sábado, 18 de julho de 2009

Nem tudo o que conta...


Com a devida vénia, transcrevemos crónica do professor de Medicina João Lobo Antunes publicada no "Semanário Económico" de hoje, onde aborda a questão da relação da matemática com as ciências biomédicas já aqui aflorada por Jorge Buescu:

Todos os anos, mal chega o Verão, o país fica suspenso dos resultados dos exames do ensino secundário. O governo (qualquer que ele seja) reza pela confirmação do sucesso das suas políticas e a oposição suspira secretamente pelo desastre. Os examinandos, que incluem alunos e professores, embora por razões diferentes, imploram o milagre. Depois, neste país do “se Deus quiser”, lá vem o inevitável balde de água fria, porque nestas coisas o Criador entende que só merece milagres quem trabalha.

Este ano o que sucedeu de realmente novo foram os surpreendentes comentários dos responsáveis do Ministério da Educação aos maus resultados obtidos nos exames de Matemática e Português do 12.º ano, aspergindo culpas pelos jornais, pela Sociedade Portuguesa de Matemática e por “partidos e pessoas com responsabilidades politicas”. O argumento foi que teria sido transmitida aos alunos a impressão de que os exames iriam ser fáceis, o que teve como consequência eles relaxarem em diástole, para usar uma imagem cardiológica. Como consequência, Matemática e Português entraram, solidariamente, em recessão.

De facto, como tem sido tantas vezes repetido por Nuno Crato, apontado também como “mau” nesta lamentável “fita” isto é muito grave pela simples razão de ser a matemática um instrumento indispensável à sobrevivência no mundo tecnológico e global em que vivemos. E não falo apenas nas áreas em que a sua aplicação é mais evidente, das engenharias à economia, mas de outras, como a biologia e a medicina, hoje ciências estocásticas e probabilísticas, o que fez a associação americana responsável pela educação médica recomendar recentemente que crescesse a exigência na preparação matemática dos candidatos ao curso médico. Demonstrámos há anos que, curiosamente, a nota de matemática do 12.º ano era, dos vários parâmetros analisados, aquele que tinha melhor valor preditivo quanto ao sucesso escolar subsequente dos alunos de medicina. E, já agora, não resisto citar o que o José Cardoso Pires me escreveu numa carta de Novembro de 1996, a propósito do meu primeiro livro de ensaios: “Por causa de três cadeiras não conclui a licenciatura em Matemáticas: hoje estou arrependido porque com certeza escreveria melhor...”. A Matemática e o Português têm, como se vê, uma insondável ligação.

Mais uma vez, nesta enorme trapalhada, a politica veio estragar tudo, porque as notas dos exames se assumiram como o barómetro do sucesso ou insucesso das políticas de educação, um pouco à semelhança das taxas de mortalidade infantil e da esperança de vida na saúde. Simplesmente, em contraste com o que sucede com a saúde, as médias obtidas ou as taxas de reprovação não podem, como mais uma vez se percebeu, serem tomadas como critérios fidedignos, porque oscilam, quer o grau de dificuldade dos exames, quer o rigor na avaliação, embora ainda ninguém tivesse explicado com clareza como se pesam dificuldade e rigor, medidas objectivamente fugidias. Ou será que tudo isto não passa, como se dizia há anos das estatísticas oficiais em Portugal, de uma vaga ideia?

Quanto ao fácil e ao difícil, confesso que sou, por formação e método, um partidário feroz da dificuldade, tema que tratei numa “oração de sapiência” chamada “O elogio da dificuldade”. Como alguém já apontou, o que hoje se requer do ensino é muito semelhante ao que a sociedade em geral exige na aquisição de qualquer bem de consumo (automóvel, vídeo ou computador): que seja barato, de boa qualidade e de uso fácil (aquilo que se designa, admitindo que as máquinas têm sentimentos, como “amigo do utilizador”). Assim a vida na escola deveria ser simultaneamente fácil e feliz. Contudo, a missão da escola não é fazer os alunos felizes, mas sim, como descobri há anos, dar-lhe instrumentos para a construção da sua própria felicidade, além de, como citava T.S. Eliott, fornecer-lhes os meios para ganharem honestamente a vida e equipá-los para desempenhar o seu papel como cidadãos plenos numa democracia. Para isso a escola deve desenvolver o necessário equipamento cognitivo e muscular as qualidades indispensáveis para estas tarefas, preparando-os assim para a “luta do mundo”. A minha tese é pois, muito simples: a escola fácil não cumpre a missão de preparar os alunos para a vida difícil. Saul Bellow dizia, creio que no seu derradeiro romance, “You have to be learned to capture modernity in its full complexity and to assess its human cost”.

Claro que não interessa a dificuldade gratuita e estúpida, a mudança leviana ao sabor de teorias pedagógicas insensatas, a alteração matreira das regras de avaliação, os currículos obesos, a distância soberba que nega a essência do acto de ensinar (“a troca de um “eros” de confiança recíproca”). A escola difícil, para mim, foi aquela que me ensinou a vencer a indolência, a ignorância e o medo, enquanto me ia preparando para o meu ofício, embora a dificuldade ainda hoje se ri de mim, multiplicando-se como uma hidra de incontáveis cabeças, e tropeço constantemente na minha ignorância. O nivelamento por baixo ou a “diluição” do que é complicado são verdadeiros atentados, cujos destroços se entrevêem nesta pavorosa confusão dos exames, e cujos autores escapam à condenação pública, porque, provavelmente, somos todos, de uma forma ou de outra, cúmplices envergonhados.

Mas, em todo o caso, a pergunta aqui fica: será que não há já ninguém que saiba revelar a estas inteligências virgens a extraordinária beleza da Matemática, criação dos homens e dos deuses, ensinar-lhes não a ler mas sim a saber ler e compreender, a escrever de forma clara e persuasiva, e a respeitar o rigor como forma de procurar a verdade?

Quanto ao resto, recordo-vos o pensamento que Einstein tinha afixado na parede do seu gabinete em Princeton: “nem tudo o que conta pode ser contado, e nem tudo o que pode ser contado conta”.

João Lobo Antunes

41 comentários:

  1. Ainda não foi desta que explicou os cálculos que ele e a sua equipa fazem antes das operações que fazem ou qual a relação do primeiro teorema do isomorfismo em teoria de grupos e os cús de judas do irmão.

    Fico a aguardar.

    Já agora gostaria de saber qual a formação académica em matemática que tem porque se é assim tão essencial não devia andar a operar sem pelo menos um mestrado.

    ResponderEliminar
  2. Esqueci-me de assinar.

    GAJO QUE USA A CABEÇA E NÃO VAI EM TRETAS.

    Tanta palavra e nem um único exemplo ou conteúdo do que é referido no preâmbulo, nomeadamente "relação da matemática com as ciências biomédicas".

    Este texto devia ser utilizado como objecto de estudo exemplificando como se pode escrever imenso sem se dizer quase nada.

    ResponderEliminar
  3. André Agui
    qual é galera foi bom pow!

    blogdarua9.blogspot.com

    ResponderEliminar
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  5. Lamento que o excelente texto e as ideias defendidas pelo seu autor não tenham sido verdadeiramente discutidas pelos comentadores anteriores: frases absurdas que não têm qualquer relação com os argumentos apresentados são mero ruído.
    Sou professora do ensino secundário, há anos que venho a assistir à degradação do ensino à falta de exigência que se instalou e naturalizou mesmo entre os professores.
    A análise feita corresponde à realidade: há dados empíricos que podem sustentá-la - os dados obtidos por estudos internacionais credíveis, como o PISA, por exemplo.
    O que importa agora, a bem do futuro das próximas gerações, é procurar soluções para o problema diagnosticado. Penso que isso não passa apenas pelos responsáveis políticos, é uma problema que diz respeito a todos os cidadãos. Ouvir a essa respeito pessoas de reconhecido mérito, como por exemplo o Doutor João Lobo Antunes, é útil e interessante - como este texto demonstra.

    ResponderEliminar
  6. Sara Raposo, quer discutir? Óptimo!

    Comece por me indicar onde posso encontrar no texto a "relação da matemática com as ciências biomédicas".

    É que não é por mal mas não a encontro no texto.

    O valor "preditivo" das notas de matemática no sucesso dos estudantes de medicina não conta porque na melhor das hipóteses liga a matemática aos alunos de medicina e não à medicina per se.

    ResponderEliminar
  7. Googlei e obtive:

    De
    http://dublin.usembassy.gov/ireland/medical_ed.html
    "AMCAS is a centralized processing service for medical school applications. Most US medical schools are participants in AMCAS and do not accept applicants not participating in AMCAS. US medical schools may use AMCAS for preliminary screening and outstanding applicants would be asked to fill out a further medical school-specific application. Contact the admissions office of the medical school by mail, fax or email to make initial inquiries on admission requirements. To reach AMCAS on-line visit http://www.aamc.org/ This site will also give you access to the Association of American Medical Colleges.
    The admissions committees of US medical schools where you apply will consider the following factors:
    Undergraduate Coursework and Performance
    The nature of the US liberal arts degree allows students to obtain a strong foundation in the natural sciences, but also take courses in the arts, social sciences and humanities. The majority of US students who intend to apply to medical schools take their bachelor's degree in biology, chemistry or another science-related subject, though this is not mandatory or even encouraged. All US medical schools emphasize the importance of the liberal arts education.
    Although mandatory courses at the undergraduate level vary from school to school, the basic requirements for medical schools are:
    .Biology or Zoology, 1 year with lab
    .Inorganic Chemistry, 1 year with lab
    .Organic Chemistry, 1 year with lab
    .Physics, 1 year with lab
    .English, 1 year
    A number of schools also require coursework in mathematics, behavioral science, the humanities and computers. Note that a "pre-med" degree does not guarantee admission to medical school and may not even be treated as the best curriculum for all students. Students should choose a major based on their interests, not based on concern for admission to a postgraduate program in medicine; it is possible to take the above list of subjects at a US university while majoring in an unrelated subject."
    O itálico é da minha responsabilidade.

    e de
    http://www.aamc.org/students/applying/about/start.htm

    "Admission to U.S. Medical Schools
    In general, most medical schools will expect applicants to have taken the MCAT (Medical College Admission Test), and to have completed the following types of courses:
    One year of Biology
    One year of Physics
    One year of English
    Two years of Chemistry (through Organic Chemistry)
    Applicants should consider volunteering at a local hospital or clinic to gain practical experience in the health professions. A well-rounded sampling of extra-curricular activities or work experiences, both related and unrelated to medicine, will help broaden an applicant's knowledge and development."

    Acho que o sucesso académico pode não corresponder a um sucesso profissional: pode haver excelentes licenciados em Medicina que são fracos médicos; como de resto acontece noutras áreas, por exemplo, engenharia.

    ResponderEliminar
  8. No contexto de uma decisão acerca do extinto SDI (Strategic Defense Initiative), um dos intervenientes - advogado - julgava que 10⁸ era metade de 10⁹!

    Eu não sou médico e não faço ideia se é necessário fazer qualquer tipo de cálculos para operar. Mas estou certo que para muitas cirugias serem realidade, a matemática foi fundamental.

    ResponderEliminar
  9. O José Cardoso Pires passava-se completamente da cabeça, e o Lobo Antunes ainda se passa mais por lhe dar crédito algum quando acredita que se o homem tivesse feito as 3 cadeiras de matemática escreveria melhor! Realmente, temos uma elite intelectual de primeira! Por essa lógica, os melhores escritores seriam os matemáticos, e os gajos como os Saramagos, os Garcia Marques, e os Prousts, não poderiam ter escrito nada de jeito!
    Que é que estes pseudo-intelectuais, que adoram teorias "diferentes", pensam? Que somos burros como calhaus e andamos a dormir?
    Bem falta fariam matemáticos a ditar regras à língua portuguesa, que tem regrinhas execráveis, e ainda mais as excepçõezinhas às regrinhas, que até metem nojo, e que é por isso que as pessoas dão tantos erros, não há pachorra para decorar tantas regras tão estúpidas.
    Também a insistência deste blogue em que os músicos têm uma grande relação com a matemática já me deu cabo da paciência. É evidente que há grandes músicos que não percebem um corno de matemática, e não me venham cá falar da influência da astronomia na música, isso são tretas, puras tretas, porque não é por alguém pôr o título de Lua a uma música que mostra grande paixão pela astronomia, ou que saiba calcular a órbita de seja o que for.
    Já agora, o exemplo de um músico com deficiências mentais, que não consegue contar para lá de 10, mas que como músico é genial:

    http://www.microsiervos.com/archivo/ciencia/the-musical-genius.html

    E não, não é preciso matemática para receitar uns comprimidos para a tosse ou para usar um bisturi, basta-lhes bem umas noções básicas de álgebra para medir a temperatura, e umas coisinhas de estatística, as que se dão no secundário quase chegam, para ver como é que se propagam as doenças, por exemplo.
    Deixemo-nos de tretas e de pseudo-intelectualismos primários. Com tantas tretas como estas não saímos da cepa torta, valha-nos deus e as alminhas do pregatório, isto parece que não tem emenda.
    Sem desrespeito pelas qualidades de escrita do Pires e das do médico, mas que eles não nos desrespeitem também com tanta burrice que nos querem impingir!
    luis

    ResponderEliminar
  10. Para medir a temperatura não será preciso mais do que a aritmética prática.

    Mas já vi uma coisa que pensei que nunca assistiria na vida: querer medir a diferença de comprimentos de dois objectos diferentes, medindo apenas um deles, sem saber as dimensões do outro!

    ResponderEliminar
  11. «um dos intervenientes - advogado - julgava que 10⁸ era metade de 10⁹!»

    Acho que mais do tipo 10^4 era metade de 10^8.

    luis novamente com um comentário excelente.

    Vale mais que estas tretas de posts requentados dos jornais.

    Só uma correcção: quando escreveu álgebra deveria ter escrito aritmética porque de álgebra um médico não precisa quase nada.

    A minha treta favorita é a dos medicamentos vendidos apenas com receita médica porque a dose e o tratamento têm de ser muito bem adaptados a cada doente não vão aparecer variantes resistentes.

    Quando vou ao médico até tenho pena do esforço intelectual dele ao fazer os cálculos precisos de modo a determinar qual a dose e duração do tratamento adequadas ao meu caso. Realmente passar o mesmo a toda a gente mesmo com diferenças de peso com rácios superiores a 2 é muito complicado e exige uma formação matemática muito acima da média.

    Estou farto de tretas! Digam as coisas como são.

    Os médicos na esmagadora maioria dos casos limitam-se a receitar EXACTAMENTE aquilo que vem escrito nalgum lado sem sequer fazerem a menor ideia se é apropriado ou não. Do ponto de vista legal, na remota hipótese de estarem em apuros têm sempre a desculpa "faz-se assim em todo o lado" ou "são as best practices" para os mais sofisticados.

    ResponderEliminar
  12. Ao que este país chegou...

    Por que não acabam com as escolas?

    ResponderEliminar
  13. Os Grandes Portugueses
    « António Damásio, nascido em 25 de Janeiro de 1944, iniciou a sua formação na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde acabou por fazer o doutoramento. Passou pelo Centro de Investigação Aphasia, de Boston, nos Estados Unidos, e pelo Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Lisboa. Actualmente, está radicado nos Estados Unidos e dirige o Departamento de Neurologia da Universidade de Iowa. Na América ficou para sempre uma parte essencial da sua história. "Damásio fez-se fora de Portugal. Foi-se embora com a mulher, porque achava que o meio médico português não era exactamente o que queria", diz Clara Ferreira Alves, escritora e amiga do casal. "Torna-se um cientista de renome mundial mas tem esta ideia: gostava de fazer qualquer coisa pelo seu país", afirma. "É importante saber de onde vimos, em que língua trabalhamos e o que daremos àquele lugar que nos cedeu qualquer coisa. E ele sabe-o."
    http://www.rtp.pt/gdesport/?article=106&visual=3&topic=1 »

    ResponderEliminar
  14. Caro anónimo,
    antes de tudo é muito desagradável e desigual discutir com anónimos. Para compreender a relação entre a matemática e o saber em geral, incluindo a biomédica, não precisa de provas empíricas. Precisa, tão somente, de fazer com que a inteligência consiga fazer aquilo que uma preparação deficiente em matemática torna impeditivo de fazer: raciocinar. Se raciocinar um pouco facilmente compreenderá a relação entre a matemática e qualquer um dos saberes.

    ResponderEliminar
  15. Sara,
    Os comentários são mais da prova empírica do que o texto refere. Esta gente pensa que um médico saber matemática é pôr-se a fazer contas antes de operar. Nem sei se isto é para rir ou para chorar. Nem sei se é melhor insultar esta ignorância ou educá-la. É que a ignorância é de uma arrogância aterradora e acaba por cansar.

    ResponderEliminar
  16. Caro Rolando de Almeida,

    «Para compreender a relação entre a matemática e o saber em geral, incluindo a biomédica, (...) precisa (...) de fazer com que a inteligência consiga fazer aquilo que uma preparação deficiente em matemática torna impeditivo de fazer: raciocinar. »

    Alguma das minhas afirmações diz o contrário?

    « Esta gente pensa que um médico saber matemática é pôr-se a fazer contas antes de operar. »

    Não, não penso. Já fui operado várias vezes e sei muitíssimo bem que não « é (...) fazer contas antes de operar.»

    Eu fico bem com o que pensa ser a minha ignorância.

    «antes de tudo é muito desagradável e desigual discutir com anónimos.»

    Concordo em absoluto. Mas é um mal necessário ...

    Se se acha que não deve haver comentários anónimos é muito simples, basta impedi-los.

    Anónimo das 14:03, 19:09 e 23:10.

    ResponderEliminar
  17. Creio que a deixa do cógnito Rolando de Almeida, professor de filosofia no Funchal, se deve fundamentalmente à sua notável deficiente preparação em matemáticas et pour cause à sua ingenuidade filosófica. Valha-nos que parece ser um pai feliz!

    ResponderEliminar
  18. Rolando, para rir é a frase "Para compreender a relação entre a matemática e o saber em geral, incluindo a biomédica, não precisa de provas empíricas."

    É uma prova empírica do grau de desonestidade intelectual de quem a escreveu ou então de ignorância atroz.

    "Nem sei se é melhor insultar esta ignorância ou educá-la."

    Isto é que eu acho engraçado: eu tenho uma boa cultura matemática que adquiri ao longo de de muitas horas de dedicação a esse saber apenas por gosto, a maior parte do qual ao nível pos-graduado.
    Compreendo investigação actual nalgumas áreas da matemática que sigo com interesse.
    Sei coisas que duvido que um professorzeco de filosofia no secundário sequer consiga imaginar que possam existir e mesmo assim este vem arrotar postas e falar de ignorância relacionada com este assunto.
    Gostava de perceber mas acho que não vou ser capaz porque me falta algo: estupidez suficiente.

    Repito, para que é que o autor da crónica utiliza a matemática? Qual a relação com as ciências biomédicas?

    Este Rolando deve ser daqueles que o luis falou que são professores do filosofia no secundário e que nos comentários aos posts do desidério lhe disseram que sabiam mais física do que ele.

    ResponderEliminar
  19. Engripado,
    Antes de tudo gostaria de esclarecer para vosso descanso, o seu e dos anónimos, que sou um professorzeco de filosofia ainda muito pior do que o que vocês falam. Sou mesmo do mais básico que existe no ensino em portugal.
    Em segundo lugar queria clarificar algo que até o mais elementar dos seres é capaz de compreender: que não é necessário ser expert em matemática para compreender a relação que a matemática pode ter com o conjunto dos saberes. E que muitos experts em matemática não percebem esta relação fundamental.
    Em relação aos insultos dos anónimos desejo que se lixem com eles. Pá, não estou para os aturar.

    ResponderEliminar
  20. É patente que o Rolando foi contagiado pelo Alberto João. Ou entra mosca ou sai asneira. Viva a filosofia insular!

    ResponderEliminar
  21. Prezado Dr. Rolando Almeida,

    Não ligue às patacoadas dos invejosos!

    Gostaria imenso que expendesse, para minha ilustração, algumas notas sobre a relação entre a matemática e o conjunto dos saberes.

    De V. Ex.a, atenciosamente, sou mto. agradecido,

    Alberto Sousa

    ResponderEliminar
  22. Olá rolandinho,

    Eh pá, acho bem que não estejas pra aturar os anónimos. Por uma questão de coerência (sabes o que é isso?), claro que não julgavas que os anónimos estivessem com pachorra pra te aturar.

    Cumprimentos ao Alberto João!

    ResponderEliminar
  23. Penso que a questão da importância da matemática se prende com o ar dos tempos que tudo avalia pelo grau da utilidade imediata.É útil agora, já? Passo a ser mais feliz agora, já? Ou, como dizem os alunos, quando se pretende que estabeleçam relações ou façam exercícios de avaliação: isso que está a dizer sai no exame?
    Infelizmente, a maleita não está confinada aos "putos". Foi assim que se deitou fora o ensino do Latim e se reduziu a literatura portuguesa ao ínfimo. Efectivamente, qual o efeito imediato destas disciplinas, na medicina, na biologia, na economia, na política, meu Deus, na política, a não ser cansar os neurónios e lixar as sinapses? Antes Su dokus!

    ResponderEliminar
  24. Já repararam que os comentários de jeito a este post provêm na sua totalidade de anónimos? Sara Raposo veio aqui apenas para dar uma de lambe-botas. Rolando Almeida, idem aspas. Ambos, note-se, professores de filosofia!

    Parece que a anonímia refresca os circuitos neuronais...

    Outro Anónimo

    ResponderEliminar
  25. Este espaço já foi bom. Presentemente foi ocupado por putos como estes que aqui escrevem, razão pela qual não punha cá os pés há algum tempo. Se é esta gente que estuda, que lê, que vem aos blogs e estas são as as suas ideias e expressão do seu nível, então andamos mesmo lamacentos. É que nem sequer vádios sabem ser. Só fazem provocação barata, de merda, à altura de qualquer miúdo. As perguntas e comentários são parvas, reaccionárias e completamente desorientadas. Ao mesmo tempo esta gente sabe avaliar os outros, sabe avaliar o seu trabalho (sem nunca o terem visto). A net é universo tão grande e esta merda de gente só vem atrapalhar para aqui. Será que não sabem escrever inglês? Há blogs em inglês muito mais engraçados para alguém expor o seu armanço em cabeçudo. No fundo estes gajos todos, pseudo vádios, são piores que padres de tão conservadores que são.

    ResponderEliminar
  26. Uma coisa é certa, para acender uma lâmpada fluorescente não preciso de saber para que serve o balastro ou sequer se realmente é preciso algo com esse nome para o seu funcionamento -basta-me ligar o interruptor (e não preciso de saber que se chama interruptor àquilo).
    Não precisei da escola para aprender a falar ou a contar. Quando terminei a quarta classe, sabia ler e entender o que lia e fazer contas à mão relativamente às quatro operações aritméticas:
    Se eu trabalho numa fábrica a meter chapas de ferro numa ranhura e a carregar num botão, para que preciso do nono ano?

    Sabemos que a matemática é útil na descrição de fenómenos biológicos e o exemplo mais flagrante advém do campo da neurologia e a propagação de impulsos eléctricos nos nervos. Por outro lado, um neurologista não precisa de saber matemática para tratar uma doença neurológica. Assim a questão resume-se ao seguinte: eu, que trabalho numa fábrica a meter chapas numa ranhura e a carregar num botão preciso tanto do nono ano como um neurologista precisa de saber os rudimentos de matemática.

    Resume-se a uma questão do que realmente se pretende fazer.

    ResponderEliminar
  27. Finalmente o Sérgio O. Marques disse quase tudo o que essencialmente havia para dizer.

    «eu, que trabalho numa fábrica a meter chapas numa ranhura e a carregar num botão preciso tanto do nono ano como um neurologista precisa de saber os rudimentos de matemática.»

    Foi uma pena que tenha exposto "o seu armanço em cabeçudo" ao fazê-lo.

    Um médico na maioria do seu trabalho não precisa de saber matemática para nada. As execpções são muito pontuais e resumem-se a áreas muito específicas como as que o Sérgio referiu e poucas mais.

    Em contrapartida, um engenheiro civil (que não se limite a fazer trabalho de gestorzeco nem de negreiro) tem obritatoriamente de saber e aplicar álgebra linear e cálculo integro-diferencial. Nada de muito complicado mas muito acima do que qualquer médico tem se saber/aplicar.

    Um arquitecto nem precisa de saber matemática. A prova foi quando abriram o curso de arquitectura no técnico os meninos tiveram de levar com cadeiras de matemática especificamente amputadas para que não fossem ficar traumatizados com um programa igual ao das engenharias. Isto foi muito controverso.

    ResponderEliminar
  28. Engripado,
    Realmente parece complicado perceber que o raciocinio lógico está intimamente ligado a um bom treino intelectual que a matemática possibilita com privilégios manifestos. Além da matemática, quando usa a linguagem natural, a filosofia desenvolve as mesmas capacidades. Um bom desenvolvimento de capacidades de raciocínio possibilitadas pelo estudo rigoroso de disciplinas como matemática ou filosofia, regra geral, acaba por formar melhores médicos, carpinteiros, melhores cabeças a pensar e a raciocinar autonomamente, melhores desempenhos profissionais e pessoais, melhores comentários de análise aos posts nos blogs, etc.. E é isto que o artigo de João Lobo Antunes refere. Claro que os cabeçudos dos comentadores anónimos extrapolaram a questão e pensaram que a matemática não serve aos médicos pois eles não precisam de fazer contas antes de operar. Pá, isto é do mais elementar que há. Segundo li em algumas biografias, Einstein não foi um grande matemático, mas tinha grandes ideias que os seus colegas matemáticos o ajudaram a desenvolver. A matemática não é um conjunto de números dispostos para fazer contas de somar ou multiplicar. Saber matemática é saber relacionar ideias, raciocinar autonomamente com elas. Claro que a matemática, como qualquer outro saber, tem zonas de sofistificação específicas, mas não é disso que o Lobo Antunes fala. E qualquer boa introdução à matemática (já as temos até em língua portuguesa e escritas por autores portugueses como Jorge Buesco ou Nuno Crato) nos mostra precisamente o quanto transversal e útil é a matemática. Mas isto foi mostrado claramente no texto do Lobo Antunes e os comentadores anónimos são cabeçudos o suficiente para não quererem compreender a circunstância em que se fala e falou da matemática e da sua importância. Há algo de mais prático que isto? O de saber pensar pela própria cabeça? Por outro lado, como já o disse antes noutro comentário, encontramos boas cabeças a fazer contas mas que não percebem ao que se referem os números. Ora bolas.

    ResponderEliminar
  29. Aliás, os cabeçudos em vez de tentar discutir ideias e aprender com a discussão passaram o tempo a investigar onde dou aulas, que faço, quantos filhos tenho, etc... o que revela desde logo o interesse pela discussão e para aprenderem algo com ela. É por essa razão que perdi a motivação a visitar as caixas de comentários deste blog.

    ResponderEliminar
  30. Caro Rolando Almeida
    Eu sou um comentador anónimo, além disso serei cabeçudo.
    Por essa razão não lhe respondo, aqui, ou em qualquer outro lugar, seja por que motivo for.
    E possivelmente nunca mais voltarei a fazer comentários anónimos aqui.
    Nota: não passo o meu tempo a "investigar onde dá aulas (...)"

    ResponderEliminar
  31. Rolando Almeida perdeu a motivação (coitado!)para visitar as caixas de comentários, mas já cá voltou umas duas ou três vezes. Seja coerente, ó professorzeco (Rolando dixit) de filotretas!

    Aliás, se formos pela tese do Lobo Antunes, a tal "insondável ligação" entre a matemática e o português, ao mesmo tempo que, pra gáudio dos alunecos do fessor Rolando, notarmos que ele escreve repetidamente "vádios" (além de outras barbaridades), creio que destas premissas poderá deduzir-se que 1. o Rolando deve andar com as matemáticas trocadas; e 2. que afinal o nosso homem é mesmo um professorzeco da carqueja.

    ResponderEliminar
  32. Rolando, tu és um burreco convencido mas não serás mau tipo, e além disso és do FCPorto, o que é bom, eu também, viva o Pintinho, o maior! E também sei que fizeste boxe no Boavista. E como é que eu sei isto tudo? Porque tu é que vens com estas tretas para as caixas de comentários e depois queixas-te que as pessoas sabem que tens um filho, mas a culpa é tua de seres um pai babado e andares a mostrar a foto com o filho no teu perfil. Mas também sei que no próximo comentário vais desviar a conversa e não vais admitir que andas para aqui a bufar coisas que não interessam.
    Eu acho que podias era tirar 3 ou 4 cursos de matemática e física para tentar desenvolver o raciocínio, mas desconfio que não te vai adiantar em nada, não adianta, um gajo já nasce assim e acabou-se. Se assim fosse, o tal treino intelectual, um gajo começava a treinar no duro e daqui a uns meses tinha um QI de 300, mas não, não adianta, ora pensa lá bem.
    Da minha parte não tenho nada contra a matemática, tudo a favor, sei mais de matemática a dormir do que tu acordado, é uma coisa que me dá um prazer grande, não há nada melhor para adormecer do que resolver um puzzel que envolva um integral triplo, por exemplo, que é resolvido sem papel porque já estou com os cornos encostados à almofada.
    Quanto ao trabalho numa fábrica a meter chapas numa ranhura e a carregar num botão, o que eu acho é que todos os trabalhadores deveriam perder 4 anos numa licenciatura, e depois mais 5 num doutoramento em matemática, e o mesmo se aplicaria aos médicos, e só então, só depois disso, é que se deveriam preocupar com as suas especialidades e com aumentar os seus conhecimentos e experiência na área médica, é mesmo assim que o nosso país deveria funcionar.
    Mais uma coisa, senhor prófe Ronaldo, não sejas chato, vens sempre com essa treta dos anónimos,deixa-te de secas, és um chato, nem sei como é que a mulher te atura, vê lá se aprendes a respeitar as opiniões das outras pessoas e o direito à diferença.
    Eu já aqui expliquei que não sou anónimo e que tenho um blogue, só que é tão asqueroso e merdento que não gosto de vir para aqui fazer publicidade.
    Vou estar pelo Porto uns tempos, se apareceres naquela que parece ser a tua cidade, e quiseres tomar café, apita, dou-te o número de telefone, para já ficas com o email: lboticas@yahoo.co.uk
    Só para me meter contigo:
    Eu sei que tu tens 1,83 m e jogaste boxe no Boavista (tu é que o disseste há uns meses mas eu tenho boa memória), mas o teu problema é que não sabes quanto meço nem o desporto que pratiquei, é a tal vantagem dos anónimos! Para já digo-te o peso: 95 kg, e... muita potência!
    Se não me convidas para um café vou passar a pensar muito mal da secção de boxe do Boavista!
    Acho que vou apanhar uma grande seca contigo, mas pronto, vou fazer isso pela comunidade dos anónimos anónimos que anda pelas caixas de blogue!
    Aparece, estou à tua espera!
    luis

    ResponderEliminar
  33. Grande Luís!

    Tinhas de ser do Porto, Há muito que não lia uma prosa tão escorreita e graciosa numa matéria tão banal.

    Ah, tb já descobri a foto do Rolandinho com o filhocas. Só me mete pena que o menino não tenha tido tanta sorte com o pai. Mas talvez ele melhore com os tempos, principalmente se aceitar o teu convite pra um cafezinho.

    Abraços

    Outro Anónimo

    ResponderEliminar
  34. Outra coisa que transparece do Lobo Antunes é que gosta de se pavonear, embora sem dar a mínima para quem o contempla. Há uns tempos, creio que no Público, dava uma entrevista em que não se cansava de salientar os 20 que tinha tirado no curso de Medicina, e também em Matemática, durante o liceu.

    Claro que nunca se lembrou de que a circunstância de ser filho de um professor de medicina pudesse ter inflacionado as notas que lhe foram atribuídas.

    Tudo isto, claro, se passou no tempo da outra senhora.

    ResponderEliminar
  35. Outro caso de notas provavelmente inflacionadas é do Marcelo Rebelo de Sousa, que frequentou Direito em Liaboa quando lá pontificavam corifeus do Estado Novo de Salazar, como Costa Leite (Lumbrales), Paulo Cunha, Cavaleiro Ferreira, Galvão Teles, Marcello Caetano (este, padrinho de nascimento do mancebo)e outros mais.

    ResponderEliminar
  36. Aposto que o blog do luis é este:

    http://bloguex.blogspot.com/

    As maravilhas da net.

    Até não me parece muito mau, mas os comentários aqui parecem-me muito melhores.

    ResponderEliminar
  37. Camarada anónimo, não sou do Porto embora adore a cidade do Porto, muito bonita e com muito boa gente, é das melhores cidades da Europa, embora não tenha a fama de uma Amesterdão, que não lhe chega aos calcanhares.
    Sou de Barroso, uma região muito especial de Portugal, muito primitiva, onde aprendi a trabalhar tão bem com a satchola como com os integrais! Se quereis provar o melhor presunto aparecei por lá, quinda pra mais vos ofereço uns copos de vinho dos mortos.
    Até logo!
    luis

    ResponderEliminar
  38. Fartei-me de rir com este chorrilho de comentários (não estou a ser irónico). Até me deu vontade de ser anónimo! :)
    Só tenho que dizer que eu sou do Porto e não acho nada que seja uma cidade maravilhosa... Com muita pena minha, que cá ando todos os dias! Que dizer, por exemplo, da quantidade de casas abandonadas na baixa?... :(

    ResponderEliminar
  39. Só para chatear vou comentar como anónimo.

    O ano passado ajudei uma amiga a corrigir o inglês de um artigo que ía enviar. Reparei que fazia citação a um artigo sobre um fármaco, e decidi ler esse para ver o nível e estilo do inglês utilizado nessa publicação.

    O estudo reportava-se a analizar a eficácia do fármaco, e estudava a sobrevida de ratinhos, um grupo tratado com o fármaco, o outro não.

    Até aqui tudo bem, excepto que para analisar os resultados usaram análises gaussianas. Isso resultou em que (por a análise gaussiana assumir simetria) dois por cento dos ratos estudados morreram antes do estudo ter sequer começado (!).

    Os médicos não precisam de matemática? Só precisam da matemática do nono ano?

    Olhem que a ignorância mata, e em último caso aprendam a apreciar o valor do silêncio.

    ResponderEliminar
  40. Simplesmente fantástico.
    Um pensamento de primeira linha sobre o ensino em geral e em particular da Matemática (e também do Português).
    Tal como ninguém pode querer correr uma maratona sem se suar, ninguém se atreva a querer SABER sem passar pela "dificuldade" (entre aspas porque onde uns vêm dificuldade outros tiram prazer) de estudar.
    Muitos dos comentários anteriores não vão além da espuma dos dias que passam sem nada ficar.
    Num mundo que não quer além do relativismo de tudo e de todos, aprendamos a PENSAR.

    HBO.

    ResponderEliminar
  41. Anónimo das 15:19, diz lá então que tipo de curva teriam que ter usado para não haver problemas. Não sei se sabes mas as gaussianas causam sempre problemas, vão de menos infinito até mais infinito, e na realidade não existem infinitos, toda a gente sabe disso, por isso é normal que apareçam coisas como alturas negativas de pessoas, ou idades negativas para morrer. Mas as pessoas sabem isso, tem é que se saber lidar com essas coisas.
    Diz lá como é que fazias, ou a ignorância é tua? Léria vejo eu muita!
    luis

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.