terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Lembrem-se de nós."

Heródoto põe as breves palavras que servem de título ao presente texto na boca de Leónidas para traduzir a última vontade deste rei de Esparta quando percebeu que o seu dever para com a Grécia, como soberano e soldado, o conduziria inevitavelmente à morte, o mesmo acontecendo com os trezentos guerreiros que comandava, na batalha em que enfrentava o poderoso exército de Xerxes, rei da Pérsia.

Passados cerca de vinte e seis séculos, a última vontade de Leónidas permanece no pensamento de muitos como um lema de coragem, é certo; mas, mais subtilmente, também ecoa como um pedido simples, quase inocente…

Um pedido que, por ser tão facilmente concretizável, não pode deixar de ser desproporcionado ao que Leónidas conseguiu no misterioso desfiladeiro das Termópilas: a possibilidade de a cultura ocidental se manter e evoluir. Devemos estar bem conscientes de que se a sua decisão e técnica fossem outras, toda a ciência e arte que emerge do modo de pensar grego e, afinal, o determina seria diferente. “Lembrem-se de nós”, foi tudo o que o herói (nos) pediu.

Isto a propósito da extrema necessidade e urgência de os sistemas educativos europeus, até por um imperativo ético, voltarem a integrar, valorizando, a História, a Literatura, a Matemática, a Filosofia fundacionais.

8 comentários:

  1. Os europeus andam com fraca memória. Tem razão no que diz. Estudar os clássicos é lembrar o que somos e pelo que lutamos.
    Já não se fazem 300 assim. Já não há Leónidas no velho continente.

    Mas começam a existir sinais de alguma recuperação...
    anónimo das velhas-oportunidades

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  2. Outros trezentos fazer
    não lembraria ao diabo,
    pois que seria dar cabo
    de tão raro proceder!

    JCN

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  3. Das Termópilas ninguém
    se há-de esquecer, com certeza,
    pois se encontram para além
    das forças da natureza!

    JCN

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  4. Em contrapartida, quem
    falará dos humanóides,
    que em grande conta se têm
    nas colunas dos tablóides?!

    JCN

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  5. http://fsousa.blogspot.com/2010/01/preferred-quote.html

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  6. Fala-me JCN de tablóides?
    Em altura de FMI
    não há portuga que resista aos mongolóides
    que governam este canto europeu, aqui!

    anónimo-das-velhas.oportunidades

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  7. Para quê, tanto estudar?
    De que serve essa ilusão?
    Vamos todos acabar
    Entre as tábuas dum caixão.

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  8. Vendo bem, melhor seria
    nem sequer haver nascido
    para um dia ser metido
    num caixão sem companhia!

    JCN

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