terça-feira, 16 de março de 2021

PARA GANDES MALES, GRANDES REMÉDIOS

 

                                                    “Acreditai   que nenhum mundo, que nada ninguém  vale                                           mais que uma vida ou a alegria em tê-la” (Jorge de Sena).

“E ondas do mar, e ondas do tempo levam a voz de Prometeu, levam o seu grito de protesto e de revolta e de verdade aos horizontes mais longínquos”( João de Barros) como seja, a título de mero exemplo, o meu ”post” aqui publicado, no decurso do passado dia 22 de Fevereiro de 2021, titulado: “Moral da história: não chega proibir””.

Hoje lia-se e custa a acreditar. Reporto-me a esta notícia de primeira página, publicada  no “Correio da Manhã”: “Jovens furam lei disparando negócio de casas arrendada para eventos ilegais de norte a sul”. Como é fácil de deduzir, não se tratam de jovens em idade de levar açoites no rabinho!

“Ipso facto”, devem ser penalizados com uns dias de prisão para que lhes entre no bestunto terem cometido crimes graves, tanto mais graves se comparados com quem rouba um simples pão para dar a comer aos filhos com fome, passando a ver, através da grades prisionais, o sol aos quadradinhos.

Para que não se pense que aminha pena tem sido conivente, ou simplesmente benévola, para com situações destas, publico breves excertos deste meu “post”, aqui publicado e acima supracitado, sobre situação idêntica:

- “Há certas situações em que eu gostaria de não ter razão ouvindo bichanar, ao lado e em surdina, deixá-lo falar que ele há de cansar-se de falar contra a parede do silêncio. Mas ainda bem que eu não me calo numa situação em que está em causa o maior bem do mundo, a vida humana”.

- “Neste circo de palhaçada em que se tornou a política portuguesa, eu sou o pobre palhaço, citando Charles Chaplin, “o que me coloca a nível bem mais elevado que o de qualquer outro político”. Sou palhaço, sim, mas refractário às perigosas palhaçadas que se passam na vida política portuguesa”.

Mandachuvas deste país em que nem depois de casa roubada põem trancas na porta, agindo  em conformidade  com a gravidade da situação receitando e mandando aviar uma simples aspirina para tratar uma gangrena social em estado avançado é o mínimo  de pedir ou,  mais do que isso, exigir ao Governo,  para não serem coniventes com a actual situação pandémica.

“Mutatis mutandis”, aliás, como nos alerta o anexim “tão ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta” tão responsáveis são estes meninos e meninas com um governo  que se contenta em passar simples multas a gente de grandes cabedais.

Será assim tão difícil de compreender que seja necessário fazer sabatinas constantes da matéria dada a governantes de cabeça dura e coração mole? Se assim for, contem comigo para fazer cumprir um acção pedagógica para que não morram como tordos mais vítimas por contágio com o corona vírus. Trata-se de uma acção de verdadeiro humanismo em oposição a uma cidadania em que não obedece quem deve e manda tiranicamente  quem  pode. Numa alusão à “vox populi”, tão a meu gosto, “se queres conhecer o vilão, põe-lhe o pau a mão”!

Razão presidiu a Einstein: “O mundo é um lugar perigoso para se viver, não por causa dos que fazem o mal, mas por causa daqueles que o observam e deixam o mal acontecer”!

Ou, como se interrogava desalentado o nosso Eça: “No meio de tudo isto que fazer? Portugal tem atravessado crises igualmente más, mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e caracter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não – pelo menos o Estado não tem -  e os homens não os há, ou os raros que  há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior – e sem cura”.

Pessimista que sou, temo bem que a pipa de massa vinda brevemente da União Europeia para os cofres da fazenda nacional em que o dinheiro jorrará em torrente caudalosa para o bem público se o seu curso não for desviado para algibeiras de gente viciada em rendosa corrupção permitida por cegos em que o pior cego é aquele que não quer ver ou lhe não convenha.

"Post Scriptum": Esta madrugada, ouvi na televisão (ou terei sonhado?)  que o PSD iria propor que os políticos deverão declarar as organizações discretas a que pertencem: "Maçonaria" e "Opus Dei". Já agora, porque não outra, tanto ou mais discreta e influente, como a "Opus Gay"?

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