sábado, 25 de julho de 2009

O ATRASO CULTURAL

Do "Público on-line" de ontem, sobre o caso de um espectáculo em Lisboa em que o Manifesto Anti-Dantas foi adaptado para Manifesto Anti-Ricardo Pais, transcrevo o seguinte passo:
"O que diz este caso do país que somos? “Que não avançámos muito em muitas coisas no domínio cultural desde o ‘Manifesto Anti-Dantas’, ou se calhar desde o século XIX”, disse hoje o ministro da Cultura numa entrevista ao PÚBLICO e à Rádio Renascença no programa “Diga Lá Excelência”, que passa hoje às 23h30 na RTP2. Há “uma grande dissociação entre as aparências académicas e o público criativo e os artistas. O desentendimento entre a geração de 1870 e a Academia ou entre os futuristas e modernistas e a Academia nos anos 1920 é muito expresso. Hoje existe ainda essa dissociação. A Academia de Ciências de Lisboa está muito divorciada e afastada da intensa e extraordinária vida criativa que existe em Portugal.”
Dito por um ministro não está mal, embora passe ao lado da polémica, que é entre os humoristas das Produções Fictícias e o encenador Ricardo Pais, nenhum deles da área académica. Mas de um ministro espera-se, mais do que um diagnóstico, um remédio ou remédios para o atraso, neste caso o atraso cultural. Não basta falar dos males, é preciso falar dos remédios. Isso é que gostaríamos de ouvir não só do governante mas de todos os partidos, em especial neste período em que as eleições se aproximam.

De facto, e pegando nas palavras do ministro, a Academia de Ciências de Lisboa parece que parou no tempo. Como pôr à disposição de todos a sua bela biblioteca, arquivo e museu? Como a transformar num centro de discussão cultural e científica, com reflexos visíveis na sociedade? Que pode o governo fazer para a reanimar?

6 comentários:

  1. De facto a Academia parece não existir para o comum homem de Ciência (e não só). Que faz? Existe?
    Nalguns países ser designado membro da Academia é uma honra. Aqui parece anedótico pois ser membro da dita parece corresponder a ser-se velhinho e...
    Quem aspira a ser membro? Quase ninguém.
    Cientista anónimo.

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  2. Quando as instituições já não servem para o propósito que foram criadas, só à duas coisas a fazer, ou reformar ou extinguir.
    De qualquer modo, todos os pertences têm que ser salvaguardados e reabilitados, musealizados ou integrados noutro organismo à disposição do público.

    As academias, tiveram o seu tempo, o modelo em que funcionam já não é viável, agora são utilizadas para feudo de uns poucos, que dizem que vão fazendo alguma coisita..

    quanto á polémica, é uma patetada.
    na realidade não há polémica, ou melhor inventaram uma polémica que não era para existir.
    uns tipos satirizaram outros tipos, ao género de almada negreiros e julio dantas, o caso volta-se a repetir e vai-se repetir vezes sem conta.
    agora vir um ninistro dizer coisas, que nem sabe o que diz, o que tem ele que vir a público defender uma posição, devia era afastar-se.
    o que percebe o homem de teatro ou de cultura?
    nada, mas no entanto é ministro da cultura.

    o que o senhor quis dizer entre desfazamento da academia e vida criativa, é, que infelizmente já não há uma corrente ou um canone que seja reconhecido e identificado e fácilmente dominado pelo estado, como existia no passado.
    que a arte que se faz agora é diferente, que o governo não só a não percebe como não a controla.

    quanto às declarações dos directores dos teatros, que se soubessem do que se tratava não permitiam, acho simplesmente deplorável, por dois motivos, um a atitude controleira e pidesca, e outro a ignorância de alguem que dirige um teatro nacional e nem sabe do que constam as peças que no mesmo são apresentadas!

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  3. Saberão os cómicos das produções fictícias que comparar alguém ao Dantas só pode ser elogio?
    E que as posições posteriores do Almada vingaram o Dantas?

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  4. Falta o detalhe de o ministro ser um dos sócios das Produções Fictícias.

    NS

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