Extracto de artigo do Público de ontem, parte de um dossier sobre ciência em Portugal:
"Já Carlos Fiolhais, divulgador de ciência e físico da Universidade de Coimbra, teme esta diáspora científica portuguesa e aponta o dedo aos concursos da FCT, não se recordando de uma taxa de aprovação de candidaturas tão baixa como a anunciada na última quarta-feira: "Há pessoas excelentes sob qualquer critério que não tiveram apoio." E, alerta, são pessoas que "não vão encontrar emprego facilmente". O resultado será um aumento do número de jovens que saem do país, antecipa. E já não serão apenas os melhores. "Vão também os menos bons. Vão todos. A questão é saber quem fica."
Para o divulgador de ciência, a consequência mais "crítica" deste desinvestimento é que "deixou de haver convergência com a Europa". O investimento em ciência e a capacidade de gerar conhecimento devia ser uma ideia "partilhada por todos", defende, acrescentando que de pouco vale o esforço para reduzir o défice e diminuir a dívida externa portuguesa se, depois disso, não houver ciência ou cultura para manter. "Ninguém tem uma ideia para o destino disto." E, socorrendo-se da linguagem do futebol o único tema que parece unir o país, diz, tenta ser optimista: "Pode ser que algum golo entre por acaso."
Sem ciência não há aplicação. A história foi recordada por Pedro Echenique, físico da Universidade do País Basco, num debate sobre "Ciência, Economia e Crise", na Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Novembro. Em Maio de 1995, tinha Bill Clinton chegado há pouco mais de dois anos à Presidência dos Estados Unidos, discutia-se naquele país uma diminuição do financiamento público à investigação científica.
Os directores de 15 das principais empresas de base tecnológica do país, como a General Electric, a Motorola, a IBM ou a Chrysler, escreveram uma carta aberta ao Congresso pedindo que mantivesse o apoio "a um vibrante programa de investigação universitária com visão de futuro".
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