domingo, 9 de setembro de 2012

Camilo Pessanha


Para me acalmar, para não ouvir disparates e o que não queria ouvir, fui na sexta-feira a uma sessão de poesia de Camilo Pessanha (um poeta genial que descobri verdadeiramente nesta sessão de poesia) na Casa de Chá do Jardim da Sofia em Coimbra: estive lá desde as 18:00 até às 20:00, sem telemóveis e sem televisão.

Por isso fiquei a ouvir. Eu fico sempre calado quando vejo ou ouço coisas que me intrigam.
Ontem ouvi sobre uma pessoa que jogava com as palavras por prazer, por isso nem as escrevia, dizia-as, jogava com os sons… e isso nunca está acabado.

É, como bem dizia a Regina, uma das minhas parceiras de sessão, como cozinhar… é sempre para os outros, nunca é para nós.


Deixo-vos o poema "Na cadeia":

"na cadeia os bandidos presos!
o seu ar de contemplativos!
q
ue é das feras de olhos acesos?!
pobres dos seus olhos cativos

passeiam mudos entre as grades,
parecem peixes num aquário.
- campo florido das saudades,
porque rebentas tumultuário?

serenos... serenos... serenos...
trouxe-os algemados a escolta.
- estranha taça de venenos
meu coração sempre em revolta.

coração, quietinho... quietinho...
porque te insurges e blasfemas?
pschiu... não batas... devagarinho...
olha os soldados, as algemas!"

Camilo Pessanha

Talvez Coimbra, onde Pessanha nasceu em 1867, devesse organizar um Prémio de Poesia com o nome deste grande poeta. Vou estar atento e ajudar a tornar isso realidade.

:-)

1 comentário:

Cláudia da Silva Tomazi disse...

Da metáfora: o extracto da inteligência sob o ângulo ternura.

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