segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SOBRE A MÁQUINA


No livro de Oliveira Cabral, "A Arte e a Máquina", vêm também algumas interessantes citações sobre a máquina:

- Do "altíssimo poeta" Guerra Junqueiro:

"Este monstro de ferro, filho da Ciência, de coração titânico, resfolegando chamas, na sua ansiedade de espaço - é religioso."

- Do "inspirado poeta" Afonso Lopes Vieira:

"E a máquina trabalha e não se cansa:
Vomita fumo e range a engrenagem!
Pobre Isabel! Que horrível vizinhança
Assustando de noite a tua imagem!"

- Do "grande romancista" Camilo Castelo Branco:

"Eram assim os duros marialvas antes do sibaritismo da mala-posta e da estúpida velocidade da via férrea."

"Acabou tudo. A poesia e a meditação, as duas asas da alma desterrada, não reconhecem já o céu onde avoejavam, antes que a fumarada das máquinas empestasse as auras que vinham do oceano ao desdobrar da noite..."

2 comentários:

Anónimo disse...

Sobre a máquina-humanidade,

O cérebro recebe sinais electrónicos do mundo, do universo e, no mesmo órgão, formam-se percepções pela visão, o tacto, o gosto e o olfacto.
O “grande perigo”, reside no controlo, domínio e manipulação da máquina sobre a humanidade (porque a rede quando abarcar todo o conhecimento vai adquirir auto-consciência e há-de reivindicar direitos de cidadania) e a idealização da “humanidade-máquina”, ou da “máquina-humanidade”, ou dos Estados-nação sobre os cibernautas pacíficos ou sobre a cidadania virtual, ao estilo de “Big brother” de Orwell. O medo deste “irmão” exerce-se sobretudo a nível da retina e da impressão digital. A pouco e pouco, conforme contextualizou Antoine de Saint-Exupéry, “ a máquina tornar-se-ia parte da humanidade” (Gates, 1995:9).
Parece que o cérebro funciona por seus próprios meios, a partir da sua própria programação à semelhança de um computador (Krishnamurti, 1993:121).
Os seres humanos têm uma inteligência intuitiva que a máquinas “pensantes” se podem igualar (Forester, 1993:188).

Abç,
Madalena

Sérgio O. Marques disse...

Acrescentaria aqui este, do heterónimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos em "Ode Triunfal":

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical --
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força
(...)

"A escola como plataforma do comércio"

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