quinta-feira, 28 de abril de 2011

Estranhas relações?

Recebo na caixa de correio electrónico da instituição pública a que pertenço, e que me paga o salário, uma informação (ou será publicidade?) que me deixa atónita. Passo a explicar...

Uma certa federação nacional da minha área profissional (que, confesso, nem sabia que existia) informa-me que se tornou parceira de um grupo privado de saúde. Ou teria sido o contrário? Não é que isso faça grande diferença...

Informa-me também que pertenço a uma "nobre classe". Pertenço!? Como tal nunca antes se tinha passado pela minha cabeça, surge-me numa pergunta: uma "nobre classe" (presumo que "profissional" e não "social") em comparação com outras?

Como calha estarmos entre o 25 de Abril e o 1.º de Maio, surge-me outra questão: não são, ou devem ser, as "classes" iguais, em termos de acesso a cuidados de saúde!?

Parece que não... pois, se assim fosse, que sentido teria destacar-se que pertenço a uma "nobre" classe!? Deve ser porque há outras classes "não nobres" com direitos diferentes...

Adiante... Passo ao que se me propõe, e que é o seguinte: "dispor de todos os serviços" prestados em duas clínicas a preços reduzidos. Esses serviços são de medicina (em variados ramos), de psicologia clínica, de estética (em todos os aspectos que se possa imaginar para não deixar envergonhada a "nobre classe") e, claro, estando na moda, de medicina tradicional (em variantes que eu desconhecia). A benesse estende-se aos meus familiares directos.

Depois do elogio e da panóplia de atenções de que sou alvo, confesso que me sinto um pouco mal ao escrever a frase que se segue e que corresponde ao que me atormenta: não se esboçará no que acima disse uma relação estranha entre uma certa federação profissional e uma certa empresa privada?

Nota: Propositadamente, não identifico nem a Federação nem a Empresa pois entendo que isso constituiria publicidade a ambas o que, por certos, elas dispensarão.

2 comentários:

  1. Nobre comentário, sendo este adjectivo por mim utilizado como sinónimo de "honesto", qualidade que, pela sua raridade, é importante protagonizar sempre que possível

    HR

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  2. Eu felizmente deixei de pertencer a uma ordem profissional com um sindicato que para além desse tipo de acordos com instituições privadas de saúde ainda se entretinha a organizar clínicas de golfe.

    Mas parece que está na moda o golfe, agora até temos um campo no meio da cidade de Lisboa, no Estádio Universitário. Uma instituição pública que achou que a melhor forma de promover o desporto académico (como lhe compete) foi disponibilizar cerca de 1/5 da área total do EUL (e a totalidade da que restava livre) e investir num desporto elitista de que meia-dúzia de pessoas vão usufruir (comparado com as alternativas possíveis) e de reduzido valor atlético para jovens. Coincidência que o presidente do EUL é adepto da modalidade?

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