quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

“Quem erra, paga”, disse ele

A tendência de alguns políticos (mas não só políticos) fazerem questão de se apresentar com habilitações académicas que forjam ou inventam não é nova, nem conhece fronteiras.
Fotografia publicada aqui
Em tempos mais recentes, depois de dois alemães terem caído em desgraça por "pecados" de curriculum vitae, é a vez de um italiano.

Este, jornalista voluntarioso, tinha acabado de fundar um partido muito renovador e punha nos seus discursos a tónica num ponto que cai bastante bem nos tempos que correm: o combate à corrupção.

Mas (ele devia saber) o estrelato prega partidas: um amigo de andanças políticas, ao que parece com pergaminhos académicos verdadeiros, denunciou os falsos do seu líder. Falsos, mas, há que reconhecer, arrojados: duas licenciaturas (duas licenciaturas é preferível a uma, e três preferível a duas, etc.) e uma pós-graduação (aqui foi parco, duas pós-graduações sofisticariam mais a sua apresentação). A cereja em cima do bolo, era um certificado "obtido" nos Estados Unidos da América, o centro do conhecimento, da investigação...

Ao que li, uma vez confrontado com as evidências disse: “é uma regra seca: quem erra, paga". Sim, em alguns casos, é isso que acontece.

2 comentários:

  1. Quem erra paga. Devia ser.

    Em Portugal, demaisadas vezes, não é.

    Perguntem ao (não doutor) Relvas.
    Ou ao afamado "engenheiro" Sócrates (com provas dadas, relembrem-se os projectos de engenharia que assinou lá para o interior da Beira Baixa, quase Beira Alta...).

    Estou a exceptuar o desprezo do povo, bem entendido. Mas esse é um preço com que eles podem bem, uma vez que o saldo lhes é larga, obscena e imoralmente favorável...

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  2. Ola,

    Gostava de fazer um comentario assumidamente provocador :

    Ha uns tempos atras, sugeriu-se (ja não me recordo quem) que uma forma razoavel de se acabar com a doutorite cronica dos portugueses seria promulgar uma lei conferindo administrativamente o grau de doutor a todos os cidadãos portugueses...

    Na mesma linha de ideias, ja me ocorreu propôr outra solução, que se calhar permitiria voltarmos a valorizar o ensino universitario por aquilo que ele é, ou que devia ser : porque não abolir definivamente os diplomas ? Desta forma, frequentariam a universidade unica e exclusivamente aqueles que se interessam genuinamente por aquilo que ela da : o saber, a aprendizagem do rigor cientifico e critico. Talvez assim as pessoas deixassem de focalizar na questão, secundaria, de saber quantos anos uma pessoa passou na universidade, para se concentrar no unico ponto que interessa : o que é que uma pessoa soube tirar do tempo que passou pela universidade...

    No fundo o que é que o diploma confere a uma pessoa de que ela não possa dar provas mais solidas do que um canudo ?

    Alias, se atentarmos no significado dos graus universitarios, procurando entendê-los no seu sentido etimologico, sera que eles fazem assim tanto sentido :

    - Ser "licenciado" é ser "livre" (concretamente : livre de ensinar). Mas num pais democratico, quem é que não é "livre" ?

    - Ser "mestre" é poder dirigir os outros, mercê do dominio de uma arte. E' concebivel que esse titulo seja conferido por outras pessoas do que as que praticam a arte em causa ?

    - Ser "doutor" é ser douto. Convenhamos que, desde Socrates pelo menos, a atitude cientifica recomenda a maxima prudência na reivindicação de semelhante qualificativo. Eu reputaria "douto" aquele que começa por reconhecer a imensidão da sua ignorância.

    Portanto, meus amigos, não estou certo que façamos um favor à universidade, ou alias aos seus alunos, quando passamos atestados como os que mencionei, muitas vezes de forma algo temeraria. Não conhecem "doutores" em leis que manifestam a mais cândida ignorância acerca do que seja a justiça ? Eu conheço... Não conhecem "doutores" em economia ou em gestão que estão presos por falência fraudulenta ? Não ha casos de "doutores" em fisica que se estatelam no chão apanhos em falso pela gravitação universal ?

    Tentemos reflectir : que mal viria ao mundo se as universidades deixassem de conferir diplomas ? As pessoas deixariam de ir ? Eu não. Continuei a ir apos ter recebido os meus diplomas e vou la com prazer cada vez que posso : vou la em busca de saber e satisfaço-me bem com ele, sem necessitar de uma garantia de qualidade, ou antes bastando-me com a garantia que me da o assentimento do meu espirito critico, bem formado em grande parte graças à universidade...

    Então onde esta o problema ? Os potenciais empregadores não sabem distinguir ? Não ha concursos, entrevistas, provas dadas na pratica profissional ?

    Bom, é claro que a minha hipotese engenhosa pressupõe que todos tenham igualmente acesso à universidade, o que infelizmente não se verifica.

    Mas sera que esse problema não é uma consequência do nosso apego infantil ao diploma universitario ? Sera mesmo que, caso a universidade fosse completamente acessivel e caso as pessoas procurassem realmente seguir os seus ensinamentos de acordo com o que elas esperam dela independentemente do diploma, teriamos tanta gente a assistir a uma aula de fisica quântica, ou acerca de modelos matematicos aplicados à economia, ou ainda acerca de principios essenciais do processo civil ?

    Desculpem não ter resistido a esta pequena provocação.

    Boas

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