sábado, 3 de janeiro de 2015

A LUZ DE SOPHIA

Poemas sobre a Luz de Sophia de Mello Andresen (do agradecimentos à Constança Providência pela lembrança):

Do Livro Sexto:

Algarve

1
A luz mais que pura
Sobre a terra seca


2
Eu quero o canto o ar a anémona a medusa
O recorte das pedras sobre o mar

3
Um homem sobe o monte desenhando
A tarde transparente das aranhas

4
A luz mais que pura
Quebra a sua lança
Cigarras
Como o fogo do céu a calma cai
No muro branco as sombras são direitas
A luz persegue cada coisa até
Ao extremo limite do visível
Ouvem-se mais as cigarras que o mar
Reino
Reino de medusas e água lisa
Reino de silêncio luz e pedra
Habitação das formas espantosas
Coluna de sal e círculo de luz
Medida da Balança misteriosa


Labirinto

Sozinha caminhei no labirinto
Aproximei o meu rosto do silêncio e da treva
Para buscar a luz de um dia limpo
Exílio

Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades



De Coral

E só então

E só então saí das minhas trevas:
Abri as minhas mãos como folhagens,
Intacta a luz brotava das paisagens,
Mas na doçura fantástica das coisas
As minhas mãos queimavam-se e morriam.

Dia perfeito, inteiro e luminoso,
Dia presente como a morte, luz
Trespassando os meus olhos de cegueira.
Cada voz, cada gesto, cada imagem
Na exaltação do sol se consumia.

1 comentário:

Anónimo disse...

Esperemos que durante 2015 a Luz ilumine as cabeças pensadoras na FCT...

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