segunda-feira, 13 de abril de 2020

A NOVA NAU CATRINETA

Com a chancela de Eugénio Lisboa, publico estes versos com o prazer de sempre: 

(em redondilha maior como manda a tradição)


Lá vem a Nau Catrineta

que tem muito que contar!

Pegai, bardos na caneta,

há muito que anunciar!


Havia um lindo planeta,

muito bom de habitar:

nem estrela nem cometa

o podiam molestar.


Era limpo todo o ar

que ali se respirava!

Dava gosto ir ao mar

que era grande e ondeava!


O vizinho acudia

se ao lado alguém chorava:

no coração dele ardia

o desejo de ajudar.


 Usava-se o necessário

que a terra boa dava,

mas sabia-se quão precário

                                   era o bem que ali guardava.


E assim se foi vivendo,

com tal conta e medida,

que no mundo foi havendo

abundância bem sortida.


E ninguém ali buscava,

por mais que o desejasse,

ter mais do que precisava

p’ra que o ar se não estragasse.


Mas o bicho da ambição

deu aos homens tal saber,

tal desejo e compulsão,

que a terra deu em tremer!


Os rios e mares sujos,

atmosfera corrompida,

estes foram males cujos

frutos queimaram a vida.


Chegou o mundo a tal abismo,

tão perto de se perder,

que fico perplexo e cismo:

que futuro vai haver?


Estes foram os anúncios

que a Nau Catrineta trouxe:

os anúncios serão prenúncios

de Alguém com uma fouce?

Eugénio Lisboa,

pedindo desculpa, pelo atrevimento, aos trovadores d’antanho que congeminaram os versos da primeira Nau Catrineta.

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