sexta-feira, 31 de julho de 2009

MEDALHAS OLÍMPICAS NA CIÊNCIA


Minha crónica no "Sol" de hoje (na imagem Pedro Vieira, que ganhou uma medalha de prata em Matemática):

Que todas as gerações contêm extraordinários talentos e que esses talentos conseguem passar incólumes à acção nefasta de sucessivos Ministérios da Educação é mostrado pelo recente conjunto de medalhas ganhas por jovens portugueses nas Olimpíadas Internacionais de Matemática e de Física.

Pedro Vieira, aluno do Externato Ribadouro no Porto, obteve a medalha de prata na prova de Matemática. Jorge Miranda (Escola Secundária Anselmo de Andrade, Almada), João Pereira (Escola Secundária Domingos Sequeira, Leiria) e Ricardo Moreira (Colégio Paulo VI, Gondomar) conquistaram medalhas de bronze, tendo Jorge Miranda ficado apenas a um ponto da medalha de prata. A equipa olímpica portuguesa conseguiu o seu melhor resultado de sempre, com o seu 33º lugar na classificação geral na competição realizada em Bremen, na Alemanha (a Finlândia ficou em 67º).

Por sua vez, três estudantes portugueses obtiveram três medalhas de bronze nas Olimpíadas Internacionais de Física, realizadas em Mérida, no México: Henrique Cabral e Francisca Costa (os dois do Colégio Luso-Francês, Porto) e Sagar Pratapsi (Escola Secundária Carlos Amarante, Braga). Também nesta disciplina a equipa olímpica obteve a sua melhor prestação de sempre.

Estes resultados não têm a ver com políticas ministeriais, que no ensino da Matemática e da Física têm sido débeis, descontínuas e inconsequentes, mas sim com o esforço porfiado de escolas de excelência sedeadas em Coimbra (a escola “Delfos” de Matemática e a escola “Quark” de Física). Para que continuem, é preciso continuar a juntar os nossos melhores jovens talentos – que os temos – e prepará-los devidamente – pois sem treino adequado não é possível ter êxito em provas extremamente duras.

Mas, para além do êxito nacional, importa registar nestas duas Olimpíadas o facto de o segundo lugar na prova de Matemática ter sido alcançado por uma alemã (logo depois de um chinês e de um japonês) e de a prova de Física ter sido ganho por uma chinesa. As raparigas estão, finalmente, a aparecer nestas duas ciências.

16 comentários:

  1. É bem possível que nunca como hoje existam tantos cientístas portugueses. Muitos deles a publicar nas melhores revistas, a trabalhar junto dos melhores. Contudo, o Fiolhais parece só ter olhos para uns miúdos que foram as olimpíadas, a quantidade de vezes a que estes já dedicou posts e artigos de opinião. Olimpíadas? Mas qual é o interesse científico das Olimpíadas da Física? É grotesto, este interesseiro de Coimbra.

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  2. Grotesco é o seu comentário. É óbvio que o interesse das Olimpíadas de Física e de Matemática não é científico - trata-se de competições para jovens pré-universitários - mas de outra natureza: divulgação destas disciplinas entre os jovens, despertar vocações, encontrar talentos e fazê-los desabrochar num ambiente mais estimulante do que, em geral, estes jovens encontram nas nossas escolas. Uma boa fracção dos alunos que actualmente cursam Física nas Universidades passaram pelas olimpíadas, e eles testemunham que a participação nas olimpíadas foi importante para decidirem embarcar numa carreira científica. Os nossos olímpicos tiveram também percursos universitários excepcionais e estão agora a fazer doutoramentos nas melhores universidades, de Princeton a Cambridge. E com bolsas destas mesmas universidades, que sabem bem o valor (curricular) de uma medalha olímpica...

    jap

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  3. Agora devemos perguntar-nos: será que estes jovens Olímpicos Internacionais são menos que os jovens desportistas Internacionais portugueses? Não estão ambos a representar o seu país ainda que em áreas muito diferentes?

    A resposta para estas perguntas é: Sim.

    Estamos no século XXI e é chegada a hora de Portugal encarar a ciência de outra forma, tal como fazem os outros países desenvolvidos. Deveriam ser atribuídas bolsas a todos estes jovens, tanto apoio na escola como aquele que é dado aos desportistas internacionais (aulas de recuperação, por exemplo), vagas especiais para a entrada na faculdade (como têm os desportistas) e provavelmente um Maior reconhecimento.

    Imaginemos que algum destes jovens geniais que trabalhou no duro para estas Olimpíadas queria entrar para um curso com uma média elevada. Porém, como andou a "perder" tempo com as IMO ou IPhO já não vai poder ir para o curso que queria. O mesmo não se passa com os desportistas que passeiam pelo Mundo, nada conquistam e ainda têm a possibilidade de entrar em Medicina com média de 12.

    Basta de discriminações! Ou ainda ninguém percebeu que os resultados em Olimpíadas das Ciências superam os das Olimpíadas Desportivas? Portugal não avança só com Ronaldos, mas sim também com Pedros Vieiras, Jorges Mirandas e já agora Sagars Pratapskis, Henriques Cabrais e Franciscas Costas e com todos os outros que enchem, ou deveriam encher, todos os portugueses de orgulho!

    Os meus sinceros Parabéns!

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  4. José Batista da Ascenção31 de julho de 2009 às 12:22

    Conheço alguns destes jovens que têm participado nas olimpíadas internacionais. A sua participação só é possível em consequência da sua enorme aplicação e entusiasmo. Naturalmente, só acompanhados por professores muito disponíveis, que nada ganham em termos materiais, e com um ambiente favorável em casa, podem participar. E isso é muito importante para eles, para as opções académicas e profissionais que vão tomar, assim como é importante para as escolas que frequentam e até, indirectamente, para os outros alunos. E para o país, enfim, nem é preciso realçar os benefícios. Quanto aos programas, pouco terão a ver com as matérias em que têm que se preparar. O que reforça o mérito dos que porfiam...
    Por isso, divulgar estas e outras coisas é um dever muito conveniente. E por isso também, sem interesse próprio mas profissionalmente próximo dos esforços e entusiasmo que testemunho, atrevo-me agradecer.

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  5. O autor do 1ºcomentário deveria questionar-se sobre o motivo que levou o Pedro Vieira, sendo do Porto, a frequentar a Escola Delfos em Coimbra e não a de matemática no Porto.Os professores em Coimbra parece que se tentam aproximar dos "miúdos" cativa-los para a Ciência,ao contrário dos Professores Doutores de certas universidades.A maioria dos dos "miúdos" que frequenta o Quark e o Delfos fâ-lo por gosto, para adquirir conhecimentos ,"perdendo" fins-de-semana e férias. Pena é que os projectos não sejam tão divulgados quanto seria desejável pois alguns só vêm " os interesseiros de Coimbra"

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  6. Os participantes nas Olimpíadas normalmente destacam-se profissionalmente. Por exemplo, para citar os convidados de honra das IMO2009 :
    - Béla Bollobás (1943), das Universidades de Cambridge e de Menphis, e que conquistou uma medalha de bronze e duas de ouro nas MIMOs 1959-1861;
    - Timothy Gowers (1963), da Universidade de Cambridge, medalha Fields em 1981 e medalha de ouro no IMO1981;
    - Lázló Lovász (1948), Universidade de Budapest, presidente actual da International Mathematical Union, três medalhas de ouro e uma de prata nas IMO 1963-66;
    - Stanislaw Smirnov (1970), da Universidade de Genève, duas medalhas de ouro nos IMO1986-7; e
    - Terence Tao (1975), da Universidade da Califórnia, medalha Fields em 2006 e medalhas de bronze, prata e ouro nos IMO 1986-8.
    Do famoso Grigorij Perelman (1966), que demonstrou a Conjectura de Poincaré e declinou receber a medalha Fields no ICM2006, em Madrid, pode dizer-se que foi medalha de ouro no IMO1982.

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  7. «Timothy Gowers (1963), da Universidade de Cambridge, medalha Fields em 1981 e medalha de ouro no IMO1981;»

    Isto não parece plausível.

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  8. Correcção do ano de atribuição da medalha Fields ao Professor Timothy Gowers: 1998.

    Na fonte que refiro (e linko)está escrito:

    "he won an IMO gold medal in 1981 and the
    Fields medal in 1998"

    Portanto o erro foi meu.

    Deveria ter escrito:

    Timothy Gowers (1963), da Universidade de Cambridge, medalha Fields em 1998 e medalha de ouro no IMO1981

    Américo Tavares

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  9. Seis casos fazem o normalmente? Eu diria que a maioria dos grandes cientistas - nacionais ou não - nunca participaram neste tipo de JO. Mas cada um terá os seus interesses.

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  10. "A maioria dos grandes cientistas nunca participaram neste tipo de JO." Afirmação correcta. Mas que não invalida a que foi proferida: "os participantes nas olimpíadas, normalmente, destacam-se profissionalmente". E, como foi demonstrado, muitos olímpicos já são hoje matemáticos e físicos de renome.

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  11. Não estou com o "normalmente" a defender nenhuma tese em especial.
    Limito-me a constatar que, nos casos que citei, houve esse destaque. Mas, claro, que isso não impede que quem não participa não venha a ter sucesso!

    E quem participa, pode fazê-lo com sucesso e depois "perder-se", porque há outros factores em jogo.

    Quanto aos "JO", não haverá uma comparação directa entre as várias ciências, penso eu, porque na maioria delas não há competições similares. No caso que citei, as IMO só começaram em 1959. E houve matemáticos importantíssimos muito antes desse ano.

    Américo Tavares

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  12. O que invalida o "normalmente" é o facto de ter apresentado apenas seis casos. Longe de ser uma demonstração parece-me mais uma indução apressada.

    Concordo com o que escreve na segunda parte do seu comentário. E é precisamente por isso - pelo facto que a participação nestes JO nada assevera sobre a qualidade futura enquanto cientístas dos seus participantes - que me parece tão apropriada ser aqui notícia quanto os resultados do torneio de xadrez de uma qualquer Faculdade de Ciências. Ou seja, só é notícia porque nestes JO o CF de coimbra esteve envolvido. E como ele é rapaz que gosta de se mostrar...

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  13. Indução apressada, certamente que o é!

    Assim é uma opinião, que é o que sempre foi desde o início.
    Para ser mais do que isso teria que alargar a análise a mais casos.
    Outros eventualmente até já o terão feito, no âmbito restrito das Olimpíadas Internacionais da Matemática, por ser fácil de analisar estatisticamente, penso eu.
    Mas também sei que a correlação estatística não é uma prova de causa-efeito.

    Américo Tavares

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  14. É de facto muito importante lembrar que resultados deste género não são resultado das políticas ministeriais. Nos "posts" anteriores (pelo menos os que li)não foi dado crédito ao modo como estes alunos foram preparados para estes eventos. Fica o registo de que não se deve ao estilo de ensino vigente.

    No passado, uma senhora que se dedicasse á ciência era uma pessoa muito singular.
    Hoje em dia já não há entraves à inserção das mulheres em qualquer área da actividade. É tudo uma questão de escolhas. Não é bom nem mau haver mais mulheres na ciência, desporto ou até mesmo nas actividades domésticas.

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  15. Comparar as Olimpíadas internacionais de Física e de Matemática, competições mundiais duríssimas onde participam os mais talentosos jovens de cerca de 100 países, com o torneio de xadrês de uma qualquer faculdade de ciências mostra, à evidência, a qualidade do seu argumento. Mesmo que essa afirmação se restrinja à capacidade de previsão do sucesso académico e profissional dos alunos envolvidos nas competições.

    Afirma que o sucesso dos jovens nestas competições só são notícia porque a universidade de coimbra esteve envolvida na preparação; utilizando argumentação semelhante, eu diria que os seus comentários são provavelmente apenas motivados pelo facto do artigo ser escrito pelo Carlos Fiolhais.

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  16. O artigo foi escrito pelo Fiolhais? Olhe, nem tido dado conta, para ser honesto (acredite ou não). Usualmente estes artigo aparecem sob a capa do "De rerum natura". São post encomendados. Quanto à comparação: é preciso perceber o que se compara. Mas deixe dizer-lhe que, por acaso, há vários casos na história do nosso desporto académico de torneios e equipas de xadrez que contaram com alguns dos nossos grande cientistas. É bem possível que o "normalmente" que aqui foi utilizado se aplique bem melhor ao xadrez universitário.

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