quinta-feira, 3 de julho de 2014

HÁ INCONSISTÊNCIAS GRAVES NA AVALIAÇÃO DA FCT DAS UNIDADES DE INVESTIGAÇÃO

O processo de avaliação das unidades de investigação está recheado de incongruências que tornam incompreensível a atribuição das classificações. Em várias áreas há uma discrepância muito grande entre os indicadores de produtividade das unidades e as classificações que estas obtêm. Na melhor das hipóteses, a passagem ou não à segunda fase de avaliação (que possibilita a sobrevivência) parece arbitrária. Deixo alguns exemplos.

(a verde os centros que passaram à segunda fase e a vermelho os que foram chumabados)

No caso da área da matemática:

Número de artigos por investigador:

Center for Research and Development in Mathematics and Applications: 7,55
Centre of Mathematics of the University of Minho: 7,34
Center of Mathematics and Applications of University of Beira Interior: 7,24
Center for Computational and Stochastic Mathematics: 6,01
Centre of Statistics and its Applications: 5,82
Group of Mathematical Physics of the University of Lisbon: 5,77
Center for Mathematics, Fundamental Applications and Operations Research: 5,61
Centre for Mathematics of the University of Porto: 5,35
Center for Mathematical Analysis, Geometry and Dynamical Systems: 4,29
Center for Functional Analysis, Linear Structures and Applications: 4,21
CEMAPRE - Centre for Applied Mathematics and Economics: 4,2
Center for Mathematics and Applications: 4,16
Center for Mathematics, University of Coimbra: 4,15
Research Centre for Mathematics and Applications: 3,94

Número de citações por artigo:

CEMAPRE - Centre for Applied Mathematics and Economics: 10,76
Center for Mathematics, Fundamental Applications and Operations Research: 4,71
Center for Research and Development in Mathematics and Applications: 4,63
Centre of Statistics and its Applications: 4,61
Group of Mathematical Physics of the University of Lisbon: 4,12
Centre of Mathematics of the University of Minho: 3,17
Center for Computational and Stochastic Mathematics: 2,84
Center for Mathematical Analysis, Geometry and Dynamical Systems: 2,79
Centre for Mathematics of the University of Porto: 2,65
Center for Mathematics and Applications: 2,57
Center for Functional Analysis, Linear Structures and Applications: 2,57
Center for Mathematics, University of Coimbra: 2,45
Research Centre for Mathematics and Applications: 2,35
Center of Mathematics and Applications of University of Beira Interior: 2,08


Não se compreende, por exemplo, como é que o CEMAPRE tem uma média de 4,2 artigos por investigador (acima, portanto de dois centros que passam à segunda fase), com mais de 10 citações por artigo (mais do dobro do segundo classificado neste parâmetro) seja chumbado.

No caso da física:

Número de artigos por investigador:

Nuclear Physics Centre: 21.06
Centre of Physics and Technological Research: 15.6
Remote Sensing Unit: 11.81
Center for Physics, University of Coimbra: 11.51
Multidisciplinary Center for Astrophysics: 10.2
Physics Center of Minho and Porto Universities 9.97
Laboratory of Instrumentation and Experimental Particle Physics: 8.83
Center for Theoretical and Computational Physics 8.8
Research Center for Geo­‐Space Science: 8.51
Centre for Thoretical Particle Physics: 7.48
Institute of Astrophysics and Space Sciences: 7.41
Institute for Plasmas and Nuclear Fusion: 7.28
Laboratory for Instrumentation, Biomedical Engineering and Radiation Physics: 6.28
Biosystems & Integrative Sciences Institute: 4.8
Centre for Earth and Space Research of the University of Coimbra: 3.67
Activity and Human Movement Study Center 3.29

Número de citações por investigador:

Nuclear Physics Centre: 344.12
Centre of Physics and Technological Research: 279.31
Laboratory of Instrumentation and Experimental Particle Physics: 207.68
Multidisciplinary Center for Astrophysics: 177.33
Physics Center of Minho and Porto Universities: 138.92
Center for Physics, University of Coimbra: 130.85
Institute of Astrophysics and Space Sciences: 103.17
Center for Theoretical and Computational Physics: 87.65
Centre for Thoretical Particle Physics: 61.48
Laboratory for Instrumentation, Biomedical Engineering and Radiation Physics: 52.22
Biosystems & Integrative Sciences Institute: 48.79
Institute for Plasmas and Nuclear Fusion: 35.73
Research Center for Geo­‐Space Science: 30.11
Centre for Earth and Space Research of the University of Coimbra: 23.86
Remote Sensing Unit: 9.52
Activity and Human Movement Study Center: 6.58

Não se compreende, por exemplo, como o Centro de Física Nuclear e Centre of Physics and Technological Research, os melhores centros em ambos os parâmetros, é chumbado. O mesmo se poderia dizer de outros.

21 comentários:

  1. Ainda faltam ai os projectos aprovados ou chumbados em cada centro e a taxa de execução dos mesmos (esse critério existe na fct?)

    E estamos apenas a falar de uma parte.

    Ora o Carlos Fiolhais passou o tempo a fazer ciência em vez de ter arranjado cunhas no governo, agora fecham-lhe o centro!
    Brincadeiras à parte, mas muitos centros estão abertos porque os directores, ou ex directores são pesos pesados junto da fct, e mais não digo..

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  2. Infelizmente essa é a realidade portuguesa...a excelência está na qualidade da cunha... e isto não é só na FCT, vejam os concursos para contratação de docentes nas universidades...então aí nem falemos...

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  3. Mas isto é assim, a metro? Não é concebível que certos grupos pubilquem muito em revistas de fraca qualidade e que se citem uns aos outros, e que outros grupos tenham menos publicações e menos citações mas de qualidade francamente superior?
    Não digo que a avaliação da FCT esteja bem ou mal feita, mas esta visão "folha de excel" do David Marçal é bastante inapropriada. Se bastasse uma folha de excel poderiamos construir um algoritmo automatizado de avaliação.

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    1. Da quantidade não se pode inferir qualidade mas também não se pode inferir falta dela!!
      O meu centro junta a quantidade (atestada pelo estudo bibliométrico) à qualidade (reconhecida pelo painel). E chumbou ...

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    2. Supostamente, se isto estiver feito como deve ser (trata-se de um estudo pago pela FCT para o propósito específico da avaliação, não de uma estatística feita por terceiros), as auto-citações estão excluídas.

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    3. Também se devem excluir as citações dos amigos.

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    4. Caro anónimo das 10:51. E as compradas?

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  4. Faço notar que o CEMAPRE é o Centro de Investigação do Prof. Nuno Crato, de que aliás foi director durante muitos anos. O CEMAPRE foi chumbado e até aparece como o Centro com mais citações por artigo (escandalosamente mais). Digo isto para os meninos das teorias da conspiração terem um bocadinho mais de calma.

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    1. Aí está! Isto mostra como a avaliação foi transparente e isenta. Até o centro do ministro foi chumbado! Ou será uma preversão que faz parte do esquema?

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    2. De facto é incompreensível que o centro do ministro tenha sido chumbado.

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    3. Lá diz o ditado: "quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte". Caso do Ministro?

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  5. Luis Azevedo Rodrigues3 de julho de 2014 às 11:11

    Caros Anónimos

    das das 08:14,
    as suas achegas vem apoiar a "festa" de que o David fala.

    das 10:38,
    então os critérios não são quantitativos?
    Pode ter razão na auto-citação (do próprio e de co-autores) e na publicação em publicações de baixa qualidade mas então é porque os critérios estão mal seleccionados a priori.
    Se os critérios são qualitativos, então quais são?

    das 10:42,
    Não digo que seja o caso, mas apresentar um exemplo de avaliação aparentemente errada para corroborar a validade da avaliação parece uma falácia de desmontagem simples.

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  6. Professor David Marçal;

    "90% do que em Portugal se publica hoje sob o nome de investigação, - não é de facto investigação".

    Esta afirmação é do Professor José Sebastião e Silva, em 1972.

    Como é hoje, passados estes anos?! diminuiu essa percentagem?!

    Eu não sei. Mas penso que deve continuar muito alta, e que por isso o Ministro Nuno Crato, sabendo, quer mudar a realidade. Ou não será assim!!

    Qual a melhor forma de fazer a mudança necessária? Será como o Ministro Nuno Crato pretende? Eu não sei, mas penso que deve tentar fazê-la, e da forma que melhor souber.

    Cumprimentos,

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    1. O critério do que é ou não investigação científica foi definido pela própria FCT e ESF, e consiste nas publicações registadas no ORCID. Há quem ache que não é o melhor critério. Mas bom ou mau é o definido pelo próprio processo de avaliação. DM

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  7. Não chega esta abordagem..há outros critérios nesta avaliação. Há centros que concorreram em paineis multidisciplinares e estão aqui a ser abordados com os critérios da disciplina.

    Contudo, há que concordar que existem muitas coisas incorrectas, que nesta avaliação, quer noutras, o que nos leva a interrogar esta FCT. A saber:

    - Concursos investigadores da FTC, destruidores da auto estima de qualquer um, passaram-se coisas inacreditáveis nas duas edições. Houve centros cujos laboratórios ficaram sem ninguém, projectos interrompidos, doutoramentos recusados pois os seus orientadores "Ciência"
    viram os seus lugares recusados.
    Não houve sequer uma avaliação do anterior programa "Ciência", nem quais os benefícios que esses "Ciência" trouxeram para as unidades de investigação. Esta FCT, em vez de dar continuidade a esses "Ciência", após uma avaliação do seu trabalho e abrir novas vagas a novos "Ciência", simplesmente arrasou o programa. Começou um novo em que se verificam situações comparáveis com esta avaliação das unidades.

    - Vamos às bolsas FCT: sei de casos em que bolsas foram recusadas por os candidatos serem "excelentes". Contudo, os mesmos candidatos foram "excelentes" para serem aceites em centros alemães de topo, por exemplo. Não voltaram!!

    - A FCT exige "excelência", mas esta direcção está envolta numa burocracia tal, que num ano civil, apenas 2 ou 3 meses restam para fazer investigação. O restante tempo é gasto em tentar concorrer a projectos, financiamento e a preencher relatórios científicos, equipas, justificar projectos estratégicos, enviar a mesma informação em formatos diferentes..

    - Haveria muito mais a dizer...projectos de investigação cortados, mas certos programas FCT, são financiados pela FCT sem que seja pedido um relatório de actividades..e duram anos.

    O que mais me espanta é que apesar de haver indignação por parte da comunidade científica por estas duas situações, não vi nenhuma posição forte por parte das universidades, professores e investigadores: Não vi uma união forte para tentar combater estas situações e outras.

    Tenho esperança que este seja o último golpe no sistema científico nacional! Que esta situação de indignação "acorde" esta FCT e impeça esta extinção em massa das unidades e de investigadores!

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  8. O Professor e Ministro Nuno Crato tem agora que utilizar critérios para combater a irresponsabilidade da governação de Mariano Gago!!

    E pergunto, como poderão existir critérios justos, que abarquem uma realidade confusa, em que muitas destas instituições foram criadas ou mantidas através dos milhões €€€ desbaratados por Mariano Gago... cujo critério de atribuição (na ausência de critérios) foi, o compadrio, a cunha, o favorecimento e influencia politica?
    Por isso, sou da opinião de que, o Ministro Nuno Crato, deveria ter criado um grupo de sábios, e daí partir para a reestruturação necessária, sem outros critérios, que o limitam no combate à herança vergonhosa deixada por Mariano Gago, que bem conhece, e que tão nefasta é para o país. Doutra forma, estamos a perder tempo precioso para as gerações que aí estão.

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    1. O "Professor e Ministro Nuno Crato" e o "Mariano Gago". É elucidativo

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    2. Comissões de sábios não eleitos que decidem como se vão fazer as coisas é depospotismo iluminadado e isso não tem lugar numa democracia. Comissões autistas num pedestal apenas produzem mediocridade. Não milhões desbaratados na ciência. Os resutlados estão à vista. Não são precisos os sábios, bastam os dados estatísticos.

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    3. Caro anónimo, foi o senhor Mariano Gago que excluiu de ser Professor aos olhos aqueles que admiram a generosa e nobre profissão de ensinar, quando, com conhecimento privilegiado acerca da licenciatura de Sócrates, veio a público dizer que se tratava de um exemplo a seguir... certamente concordará que o senhor Mariano Gago não tem condições para enfrentar uma turma de alunos!!! falta-lhe integridade, é pensando assim que me recuso a dizer que este senhor Mariano Gago é Professor.
      Não me assusta uma comissão de pessoas integras, assusta-me sim uma "democracia" da cunha compadrio nos empregos, de oportunismo que promove o mediocrismo em detrimento das inteligências.

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