terça-feira, 14 de agosto de 2012

"A riqueza vem da conquista e da posse de conhecimento"

  
Entrevista que dei ao "Diário Económico" e que saiu hoje naquele jornal (que também vende, mais económico, o meu ensaio "Ciência em Portugal" da Fundação Francisco Manuel dos Santos):

  O autor analisa o estado da Ciência em Portugal e conclui que muito há a fazer para garantir a competitividade da economia portuguesa.

Mafalda de Avelar

Que dúvidas não existam. "Com a ciência mais pobre ficaremos todos mais pobres já que a ciência é um factor de desenvolvimento". Quem o afirma, em entrevista, é Carlos Fiolhais, autor de "A Ciência em Portugal", ensaio onde é analisado estado da ciência.

- Como avalia o estado da ciência em Portugal?

- A ciência em Portugal cresceu muito nos últimos 30 anos. Há mais cientistas a trabalhar do que jamais houve. Assim como há mais projectos e mais artigos publicados. Tal se deve ao acréscimo de investimento em ciência e tecnologia, que ultrapassou 1,5% do PIB, saindo de uma miserável situação no fundo dos 'rankings' internacionais. O esforço foi particularmente visível na formação de jovens doutorados, muitos deles formados lá fora ou cujos pós-doutoramentos foram feitos lá fora. Do ponto de vista social, a ciência também cresceu e apareceu, sendo hoje visíveis várias manifestações de cultura científica. A ciência não está só nos laboratórios mas também na rua. Veja-se, por exemplo, a "Ciência Viva no Verão.

- E que outros pontos positivos destaca?

- Factor positivo indiscutível é que o País está muito mais preparado para os dias de hoje e para os dias que hão-de vir do que estava há 30 anos. Não se pode saber o futuro em pormenor, mas pode-se saber que, sem ciência, não teremos futuro. Pode não ser só a ciência que nos salve, mas sem ciência estaremos perdidos. E é também por isso que a Fundação Francisco Manuel dos Santos, para além de ter publicado "A Ciência em Portugal", está a organizar um programa de Ciência e Inovação, do qual sou responsável. Queremos tornar a ciência ainda mais visível entre nós.

- E os pontos negativos?

- Um factor negativo para o desenvolvimento da ciência hoje é a quebra do investimento. Seria um erro trágico se a ciência perdesse o forte apoio público que tem tido entre nós. Com a ciência mais pobre ficaremos todos mais pobres já que a ciência é factor de desenvolvimento. Os nossos jovens cérebros, que são a nossa maior riqueza, fugiriam para outras paragens como parece que já está a acontecer. Esta devia ser uma questão de consenso nacional, tal como a educação e a cultura. Outros factores negativos em Portugal são a debilidade da ligação da ciência ao ensino superior assim como a debilidade da sua ligação à economia - apesar de haver algumas empresas 'start-up' de base científico-tecnológica muito bem sucedidas, esse movimento não tem sido suficiente para mudar a economia. São andorinhas que ainda não fazem a Primavera.

- Ciência e Desenvolvimento Socioeconómico. Como estão relacionados?

A relação nem sempre é directa e imediata, mas basta ver os 'rankings' dos países desenvolvidos e ver que os mais ricos são aqueles em que há mais e melhor ciência. Pode-se pensar que, por serem mais ricos, fazem mais e melhor ciência, o que é verdade. Mas a verdade também é que sem a ciência e a tecnologia a ela associada eles não seriam ricos. Hoje a riqueza não vem da conquista e da posse de terras e bens, mas sim da conquista e da posse de conhecimento. Veja-se, por exemplo, a enorme aposta que a China está hoje a fazer na ciência, prevendo-se que em breve ultrapasse, em produção científica, esse colosso que são os EUA. Esses dois países não competem apenas em medalhas olímpicas, que dão glória, mas também em artigos e patentes, que dão o domínio económico do mundo. A história mostra que pequenos países como Portugal podem subir rapidamente nos 'rankings', desde que sejam ambiciosos e persistentes.
 

1 comentário:

Cláudia da Silva Tomazi disse...

Oh'ciência no argumento és linho
que raminho em naceste do saber
farfalha conceder o conhecimento
a tal chama acesa o teu florescer.

E se queres?! És livre por aprender,
eleva-te a tecer, o olhar é aumento
és elemento, és origem por evoluir,
por instruir-te a luz do pensamento.

Sábio é o cientista que vai ao longe
e que pelo querer a lente o tange
elaborando do cingir a nova era

ai quem dera, mantos d'estes a par
e lá o fogo erguido, prometido no ar
na cadente precisão da quimera.


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