quarta-feira, 13 de junho de 2007

QUEBRA-NOZES E CHIMPANZÉS


Da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa / Núcleo de Estudos do Património (Associação de Estudantes) recebemos a seguinte informação

Conferência:

QUEBRA-NOZES E CHIMPANZÉS: CONSTRUINDO PONTES ENTRE A ARQUEOLOGIA E A PRIMATOLOGIA –
INVESTIGAÇÃO INTERDISCIPLINAR EM EVOLUÇÃO HUMANA

por SUSANA CARVALHO

18/ 6/ 2007, 16H30, Anfiteatro 1, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas,
Universidade Nova de Lisboa, Av. Berna, 26-C, 1069-061 Lisboa

ENTRADA LIVRE

INFORMAÇÕES: estudospatrimonio@gmail.com, Tels. 93 863 21 28; 93 663 65 64

Susana Carvalho é arqueóloga da Câmara Municipal de Leiria e Mestre em Evolução Humana pelo Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra. Tem publicado em diversas áreas, desde o Mesolítico à Época Medieval, tendo sido uma das coordenadoras da Exposição Habitantes e Habitats – Pré e Proto-História na Bacia do Lis, promovida por aquele Município e galardoada com o prémio de Melhor Exposição da Associação Portuguesa de Museus em 2005. Mais recentemente tem-se dedicado a problemáticas da evolução do Homem, tema em que se especializou e que motivou, no âmbito do projecto de Mestrado, vários meses de trabalho de campo na Guiné Conakry, integrando a equipa internacional de Bossou-Nimba da Universidade de Quioto, Japão.

SOBRE A CONFERÊNCIA:

A aplicação de métodos da Arqueologia à Primatologia amplia o conhecimento sobre a cultura material dos Chimpanzés e, consequentemente, sobre a Evolução Humana. Nas regiões de Bossou e Diecké, Guiné Conakry, África Ocidental, a autora observou pela primeira vez cadeias operatórias (a tecnologia como processo faseado em várias etapas) no aproveitamento de utensilagem lítica por chimpanzés (Pan troglodytes verus) no seu habitat natural. Por via da combinação de métodos arqueológicos e primatológicos, foi identificada diversidade regional entre os conjuntos líticos observados. O tipo de matéria-prima, a sua disponibilidade e a mobilidade das ferramentas são indicados como possíveis constrangimentos ecológicos para o desenvolvimento tecnológico em primatas humanos e não-humanos. Além disso, foi possível encontrar um padrão de três tipos de estratégias de exploração de recursos, com afinidades relativamente às estratégias dos hominídeos Olduvaienses.

Esta investigação, no âmbito do projecto mais alargado em que se insere, que procura encontrar e explicar as origens evolutivas das primeiras tecnologias veio colocar na ordem do dia a discussão sobre a proximidade entre o género humano e os primatas não-humanos mais próximos, afastando-se cada vez mais a ideia de que existem comportamentos que nos são exclusivos, como seja a própria planificação tecnológica. A questão não podia ser mais premente: a partir de que momento somos humanos?

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