quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Abatopatas agora guiados pelo propósito de "desenvolvimento sustentável"

Eram cinco plátanos, pelo menos dois deles centenários, que, ficando no traçado estabelecido pelo MetroBus, foram agora cortados com a devida autorização da Câmara Municipal de Coimbra. Juntam-se às mais de 650 árvores que o novo, revolucionário e ecológico meio de transporte exigiu até ao momento. Cinco é um número irrisório tendo em conta este total, mas deram que falar, talvez pela sua imponência e estatuto de sobreviventes. 

Imagem do Diário de Coimbra (aqui)

Eram, na verdade, imponentes e sobreviventes: na mesma avenida foram, há pouco anos, cortadas dezenas das mesmas árvores para, especulou-se, abrir passagem ao tal meio de transporte. A Câmara explicou que eles sofriam de uma estranha doença, nunca identificada mas cuja principal característica era atacar as que se encontravam plantadas em linha!

Na altura, Jorge Paiva, professor de Biologia da Universidade de Coimbra, fez o que pôde para as salvar. Não teve sucesso, evidentemente! Conta ele agora (ver aqui):

«Coimbra é a cidade dos milagres: o milagre da Rainha Santa (...) o milagre dos plátanos que estavam na Avenida Emídio Navarro, morreram todos em linha, excepto um. Morreram todos! Meti em tribunal a CMC, nessa altura. Os que estavam ao lado no parque não foram infectados e aquele que está na curva não foi infectado, está lá ainda, porque ali já não passava o metro. Morreram todos por milagre, foi preciso abatê-los. Estavam infectados com o mesmo fungo.»

Olhava-se para aqueles cinco plátanos e tinha-se a impressão de que alguma coisa havia restado dessa "doença". Não restou!

Imagem de Notícias de Coimbra (aqui)

O termo "abatopatas", usado no título deste texto, é roubado a João Boavida, mas era aqui preciso, não conheço outra melhor para dizer o que está em causa Há doze anos escreveu um texto que, lamentavelmente, tem actualidade redobrada. Diz, num determinado ponto:

É fatal: não somos capazes de fazer obra de alguma envergadura - e às vezes de nenhuma - que não tenhamos que “limpar” antes o terreno levando à frente quantas árvores houver.
Vale a pena lê-lo ou relê-lo: aqui.

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