sábado, 26 de julho de 2014

Como o Presidente da FCT resolve acientificamente os seus problemas (ou os erros do Prof. Miguel Seabra)


Comentário recebido da investigadora Maria Antónia Turkman em resposta à posição de Miguel Seabra, Presidente da FCT, que foi divulgada pelo Público:

No jornal Público de hoje  podem ler-se  afirmações que o Presidente da FCT terá feito à agência Lusa:

 “O que está inscrito no contrato refere-se a custos e, para calcular custos, tem de se fazer estimativas e as estimativas foram baseadas no último exercício de avaliação, de 2007, onde, de facto, cerca de 50% das unidades que concorreram à avaliação tiveram a classificação de Bom ou menos”. 

Acontece que qualquer investigador sabe que as estimativas só podem ser usadas em modelos a aplicar a situações idênticas. E é de esperar que tenha havido uma evolução positiva das unidades de investigação no sentido em que melhoraram os seus outputs científicos para poderem obter classificações mais elevadas na nova avaliação. Com certeza que parte dessas unidades que tiveram classificação baixa (refiro-me a inferior a Bom) na avaliação de 2007 nem chegaram a concorrer, ou, se concorreram, fizeram-no  juntando-se a outras mais bem  posicionadas. 

A avaliação de 2007 pode ter tido defeitos, nenhuma estará isenta deles, mas, se cerca de 50% tiveram classificação inferior a Muito Bom, foi após ter havido uma visita às unidades e não antes como aconteceu agora. Essa percentagem de 50% surgiu como consequência final de uma avaliação e não antes, como agora. As unidades que se apresentaram a concurso agora e as condições a que se apresentaram não são pois as mesmas de 2007. 

O senhor Presidente admitiu que, à partida, 50% não teriam a classificação superior a Bom e não esperou pelos dados pata ver se essa hipótese estava certa ou não. Antes usou a sua informação   sem dados que a abonassem transformou-a em informação a posteriori. Seguindo o raciocínio do Presidente da FCT, na próxima avaliação, 50% das unidades que concorrerem devem ir para a rua, ou seja, ficamos novamente com metade do que há hoje. E assim sucessivamente. Não acredito que nenhuma unidade que agora tem Bom e que recebe apenas o financiamento base possa sobreviver e evoluir, pois esse financiamento é tão ridículo que o melhor será as unidades não o aceitarem sequer. 

Mas, voltando ao raciocínio defeituoso do Presidente da FCT para avaliar custos. Não seria mais lógico as unidades serem avaliadas por mérito absoluto, sendo a classificação dada de acordo com os critérios definidos no guião de avaliação e as verbas existentes distribuídas de acordo com a classificação obtida? Mas não: O senhor Presidente mudou as regras a meio do jogo e às escondidas. Agora vem dizer, para se defender, que “para calcular custos, tem de se fazer estimativas” esquecendo a afirmação que fez, na reunião que teve lugar no Pavilhão do Conhecimento, no dia em que os resultados foram conhecidos, de que o resultado desta avaliação não tinha sidocondicionado às verbas existentes. 

E o senhor Presidente da FCT tem o atrevimento de dizer que o Senhor Reitor da Universidade de Lisboa, Professor António Cruz Serra, cometeu “erros factuais graves” nas afirmações que fez? Mas que erros factuais? Quem é que, afinal, está aqui errado?

Maria Antónia Turkman


2 comentários:

  1. Alguém é capaz de explicar a razão pela qual a visita dos júris aos centros de investigação é tão fundamental? É para os impressionar directamente como se os investigadores fossem vendedores em barraquinhas? Até se podia fazer uma expo-ciência onde cada centro teria o seu stand e os júris fossem rondando e provando as produções de cada um.

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  2. É óbvio que a visita às unidades é essencial para uma boa avaliação. Claro que essa visita deve ser feita por especialistas de reconhecido mérito como foi feito em anos anteriores. Uma perpcepção aprofundada do real funcionamento e objetivos de um centro nunca se percebe à distância ou com tabelas de números "frios".

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