeia a estrela IRS 46, a 375 anos-luz da Terra na constelação Ofíuco. De acordo com o Jet Propulsion Laboratory da NASA, estes compostos foram detectados numa região onde os cientistas acreditam que surgirão planetas de natureza rochosa, semelhantes à Terra. Segundo Fred Lahuis, do Observatório Leinde, na Holanda, «este sistema poderá ter uma aparência semelhante à do nosso planeta há milhares de milhões de anos, muito antes de a vida aparecer».

4 comentários:

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  2. Já há muito tempo que se conhece a existência de moléculas orgânicas complexas no meio interestelar. A química interestelar é muito rica. Quanto a precursores do ADN ou do ARN, também não são difíceis de encontrar, dado que as bases destas moléculas são elas próprias muito simples.

    A síntese abiótica de moléculas orgânicas é claramente um dado adquirido (ocorre, por exemplo, na atmosfera de Titã).

    A detecção de planetas extra-solares de tipo terrestre ainda não começou porque não dispomos de instrumentação suficientemente sensível. Mas não há nenhuma razão para que eles não se formem à volta de estrelas de 2a ou 3a geração, cujo disco dispõe dos elementos pesados necessários.

    Quanto aos PAHs, porque não propôr uma sigla em português, HAPs?

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  3. -- Carta aberta para Palmira, a Química --

    Estava há pouco na sobremesa e fui agredido por uma revelação, uma luz (apesar de me achar na massa de escroques indiferenciados também tenho momentos de génio) que me levou a abrir caminho até ao computador mais próximo para lhe dizer que tenho sido um pouco injusto consigo.
    Da tundra com os melhores cumprimentos

    Bruce

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  4. Está-me cá a parecer que dentro de 4.5 Biliões de anos, vamos têr esta discussão no terceiro calhau a contar da estrela IRS 46, a 375 anos luz do sitio onde nos encontramos neste momento.
    E há de haver quem , mesmo perante a contradição empirica de tudo o que diz, defenda que o protodisco não existiu, e que as moleculas complexas lá encontradas, foram uns misticos seres que os criaram.
    (*suspiro*)...

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