segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

A HOMOSEXUALIDADE SAÍDA DO ARMÁRIO


 "As ações de cada pessoa são boas ou más consoante a maneira  como as outras as comentam” (Camilo Castelo Branco).

O editorial de Manuel Carvalho (“Público”, 16/02/2021), quer se concorde ou não com ele , teve o mérito de tirar do armário um assunto que a tradição do povo português conservador gostaria de manter fechada a sete chaves.

Arejemos, portanto, o seu bafio, trazendo-a para discussão pública porque a liberdade de opinião o deve permitir sem discussão e, principalmente, sem a coartar em função do lugar que o opinante ocupa na estrutura socioprofissional do pais.

Opinião diferente tem Manuel Carvalho quando escreve: “Há dez anos, tinha o direito, como indivíduo a professar uma mundivisão arcaica ou, como explicou, a usá-la como provocação. Agora, que preside ao TC, essa mundivisão  tem outras implicações”.

Permito-me discordar, como se João Pedro Caupers, como presidente do Tribunal Constitucional, tivesse perdido o direito em ter opinião personalizada, sendo obrigado a perfilhar aquela que o cargo exige numa espécie de retrocesso a tempos do Estado Novo em que o desempenho para determinadas funções oficiais, de relevo ou não, impunha um atestado de bom comportamento passado pela junta de freguesia.

Isto é, como se a homossexualidade, tida no passado recente, como uma doença perversa, para se impor devesse hoje, ser propagandeada, “ad nauseam”, como é, em telenovelas e revistas cor de rosa como a  coisa mais natural do mundo a ser preservada como uma opção sexual que de defeito passasse, de dia para a noite, a virtude a defender, perigosamente, junto dos jovens indecisos na procura da sua própria sexualidade.

O mundo da educação dos jovens ultrapassou a que é dada pelos pais e pelos professores, numa espécie de redoma de vidro, hoje, em estilhaços, invadindo, sub-repticiamente ou às claras, a casa do cidadão para o bem e para o mal, através do écran televisivo.

Segundo Goethe, “qualquer ideia proferida, desperta outra ideia contrária”, ergo tudo pode e deve ser discutido pairando sobre o domínio doutrinário, ou simplesmente opinativo, entre posições divergentes. Como li de Pitigrilli, “tudo deve ser discutido quanto a isso não há discussão possível!” Discuta-se, portanto, esta temática sem ofender a tradicional sociedade portuguesa que merece não ser inundada de novos hábitos e costumes que a ofendam nas sua raízes mais profundas. O mundo não se muda de um dia para o outro com a mesma ligeireza de quem muda de roupa interior diariamente por uma questão de higiene!

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