quinta-feira, 28 de abril de 2011

A TV QUE DÁ CABO DE NÓS


Eu ainda tinha dúvidas sobre qual era, em Portugal, a empresa que trata pior os clientes. Hoje, quando pretendi a rescisão de serviços da Zon (TV Cabo), fiquei esclarecido. A humilhação que infligem aos clientes que pretendem ser ex-clientes passa todos os limites. Quando é para fazer clientes é tudo ultra-rápido, à velocidade da luz, mas quando é para perder clientes (muito justificadamente no caso) é tudo ultra-ultra-ultra-lento, à velocidade dos processos geológicos. Inventam fidelizações em contratos, não dão a informação a que o contraente tem direito, e obrigam a fazer reclamações de utilidade duvidosa porque eles têm, ou julgam que têm, a TV e o cabo na mão. O que me indigna verdadeiramente é quererem cobrar vários meses por um serviço que não prestam numa casa vazia, sem televisão nem computadores. Quando nos dirigimos ao balcão em busca de um esclarecimento, tentam alimentar conversas de circunstância, esquecendo que o cliente está ali para resolver o seu problema e não o problema deles. Não, não se trata da atitude de uma ou duas funcionárias isoladas, que frequentaram umas formações à pressa, parece-me antes que é a atitude generalizada de uma empresa que procura ser a campeã da má educação (lá me chamaram "Sr. Carlos" de novo, com uma desfaçatez que confrange, continuando mesmo quando fiz notar que só as pessoas com alguma intimidade se tratam pelo primeiro nome) e da arrogância (pensam que estão acima de tudo e de todos, acima da lei e da moral!), numa disputa com as suas congéneres, em que o vencedor está em aberto. Infelizmente, não tenho a ilusão de que as empresas concorrentes sejam muito melhores: são várias as empresas kafkianas, nesta era da técnica, que querem dar cabo de nós.

21 comentários:

  1. Para a próxima tente explicar-lhes que não é "Senhor Carlos", mas sim "Professor Doutor Fiolhais". Pode ser que o tratem melhor.

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  2. Confirmo, pois já passei por situação idêntica. É de "bradar aos céus"! Aliás, sou expedita em ser "ex" em todas as TV's e redes de telemóvel. O mesmo se passa nos ginásios, que também "comem" muitos inocentes com essa história do período de fidelização "por si assinado". Já agora, basta um simples relatório médico para não poderem obrigar-nos a permanecer e a pagar uma mensalidade de algo que não queremos, seja por que motivo for.

    A badalhoquice é geral, não se esqueçam também do livro de reclamações. Canhotos ou dextros, temos de ser ágeis com a pouca vergonha

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  3. A concorrência não é melhor. Dadas as experiências passadas, para mim Portugal Telecom é que nem de graça. Podem vir com todas as promoções do mundo quanto a Sapos e Meos, que a mim não me levam um cêntimo.

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  4. José Batista da Ascenção28 de abril de 2011 às 23:28

    Já agora exponho também uma situação que se passou entre mim e a tmn. Para que se saiba:

    Fez em Novembro três anos que adquiri um computador portátil através do programa e-escola, assinando um contrato que, de boa fé, supus obrigar-me a pagar uma conta de cerca de 17,50 € mensais à tmn, durante 36 meses, pelo fornecimento de acesso (muito fraquinho) à net. E cumpri escrupulosamente, sendo que o preço de cada mensalidade nos últimos meses já ia próximo dos 19,00 €.
    Pois bem, chegado Dezembro continuo a receber a factura de pagamento, que devolvi e me recusei a pagar. E chegou Janeiro e recebi nova factura que novamente devolvi e me recusei a pagar. Da parte da tmn pretendiam que, por não ter dito nada, antes do fim de 36 mensalidades, a fidelização se mantinha por mais um ano. Indignei-me e chamei-lhes indecentes. E disse-lhes que não pagava por desconhecer uma tal clausula, que não tenho na folhinha contratual (não timbrada nem assinada...) que a tmn me deixou quando recebi o computador, à porta de casa, trazido por um senhor de lambreta, altura em que, realmente, assinei (ao som da motoreta) uns papéis que imaginei serem apenas relativos à certificação da entrega. Naturalmente não paguei. Finalmente, a tmn informou-me de que iam anular o prolongamento da fidelização. Porém, os funcionários da tmn telefonam-me dia sim dia não, a partir de um número privado, numa acção que desconheço se é apenas para me moer o juízo e a paciência. Pelo que decidi passar a não os atender.
    Não sei durante quanto tempo mais me vão perseguir.
    Mas lá pagar é que não pago.
    Isso, nem morto.

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  5. Cara anónima das 19:01, afirma, e cito, que "basta um simples relatório médico para não poderem obrigar-nos a permanecer e a pagar uma mensalidade de algo que não queremos, seja por que motivo for."

    Esta sua afirmação pública reflecte bem o triste estado a que se chegou. O atestado médico constitui hoje uma espécie de tampão para resolver problemas que a sociedade não tem a coragem de resolver por si mesma. Como dizem os meus pacientes que me tentam convencer a passar-lhes estes atestados, eufemisticamente denominados "de complacência", "é só um papelinho, não lhe custa nada". Do ponto de vista de uma sociedade que, egoisticamente, se está nas tintas para quaisquer outras regras de seriedade e justiça que não sejam o seu próprio interesse, "é só um papelinho". "Um simples relatório médico", nas suas palavras. Portanto, estimada anónima, da próxima vez que pedir ao seu médico um atestado para se safar de uma embrulhada em que se meteu de moto próprio, reflicta na desonestidade e falta de respeito implícitas no seu pedido do que é suposto ser um acto médico de certificação sério e reconhecido publicamente.

    Armando Brito de Sá

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  6. E o que dizer de as operadadores nos manterem há anos reféns dos 40 Euros mensais?

    Tenho cento e tal canais que não desejo e não vejo.

    Tenho um serviço de telefone porque me obrigam. Não tenho sequer telefone. E não, o serviço não é grátis, se tem custo para a operadora são os clientes que o pagam, simplesmente está diluído nos outros produtos.

    Tenho Internet com muitos megas de que não preciso e nem sequer pedi (vão aumentando regularmente).

    Não há alternativa, porque os poucos pacotes mais baratos têm meia-dúzia de canais (15 no caso da Zon e destes uns quantos não valem nada) ou não têm internet.

    Somos obrigados pelas operadoras ao consumo mínimo.

    E não é uma questão de só ser rentável para as operadoras os 40 Euros mensais porque todos os anos Zon e PT apresentam muitos milhões de lucro. É só pesquisar no Google para ver os valores ao longo dos anos.

    Sendo cliente da Zon, desde que a fibra chegou aqui à zona onde vivo, há mais de um ano, que recebo de dois em dois meses uma visita da Meo (dinheiro para estoirar no marketing não lhes falta, por mais que os rejeitemos). Já aprendi a perguntar se têm um pacote decente por menos de 40 Euros, porque imediatamente desistem de me dar conversa. Experimentem.

    Saliento a má atitude destes profissionais e empresa (neste caso a Meo), a propósito das tácticas de marketing. Apesar de ter o autocolante da publicidade não solicitada na caixa do correio e de ser proibido afixar ou deixar publicidade em qualquer zona dos prédios para além da caixa do correio, estão à vontade para:
    - deixar sistematicamente panfletos nas caixas de correio com o dito autocolante;
    - enfiar panfletos por debaixo da porta da habitação (é agradável abrir a porta de casa e andar a apanhar papéis - o que acontecerá se eu for à sede deles largar papéis no chão?);
    - entalar panfletos na porta da habitação (por outras razões isolei a fresta por debaixo da porta, o que impediu a colocação de panfletos dentro de casa);
    - deixar um panfleto gigante a imitar um capacho, a cobrir o capacho à porta do apartamento, a dizer "A fibra chegou a sua casa!" (trouxeram a fibra, quando virão apanhar o lixo que têm andado a espalhar?).

    Podia ainda falar da qualidade dos produtos, como a infame Zon Box, mas resumo-me a isto: há mais de um ano que a tenho e quase há tanto tempo que desisti de a usar. A realidade é que me é mais útil como relógio de sala. O triste é que não é piada, é mesmo assim.

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  7. Como o compreendo, meu caro amigo. Muitas vezes já tenho feito a mesma caridade da explicação do tratamento, mas estas novas cabecinhas, formadas pelas estridentes Júlias e Bárbaras das TV nada entendem dessas formalidades. Já tenho visto garotos e garotas pouco mais que adolescentes a tratarem por Sr. José e Sra Maria gente com idade para serem seus avós. Ninguém lhes explicou em casa regras básicas de educação cívica. A Escola deixou de se interessar por essas coisas, concentrando-se na sua espinhosa tarefa do «passe agora e aprenda depois». E finalmente quando chegam às Empresas, estas devem achar que já é tarde de mais, para tais ninharias. Só o Serviço Militar os poderia dobrar um pouco, mas deixou de ser obrigatório...Vão assim ufanamente emproados a caminho da moderna barbárie, até que um novo Renascimento cultural, educativo, possa redimir os seus descendentes, numa futura humanidade a recuperar das trevas da civilidade.

    António Viriato_28-04-2011

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  8. Caro Armando Brito de Sá,
    (imagino as portas de submissão que tal nome, dito num certo tom, não incutirá na maioria das pessoas...!)

    Quando se trata de denunciar situações numa perspectiva de trocar ideias para que, pela diversidade de contextos e vivências, se abram espaços reflexivos mais profundos e, em última instância, mobilizadores cívicos, torna-se descabido entrar no domínio da acusação, concluindo com uma desenvoltura adolescente da desonestidade de alguém. Aparte essa arrogância explícita, o seu contributo é uma mais-valia preciosa para esta disussão, uma vez que introduz a importante questão da necessidade de um acto médico ser um acto de certificação tão sério como todos os outros actos profissionais.

    No entanto, perante a promiscuidade das suas palavras, lamento muito, mas os seus actos médicos são tão importantes como a senhora que coze botões na esquina da rua da florista, senhora que não participa nestes blogues, mas que sabe cozer botões com uma humildade que a coloca muito acima do que lhe é possível imaginar.

    Engula essa arrogância, se for capaz, e converse como um homem!

    Por mim, continuo a respeitar a classe médica como sempre respeitei, porque os arrogantes são uma minoria sem expressividade na minha estatística existencial.
    HR

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  9. É tão primário quem acha que anda com um título académico escrito na testa! Enfim é o que temos....

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  10. Certificando que a feição do peso por si só, do sobrenome, Fiolhais, não somente em Europa, aliás considerando leste, e como de mínino em Tvs Hipânico-Latinas, como à dias entre tantos, firmam-se de costumeiras, entrevistas e universidades, pela importância da atribuição que lhe caibe, como referência, deveras que um título, e sendo tão somente um título, bem pouco possa concorrer ao que estima-se de primário. Ao que tudo indica o patrimônio de um nome é seu enlevo.

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  11. Um verdadeiro doutor
    sente-se logo à distância
    sem precisão de arrogância
    nem de outro qualquer factor!

    JCN

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  12. Quando ouvimos um doutor,
    vê-se logo pela fala
    que em termos de sabedor
    está no topo da escala!

    JCN

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  13. A quem sirva:

    Entre cozer e coser
    a diferença que existe
    é a mesma que consiste
    entre tecer e torcer!

    JCN

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  14. Coser na roupa um botão
    não se pode comparar
    à tarefa de amassar
    e cozer no forno um pão!

    JCN

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  15. meta a tv cabo da Vodafone. tem menos canais mas são extremamente correctos. ao contrário da zon e da meo. talvez por ser uma companhia internacional que obedece a outros padrões de exigência que não os lusitanos.

    joel m.

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  16. Caro Armando Brito de Sá,

    talvez saiba que responder aos comentários destes bloques é muitas vezes entrar em rota de colisão com a barbárie e a indigência retórica.
    A não ser que conte com a generosidade de outros eventuais interlucotores para se fazer entender e ser, como me parece ter sido, perfeitamente esclarecedor.
    De resto, desconfio que errou na pessoa a quem se dirigiu porque, pela resposta do(a) sr.(a) HR - desabrida, infantil, zangada (e porquê?), desarticulada, incompreensivel, absurdamente violenta nos termos e delirante no racíocinio - não parecerá tratar-se de alguém que, ao solicitar um atestado de 'complacência' (seja lá isso o que for), esteja a ser desonesta (mesmo que convide toda a gente a ser aquilo que isso queira significar); visto que obviamente não entendeu nada do que o senhor afirmou, deduzo que 'complacência' signifique: uma espécie de incapacidade em - o quê? - entender argumentos?...
    Será?

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  17. O que mais me indigna é o facto de os CEOs destas empresas terem salários e prémios pornográficos quando a qualidade e atitude da sua gestão é igual à descrição que fazem da gestão e atitude dos serviços públicos!!

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  18. Ops, gralha: (comentário pré-anterior) onde se lê 'interlucotor' dever-se-á naturalmente ler 'interlocutor'. E pronto.

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  19. Vodafone Casa: €37 nos primeiros 12 meses, €42 depois, 70 canais. Não há pacotes só com TV e Internet. É o mesmo filme das outras operadoras, não há como fugir aos €40.

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  20. Já agora... é bom não esquecermos que quando algo avaria temos de pagar a chamada e o tempo que demora naquela do liga e desliga botões , tira e coloca cabo ( coisa que já fizemos dezenas de vezes antes de telefonar). Acho verdadeiramente "pornográfica" a cobrança desses telefonemas , sobretudo porque a culpa é , quase sempre, da operadora.

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  21. essa do "sr.(primeiro nome)" é das mais irritantes q há hoje em dia. tanto treino de atendimento ao cliente, tanto formalismo desnecessário, e ninguém se lembra que a boa educação começa na forma como nos dirigimos a alguém.

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3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.