segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Continuo a discordar do David

Penso que não fui suficientemente claro nas minhas intervenções anteriores sobre a minha discordância com David Marçal. De modo que me penitencio e vou tentar de novo.

Comecemos pela última afirmação do último artigo do David: “Penso que todos concordamos que estas matérias não devem fazer parte dos currículos escolares.” Ele refere-se ao ensino da biologia dos dragões, entre outros exemplos. E aqui tem razão, ou pelo menos está perto disso. De entre as imensas tolices humanas, parece não haver quem queira levar a sério a existência de dragões. (Mas eu não me surpreenderia de modo algum se aparecer também quem defenda essa tolice; parece nada haver de suficientemente tolo que não seja objecto de crença por pelo menos um ser humano.)

Parece-me que o raciocínio do David é subtilmente falacioso. Porque antes desta afirmação ele diz que “Convencer uma criança que ela é Indigo ou Cristal é um disparate sem qualquer fundamento racional que não deve ser ensinado nas escolas. É equivalente a ensinar biologia de dragões”. O problema é que ele, David, pensa que é equivalente; mas quem acredita nas crianças Indigo não pensa que é equivalente. E, claro, o David tem razão. Só que isso é irrelevante porque as pessoas devem ter o direito pleno de não ter razão.

Há uma diferença relevante entre a biologia dos dragões e as crianças Indigo. E essa é a única diferença que conta em matéria legislativa. A diferença é que ninguém quer ensinar a primeira coisa aos seus filhos, mas há quem queira ensinar a segunda. Daí a falácia subtil de afirmar que “todos concordamos que estas matérias não devem fazer parte dos currículos escolares”. Isto é falacioso porque todos concordamos, se estivermos falando dos dragões; mas nem todos concordamos, se estivermos falando de crianças Indigo.

Do meu ponto de vista, o David está errado ao querer impor verdades científicas aos filhos dos outros. As verdades científicas devem ser divulgadas e as pessoas devem ser convidadas a conhecê-las e a apreciá-las. E quando as pessoas aceitam tolices, é excelente que os intelectuais esclareçam as pessoas. Contudo, se as pessoas persistem nas suas tolices, têm não apenas o direito de o fazer, mas de se sentir reconhecidas, integradas e aceites na nossa sociedade. E é irrelevante se têm razão ou não. O importante é ninguém ser obrigado a colocar os seus filhos numa escola Indigo. Mas se reconhecemos que isto é importante, então também temos de reconhecer que é importante que quem quiser ensinar os princípios Indigo aos seus filhos tenha a liberdade de o fazer.

Não consigo imaginar bons argumentos contra a minha posição. (Daí a importância da discussão pública: quem defende uma ideia tem dificuldade em ver bons argumentos contra ela e precisa da ajuda de quem não acredita nessa mesma ideia.) Tudo o que li até agora foram confusões. Talvez se pudesse argumentar que os filhos dos crentes no Indigo estariam a sofrer imenso, sendo muitíssimo prejudicadas. Talvez isto pudesse funcionar como um bom argumento. Afinal, não permitimos que os pais torturem os seus filhos diariamente, só porque têm a liberdade de educar os seus filhos como quiserem; há limites. Só que este argumento não funciona porque se baseia numa premissa evidentemente falsa: as crianças educadas em escolas Indigo não estão sendo maltratadas, não sofrem, não estão sendo violentadas. Estão aprendendo falsidades, certamente. Mas são falsidades que os seus pais não consideram que sejam falsidades. E são falsidades que, chegadas a adolescentes e adultas, essas crianças terão todas as oportunidades para pôr em causa. Não ficam certamente impossibilitadas de o fazer.

(Já agora: ao longo da história, passámos a vida a ensinar falsidades científicas nas escolas, que só mais tarde descobrimos serem falsidades. As pessoas que as ensinavam nada de errado estavam fazendo precisamente porque pensavam que eram verdades, e não falsidades. Ora, o mesmo se aplica a quem ensina tolices Indigo: essa pessoa acredita que são verdades e não falsidades.)

Porque não consigo ver qualquer argumento a favor da posição do David, penso que é apenas uma manifestação de intolerância. O David gostaria que não houvesse pessoas com crenças parvas na sua sociedade. Eu também gostaria! Só que o mais importante acerca dessas pessoas é precisamente o facto de existirem. E terem precisamente os mesmos direitos a sentirem-se integradas e acolhidas na nossa sociedade que eu e o David. O facto de terem crenças falsas é completamente irrelevante no que respeita à sua aceitação e integração social e legislativa. É certamente uma boa razão para lhes tentarmos explicar por que são falsas as suas crenças. Mas não é uma boa razão para as impedirmos de ter o mesmíssimo reconhecimento legislativo que eu e o David temos.

Não consigo ver o que está errado no meu raciocínio.

51 comentários:

  1. Não consigo desprender-me da questão dos limites. Ora, o Estado tem de definir o que deve ensinar-se nas escolas para bem da comunidade e, como os recursos normalmente são escassos, tem de ensinar-se o que é reconhecido como válido e útil.
    A não ser assim, então, primeiro que tudo, estaria ainda a liberdade de os pais não enviarem os seus filhos para a escola, e lá se ia a escolaridade obrigatória...
    Gosto da ideia de liberdade de Desidério. E da forma como se bate, honesta e frontalmente, em sua defesa. Mas, quando se trata da educação e da formação de crianças, prefiro certos limites, aos pais, mas também ao estado ou a quaisquer organizações... Não é (para mim) líquido que uma criança que sofreu certas mazelas de espírito, como certas doenças do corpo, possa ver-se livre delas no futuro.
    Por isso, nesta matéria, inclino-me para o lado de David Marçal.
    Já no que respeita a adultos, bem ou mal formados que sejam, aí estou com Desidério.
    Confuso? Talvez, porque estimo o que ambos dizem e... defendem.
    Não é proibido, espero.

    ResponderEliminar
  2. Saúdo a sua moderação e ponderação.

    Mas discordo do argumento.

    O bem da comunidade segundo o entende quem? Você ou quem acredita que o bem da comunidade é dar um ensino aos seus filhos que lhes permita entrar em contacto com a sua natureza mais profunda?

    Do meu ponto de vista, a sua posição falha em ver que na prática o que você defende é a imposição aos filhos dos outros do ensino que você considera melhor para os seus filhos. Se você acha, com razão, que os outros não têm o direito de o obrigar a si a ensinar os seus próprios filhos segundo as ideias deles, o que lhe dá a si o direito de lhes fazer precisamente o que não quer que lhe façam a si?

    A ilusão, penso, é a ideia de verdade científica. Mas a verdade científica é completamente irrelevante neste caso porque muitas pessoas não acreditam nela. Na verdade, as coisas são mais complicadas ainda: quem defende as crianças Indigo defende que aquilo são factos científicos, pois quer ter do seu lado o prestígio da ciência. Mas o resultado é o mesmo. Sempre que temos dois seres humanos a discordar, não há outra coisa a que eles possam recorrer para resolver a discordância, a não a força bruta. Se uma pessoa ouve as explicações da outra e ouve os seus ensinamentos e tudo isso, mas continua a dizer que a Terra é plana, o facto de cientificamente isto ser falso é irrelevante. O que é relevante é que a pessoa não sei deixou convencer -- por ser casmurra ou tola ou qualquer outra coisa. Mas a partir do momento em que não se deixou convencer, temos de a aceitar como é e com todos os direitos de um cidadão de primeira. Não quero cidadãos de segunda na minha sociedade só porque não acreditam nas verdades científicas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem o ensino obrigatorio, nem qualquer tipo de ensino cientifico obriga niguém a "acreditar" em conhecimentos cientificos. Apenas se exige (e esta exigência é precisamente o que permite definir o ensino e o proveito que dele se espera) que as pessoas compreendam como se chega a determinados conhecimentos cientificos.

      Estas a confundir o ensino cientifico e o ensino religioso. Mas repara que este ultimo não é obrigatorio...

      Boas

      Eliminar
  3. Caro Desidério
    Argumentas bem. mas tornas as coisas algo complicadas.
    Segundo a tua linha de raciocínio as escolas deveriam ensinar tudo e o seu contrário desde que haja alguém que acredite em qualquer disparate.
    As escolas ficariam um bocadito confusas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não ficariam mais confusas do que são porque não é preciso que sejam as mesmas escolas nem as mesmas crianças a aprender as mesmas coisas. Os pais que quiserem que os seus filhos aprendam guitarra clássica não interferem na vontade dos pais que querem que os filhos aprendam antes vela. Do mesmo modo, os pais que querem que os seus filhos aprendam tretas Indigo não interferem de modo algum nos pais que não querem que os filhos aprendam isso.

      Eliminar
  4. "Contudo, se as pessoas persistem nas suas tolices, têm não apenas o direito de o fazer, mas de se sentir reconhecidas, integradas e aceites na nossa sociedade."

    E para se sentirem aceites na sociedade temos de ensinar crenças como a das "crianças indigo" nas escolas? Isso é absolutamente ridículo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É ridículo porquê? O que é ridículo é os pais não mandarem no ensino dos seus próprios filhos. Os pais que querem que os seus filhos aprendam algo não interferem com a vontade dos pais que querem que os seus filhos aprendam outra coisa. Crianças diferentes podem aprender coisas diferentes. Aliás, isso já acontece.

      Eliminar
    2. "O que é ridículo é os pais não mandarem no ensino dos seus próprios filhos." Eu pensava que desde a declaração universal dos direitos das crianças que elas tinham deixado de ser consideradas objectos de posse, passando a ser instituída a lógica do superior interesse da criança (que compreendo ser discutível). Mas deve ser apenas mais uma das nossas confusões...

      Eliminar
    3. Sim, é uma confusão. Porque o superior interesse da criança não está escrito no céu em letras garrafais. O que acontece é que os pais de uma dada criança pensam que é do interessa dela aprender X, e o David pensa que é do superior interesse dela aprender Y. E os pais da criança não conseguem convencer o David, nem vice-versa. Como fazer nestes casos? Invocar a ciência é inútil porque as pessoas não se deixam convencer. E o dano feito à criança está longe de ser claro e inequívoco. Quando o é, como no caso das vacinas, então penso que o uso da força bruta está justificado. A diferença entre a minha maneirando ver as coisas é que eu penso que a força bruta é uma coisa muito feia e infeliz, a ser usada muito parcimoniosamente e não ao primeiro sinal de que as pessoas têm crenças e modos de vida muito diferentes dos meus.

      Eliminar
    4. La vem o indigo das lacunas ou dos erros passados... Que treta.

      PAra quem nega o relativismo estamos muito confusos com essa coisa do vale tudo como verdade desde que o povo acredite.

      Filosofia e ciencia para quê? PAra que sequer ensinar seja o que for nas escolas?

      Eliminar
  5. Ola,

    Continuamos de facto com a mesma "dificuldade". Ja não sei se é incompreensão ou vontade de não compreender.

    A contradição entre "liberdade de ensino" e "ensino obrigatorio" é aparente e não resiste a uma analise, mesmo sumaria.

    O ensino obrigatorio justifica-se porque é considerado um bem essencial, que a todos deve aproveitar (ainda que seja para poder mais tarde repudiar os seus resultados). O que deve ser transmitido em sede de ensino obrigatorio não é deixado ao critério de cada um. Isso não sucede apenas porque o ensino obrigatorio é suportado financeiramente por todos. Sucede porque o ensino obrigatorio so se justifica quando existe um largo consenso sobre o que deve ser ensinado de forma obrigatoria : ler, escrever, fazer contas, ter uma noções fundamentais de historia, de geografia, de biologia, aprender os rudimentos de uma lingua estrangeira, etc. Não existisse esse consenso e o ensino obrigatorio não faria sentido nenhum (nem alias poderia ter qualquer conteudo)...

    Ninguém defende, que eu saiba, que a biologia dos dragões, ou alias que as crianças Indigo, devem constar dos programas do ensino obrigatorio. Ainda que se encontrasse alguém a defender esse ponto de vista (o Desidério por exemplo) esse alguém estaria completamente isolado. Em contrapartida, a esmagadora maioria das pessoas acredita que as matérias acima devem constar dos programas do ensino obrigatorio...

    Existem duas componentes na liberdade de ensino : 1/ a liberdade de escolher os métodos para dispensar o ensino obrigatorio (que não parece estar aqui em causa) 2/ a liberdade de ensinar outras coisas do que as matérias que constam do ensino obrigatorio.

    A existência de um ensino obrigatorio não põe em causa de maneira nenhuma a segunda das componentes mencionadas acima (nem alias a primeira). As pessoas são completamente livres de ensinar o que lhes apetece aos seus filhos DESDE QUE SE ORGANIZEM PARA QUE ELES APRENDAM TAMBEM O QUE VEM NOS PROGRAMAS DO ENSINO OBRIGATORIO.

    De um ponto de vista logico, so haveria contradição se a segunda componente da liberdade de ensino postulasse a liberdade de ensinar matérias distintas das que constam do ensino obrigatorio EM VEZ DE, ou NO LUGAR, das matérias obrigatorias. Mas como é obvio, não é isso que se entende por liberdade de ensino...

    Se a liberdade de ensino se entendesse dessa forma, então não seria, de todo, admissivel existir ensino obrigatorio...

    Isto é bastante simples...

    Boas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Outros bens (para além do ensino obrigatorio) que as nossas sociedades ditas "liberais" nos impingem de forma opressiva :

      - Uma rede de estradas para automoveis (ja pensaram naqueles que não a querem, ou que não têm automovel, ou que têm automovel mas preferiam deslocar-se a corta mato ?)

      - E, por tabela, um codigo da estrada (com que desplante pretendemos impôr a prioridade à direita quando ha quem acredita sinceramente que a prioridade devia ser à esquerda ?) ;

      - Serviços de transporte publicos (como se a liberdade de circulação não começasse na liberdade de não se deslocar a parte nenhuma !) ;

      - Uma rede de distribuição de agua limpa e potavel (como se não houvesse quem prefere lavar os dentes em uisque escocês, ou mesmo não os lavar de todo) ;

      - Serviços de recolha do lixo (e quem gosta de ver o lixo a apoderecer, como é que faz ? Vê-se obrigado a comprar uma propriedade para poder exercer as suas liberdades fundamentais ?).

      - Serviços de policia (que ignoram com soberba o direito absoluto que me assiste de gostar ser asaltado. Não posso ?) ;

      - Hospitais publicos e um sistema de segurança social ao serviço da população (quando ha quem considere cientificamente provado que, nos paises onde o ratio de bruxas por habitantes é superior a 1/1.000, os indices de saude são espectaculares, e também a longevidade);

      - Um exército nacional, serviços de bombeiros, guardas florestais, uma administração fiscal (não podiamos ser nos proprios a fazer isso ?), redes de esgotos nas zonas urbanas, etc., etc.,

      No fundo, o ensino publico é apenas a parte visivel do iceberg. Um pequeno exemplo da implacavel tirania com que o estado invade todos os dias a nossa privacidade, ditando-nos aquilo que ele considera que devemos querer.

      Boas

      Eliminar
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  7. "Só que este argumento não funciona porque se baseia numa premissa evidentemente falsa: as crianças educadas em escolas Indigo não estão sendo maltratadas, não sofrem, não estão sendo violentadas."

    Isto não é verdade. As falsidades que a Casa Indigo espalha são perigosas para a saúde das crianças e para aquelas com as quais mantêm contacto. Como se pode ver pelo excerto que cito da página Casa Indigo:

    "Vacinas que são compostas por variadas substâncias tóxicas: mercúrio, chumbo, arsénio, alumínio"

    http://www.casa-indigo.com/actividades/Hidroterapia_Foot-Detox.asp

    ResponderEliminar
  8. O ensino obrigatório não implica necessariamente uma aprendizagem obrigatória. E se o ensino das ciências, por exemplo, puder ser considerado "ideológico", "anti-qualquer coisa", "pró-qualquer coisa", as pessoas têm (deviam ter) o direito de exigir responsabilidades, porque estão a impingir gato por lebre.
    Mas o ensino não é só feito de ciências. Até o ensino das ciências comporta uma componente forte de linguagens. Que se ensinem as linguagens e os códigos e os métodos e as técnicas, os desportos e as artes... Mas ao Estado deve ser vedado, por exemplo, ensinar que o partido do Governo é o único que merece existir. Nem que se criasse um tribunal científico para o validar. Como deve ser vedado ao Estado ensinar que só as ciências têm razão e que a realidade só tem a ganhar em ser totalmente controlada pela razão.
    Já não me repugna que haja quem ensine (fora do sistema do estado)que um partido que não está no governo, ou o partido do governo, ou os outros, são os melhores. E é isso que se faz em pluralismo partidário.
    E não me repugna, nem me parece tolice, que haja religiões que ensinam o que bem entendem, desde que não fomentem comportamentos e condutas anti-sociais e contra a liberdade e integridade dos outros.
    Pode ser irrelevante, de alguns pontos de vista, o que me repugna ou não. Como pode ser irrelevante, de alguns pontos de vista, que as pessoas sejam respeitadas ou não.
    O que não é irrelevante? É o que eu quero? É o que eu gosto? É o que eu posso?

    ResponderEliminar
  9. Nesta discussão, para mim, há 2 conceitos:
    - liberdade individual ou de grupos que pode ir até ao ponto de aprender disparates e que deve ser respeitada.
    - ensino na escola pública com programas elaborados segundo os melhores consultores científico-pedagógicos que ensina em cada época o que se julga que está certo.
    Quem quiser aprender e ensinar disparates, poderá fazê-lo à vontade, mas na escola pública, administrada pelo Estado e paga com os impostos dos cidadãos é que não poderão ser ensinados tais disparates.

    Para mim é tão simples como isto. Quando se chegar ao ponto dos defensores do que se pensa ser disparate e irracionalidade conquistarem o comando da escola pública (estiverem no Governo), aí as coisas podem mudar. O que me parece é que já faltou mais, para isso vir a acontecer...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu já esperava este tipo de argumento. Isto é uma confusão. Primeiro, o David não é apenas contra as escolas públicas de índigo. É contra a existência dessas escolas, sejam públicas ou privadas, tal como é contra o ensino religioso, seja público ou não. Segundo, não há maneira alguma coerente de reconhecer o direito de ensinar algo sem ao mesmo tempo reconhecer que o estado deve financiar esse ensino, se financiar outro qualquer. Isto pela simples razão de que o David paga os mesmos impostos que pagam os pais das crianças índigo. Se o David tem uma palavra a dizer quanto às escolas porque as financia, os pais índigo têm também uma palavra a dizer porque também as financiam.

      Eliminar
    2. "não há maneira alguma coerente de reconhecer o direito de ensinar algo sem ao mesmo tempo reconhecer que o estado deve financiar esse ensino"

      I beg your pardon ?

      Alguma vez o Estado financia o ensino do judo, das escolas de hotelaria, das escolas de condução, das escolas de aperfeiçoamento da técnica da concertina, das escolas de circo, de muitas escolas de aprendizagem de linguas estrangeiras, da maior parte das escolas de culinaria, etc., etc. ?

      Talvez devesses começar por fazer posts sobre noções basicas : o que entendes por "confusão", o que entendes por "coerência", o que entendes por "realidade".

      Depois, mas so depois, passarias às partes propriamente esotéricas dos teus ensinamentos, as que versam sobre valores, sobre economia ou sobre ética...

      Boas

      Eliminar
    3. A questão acerca do ensino privado é acerca de serem ensinadas a pessoas que ainda nao podem ter descernimento para decidir e a quem se tem de pedir para confiar no que ensinam as escolas, senao as aulas eram impossiveis, com toda a gente a duvidar de tudo.

      DEpois dos 18 anos façam o que quiserem entre si. Mas via ensino publico não.

      Eliminar
  10. Eu continuo a discordar que o professor esteja a seguir todas as "exigências de uma discussão epistemicamente proba" que publicou, e muito bem, na semana passada. Especialmente no que diz respeito ao ponto "Informar-se adequadamente sobre o tema em discussão, estudando livros e artigos relevantes". Pelo discurso que mantém tenho dúvidas de que esteja realmente informado sobre o fantástico mundo da tetralogia e dos seus reais riscos. Estimular um tipo de pensamento acrítico e crédulo, ainda que primeiramente com fantasias inócuas, acaba sempre por deixar a porta aberta a outras fantasias e falsidades mais perigosas. Nomeadamente, a filosofia anti-vacinação que também é promovida pela escola índigo em questão e que configura um caso de maltrato por negligência segundo o entendimento de alguns tribunais (http://www.news.com.au/lifestyle/parenting/girl-8-to-get-vaccination-shots-after-court-overrules-mum/story-fnet08ui-1226526103657). E por falar em argumentos falaciosos, tentar comparar os ensinamentos dogmáticos de uma escola índigo, com ensinamentos de teorias científicas que toda a gente já sabe estarem sujeitas a revisão, pode ser qualificado de quê?

    "Estão aprendendo falsidades, certamente. Mas são falsidades que os seus pais não consideram que sejam falsidades. E são falsidades que, chegadas a adolescentes e adultas, essas crianças terão todas as oportunidades para pôr em causa."

    Novamente bastante longe de conhecer o mundo da tetralogia. Eles ensinam isto na infância precisamente por ser mais difícil largar a crença mesmo depois de adulto. Há quem o faça é claro. Mas é muito mais difícil, pois requer admitir coisas como: o tempo que se perdeu a acreditar em parvoíces, que as pessoas em quem confiámos falharam, que a nossa visão do mundo estava errada, que corremos o risco de perder o suporte social que sempre tivemos, etc. Na verdade, quantas mais provas se oferece de que estão enganadas, mais as pessoas se convencem de que estão certas. "When Prophecy Fails" de Festinger et al, é um exemplo clássico.

    E depois de tantos textos e comentários continua a insistir na ideia de que se quer "oprimir" algo mais do que a desinformação, de forma a garantir uma escolha realmente livre. Uma coisa é proibir os homeopatas de exercerem (que ninguém quer fazer), outra coisa é obrigar esse homeopata a informar o seu paciente (adulto) de que o que ele acredita não é suportado por evidências científicas e perguntar se mesmo assim ele quer seguir em frente com o tratamento (algo que nunca acontece nem com a regulamentação mais recente), outra coisa ainda, que é a consequência final daquilo que defende, é deixar o homeopata dizer que consegue prevenir a malária só com água, colocando a vida de terceiros em risco sem uma real liberdade de escolha, ou ainda, deixar crianças sem tratamento médico adequado para que os pais se sintam realizados e aceites. A única confusão que vai na minha cabeça é como alguém que se diz "não relativista" pode estar a defender isto sem se aperceber da contradição grotesca. A lei que obriga a colocar as palavras "fumar mata" nos maços de tabaco está a oprimir as tabaqueiras e fumadores, ou está a informar os últimos para que possam tomar uma decisão realmente livre? Porque por vontade das tabaqueiras até vinha lá a dizer que fumar faz bem, mas as evidências científicas dizem o contrário, e essa, apesar de não ser perfeita e imutável, é a melhor fonte de informação que temos.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pôr um aviso nos maços de cigarros é informar. Essa informação só é possível porque o fumar e o vender estão legislativamente integrados. Ora, o que o David defende é precisamente que certas coisas não devem sequer ser reconhecidas legislativamente, excepto para proibir.

      Há uma grandes diferença entre impedir que as crianças não sejam vacinadas, e impedir que não lhes ensinem tretas. Eu já expliquei muitas vezes que é legítimo impedir o que de modo claro e inequívoco prejudica terceiros. O ensino de tretas não prejudica desse modo. Impedir a vacinação prejudica.

      Podemos perfeitamente permitir o ensino do índigo e a homeopatia, mas impedir o que de modo claro e inequívoco prejudica terceiros. É um pouco como permitir o partido comunista. Sabemos que se trata de um partido anti-democrático, avesso a eleições livres e imprensa livre, vários partidos políticos, etc. Mas permitimos o partido comunista desde que aceite as regras democráticas. E isto é uma ideia excelente porque de outro modo teríamos terroristas comunistas. A melhor maneira de proteger as crianças índigo é integrar legislativamente as escolas que ensinem isso e obrigá-las a vacinar as crianças.

      Mas há aqui um pormenor que é importante não calar. Não vale a pena fingir que é a força da razão que está do nosso lado. Obrigar a vacinar sem ter convencido é usar a forća bruta. Convém não esquecer isso.

      Eliminar
    2. O problema é que sabemos em que sentido vai ser essa legislação. Não vai ser regular para limitar, coisa que nem parece que seja a tua vontade.

      Se lesses os meus textos já tinhas percebido isso.

      Eliminar
    3. Eu gostaria de saber como é que o Desidério resolveria a contradição - é que o Estado não obriga as crianças a serem vacinadas, mas sim recomenda e propõe que as escolas requeiram o bolhetim de vacinas em dia para a inscrição anual.

      Ora, o Estado ao legitimar uma instituição como a Casa Indigo - que claramente é contra as vacinas e pelos vistos espalha desinformação que coloca a vida e a saúde de crianças em perigo, o Estado está como a dizer que não faz mal que uma escola diga que fumar faz bem e que podem as crianças começar a fumar logo no jardim escola.

      Não só o Estado entra em contradição com aquilo que defende para outras instituições, como o Desidério entra em contradição com o que supostamente defende e diz que o Estado tem de obrigar as crianças a serem vacinadas.



      Eliminar
    4. Se o estado não me obrigar a pagar IRS, mas depois tenta subrepticiamente fazer-me pagá-los, não é uma pessoa de bem. É uma pessoa hipócrita e deve ser desprezada.

      Se o estado não obriga as crianças a serem vacinadas, mas depois quer arranjar as coisas de modo a que as crianças tenham de ser vacinadas, está na mesmíssima situação. A contradição não é minha. É do estado.

      Mas, claro, estados hipócritas é o que resulta de pessoas hipócritas e mentirosas.

      Eliminar
  11. Ola,

    A minha resposta está aqui:


    http://cronicadaciencia.blogspot.pt/2012/12/nao-legitimar-treta-e-mesmo-ma-ideia.html

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu não leio os seus artigos porque estão cheios de erros de português.

      Eliminar
    2. A ortografia é uma coisa efemera e de origem convencionada.

      Não ler os meus artigos por causa disso soa a cobardice. Eu até podia não ser português, ser dislexico e ter excelentes argumentos para dar. De onde a sua opção preconceituosa e snob diz muito acerca da vontade de conhecer de facto as opiniões dos outros, ou até da sua curiosidade.

      Aqui tem uma versão melhorada (mas não nos erros ortograficos, esses daqui a uns anos não têm pertinencia nenhuma como qualquer pessoa que lê textos antigos sabe):

      http://cronicadaciencia.blogspot.pt/2012/12/nao-legitimar-treta-e-mesmo-ma-ideia.html

      Eliminar
    3. Este comentário foi removido pelo autor.

      Eliminar
    4. Vejamos o que o desidério diz da ortografia:

      "livros com 100 anos são ininteligiveis" (1)

      "Num processo genuinamente livre e democrático, manda na língua quem a usa, e não quem calha a estar armado do Diário da República." (2) Afirmação aliás bastante coerente com o que defende agora, mas esquecendo que agora estamos a falar de materias de facto e não de convenções.

      "porque já não estamos no tempo da outra senhora, em que apenas uma pequeníssima minoria da população usava a língua escrita." (2) Outra da mesma linha. Portanto é tudo muito bonito desde que só haja uma maneira de escrever e essa seja a que o Desidério entende.

      "Eu sou contra o acordo porque sou contra a legislação ortográfica, camandro." De onde se depreende que tem de haver liberdade ortografica dentro da escrita inteligivel.(3)

      "Já basta que o tenham feito no passado, quando a generalidade da população não sabia escrever, apoiando-se noutra mentira política: que o elevado nível de analfabetismo não se devia à incompetência dos políticos da altura, mas ao facto de "farmácia" se escrever com PH." Esta vale por si (3).

      "6. Desculpem as gralhas e a falta de acentos. Resido no estrangeiro e o meu computador não tem correcção automatica em português (se calhar porque não existe uma norma unificada tida como suficientemente significativa...).

      João Viegas" Mas publicado por desidério murcho, talvez por não estar de acordo e não ter lido (4)

      E sei que há mais mas não encontro. Ainda assim o Desidério decide actuar como um Nazi da gramática e não ler o que não está de acordo com as convenções que considera as verdadeiras. (é contra o acordo ortográfico). A lingua tem de emergir do seu uso pelos seus utilizadores, mas aqueles que desviam da norma não devem sequer ser lidos. Não cola. Por isso o acuso de snobismo. E ainda por cima por a forma acima do conteudo? Disparate, soa mesmo a desculpa.

      Aqui está uma lista de dislexicos que o desidério não gostaria de trocar correspodencia por erros ortograficos tipicos nesta gentalha:

      Ann Bancroft, Arctic Explorer.
      Alexander Graham Bell.
      John Britten, Inventor.
      Pierre Curie, Physicist (1903 Nobel Prize).
      Thomas Edison.
      Albert Einstein.
      Michael Faraday.
      Carol Greider, Molecular Biologist, awarded 2009 Nobel Prize in Medicine.
      Jack Horner, Paleontologist.
      Dr. Peter Lovatt, psychologist and dancer.
      Dr. James Lovelock.
      Paul MacCready "Engineer of the Century."
      Archer Martin, Chemist (1952 Nobel Laureate)
      Matthew H. Schneps, Astrophysicist
      John R. Skoyles, Brain Researcher.


      Read more: http://www.dyslexia.com/famous.htm#ixzz2EjTq5Dnr

      Claro que hoje podemos usar correctores automaticos, mas isso ainda requer o seu tempo, não são perfeitos, e eu não estou escrever um livro. Estou sim preocupado com as ideias em discussão.

      Pelos vistos o DEsidério é bom demais para passar por cima de determinadas questões formais e convencionadas. No entanto faz-se de defensor da treta contra o bem da nossa sociedade.

      Haja pachorra.



      (1)http://dererummundi.blogspot.pt/2008/03/ortografia-de-reis.html
      (2) http://dererummundi.blogspot.pt/2008/06/ortografia-e-democracia.html
      (3)http://dererummundi.blogspot.pt/2008/04/desobedincia-ortogrfica.html
      (4)http://dererummundi.blogspot.pt/2008/05/ortografia-e-jurisprudncia.html

      Eliminar

      Eliminar
    5. Era o que faltava eu ser obrigado a ler o que não me interessa. E não me interessam as ideias de quem não sabe escrever. Mas quem não sabe escrever tem todo o direito de escrever. Apenas não tem o direito de me obrigar a ler.

      Eliminar
    6. Para quem deu aqui de bandeja ortografica uma salada de espantalhos, apelos à autoridade equivocados (1) , apelo à homeopatia das lacunas (afinal deve estar nas falhas da ciencia a defesa da homeopatia, certo?), vir agora com o "red herring" da ortografia não sugere nada de bom.

      Claro que não é obrigado a ler. Nada. Pode continuar a escolher as tretas que acredita conforme a beleza dos adornos que as rodeiam, porque é isso a ortografia. Ou escolher como quiser. Ou até a não ler nada de nada. É consigo. São escolhas. Mas podem estar erradas dentro de determinados objectivos.

      O que não pode é sugerir que um texto está mal escrito ao ponto de não ser pretinente por ter erros de ortografia.

      E se não sugere que não é pertinente só por causa dos erros, então escolher não querer saber o que lá vem por isso, enferma de um capricho irracional pouco digno de quem quer saber por pricipio e quer chegar ao fundo das coisas.

      Se não ler, não vai saber se assim é. Pode escolher não ler, claro. Enfiar a cabeça na areia, lançar "red Herrings", etc, são bons argumentos para muita coisa. Mas não para aprender, discutir, investigar.

      Também não pode exigir e obrigar-me a não criticar uma atitude tão pouco digna, como a sua. Pode não ler a critica. Mas elas virão. E talvez sejam pertinentes, e talvez sejam até lidas por pessoas inteligentes que reconhecem a sua pretinencia. Mas que lhe importa isso? Tem erros de ortografia, está mal escrito, não quer saber. Ou será a cor de fundo do blogue? Ou o espirito natalicio? Pode muito bem ser outro pormenor formal ou circunstacial qualquer, por tudo o que disse. Talvez seja até seja por nao gostar do nome do blogue. Afinal sempre tem uns argumentos com a falacia a fugir para uma posição cientofoba.

      Por isso, quer queira ler ou não, as minhas criticas continuarão a ser-lhe dirigidas em relação ao seu atropelo à liberdade e à ciencia. Assim como continuarei a criticar essa posição obsecada com o pormenor da ortografia. Em suma, se não quer saber o que tenho para dizer porque tenho erros ortograficos, o problema é seu. Eles vão cá andar até a ortografia, minha e sua, serem apenas convenções ultrapassadas.

      Não leia, não Desidério. Tem todas as razões. Aqui vai mais uma. Pato so serve para designar pato se for escrito sem 2 ts, nao é? Significado não é uso, é ortografia. E os textos são legiveis e inteligiveis só se uma rosa deixar de ser uma rosa se não for chamada uma rosa.

      E a gramatica é tão importante que um dos nossos mais populares escritores lhe dava colossais pontapés para aplauso de leigos e especialistas.

      Antes escrever com erros ortograficos coisas bem pensadas que derramar falacias atrás de falácias com ortogragia teimosamente pré-acordo.

      Estou a ver que é preciso defender a filosofia dos filosofos que a confundem com os seus caprichos, uma e outra vez. Enferma profundamente de um problema para lá da forma.

      (1) por exemplo ver : http://www.ktreta.blogspot.pt/2012/12/factos-valores-e-raciocinio-parte-1.html ou http://comcept.org/2012/11/29/dom-quixote-e-o-gigante-do-cientismo/

      Eliminar
  12. Caro Desidério,

    Há alguns aspectos que gostaria que me esclarecesse relativamente à sua posição:

    O Desidério parte da premissa que tudo o que alguém pensa que deve ser transmitido, pode e deve sê-lo, mesmo que se trate de uma asneira. E que quem acreditar nessa asneira, mesmo depois de informado, não deve ser descriminado por isso numa dada sociedade, correcto?

    Depois, no entanto, estabelece um limite: reconhece que o estado deve ser forçado, "para o bem da comunidade" a, por exemplo, forçar uma vacinação. E não reconhece, por exemplo, que o ensino das crenças índigos seja danoso.

    1) Eu gostaria de perceber onde está a fronteira do que é danoso ou não, e quem ou como pode/deve estabelecer tal fronteira e com que critérios. Senão parece-me arbitrário.

    Esse ponto parece-me ser nebuloso, relativo, e estar a lançar confusão nas pessoas. E não me parece que possa ser deixado simplesmente ao critério "bom senso" ou "relatividade cultural" ou "evidência científica" (ou pode?). Certas culturas não aceitam a vacinação de todo, e certas vacinas podem ter efeitos secundários perniciosos. Por outro lado, certas crenças "aparentemente inócuas" também podem ter efeitos práticos trágicos (basta ver a crença de Vítor Gaspar numa dada teoria económica). Os Ugandeses, devido se calhar a questões culturais e religiosas, por exemplo querem impôr a pena de morte entre homossexuais, terão direito de o fazer? O próprio Texas tem pena de Morte, isso é legítimo de um ponto de vista filosófico? Etc, etc, etc.

    (Continua...)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O limite é:

      1) O que de modo inequívoco prejudica terceiros. Por exemplo, eu tenho a liberdade de ouvir a música que me apetecer, mas não tenho a liberdade de incomodar os meus vizinhos com a minha música em volumes de estádio.

      Isto é óbvio. Daqui, temos dois problemas:

      2) O que acontece com as crianças? Estas podem ser prejudicadas pelos seus legítimos pais, que têm o direito de decidir por elas. A minha resposta aqui é simples: o estado deve intervir para proteger a criança apenas se a) os pais têm a intenção de prejudicar a criança, por sadismo ou crueldade, ou se pretendem explorá-la para seu benefício. Isto significa que se os pais a prejudicam mas sem intenção de a prejudicar, o estado não deve intervir a menos que b) o prejuízo para a criança seja claro e inequívoco. Um prejuízo que não é claro e inequívoco, por exemplo, é a catequese. Pessoas como o Dawkins querem proibir a catequese com o argumento de que prejudica as crianças. Eu gostaria de ver um estudo científico que mostre qualquer prejuízo claro e inequívoco. Não existe tal coisa. O ensino Índigo deve ser por isso permitido desde que não haja um prejuízo claro e inequívoco. A falta de vacinação provoca um prejuízo claro e inequívoco; logo, o estado deve intervir com a sua força bruta, para proteger a criança.

      3) O que acontece com adultos mal informados, que escolhem a homeopatia? A minha resposta é que devem ser informados, tal como quem fuma é informado de que o tabaco provoca o cancro (o que na verdade não é assim tão simples como se faz pensar: uma pessoa pode fumar durante 40 anos e nunca ter cancro. Uma coisa que é muito perigosa e cada vez mais usada na sociedade contemporânea é a mentira científica. Eu penso que toda a mentira deve ser denunciada, seja científica seja pseudocientífica: o mal é a mentira, e não o ser pseudo isto ou aquilo. Outra mentira, esta nem sequer disfarçada de científica, é a ideia de que o investimento público na educação torna os países mais ricos. Nunca tal coisa se provou, e na melhor das hipóteses há correlações que apontam nesse sentido. Mas se eu tenho muito a ganhar com o investimento público no ensino vou dizer isso às pessoas como se fosse uma verdade científica.)

      Eliminar
    2. Porque, em teu entender, uma lei que abolisse o ensino obrigatorio, ou que proibisse qualquer tipo de investimento publico no dominio da educação a pretexto de que não dispomos de conhecimentos sobre os beneficios de tais medidas, não assentaria sobre uma falacia logica ou sobre uma mentira cientifica ?

      Onde a tua argumentação falha redondamente, é precisamente na definição daquilo que caracteriza, respectivamente, os "conhecimentos cientificos" e as "decisões politicas". E sobretudo, na forma como as duas coisas podem ser articuladas.

      Acho que o proprio Rawls explica isso de maneira razoavel. Senão, o que não falta por ai são bons trabalhos dedicados a esta questão.

      Boas

      Eliminar
  13. Posto esta dúvida, isso parte para uma seguinte, que ainda está nebulosa também, que é então:

    2) Qual o papel institucional do estado e o seu reconhecimento (financiamento, etc) de dada prática/matéria/crença?

    O Desidério parece apontar que o estado deve reconhecer tudo aquilo que os seus membros pagantes de impostos devam querer reconhecidos para que se sintam aceites, desde que cumpram o requisito 1 (não sejam danosas). Como tal, o estado deverá reconhecer as escolas índigo, os homeopatas e afins, e tê-los regulamentados, certo?

    Ora, com base na questão nebulosa anterior, será que o argumento não poderia partir daí? Se se provar, que certa crença ou ensinamento é danosa para a comunidade em geral, mesmo que haja amplo consenso no seu uso, não deveria o estado banir tal crença dos seus currículos, não a reconhecer e, pelo contrário, informar porque tal crença é perigosa?

    Parece-me que é da resolução destas duas premissas que parte a divergência. O David Marçal está convencido que a homeopatia, em si, é danosa para a comunidade e como tal o estado não a pode nunca reconhecer e regulamentar. O Desidério acha que, por si só, é inócua até certo ponto e como tal, o estado deveria reconhecê-la pelo direito intrínseco da liberdade das pessoas serem aceites na sociedade, independentemente das suas crenças.

    Ou estou errado nesta interpretação?...

    Finalmente e ainda relacionada com a questão 2)

    Parece-me haver leitores que pensam que mesmo que certa prática venha a não ser considerada "danosa" por 1), Não deve ser reconhecida por 2) se não constituir uma "verdade científica" ou um qualquer "valor de bem comum", ainda que seja permitida na esfera privada. Por isso, além de se estabelecer 1) (o que é danoso), se calhar seria importante estabelecer o seu inverso

    3) O que é um "bem comum", o que é aquilo que toda uma comunidade deveria "saber/ter acesso", etc...

    Sabemos que estes pontos não são pacíficos. Os EUA até agora, nunca acharam que fosse necessário um estado social. Tal como em todo o mundo, por exemplo, certas pessoas ainda não vejam reconhecidos os seus "direitos" e haja cidadãos de primeira e segunda. De forma que se calhar esta questão, mais uma vez, está remetida a um relativismo cultural, ou será que é apenas fruto de uma imperfeição, e há mesmo maneira de estabelecer uma noção universal de "bem comunitário"?...
    E com base nessa noção de 3), então poder-se-ia decidir afinal o que é que o estado deve reconhecer e/ou financiar.

    Penso serem estas as minhas dúvidas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A chave aqui é o conceito de dano. Um dano, para ter força moral, tem de ser inequívoco. Caso contrário não tem força suficiente para se sobrepor ao mal de proibir, excluir, prejudicar a legítima ansiedade de viver de acordo com os nossos princípios. Se eu acredito que o meu filho é Índigo e eu for proibido disso pelo David Marçal, com a força bruta do estado por detrás dele, há um mal que já foi cometido: a violação das minhas crenças, vontades e práticas. Este mal já foi cometido. Tal como quando pomos um homicida na cadeia: estamos fazendo um mal. A questão é que o mal que lhe estamos provocando a ele é menor, muito menor, do que o mal que ele provoca aos outros, matando-os. E por isso a nossa força bruta é legítima.

      Portanto, comparemos as coisas. Proibir as escolas Índigo só é legítimo se o mal que estamos provocando for menor do que o mal que estamos evitando. Ora, é absurdo pensar que as crianças serem ensinadas tolices, como na catequese, lhes provoca um mal assim tão grande. O mal é quase irrelevante. É um quase nada. Na verdade, não se distingue do mal que provocamos a todos os jovens do país, fazendo-os assistir a aulas mortiças de assuntos que não lhes interessam, que eles esquecerão em duas semanas, e que não têm a mínima relevância para a sua actividade profissional futura nem para a sua formação como seres humanos.

      Mas, repito, quando há um mal inequívoco (impedir as crianças de serem vacinadas), então o mal de o estado intervir é menor do que o mal de não intervir. E por isso é legítimo intervir.

      Eliminar
    2. Há dano há.

      Danos na aprendizagem sobre a realidade, sobre como devemos pensar para andar lá perto, nos recursos dos nossos esforços, no perigo de um dia sermos nos os incautos, etc.

      Claro que os meus erros ortograficos podem tornar isto tudo falso, como que por magia, mas não é o caso. Hoje. Amanha talvez.

      Eliminar
    3. "Proibir as escolas Índigo só é legítimo se o mal que estamos provocando for menor do que o mal que estamos evitando."

      Até que enfim !

      Medita nisso, que vais acabar por chegar ao resto...

      Boas

      Eliminar
  14. Mas pronto Desidério, aqui tens sem erros de Português (vê a coisa como sendo indigo-inglês):

    No, legitimate crap is really bad idea.

    For the good of society and to its production capacity, development etc, we need to learn and teach those things that are better justified. And those are not the ones that are justified by appeal to popularity. Sao those that meet other criteria epistemological. And to pay for the education of everyone's pocket, for the common good, we must choose what we teach very well. Who wants to teach other things have to do it alone, this is freedom, but what is relevant and important about the empirical world is what the science tells us. Portarmo us as if there were limited resources or as if knowledge were all equally true, is nonsense. The results of our actions are different as we do and there are things that give more results than others. And even if the resources are very limited. Whether for other things, wants to teach whatever. Such is the mistake of thinking that we deliver the school curriculum and the work of lay pseudoscientists. It is a disaster for everyone, wasted resources, both human and material. And this without counting the base damage, and deep civilizational backwardness that is proposing that the science was wrong in the past is because their statements are so good like all other passing through the mind of anyone. believer in freedom of dragons is not seeing dragologia taught in college, secondary, or regulated by the state. A discussion of these things must be delivered to the areas related specialists. The freedom of the believer in dragons is to believe it and nobody will want so badly. And this until we all agree that any whim quermos impose on others and also say that after all is well - that science has been wrong in the past so we have to accept that you may be wrong now that jsutificação rational is not so important, and so on. believer in freedom of indigo children and dragons is to be respected as a person, but that respect is not extensible to belief. That is, he can believe and defend what you think. But you have to accept being challenged, criticized and see your belief is not adopted or respected by others. Moreover, the freedom of choice in the blunder is a pseudo . In reality it is a limitation, the option is not real, is only perceived reality. We have to make collective efforts to see what works and does not work. And science, with all its flaws is still what works best. It is the best bet every time. framework of this personal liberty vs. freedom of thought, of the existence of scientific consensus of experts, with limited resources and the need to do the best possible with what we have, there is no convincing argument for the state sanction for all things that we can establish scientifically wrong. Especially because if we go out there, and not having all the resources to be constantly aware of everything is crap and is not, one day we're falling in trap.


    Calro that everyone has the right to be stupid and ignorant. But just so we do not have the right to tell others what should be taught in school, that should be considered real, and that has to be paid by everyone's pocket. pseudosciences Especially because there are many. Let us choose how? Honestly I see is these arguments (the Desidério withered, professional philosopher), in favor of legitimizing the bullshit to approach increasingly relativism . After all there to defend it must come to mention that science is mistaken in this context suggests that the reading: the science is mistaken, then everything is permitted and must be allowed. The best we can do is scientism. When the truth is that even cheating, for the overwhelming majority of rational people, if you can show that for every moment, the best explanation is the science. And that makes this world apart from the scientific revolution.






    Or give up on computers, mobile phones, cars, and every time we have patients say that is because health is worth everything.



    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Rede herrings e outras americanices !!!

      Santo Deus de Macau, não existirá ninguém em Portugal que explique o que são crianças Indigo e outras cores?
      Eu não sei e confesso que até nem tenho muita curiosidade, mas espalhar mais confusão é que decerto não ajuda.

      Quanto a vacinas, lá em casa nenhum de nós nunca foi vacinado, nem eu nem meus irmãos, nem meus pais, nem avós e por aí adiante.
      Se alguém tem problema quanto a esta questão, eu é que não o tenho com certeza.

      Bom fim de semana

      Eliminar
  15. Outro sem erros de Português para ver se vais direto às ideias que parecem ser a tua dificuldade (de facto na ortografia és melhor que eu). Este é em drago-indigo-saxonico:

    Freedom. From knowledge or ignorance?

    If we had more options to choose from, but if these options were all bad and only considered viable by ignorance, is that this should be considered more freedom too?

    Or if on the other hand, reduce the awareness range of options contemplated in the guide but for others, it will be a decrease of freedom?

    I think the answer is that, at least, the quality of freedom improves with knowledge. At the extreme, we can open up and even create options that were not open before.

    This also comes in the wake of the discussion on regulation of pseudomedicinas , (but is actually a very comprehensive issue, we already there). After all if people choose a treatment should be given them a treat and not a placebo. If they choose the placebo they should be given the placebo. Give the placebo treatment who chooses, for I knew not see the difference, I think a decrease of freedom. Because pseudomedicinas are just an option because people believe in them. And this aspect is having the same options as anyone facing a "con artist" any. The option is not what it seems. In truth, it would not be an option if there was a better understanding of the basic questions of epistemology, science, physiology, pathology, etc.. Not many people could not understand if not engaging in this brave few hours. But most people do not even remember that it may be important to do.

    This is the same problem that I see when raised by theologians tell us that God does not give us more evidence of its existence to give us freedom. That is the same reason why let us do so much nonsense.

    Taking alternative medicine and religion, I do not see this feature be considered anything else. Doctors and lawyers are judged for negligence, and indeed, any citizen.

    For example. There are children maimed by stepping on mines field. Who does not warn the child that is in the direction of the mine to choose another direction if you could? And who would think well of someone being able to do it, permancia silent. And furthermore if still come later argue that it did not take freedom for the child?

    My opinion is that the freedom to be aldrabado stepping mine field, or in fact fall into any disastrous choice for lack of knowledge and foresight, freedom is a weak, to put it mildly. It's really a freedom of bullshit.

    A strong freedom, that is because we have a basic understanding of our options. The stronger the more able we are to make correct predictions.

    This is the kind of freedom they seek to science, morality and ethics. At least that's what they should endeavor to give. The freedom of God and pseudomedicinas is freedom from ignorance, and the random choice of potential doom.

    Of course God can compesar all after us being killed. But in the case of pseudomedicinas I do not see the thing as smiling ...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não leio o que tem erros contínuos e sistemáticos de língua, seja ela da portuguesa ou da inglesa. O texto acima tem a sintaxe inglesa toda marada. Parece um texto do Google Translate.

      Eliminar
    2. Este comentário foi removido pelo autor.

      Eliminar
    3. É do google translate.

      É muito util para quem é versatil e quer ir ao que interessa.

      kumprimentos

      Eliminar
  16. Desidério:

    "Não consigo ver o que está errado no meu raciocínio."

    That goes without saying.

    ResponderEliminar
  17. Toma lá mais uma:

    http://cronicadaciencia.blogspot.pt/

    Mas só se quiseres ler, claro.

    ResponderEliminar
  18. Continuam a dar conversa ao filósofo da treta.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não é da treta, é das verdades aleatorias gramaticamente perfeitas na sua versão escrita.

      (PS: eu sei que é meio espantalho. Mas porque não? Parece que satisfaz o gosto de alguns).

      Eliminar
  19. Às vezes a ciência é uma grande treta, mas fazer o quê?

    É como a maioria dos políticos, são uma treta mas continuam a votar neles.

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.

Ó meu pobre coração, perdes tudo

Ó meu pobre coração, perdes tudo. Não sabes tu inventar outra rua. E por ela fluísse o ar mais puro, A boca e a palavra sempre nua.