sexta-feira, 2 de setembro de 2022

 

Chamam-me os estores que vão no vento,

O trigo sobre a haste definhada,

O renque de oliveiras,

Os cedros inquebrantáveis na ribanceira,

A andorinha endemoninhada,

Que cai algures do céu limpo,

E a sombra móvel do advento

Que assombra o espelho de água.

Chamam-me as estrelas,

Que caminham pela rua escura,

As rugas abertas

Nas velhas janelas sem bosques,

Os homens com armadura,

O olhar sem coração

E o derriço das nuvens e das flores.

Chamam-me os sinuosos

Postes de iluminação,

Os ratos e a sêmola,

A chuva infrene, o rosto e a lama,

As mãos do homem,

Os espinhos inócuos do ouriço

E as pedras que presentem o fim.

Chamam-me todos em vão.

Perdi-me do teu nome,

Perdi-me de mim,

Minha trêmula e mínima chama.

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