sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ainda o exame de ingresso na carreira docente


Novo post de Rui Baptista:
[Todos os ministros] “são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista” (Eça de Queiroz, “O Distrito de Évora”, 1867).
Os comentários feitos ao meu post O exame de ingresso na carreira docente (28/01/2009) suscitaram-me a necessidade em complementar o que aí escrevi.

Começo por chamar a atenção para o facto de, na vigência da actual governação, existirem dois ministérios a tutelar a Educação, sendo atribuído ao Ministério da Educação (ME) competências sobre o ensino não superior (educações infantil, básica e secundária) e dependendo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) os ensino universitário e politécnico.

Ou seja, o ME recebe os professores que lhe são fornecidos pelo MCTES. Daqui se deduz que a responsabilidade da formação dos professores (saídos do ensino quer universitário ou politécnico, quer público ou privado) pertence, por inteiro, a esta última entidade. E, pelo andar da carruagem, nem sempre a “matéria cinzenta” saída do ensino superior é da melhor cepa por a sua massificação ter contribuído para que “uma esmagadora maioria dos alunos não tenha capacidade para perceberem o que lhe dizem sendo completamente analfabetos em questões culturais” (José Miguel Júdice, Diário de Coimbra, 1.Dez.2004). Haja em vista os casos da Universidade Independente e da Universidade Moderna, encerradas por falta de qualidade.

Mas não nos atenhamos, unicamente, à formação ministrada por estabelecimentos privados. Vejamos, por exemplo, a formação ministrada pelos ensinos universitário e politécnico públicos e, neste particular, a respectiva exigência na formação dos professores do 2.º ciclo do ensino básico (antigo ensino preparatório) para a disciplina de Matemática. Reportando-me a época anterior ao Processo de Bolonha, aos licenciados universitários, para o ensino desta matéria no 2.º ciclo do ensino básico era exigido um currículo destinado exclusivamente ao ensino desta disciplina. Em contrapartida, nas escolas superiores de educação essa formação era feita unicamente no 4.º ano de estudos (licenciatura), sendo os três primeiros anos (bacharelato) destinados à formação de professores generalistas do 1.º ciclo do ensino básico (antiga instrução primária)

Desta forma, não posso deixar de concordar com o exame de acesso à docência dos ensinos básico e secundário pela anarquia a que se tem assistido na formação destes agentes de ensino e para a qual muito tem contribuído a mãozinha de sindicatos de professores ao serviço das suas clientelas. Por seu lado, ao longo dos últimos decénios, na tentativa de endireitar a sombra torta de uma vara, ou de tapar buracos num lado para abrir crateras noutro, as diferentes tutelas ministeriais da Educação publicam hoje e revogam amanhã leis feitas em cima do joelho e a seu bel-prazer com o tempo a passar e a justiça a tardar na verdadeira selva em que se transformou o sistema educativo que enclausura em grades de iniquidade os professores com maior preparação académica, abrindo a jaula da ignorância para que – na feliz imagem camiliana – “as feras façam das garras o seu argumento”. O mesmo tem sucedido na aprovação dos programas das diversas disciplinas. Logo, em ambos os casos, sem o respaldo de uma política educativa digna de crédito e, muito menos, de aplauso por a legorreia publicada andar, muitas vezes, a reboque de ruidosas contestações sindicais.

A insólita situação do magistério da Matemática para o 2.º ciclo do básico, encontra guarida, igualmente, no ensino do Português que estava, até então, a cargo exclusivo de licenciados universitários. Pelo ridículo da situação, e com o devido cuidado por desconhecer o seu autor e a data, não resisto em transcrever este suculento naco de prosa que recebi:
“Como se avalia este professor, ouvido há tempo numa livraria?:
- Bom dia, queria a ‘ Aparição’ do Fernando Pessoa.
- Desculpe do Vergílio Ferreira.
- Francamente, quer-me ensinar a mim que dou aulas de português há 15 anos? Há pessoas que não deviam estar em certos lugares. (Caricato??? Mas verdadeiro. É piada ainda hoje nessa livraria)
(...) Conversa entre mim e a colega que dá a cadeira de Português:
- Não li os ‘ Contos Exemplares’ nem vou ler. Eles (alunos) que leiam. Já comprei um estudo de obra para lhes dar aquilo.
- E como vais dar se nunca leste nem analisaste?- Da mesma forma que dei o ‘Felizmente há luar’, pelos resumos. (Sem comentários) ”.
Por o exame para ingresso na carreira docente do ensino superior incidir no domínio da língua portuguesa e dos conhecimentos da área a leccionar – ninguém pode ensinar o que não sabe ou sabe mal - espero que dele resulte a necessária justiça para os candidatos e a consequente melhoria do sistema educativo. Ainda que, por esse facto, fique mais pobre o anedotário nacional.

Rui Baptista

23 comentários:

  1. Sou professor do ensino secundário e faço um doutoramento na Faculdade de Letras da UL, mais do que ser a favor, considero absolutamente essencial uma boa prova de ingresso (mas antes uma má do que nenhuma) na carreira docente. Como formulei esta ideia? Pela experiência que tenho, quer de muitos colegas quer dos alunos que em breve estarão a dar aulas.

    Mas porque será que somos o país com mais medo das avaliações, porque será que ninguém quer ser avaliado?

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  2. Não sou professor, mas já que refere o português, vou deixar aqui uma história por mim vivida.
    Há 26 anos jantei e pernoitei na casa de um familiar que era professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Ao serão, ele foi corrigir as provas finais de português de alunos do quinto ano, aqueles que, no ano seguinte, entrariam na carreira docente como professores de português. Perguntei-lhe se podia dar uma olhadela e ele anuiu, já que os exames estavam assinados com um pseudónimo cujo nome verdeiro só ele conhecia. Li para aí uma meia dúzia e, face aos erros ortográficos, de pontuação e de sintaxe, disse-lhe que, se fosse eu o professor, os chumbava a todos. E a resposta dele deixou-me de cara à banda e a recordar o episódio enquanto tiver capacidade para pensar: "eu também os chumbava todos, mas só posso reprovar 10%". Palavras para quê, sobre a necessidade de um exame de acesso, mesmo que não tenha a qualidade que as pessoas de bom senso desejariam?

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  3. O que me parece grave é que os modelos de avaliação não dão importância ao saber do professor. Isto é, se um professor de Matemática se interessar por Matemática e estudar, estará a perder o seu tempo e a ver os seus colegas serem promovidos...Acho que este ponto de vista não tem sido discutido.

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  4. Onde pousou a gralha"legorreia" (penúltima linha, 5.º §),deverá ser emendado, para "logorreia".

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  5. Caríssimo Rui Baptista,
    Afinal, o provocador de serviço fui eu. Ia agora mesmo repousar da alucinante semana que tive, mas não posso, sem antes, finalmente poder escrever a uma pessoa que há anos guardo na minha memória. Com efeito,estou cansado e pretendia tão-só passar os olhos por este blogue, porém quando me responde à questão sobre a sua eventual obsessão sobre o SNPL, páro, tenho um sobressalto, e o que vejo? Honestidade e Coragem. (Reparei que havia nas suas palavras para com o SNPL, simultaneamente,muito conhecimento sobre os seus propósitos, mas também desilusão).
    Guardo de si a memória da elevação moral numa carta que me escreveu e onde se adivinhava que viria a sofrer dos mesmos males que eu padeci.
    Na ilha Terceira, nos anos de 95/96, lançei, como gestor-executivo (assim eramos chamados) o SNPL. Lidei com os professores, com as escolas, com os delegados sindicais, com o poder (a Secretaria Regional da Educação e Cultura), com os meios de comunicação social.. e com o(s) Sindicato(s), e o nosso, propriamente dito. Agora que o redescobri, findos tantos anos (era eu ainda muito novo), pergunto-lhe: sabe com quem dos que acabei de enumerar tive mais problemas? sabe, não sabe?;lembrar-se-á da carta de demissão que lhe remeti? E, se se lembra, terão os assuntos nela explanados (pelo menos em parte) algo a ver com a sua demissão?
    Ficam as questões e um grande abraço por alguém que me enviou uma carta que era, não só, um hino às letras nacionais, como uma promessa de dignidade.
    A coragem reconhece-se; ela mora perto da razão, não foge da emoção e convive com o medo em termos de fazer aquilo que achamos que deve ser feito.
    Leve um grande abraço e até já!
    Braga e Guimarães,
    Carlos Félix Fernandes

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  6. Um eloquente exemplo do modo sério e eficaz como se avalia um professor é o facto deste poder dispensar a componente científica e pedagógica mas não a relação com a comunidade educativa ou os projectos. Ou seja, o professor pode dar erros científicos graves durante uma aula ou não saber transmitir os conhecimentos, e ser avaliado como bom professor desde que, se for, por exemplo, de francês, ande a vender crepes no bar da escola no dia da França ou, se for de história, cante o "Grândola Vila Morena" com os alunos para comemorar o 25 de Abril.

    José Ricardo Costa, professor de filosofia do ensino (literalmente) secundário.

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  7. Concordo com o anónimo das 22:50 e com a corroboração fornecida por J. Ricardo Costa. E assim vai a avaliação...

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  8. Caro Victor Gonçalves: O seu comentário tem a suportá-lo a sua vivência de doutorando na Faculdade de Letras da UL, quando justifica a necessidade de um exame de acesso à carreira docente. Ademais, pelo facto de haver muitos candidatos para poucas vagas, ao contrário de há anos em que houve a necessidade (devido a uma massificação, sem rei nem roque, do ensino básico e secundário) em recorrer a indivíduos sem qualquer preparação académica mínima que fosse. Conta-se até o caso de um “professor” do ensino secundário (com menor habilitação escolar que os alunos a leccionar) que , durante o PREC , no dia de apresentação se virou para os alunos dizendo: “Perguntem-me tudo o que quiserem menos a matéria da disciplina que lecciono”! Tinha este docente, e outros de idêntica (de)formação, uma cartão de sócio do sindicato que aceitava todo aquele que nele se quisesse inscrever… Vivem-se, ainda hoje, resquícios dessa desastrosa situação que se perpetua em cursos de formação de professores privados que, em pós de perlimpimpim, venderam, em escassos meses, um complemento de habilitação que transformou um curso médio do magistério primário numa “licenciatura”. Nada acontece por acaso! Reside aqui uma possível justificação para que uma avaliação a sério seja havida como indesejável. Há que manter um “statu quo” em que o acesso ao topo da carreira docente se tem feito pelos anos de serviço e por cursos de formação que, muitas vezes, nada têm a ver com a matéria a leccionar…

    Caro Lino: O caso que relata de alunos da Faculdade de Letras que cometem “erros ortográficos, de pontuação e de sintaxe”, futuros professores, como diz, está bem documentado, outrosssim, no exemplo do meu post quando cito o diálogo passado entre docentes numa livraria lisboeta. E já que estamos em período de exemplos, relato-lhe aqui um outro caso, conforme me contaram, que transcrevo do meu livro “Do Caos à Ordem dos Professores”, Janeiro 2004, p. 192:
    “Sobre a cultura geral de certos agentes de ensino (em que se devia incluir, como condição ‘sine qua non’, o domínio do idioma pátrio, escrito e falado), circula, não sei se com cunho de verdade ou simples blague, a história daquele docente que chega à sala dos professores, com ar de domador de feras, em que a porta da rua se faz chicote, e diz, perante uma vasta assistência de professores: ‘Hoje, durante uma das minhas aulas, um aluno portou-se mal e eu ‘puze-o’ na rua!”
    Por comiseração, um dos professores que ouviu esta bravata ‘pedagógica’ não se sentiu com coragem para logo ali o emendar. Todavia, no dia seguinte, muito diplomaticamente, como quem não quer a coisa, e para que ele não continuasse a servir de correia de transmissão de uma crassa ignorância perante os alunos, diz-lhe: ‘Tem graça, hoje uns alunos portaram-se mal numa das minhas aulas e eu pu-los na rua’. Ao que lesto, ele logo retorquiu: - ‘Pulos? Eu admitia lá que alunos meus se pusessem aos pulos na minha aula!’”
    Esta, outra possível explicação para o medo que uma avaliação a sério possa causar em docentes deste jaez! Ou não?

    Caro anónimo: Para além de outros aspectos, sem dúvida que a avaliação deve incidir principalmente sobre os conhecimentos científicos. A formação ministrada em escolas superiores de educação preocupa-se, talvez demasiado, com o aspecto pedagógico relativamente à melhor maneira de ministrar o ensino. Ora, esta metodologia tem riscos enormes se não for acompanhada de uma boa formação científica. Ou seja, ensinar asneiras científicas que se incrustam na mente dos alunos, como as lapas aos rochedos, é altamente perigoso. Aliás, Schulman (1986) não hesita em criticar o reducionismo às técnicas pedagógicas na concepção da formação e da avaliação dos professores.

    Caro Carlos Félix Fernandes e bom Amigo: Em boa verdade, confesso não o ter identificado pelo nome C. Félix, “tout court, no comentário que fez aos meu post anterior: “O exame de acesso à carreira docente”. Para este seu outro comentário , de que eu gostaria de ser merecedor não se desse, apenas, o caso da sua generosidade para com a minha pessoa, vai a minha profunda gratidão.
    Passo, gora, a responder a questões por si levantadas e aquelas que eu julgo estarem-lhe subentendidas. Na verdade, o ver-me coagido a pedir a minha demissão de presidente da assembleia geral do SNPL(verifico agora ter tido a duração de 18 anos, e não de 12 anos como referi anteriormente), de que fui fundador, depois de inúmeros anos de entrega total, através, inclusivamente, de dezenas e dezenas de artigos nos jornais em defesa dos princípios que o norteavam até uma determinada altura, não podia ter deixado de constituir para mim, como reconhece, uma desilusão. Desilusão que só podia ter como resposta a minha atitude por haver uma inversão de 180 graus no caminho até então traçado pelos próprios estatutos do SNPL, tendo como objectivo a sua adesão à chamada plataforma sindical num pacto que (numa perspectiva pessoal ou mesmo pessoalíssima! ) faria corar de vergonha o próprio Fausto. Enfim, são águas passadas. Tristes águas passadas!
    À sua pergunta se eu sei qual a entidade (das que cita) com quem teve mais problemas, mais do que deduzo, sei que foi com o SNPL. Ambos, fizemos o que tínhamos a fazer em nome de uma consciência que não tolera adaptar-se a situações em que com os tempos se mudam as vontades.
    Aliás, do meu pedido de demissão, datado de 14 de Abril de 2008, constam onze razões que justificam o meu pedido de demissão do Snpl por, à boa maneira camiliana, “não respeitar os tolos” e não curvar a cerviz a uma plataforma sindical a mando da Fenprof que ora aparece a falar em nome próprio, ora assume-se como seu porta-voz através do respectivo secretário-geral, Mário Nogueira. Um abraço afectuoso e solidário.

    Caro José Ricardo Costa: As razões que apresenta desassombradamente (um professor de francês a andar a vender crepes no bar da escola no dia de França ou, se for de história, a cantar o "Grândola Vila Morena" com os alunos para comemorar o 25 de Abril) têm um denominador comum: a proletarização dos professores ( feitos empregados de bar) e sua politização ( através de uma plataforma sindical com o secretário-geral da Fenprof a comandar hostes belicosas de megafone na boca). Enfim…


    Caro Anónimo: Emparceiro consigo na concordância aos dois comentários que cita.

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  9. Estimado amigo Rui Baptista,
    As razões da sua demissão serão as mesmas razões que mostrarão à saciedade (a quem quiser ver) por que razão não se pode, depois da Plataforma Sindical, confiar nos sindicatos.

    Deles nada de novo se espera: de momento, usam, por osmose ou embriaguês de poder, as mesmas tácticas da tutela; por ex., a desinformação, a difusão, a confusão, a ameaça, a chantagem e a denúncia. Todo o trabalho que os sindicatos têm feito está a reboque do Governo, i. é, é a tutela que faz a agenda.

    Em breve a Ministra da Educação poderá dizer que os professores andaram a ser instrumentalizados pelo partido comunista. Para a opinião pública ficará a imagem do Sr. Mário Nogueira, de megafone na mão, com modos e propósitos semelhantes a um bom sindicalista da Setnave nos tempos do PREC. É isto a nossa representatividade?

    Quando a refrega se agudizou (em Outubro) enviei para a blogosfera um documento que se intitulava "Sindicalistas: não compreender a vida nas escolas". Tenha o meu estimado amigo a bondade de ver se eu bato certo...
    http://educar.wordpress.com/2008/10/19/manifestacoes-opinioes-carlos-felix-fernandes/

    Continue a pensar livre.
    Carlos Félix Fernandes

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  10. Bom amigo:Já tinha lido, e muito apreciado, o seu post no "Umbigo".Pergunta-me, com a modéstia das pessoas de valor, se bate certo. Se bate certo? Bate certíssimo, num estilo estilístico que eu considero de luva branca e que caracteriza quem tem a razão do seu lado e o insulto gratuito bem afastado. Merece o seu post ser lido por quem se interessa pela Educação como um serviço à sociedade portuguesa e a quer ver afastada da "vil tristeza" de estar ao serviço de sindicalistas pouco interessados nesse desiderato.Parabenizo-o com amizade. Rui Baptista

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  11. Pois bem se pode reflectir da necessidade e da justiça do exame de acesso à carreira. Que, para mim, necessita de se articular com alterações no próprio processo de formação de docentes. Mas do que se trata, no presente momento e inspiração do ME, não são esses nobres propósitos. Vejamos (desculpem aqueles que já conhecem a história):
    - exerço a função de docente enquanto professor profissionalizado desde 2003 (seis anos lectivos);
    - como raras vezes obtive horário completo, conto quatro anos (mais coisa menos coisa);
    - Exerci, porque sempre aproveitei para participar e aprender, funções como Director de Turma (ens. secundário), Professor Corrector de Exames Nacionais (durante dois anos), Director de Curso EFA (essas pérolas...), participei em relatórios críticos de avaliação de programas, acções de formação (pelo menos três certificadas), para falar só em algumas das funções...
    E agora pretende o ME que eu faça exame de acesso à carreira... que já exerço, com dedicação e responsabilidade há seis anos lectivos. Depois de uma licenciatura (antes de Bolonha!)e Biénio de profissionalização!!!
    Não posso considerar - mesmo em causa própria - que é uma injustiça inqualificável. Uma vez que, sei lá, fazendo o dito exame e obtendo 19, 19 e 14 nas diferentes componentes da prova... acabou-se a possibilidade de exercer a função de docente. Que já exerço!
    Para já introduzam-se outras mudanças - como exames nacionais e em fim de ciclo para medir o estado das coisas, por exemplo - para aferir a qualidade do trabalho, incitando os docentes e os alunos a dar o seu melhor. Tenhamos um pouco de senso e sejamos realistas. E evitemos as injustiças destinadas - apenas - a poupar nos balanços.
    Saudações a todos e venha a discussão,
    Luís Vilela.

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  12. Ó Caro amigo Rui Baptista, agora que o reencontrei não o largo! Grato pelas sempre amáveis palavras sou a perguntar-lhe, assim como quem vai directo ao assunto: - E o que lhe parece tudo isto? Em que acha que vai dar a entrega ou não entrega dos Objectivos Individuais? E sobre a eventual pedido de avaliação da componente científico-pedagógica, sim ou não? Como lidar com a farsa, ser farsante também? Que lhe parece, que conhece as feras? Como acha que vai agir o Ministério perante estas questões?
    Que não lhe doam as mãos, se tiver oportunidade de responder a estas questões, mas, sobretudo, como aliás lhe é habitual, por favor diga-nos o que pensa sem tibiezas; nem que me doa a mim. Mas depois lhe direi o que penso.
    Será o mesmo?
    Carlos Félix Fernandes

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  13. Caro Luís: O seu comentário termina da seguinte forma: (…) “e venha a discussão”. Diz o povo que da “discussão nasce a luz “. Mas há quem acrescente, “por vezes nasce um olho negro”. Dado o termo cordato com que redige o seu comentário sobre uma situação pessoal, a sua (que tem como injusta e que assim parece), gostaria de lhe relatar uma outra situação que brada bem alto aos céus.
    O caso conta-se em poucas palavras. Num passado recente, os professores no topo da carreira estavam escalonados em três letras: A, para os licenciados, B, para os bacharéis, e C, para os de posse de um curso médio. Como é fácil de deduzir, à letra A correspondia um ordenado maior, à letra B um ordenado menor, embora maior do atribuído à letra C.
    Com o Estatuto da Carreira Docente (publicado no tempo de Roberto Carneiro, após demoradas discussões com trinta associações profissionais e sindicatos representativos dos seus associados e, obviamente, dos interesses dos seus dirigentes: ontem como hoje! ), passou a ser atribuída a diferença de um único escalão no fim da carreira docente: ou seja, o 10.º escalão para os licenciados e o 9.º para os bacharéis universitários ou, até mesmo, docentes com cursos médios que rapidamente se transformaram no negócio de licenciaturas vendidas em poucos meses em escolas privadas de duvidosa qualidade. Alertando os poderes públicos para situações destas, escrevi em início da década de 90: “O denominado (com pompa e circunstância) ‘Corpo Especial de Professores’ não deve servir de máquina do tempo para se recuar a trevas medievais capaz de transmutar metais inferiores em metais nobres os professores de uma duvidosa formação em professores de nível europeu para quem as exigências de formação inicial em exercício são cada vez maiores” (Jornal de Notícias, 25/6/92). O caso da Universidade Independente teve como desfecho o seu encerramento coercivo pelo mediatismo de que se revestiu e pelas personagens da política envolvidas. Escolas outras resistem dando razão ao dito popular “ tudo como dantes em Abrantes”!
    E para que a injustiça atingisse foros escandalosos, professores licenciados situados na letra A retrocederam para o 8.º (se portadores do antigo e exigente exame de estado) ou 7.º escalão ( em caso contrário). Isto teve como consequência que um brilhantíssimo professor do ensino secundário (antigo reitor de um liceu de Coimbra), Dr. Álvaro da Silveira, fosse reformado no 9.º escalão (por entretanto ter atingido a idade limite de reforma) e uma outra professora, com o antigo curso do magistério primário, sua vizinha, ainda fosse a tempo de se reformar em idêntico escalão. Ora, estas situações só são possíveis quando a legislação oficial anda a reboque de interesses espúrios de natureza sindical acobertados em leis injustas . Pare o leitor apenas um momento, dando-se ao trabalho de verificar se as cúpulas do dirigismo sindical são prejudicadas nestas situações ( as excepções, se as houver, apenas confirmam a regra). O seu prejuízo fica-se pelo sacrifício sem nome em se eternizarem nos cargos “ao serviço da grei”. Congratulemo-nos, pois, com o seu exemplo de cidadania em prol dos professores!
    P.S.: O seu caso assume contornos de um ridículo em que a legislação do actual ministério da Educação é pródiga (na opinião de Edmund Burke, “as leis mal feitas constituem a pior forma de tirania”) podendo -lhe retirar um exercício docente, como diz, e bem, que já exerce.Com o desassombro de quem está ciente do seu valor, apresenta como um dos itens de avaliação docente “exames nacionais em fim de ciclo para medir o estado das coisas, por exemplo, e aferir a qualidade do trabalho, incitando os docentes e os alunos a dar o seu melhor”. Ora, os sindicatos excluem, ou melhor, fogem deste parâmetro de avaliação como o diabo da cruz duvidando da sua bondade com o argumento de que não há bela sem senão! Neste caso, só resta saber se o senão impede a beleza! Julgo que casos como o seu deveriam ser estudados “per se”, através de exposições feitas nesse sentido pelos interessados. Embora duvide dos seus efeitos, dado a teimosia ou a vista curta da tutela ministerial da 5 de Outubro. E de outras que a antecederam que conduziram a docência numa coutada de chicos-espertos e oportunistas que mais que justificam o desalento de Shopia de Mello Breyner: "Depois de 25 de Abril,tenho-me sentido tentada a escrever uma +peça que se chamaria 'Auto dos Oportunista', mas que é impossível de escrever porque há sempre mais um acto". Falta de intérpretes não faltariam, pela certa!

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  14. Na 6.ª linha do meu último comentário, onde está "conduziram", emendo para "transformaram".

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  15. Prezadíssimo Carlos Fernandes: A amizade tem destas coisas. Leva a ver nos amigos qualidades que eles não possuem de todo, metendo-me, com isso, na verdadeira alhada em se tornarem árbitros de uma contenda que eu tenho como uma espécie de luta livre em que se transformou o diferendo que opõe o ministério da Educação e a Plataforma Sindical. Espero que não sobre para mim um golpe baixo por discordar da lisura de ambos os contendores. Mas como dos fracos não reza a história, faço soar o gongue e seja o que Deus quiser.
    Começo por chamar a mim, a picaresca história descrita pelo escritor Pio Barojo quando nos relata que um ministro espanhol se virou para o seu secretário dizendo-lhe: “Senhor Rodriguez, veja lá se a lei está redigida com a suficiente confusão”. Em Portugal, mais precisamente no respectivo ministério da Educação, essa advertência não se coloca. A própria redacção das leis portuguesas, no que respeita à correcção do idioma pátrio, mereceu, anos atrás, de Almeida Santos (jurista que escreve os textos escorreitos que lhe saem da pena com assinalável recorte literário) a seguinte e contundente crítica : “Muitas das actuais leis portuguesas chumbavam no exame da antiga 4.ª classe”! E este facto muito se agrava no que tange à respectiva interpretação por os próprios especialista se perderem nessa imensa floresta legífera que condiciona a nossa vida e que nos obriga, a nós leigos, a não poder, em situação do seu não cumprimento, sequer, evocar o seu desconhecimento (e implícita a sua interpretação).
    Pede-me agora, o meu bom amigo, que me pronuncie sobre as implicações legais da não entrega dos Objectivos Individuais e suas consequências penais. Tarefa para um simples amador (aquele que ama) de questões de natureza jurídica, comparável, se me é permitida a analogia, a cada um dos dozes trabalhos de Hércules. E tanto assim é, que o Colega Paulo Guinote, não querendo ser mais papista que o Papa, mas mais diligente que certos gabinetes sindicais, encomendou a Garcia Pereira um parecer sobre as questões ligadas ao sistema de avaliação docente. Ora como sabe, os próprios, e dispendiosos pareceres, ainda que emanados de figuras de topo da jurisprudência portuguesa e da respectiva docência universitária podem sofrer a contestação de outros juristas de idêntico ou maior aceitação neste “mercado”. Portanto, esperemos para ver, embora se saiba, que hoje como no passado, como denunciou Karl Marx em carta a Engels, que para certos dirigentes, ao mais elevado nível do Estado, “a autoridade é o princípio do seu saber e a idolatria é a sua mentalidade”. Sem fugir ao cerne da questão e por não ter uma bola de cristal, palpita-me que as sanções a aplicar aos docentes que não entregaram no prazo estipulado os Objectivos Individuais será em função do número de “prevaricadores”. Se a maioria não entregar a penalização será menor, se só uma minoria não entregar a penalização será maior. Castigar pesadamente o grosso dos docentes teria um impacto desastroso na opinião pública que vê passar esponjas do tempo em questões de bem maior gravidade e grande impacto na opinião pública.
    Mas julgo que o que quer saber, mesmo saber, é a minha opinião sobre o “modus faciendi” da avaliação dos professores. A antiga e a actual.
    Assim seja. De uma forma resumida, a antiga pecava por defeito. A actual por excesso. Vamos à primeira. Só um optimismo que raia a ingenuidade pode aceitar que quase todos os professores (debalde, estou farto de pedir estatísticas sobre essa percentagem que tenho na casa dos 90%, descontados os que, entretanto, seguiram outro rumo profissional, se reformaram ou faleceram antes de cumpridos os anos exigidos para o efeito) foram merecedores de alcançarem o topo da carreira docente por uma igualdade entre professores excelentes, muito bons e bons e docentes “menos bons” (eufemismo de péssimos, maus ou medíocres). Trata-se de uma igualdade reprovada liminarmente por Fernando Pessoa: “É preciso violentar todo o sentimento de igualdade que sob o aspecto de justiça ideal tem paralisado tantas vontades e tantos génios, e que, aparentando salvaguardar a liberdade, é a maior das injustiças e a pior das tiranias”.
    “Last but not least”, até porque, na “vox populi”, “águas passadas não movem moinhos”, detenho-me no verdadeiro imbróglio em que se tornou o modelo da actual avaliação dos professores e que têm ocupado a atenção da opinião pública encharcada num dilúvio de opiniões geridas com a habilidade dos pregadores do antigo Oeste americano pelo ministério da Educação e pelos sindicatos dos professores (estamos em época em que o “marketing” se apoderou das nossas vidas e serve de bússola às nossas decisões), através quer da televisão, quer dos jornais, quer ainda, com maior destaque, nos blogues. Peca ela, a actual avaliação, entre outras coisas, pelo seu aspecto burocrático que transforma os professores (cuja função é, ou devia ser, ensinar) em mangas-de-alpaca que exauram forças e vocações para o magistério no preenchimento de fichas e mais fichas.
    Chegou a altura do ministério da tutela esclarecer se deseja professores nas escolas ou escriturários atentos e venerandos no cumprimento dessa função. E, por outro lado, os sindicatos não partirem para as respectivas, e sem conta, mesas de negociação com a tutela anunciando previamente que irão chumbar todas as propostas. Ora negociar é estar atento às propostas que nos fazem e no caso de delas discordarmos apresentarmos as nossas propostas. Não é fazer o que fez, uma das vezes, a Fenprof (ou a Plataforma Sindical?): entrar calada e sair muda passados minutos de uma das mesas de negociação.
    Antes de 25 de Abril, um jornalista de Lourenço Marques, Manuel Luís Pombal, deslocou-se a um congresso da sua profissão, salvo erro, no Cairo. Contava-me ele, com muita graça, apimentada por uma certa gaguez de nascença, que ao ser-lhe perguntado por um colega estrangeiro se pertencia à Cortina de Ferro respondeu: “Não, não, sou da Cortina do Papel Selado!” Deixou de vigorar o abuso do preenchimento de folhas de papel selado. Passámos a abusar do preenchimento de fichas e mais fichas! A burocracia cada vez mais toma conta das nossas vidas, como um fado nacional a que se não pode fugir por estar nas mãos do próprio Estado e dos seus interesses. Pessimismo meu? Antes fosse! Como me dizia um amigo meu, eu prefiro ser um pessimista que se engana a ser um optimista que se engana…
    Deus nos dê pachorra e esperanças para que não se seja necessário, passados séculos, repetir a advertência de Ramalho Ortigão, em carta ao Ministro do Rei: “O estado em que se encontra em Portugal a instrução secundária [que, como é sabido, englobava os anos de escolaridade após o ensino primário até estudos superiores] leva-me a dirigir a V. Ex.ª o seguinte aviso: Se a instrução secundária não for imediatamente reformada, este ramo do ensino acabará dentro de poucos anos”.
    Um abraço amigo.

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  16. Na 3.ª linha do início deste meu comentário, onde está "em se tornarem árbitros",deverá ser corrigo para "em me tornar árbitro".

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  17. Mais uma arreliadora ralha pousou no meu comentário anterior. "Corrigo", não. "Corrigido", sim

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  18. Deve ser do cansaço da madrugada de ontem (2 de Fevereiro) em que terminei o meu comentário madrugada alta: 04:25. Ralha? Gralha!

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  19. A última linha do meu comentário a Luís (3 Fev:18:42), onde está "Falta de intérpretes não faltariam, pela certa!", corrijo: Falta de intérpretes não haveria, pela certa!"

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  20. Ó estimado amigo Rui Baptista,

    Há quem não goste deste estilo de prosar, até há quem nos possa chamar pedantes (ou insultuosos, mas sobre isso já o desidério escreveu), mas eu deleito-me a lê-lo, regozigo-me; não há volta a dar. Quantas verdades assinala. Só que as conhece... Quem já viu o monstro reconhece-lhe a baba a léguas. É preciso viver a coisa. E não é preciso muito tempo.
    Dar-lhe-ei resposta às suas perplexidades. Ontem à noite, depois de um CP fiquei exangue para lhe responder. Hoje, cheguei agora. Tenho de oferecer o jantar ao meu filho que a minha mulher está longe. Coisas da vida. Depois tenho de escrever um texto no qual, sei que não se importará, vou citá-lo com o prazer de quem toma um bálsamo revigorante. Bem-haja.
    Amanhã à noite volto aqui.
    Leve um abraço,
    Carlos Félix Fernandes

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  21. Não tive tempo para ler todos os comentários, pelo que não sei se vou repetir ideias de outros.
    É verdade que um dos problemas da Educação está na cada vez maior impreparação dos futuros professores, mas não se pode perder de vista que isso é o corolário lógico do facilitismo instituído nos ensinos básico e secundário, para além de muitos outros problemas que incluem também aspectos curriculares.
    Se a única razão para se criar a prova de ingresso estiver assente neste aspecto conjuntural, não posso concordar com ela, porque não passaria de uma paliativo. Faria, no entanto, algum sentido, se fosse uma resolução transitória.
    O que é verdadeiramente urgente é lutar por verdadeiras políticas educativas, algo que não existiu verdadeiramente em Democracia, pela simples razão de que nunca foi considerado prioritário pela sociedade portuguesa. Na verdade, a visão que os portugueses têm do que deve ser a Educação está absolutamente pervertida, porque se afastou do cerne: a Escola existe para ensinar os alunos. A Escola não tem por função "passar" os alunos nem tomar conta deles (estes dois aspectos decorrem da função primordial).
    Uma escola como esta dificlmente dará origem a bons professores e a obsessão pela prova de ingresso pode levar-nos a não resolver o essencial, mesmo que o essencial ainda leve muito tempo.

    Fernando Nabais

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  22. Caro Fernando Nabais: Esta troca de ideias parte do princípio de que ambos nos fizemos intérpretes concordantes, quando no seu comentário escreve: (...) “um dos problemas da Educação está na cada vez maior impreparação dos futuros professores (...)”.
    Aceite o diagnóstico deste achacado “statu quo”, urge prestar ao “doente” os primeiros socorros para que não chegue ao hospital, unicamente, para lhe ser passada a certidão de óbito. Assim, os primeiros socorros para que a sua maleita se não agrave é, ainda que em regime transitório, a aceitação (como diz o povo, “quem não tem cão caça com gato”) do exame de acesso à carreira docente para que a docência não se transforme em escoadouro de medíocres e semi-analfabetos. Ou seja, não podemos aceitar que o magistério esteja apenas dependente das classificações finais dos cursos dos respectivos candidatos, v.g., ao 2.º ciclo do ensino básico, em que um simples valor a mais constitui razão preferencial. Dito de outra forma, uma classificação obtida numa universidade estatal não deve merecer idêntico crédito em relação aquela que conheceu a luz do dia em escolas superiores de educação oficiais para não se cair no ridículo em igualar coisas desiguais. Isto já para não falar em estabelecimentos de ensino privados em que foram autorizadas licenciaturas e sancionados cursos de nenhuma credibilidade , criticados pelo Prof. Sérgio Rebelo, da Universidade Católica, quando denuncia com verve amarga: “Onde antes havia uma pastelaria ou uma pequena mercearia, hoje tende a haver uma universidade ou uma escola superior , onde ontem se compravam pastéis de nata e garrafas de groselha, hoje conseguem-se licenciaturas e mestrados e encomendam-se doutoramentos” (Revista “Exame”, 4.Nov.96).
    Preocupemo-nos, agora, em prestar cuidados médicos especializados que possam restituir ao “doente” uma vida saudável, longa e venturosa. Ou seja, em que a qualidade de todos os cursos destinados à docência tragam a garantia de uma qualidade intrínseca que faça jus ao princípio defendido por Fernando Savater; “Considero professores e professoras como a corporação mais necessária, mais esforçada e generosa, mais civilizadora de quantos trabalham para satisfazer as exigências de um Estado democrático”.
    Tal como o sarampo, que produz manchas vermelhas difíceis de esconder, também o sistema educativo nacional apresenta mazelas do facto de estar dependente de soluções influenciadas por um sindicalismo proletarizado em que a veneração à deusa Minerva cedeu lugar a uma vassalagem ao rei Midas!
    Mais tarde ou mais cedo a sociedade portuguesa, com dois dedos de testa, chamará à barra da opinião púbica os governos que encararam ( e teimam em encarar) a Educação como um malabarismo que permite, em nome de um aparente sucesso escolar, apregoado “urbi et orbi”, que alunos terminem o actual 1.º ciclo do ensino básico (antiga 4.ª classe da instrução primária) mal sabendo ler, escrever ou contar. Ou seja, como espécimes de uma sociedade de ignorantes diplomados!

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  23. Caro Rui Baptista,
    Afinal só hoje aqui pude vir.
    Vou continuar as nossa reflexões aceitando como mote o seu novo post.
    Até já.
    Carlos F.F.

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