domingo, 17 de janeiro de 2010

O neologismo "arruada" no Dicionário da Academia







"Na vida não se deveria cometer duas vezes o mesmo erro: há bastante por onde escolher” (Bertrand Russel, 1872-1970).

Na última edição do semanário Expresso (16/01/2010) foi noticiado, em escassas linhas, que o PCP, “ao fim de anos de luta, colocou a palavra ‘arruada’ no Dicionário da Academia”. E porque o povo também faz a língua, na essência, refere-se este suelto a Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português, por ele, em hora de inspiração, logo aproveitada pelos meios de comunicação social, ter sido o padrinho do neologismo arruada na pia baptismal do consagrado Dicionário da Academia de Ciências para significar os passeios de rua dos partidos políticos levados a efeito, por exemplo, na última campanha eleitoral pelas ruas do vetusto Chiado, qual Fénix renascida das cinzas.

De forma alguma, esta nova e adoçada realidade de manifestações da nossa vida política servirá de justificação para que se não continue a chamar a atenção para períodos da vida nacional que deviam estar enterrados há muitos anos. Segundo Mário Soares, “voltámos ao tempo da instrumentalização dos sindicatos como ‘correia de transmissão’ do PCP” (Diário de Notícias, 29/01/2008). De igual forma, há décadas, António José Saraiva, tido por Eduardo Lourenço como “uma referência chave da cultura portuguesa”, em artigo publicado no jornal A Tarde (24/05/1983), criticava este modus faciendi da política partidária, ao escrever de forma desassombrada: ”Não se deve confundir a vida política com um estado de agitação convulsiva em que não há regras e em que cada aventureiro (…) manipulando manifestações de rua, impõe a sua lei, como aconteceu nos meses seguintes ao 25 de Abril. A regra do jogo é indispensável a qualquer sociedade organizada”. Este e muitos outros artigos, entrevistas, críticas e conferências da sua autoria, fazem parte de um espólio de mais de mil páginas, coligido, depois da sua morte, por sua irmã, Maria José Saraiva, em volume intitulado Crónicas de António José Saraiva (Quidinovi, Lisboa 2004, p. 671). Em páginas iniciais, aproveita ela o ensejo para dar o justo relevo ao facto de “as suas convicções políticas e sociais continuarem a ter uma actualidade surpreendente”.

Assim é, em boa verdade! Neste contexto, ressurgem, como cogumelos em terra húmida, mesmo em nossos dias, manifestações de massas de profissões de cariz intelectual que se deslocam aos magotes como proletários, mas sem disso terem, muitas vezes, consciência, por ruas urbanas que desembocam em grandes praças com destino a verdadeiros comícios políticos, mas não anunciados como tal, empunhando cartazes e palavras de ordem com carácter mais ou menos injurioso. E, por outro lado, assiste-se a manifestações televisionadas da Fenprof, como uma levada a efeito, anos atrás, diante dos portões de uma escola do ensino secundário e na presença dos respectivos alunos com palavras, no mínimo, pouco próprias e com apupos à mistura dirigidos a entidades ministeriais que aí se deslocaram em visita oficial, como se os professores não devessem constituir um exemplo para os alunos, em identificação com a velha e respeitada máxima: “Escola de pais, escola de filhos”. Não discuto, de forma alguma, a justeza deste protesto. Discordo, apenas, da forma como ele foi feito e do local escolhido para ele ser realizado.

Numa perspectiva sociológica de comportamento de massas, poder-se-á encontrar razão para tal neste excerto de um texto de Eça de Queiroz: “Quando se quer fazer marchar um regimento não se lhe explica com a subtileza dum protocolo os motivos que levam à guerra: desdobra-se uma bandeira, faz-se soar um clarim e o regimento arremete”.

A arruada, também ela, é indubitavelmente de um neologismo soft da vida política em apelo à saída para a rua. Como Napoleão dizia, “a Bélgica é um excelente campo de batalha”. Mutatis mutandi, significa que a rua é um excelente campo de batalha. Em vivência de trinta e tal anos, o Partido Comunista Português sabe isso bem melhor do que ninguém ao conseguir, em manipulação de descontentamentos sociais, mobilizar multidões de contestatários de diferentes estratos profissionais, de orientações políticas opostas ou mesmo apartidários. Vivência que a história recente nos diz ter sido sempre reprimida de forma brutal aos cidadãos dos países de Leste, até à queda do Muro de Berlim ou à chegada do momento em que, na antiga União Soviética, “o relógio do comunismo soou todas as badaladas”, como escreveu Alexander Soljenitzin.

Não será chegada a altura de os mais renitentes e aguerridos comunistas portugueses se adaptarem aos padrões de uma desejável democracia do tipo ocidental encarando esta nova realidade europeia que se não compadece com saudosismos de qualquer espécie? Enquanto não for inventada uma máquina do tempo, só em sonhos ou no flash-back cinematográfico é que o tempo volta para trás!

56 comentários:

  1. Na 1.ª linha do pensamento de Bertrand Russel pousou uma arreliadora gralha: "hás" em vez de "há".

    As minha desculpas aos eventuais leitores.

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  2. O VPV no Público também já tinha vindo com essa do neologismo. Mas olhe que não...
    Arruada, neologismo nojento?
    Ou ignorância e sectarismo de VPV?

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  3. Há que fazer distinção
    entre dois termos que em nada
    entre si têm ligação:
    "arruaça" e "arruada",
    que a mesma coisa não são.

    JCN

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  4. Há aqui uma grande confusão neste texto. O dicionário da Academia serve de mote, ou tem alguma coisa a ver com a mistura entre Fenprof, protestos locais, Soljenitsine, António José Saraiva e outras coisas?
    O direito à manifestação é um direito tal como outros. Cada um tem o direito até de se manifestar como os proletários. E porque não? Manifestar não é sinónimo de ser manipulado. O contrário também pode ser verdade, por exemplo, ficar em casa e aceitar tudo. Não será isso arrogância de quem escreve ao considerar que quem se manifesta anda atrás de outros?
    Ou será que alguém ainda pensa que manifestações com 120000 pessoas, é equivalente a 120000 que vão uns atrás dos outros. Só uns pensam e escrevem e os outros são uns coitadinhos?

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  5. Arruaça, arruaceiro,
    ligam-se à ideia de rude,
    provocante ou desordeiro;
    pelo conrário arruada
    tem por seu lado a virtude
    de ser uma caminhada
    devidamente ordenada
    pelo meio de uma rua
    à luz do sol ou da lua
    para chamar a atenção
    de quem governa a nação!

    JCN

    JCN

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  6. "A arruada, também ela, trata-se..." é erro.
    Ó professor...

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  7. Seria importante dar uma definição rigorosa de "manipulação". Parece-me que, na maior parte dos casos, se diz que alguém manipula se consegue liderar algo que é contrário ao que quem acusa de manipulação pretende. Mas esta definição não é satisfatória pois reduz-se a dizer que os meus adversários manipulam mas eu não, só faço coisas decentes. Ou, os meus adversários são pouco honestos, eu sou honesto. Quando vence o que eu quero não manipulo, pratico justiça. Se perco, houve manipulação.
    Isto é nítido neste post.

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  8. Caro Rui Baptista,

    Desta vez não concordo consigo. Em todos os países ocidentais existiram, existem e existirão manifestações com dezenas e até centenas de milhar de pessoas.

    Em Espanha tal situação é algo perfeitamente natural, manifestam-se pessoas pelas mais diversas razões.

    Eu defendo manifestações quando as mesmas são justas. Tenho pena que quando em Portugal a sociedade civil seja tão pequenina quando a comparamos com a espanhola, por exemplo. Em Espanha é impensável que um qualquer minta ao povo, porque imediatamente aparecem milhares de manifestantes por todo o lado. Em Portugal é aquilo que sabemos...

    As manifestações são fundamentais, porque a democracia não é apenas votar!

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  9. Caro Fartinho da Silva:
    Pois eu admito manifestações mesmo quando são injustas. Mais, exijo que as injustas possam acontecer tal qual as justas (as que eu apoio e em que participo, claro). As injustas (isto é, aquelas de que não gosto) é que são as manipuladas? Mas como é que se manipula? Gostava que me ensinassem (se é que alguém sabe) pois eu queria manipular para conseguir certos objectivos mas não sei como se faz.

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  10. "Em todos os países ocidentais existiram, existem e existirão manifestações com dezenas e até centenas de milhar de pessoas".
    Está bem dito (se calhar era melhor retirar a palavra "ocidentais"). Lembro-me que existiram meso no tempo do Salazar. Aí era duro participar mas existiam e o governo da época adoptava uma definição de manipulação interessante: por definição, todas eram manipuladas excepto as ordeiramente organizadas pela União Nacional. É uma definição possível de manipulação mas com a qual eu não concordo. Sempre é preferível a actualmente muito em voga:é manipulada se contaria a opinião de quem se pronuncia, não é manipulada caso contrário. É mais pluralista que a do Salazar (ou não?).

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  11. Inspirado pela notícia do Expresso resolveu o Prof. Rui Baptista escrever, no respeitável De Rerum Natura, um post a desopilar as mágoas que lhe vão na alma contra Jerónimo de Sousa e a FENPROF em particular, e em geral contra comunistas, professores, e o exercício do direito de manifestação.

    Não vamos aqui repetir aquilo que já muito bem disseram alguns dos comentadores daquele post, apenas gostaríamos de lembrar ao professor Baptista, que as “manifestações de massas de profissões de cariz intelectual que se deslocam aos magotes como proletários”, de que fala, reflectem de facto a crescente proletarização das profissões intelectuais, mas que essa proletarização não é obra dos comunistas, mas sim dum sistema que os comunistas combatem, e do qual os seus amigos “socialistas” tanto gostam e defendem: o capitalismo.

    http://apresencadasformigas.blogspot.com/2010/01/apesar-da-entrada-no-dicionario-da.html

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  12. Ó das formigas, deixe-se de teorias. Não vê que são uns tipos (Jerónimo, Carvalho da Silva, Loução e muitos outros, se calhar até o Alegre) que se distraem a manipular, a manipular... Os outros manipulam ao contrário mas como percebem pouco de manipulações ... não conseguiram o que queriam. Vai ver que o autor do post também não percebe de manipulações, até nem vai conseguir dar a definição que já lhe foi pedida. Se ele soubesse não haveria manifestações injustas. Só das boas.

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  13. "Quando se quer fazer marchar um regimento não se lhe explica com a subtileza dum protocolo os motivos que levam à guerra: desdobra-se uma bandeira, faz-se soar um clarim e o regimento arremete”.
    Que é que isto tem a ver com a manifestação dos professores?
    Sabe o que acontece num regimento a quem não obdeça à ordem de marchar? Ou não andou na tropa? (novos tempos...)

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  14. Mas que grande trapalhada
    por motivo da arruada
    que é a coisa mais normal
    que se passa em Portugal,
    onde pode cada qual
    meter sua colherada
    sem ninguém levar a mal,
    seja ou não manipulada!

    E pronto: ponto final!

    JCN

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  15. Duma arruaça à arruada
    vai um passinho de anão:
    basta uma voz exaltada
    para se armar confusão
    entrando tudo à pancada
    por uma coisa de nada
    que sem ponta de razão
    leva ao rubro a multidão!

    Duma arruada à arruaça
    num momentinho se passa!

    JC

    JCN

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  16. Aos anónimos versejadores: o melhor mesmo é proibir a arruada para não dar em pancada que não pode ser sanada sem ser à cacetada. E à dentada. Grande pessegada. Olhe já estou cansada de tanta macacada.

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  17. Para dar por terminada
    esta grande macacada
    só faltava a gargalhada!

    JCN

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  18. Aristes:

    Começo por lhe agradecer o seu comentário que passo a transcrever: “O VPV no Público também já tinha vindo com essa do neologismo. Mas olhe que não…”

    Por acaso, não li a crónica que refere do VPV (Vasco Pulido Valente), embora seja meu hábito ler a sua prosa com muito gosto. Como diz o povo, “gostos não se discutem”.

    Vim a saber, por si, que VPV considerou a “arruada” como um “neologismo nojento”. Desgarrado do contexto em que esta opinião de VPV foi formulada não estou habilitado a discuti-la.

    Atenho-me, assim, ao cerne da questão que é o de saber se a palavra “arruada” é, ou não, um neologismo. Endossado para a leitura de um seu blogue, colhi, aí, a informação de que “’arruada’ já aparece naquele que é considerado o 1.º dicionário de português (1712-1721), de Rafael Bluteau, mas não no sentido que lhe é dado hoje”.

    Reside aqui o busílis da questão. Ou seja, a palavra existia no século XVIII tendo caído em desuso. Hoje, a sua reutilização poderá ser tida como pleonasmo ou não?

    As fontes por mim consultadas ( por serem aquelas que tenho dignas de crédito e por constarem da minha biblioteca pessoal)), “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” e “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”, embora registem a palavra “arruado” como adjectivo (para significar, v.g., “que se arruou”; “disposto ou dividido em ruas”) , delas não consta o substantivo “arruada”. Ou seja este vocábulo, como muitos outros, deixou de ser falado ou escrito, sendo recuperado, em nossos dias, pelo PCP, a quem, aliás, eu não me escusei em atribuir a paternidade, sem segundas intenções.

    Segundo a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” , “formam-se neologismos quer aproveitando elementos da língua materna, quer tirando-os das línguas estrangeiras, quer ainda empregando palavras antigas com nova acepção” (vol.18,p. 592). Reporto-me agora ao “Houaiss” (p. 5753): “Neologismo, atribuição de novos sentidos a palavras já existentes na língua”.

    Em resumo. Tendo existido a palavra “arruada”, hoje tida como arcaísmo (“palavra antiga”;”modo de falar hoje desusado” ), o seu uso em nova acepção torna-a, em minha opinião pessoal, num neologismo. Daí, o eu apropriar-me da frase de Álvaro Cunhal, por si parcialmente, citada, para, parafraseando-a, lhe dizer: “Olhe que sim! Olhe que sim!”

    Agora se se trata, ou não, de um “neologismo” merecedor da adjectivação de “nojento”, aqui, o caso transborda o âmbito desta discussão por não ter lido, como, aliás, frisei no início deste meu comentário, o artigo de VPV que, decerto, por ser um homem da cultura de palavra bem pensada e texto bem meditado, terá apresentado os seus argumentos justificativos.

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  19. Prof Rui Baptista,

    No post que faz a amabilidade de citar, também se refere uma outra utilização de arruar, não só mais recente como com um sentido mais próximo do actual:

    "Quereis subir às colônias, e dar um giro a cavalo até a cascata de Itamarati? Ou preferis arruar sem destino, onde vos levar a fantasia?"
    José de Alencar, ao Correr da Pena, 1874.

    Ainda no mesmo post um leitor chama a atenção para o facto de arruada constar dum dicionário mais recente:

    "Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo diz que ARRUAR, entre outros sentidos, também significa PASSEAR PELAS RUAS, PASSEAR OSTENTOSAMENTE."

    Acho por isso pouco preciso dizer que se trata de um neologismo, prefiro dizer que é um arcaísmo recuperado para as novas realidades do sec. XXI. Mas isso é apenas a minha opinião ou como se diz agora, isso sou só eu.

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  20. Arruada... será tudo menos um arcaísmo, porque não deixou de fazer parte da linguagem comum dos nossos dias ou recentes, seja qual for o sentido que se lhe dê. Quanto a ser um neologismo, nada impede que o seja: subtilezas! JCN

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  21. Não há palavras nojentas,
    pois só nojo causarão
    as ideias purulentas
    que na sua base estão.

    JCN

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  22. De certo modo, aceito o papel que me possa ser atribuído de bota-de-elástico pela minha declarada inabilidade em navegar a todo o pano na “Net” (neologismo, incontroverso!).

    Todavia, em esforço que entendo meritório, consultei o “Ciberdúvidas da Língua Portuguesa” que, a uma pergunta de João Carlos Araújo, respondeu: “Não é absolutamente certo que [“arruada”] se trate de um neologismo”.

    “Não sendo absolutamente certo”, a resposta supracitada assume o cariz dubitativo. Daqui julgo ser-me lícito concluir que muita água ainda correrá debaixo da ponte desta controvérsia.

    O que até é tenho por salutar porque, para Friedrich Nietzche, “não há factos eternos, assim como não há verdades absolutas”. Assim, se me permite, regozijemo-nos ambos por termos tido o “soberaníssimo bom senso”, de que nos falou Antero de Quental, em não assumirmos uma posição dogmática sobre a matéria.

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  23. Ouvidos em confissão ambos os respeitáveis litigantes, ouso emitir a minha irrelevante opinião, segundo a qual o termo "arruada", não sendo vocabularmente um neologismo, é-o semanticamente no sentido específico que lhe atribuiu Jerónimo de Sousa e sob o qual teve honras de registo no "Dicionário" da douta Academia. Quanto a ser "nojento", é questão de paladar. JCN

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  24. Nestas filigranadas controvérsias, não basta o "bom-senso" anteriano; é preciso também o "bom-gosto". Este sobretudo. Suponho eu. JCN

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  25. João F.B.R. Simas:

    Se se der ao trabalho de ler de novo, e sem sectarismos, o meu post, julgo que me fará a justiça de reconhecer haver uma concatenação, bem vincada entre “o dicionário da Academia (que como bem refere serviu de mote ao meu texto), a Fenprof, protestos locais, Soljenitsine, António José Saraiva”. No que se reporta “a outras coisas”, sem saber a que “coisas” se refere, sinceramente, não lhe sei responder.

    Vejamos. O dicionário da Academia vem a propósito de “arruada” (na acepção de passeio pelas ruas de partidos políticos em campanhas eleitoral); a Fenprof (conotada com o PCP, promove campanhas de docentes com carácter político: haja em vista as bandeiras deste partido que as acompanham); Soljenitzin (ao dizer-nos que “o relógio do comunismo já soou todas as badaladas”, chama a atenção para o facto de o comunismo duro e implacável já não ter lugar numa Europa democrática, sobrevivendo, apenas, com essas características, por exemplo, na Coreia do Norte e em Cuba); António José Saraiva (pela sua frontal oposição à quantidade e qualidade de certas manifestações).


    Escreve no seu comentário que ”o direito à manifestação é um direito como qualquer outro”. Seja! Embora se saiba que nos antigos países europeus, para além da “cortina de ferro”, esse direito era reprimido impiedosamente pela KGB. Aliás, como em todos os regimes ditatoriais como o do Estado Novo.

    Felizmente,em democracia (não me refiro à antiga República Democrática Alemã, claro está), tal não acontece por norma. Todavia, o direito a manifestações levadas a efeito por sindicalistas-educadores não justifica palavras de ordem e cartazes insultuosos para criar um clima que leve os verdadeiros educadores a alinhar e a pactuar, por vezes, com uma situação gerada pelo comportamento colectivo de grandes massas de indivíduos.

    Escreve que “manifestar não é sinal de manipular”. Generalizar é sempre perigoso porque, por vezes, até é. Afirma-o Mário Soares quando escreve que “voltámos à instrumentalização dos sindicatos como ‘correia de transmissão’ do PCP”. Ademais, em nome desse direito, não “se deve confundir a vida política com um estado de agitação convulsivo em que não há regras (…)”, como escreveu, por seu lado, António José Saraiva.

    Claro que nunca me passaria pela cabeça questionar que manifestações de 120000 pessoas (esse número, como muito bem escreve refere-se a pessoas e não a professores: nele devem ser incluídos familiares e aquelas pessoas que vão atrás uma das outras). Aqui nem foi preciso haver manipulação, houve uma aderência maciça de docentes perante medidas teimosas e injustas da antiga ministra Maria de Lurdes Rodrigues que puseram em polvorosa toda uma classe e que foi o toque a rebate que levou a reunir sindicatos de orientações políticas, profissionais e até estatutárias completamente opostas numa plataforma sindical e num pacto que faria corar de vergonha o próprio Fausto. De duração não para toda a eternidade, mas, apenas, como “um pálido clarão na tempestade da vida”, como escreveu Henri Poincaré.

    Para terminar, encontram-se aqui em debate duas perspectivas bem distanciadas uma da outra de um mesmo problema, merecendo-me o seu ponto de vista o respeito que é devido a quem defende denodadamentes as suas convicções com as armas que possui.“A polémica emigrou da arte da guerra”, nas palavras de Vitorino Nemésio.

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  26. JCN ( anónimo do comentário de 17 Jan.,19:09, e de outros):

    Gostei dos seus versos. Embora correndo o risco de me repetir, “gostos não se discutem”. Gostei, pronto.

    Quanto à sua (tudo me leva a crer ter saído do mesmo teclado) brevíssima prosa, de 19 de Jan., 18:56, estou de acordo consigo quando escreve: “Nestas filigranadas controvérsias, não basta o "bom-senso" anteriano; é preciso também o "bom-gosto". Este sobretudo. Suponho eu. JCN”. Apenas um pequeno aparte: O bom senso, “o soberaníssimo bom senso”, de certa forma, repito, de certa forma, implica bom-gosto. Espero não ter aberto uma nova frente de batalha. Desde já, aceito poder estar errado!

    Por último, mas não menos importante, grato pela sua contribuição no que concerne a "arruada". Não foram simples gotas que voltaram a passar sob a ponte desta temática. Bem pelo contrário!

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  27. tanta coisa por causa das palavras e vai logo trocar adesão por aderência. coisa mais nojenta. maciçamente nojenta.

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  28. Talvez não fosse descabido chamar a atenção dos comentadores para as três sugestões de «moderação» que introduzem esta caixa de diálogo.
    Será que isto é polémica, ou ausência de arte de guerra? E para que não m seja imputada a violação do segundo critério ou sugestão de moderação, explicito.
    Estamos em colóquio sobre matéria etimológica e/ou semântica, ou em desajeitada guerra política, pretensamente idológica, tomando como pretexto a etimologia e a semântica?
    Com toda a consideração por Vitorino Nemésio, a polémica não transmigrou da guerra. A guerra parece-me, por vezes, transmigrar para a plémica...
    Que acréscimo trará esta polémica ao quer que seja?

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  29. Várias observações do autor do post são de fazer rir sobretudo uma citação de Nietzche a propósito dma trivialidade. Havendo tanto a dizer sobre o conceito de manipulação, foge à questão e prefere distrair-nos com a discussão do sexo dos anjos disfarçada de arruada.

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  30. "Arruado, s, (separado em ruas). Os ourives arruados,Aurifices in vicos dispositi"
    In
    Diccionario Portuguez e Latino
    Rafael Bluteau
    Collegio das Artes da Companhia de Jesus
    Coimbra, 1712-1728

    Arruar - gruñir
    In
    Diccionario Castellano-Catalan
    R.P.M. Fr. Magin Ferrer
    Imprenta y Librerís de Pablo Riera
    Barcelona [1839], 1847

    Portanto, arruada, em espanhol, pode ser grunhidela, o que nos pertmite concluir que a diferença entre arruaça e arruada será:

    Arruaça = desordem provocada pelas pessoas na rua; motim, zaragata.= assuada, tumulto
    (in Dicionário da Academia)

    Arruada = grunhidelas na rua

    Porém, como as manifestações professorais-sindicais nem são nem desordens, nem motins, nem grunhidelas, teremos de concluir que as referidas manifestações só podem ser assuadas e não assoadas. Vejamos porquê:

    Assoadas = é a manifestação hostil de muitos, mais ou menos tumultuosa e violenta, com vaias e vozearia, em geral para correr e vexar alguém;

    Assuadas = congregação ou ajuntamento do povo para deliberar em comum, ou para qualquer outro fim

    Vide
    Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa
    José Pedro Machado
    7.ª ed., Lisboa, 1995

    Em tais circunstâncias e na impossibilidade de medir as graduações que, se supõe, como as dos terramotos, resta-nos a esperança do secretário-geral do PCP nos elucidar que tipo de "arruada" foi convencionada no partido já que é ponto assente ser o povo o detentor, usufrutuário e modelador da língua.
    Livros Horizonte

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  31. Por um lapso sísmico a editora

    Livros Horizonte

    apareceu deslocado no final do comentário.

    Apesar de contar com a inteligência dos leitores que já entenderam ser Livros Horizonte a editora do Dicionário Etimológico, não queria deizar de anotar o meu lapso.

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  32. Valha-nos Deus, senhor Boaventura, valha-nos Deus! Caso para se izer com Alexandre Herculano; "Homem, vossemecê não vê que estou a tratar de coisas sérias!". JCN

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  33. Quando a ironia descamba
    para o sorriso amarelo,
    mesmo de borla e capelo,
    resta só dizer: caramba!

    JCN

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  34. Anónimo (17 Jan., 22:04):

    A transcrição parcial que foi feita da minha frase – “A arruada, também ela, trata-se (…)” – poderia ter conduzido à interpretação de que eu quis dizer que a “arruada” tem como tratamento a proibição.

    A frase completa que escrevi, cito-a “ipsis verbis”:” A arruada, também ela, trata-se indubitavelmente de um pleonasmo 'soft' da vida política em apelo à saída para a rua”.

    Verifico, agora, numa leitura mais cuidada que fiz, haver um erro meu (um “lapsus calami”), de que me penitencio, ao escrever “pleonasmo” em vez de “neologismo”. A frase intercalada por vírgulas – “também ela” – quis significar haver mais "neologismos" na nossa língua.

    Em hora oportuna, se não me fosse chamada a atenção sempre que lesse a frase veria nela a palavra que queria escrever (neologismo) e que jurava estar lá gravada. Julgo que já muita gente passou por esta arreliadora situação.

    Em "mea culpa", ainda que involuntária, o meu agradecimento ao atento comentador do meu post e as minhas desculpas aos seus possíveis leitores. Se me permitir (e só nesse caso) procederei à devida rectificação, substituindo a palavra pleonasmo pelo vocábulo neologismo.

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  35. Era bom que alguns comunistas portugueses e outros pretensos manipuladores lembrassem a arruada das arruadas. Uma bem a sério. Aquela dos 2.000km e dos 2 milhões de vidas de intelectuais, liberais e daqueles que, "manipulados" pelos primeiros, se deixaram influenciar... O trajecto? De Yakutsk a Magadan, na Sibéria. Tendências...!

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  36. Comentário (17 Jan.,22:31):

    Ao contrário de si, por ser uma palavra de uso corriqueiro, não tenho, como escreve, “ como importante dar uma definição rigorosa de ‘manipulação’”. Mas, apesar disso, aceito o repto em dar uma definição que satisfaça os desígnios que se me afiguram subjazer-lhe: “Manobra pela qual se influencia um indivíduo , uma comunidade, contra a vontade destes (de modo geral, recorrendo a meios de pressão, tais como os ‘média’”). Aliás, é esse o sentido que lhe é atribuído por António José Saraiva: “Manipulando manifestações de rua” (12.ª linha, 2.º § do meu post).

    A partir daqui surge um conceito pessoal de manipulação da sua lavra: “Parece-me que, na maior parte dos casos, se diz que alguém manipula se consegue liderar algo que é contrário ao que quem acusa de manipulação pretende”. Se a carapuça me era destinada, julgo não me servir.

    A Fenprof, através do seu secretário-geral, Mário Nogueira, liderou toda a campanha da chamada “Plataforma Sindical” no sentido de fazer abortar as medidas preconizadas e defendidas pela ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues. Se se quiser dar ao trabalho, verificará, em muitos dos meus posts, publicados neste blogue, que fui sempre crítico em relação a esta acção da tutela governamental, discordando, todavia, do facto da liderança da referida plataforma não ser rotativa competindo a todos os seus líderes sindicais um quinhão próprio para evitar que os discutíveis interesses de uns determinados sindicalizados subjugassem os direitos indiscutíveis de outros .

    De uma forma geral, como me tenho referido publicamente e à saciedade, os direitos dos professores licenciados têm sido, sistematicamente, postergados em favor de outros docentes de menor habilitação sem que se tenha levantado uma voz de protesto por parte das duas maiores federações sindicais dos professores, respectivamente, Fenprof e FNE.

    Bem pelo contrário, estes docentes têm encontrado o maior apoio por parte destas duas federações. Mas isto são contos largos que fogem ao âmbito de um comentário. Todavia, adianto, contudo, que tudo tenha encontrado respaldo na “vox populi”: "Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não sabe da arte”. E eu não caio na tentação indelicada de chamar tolos aos dirigentes sindicais que, por vezes, até colhem louros em benefício próprio.

    Todos os problemas são susceptíveis de serem vistos por vários prismas, sofrendo, como tal, a influência de quem os discute. Mas este “statu quo” até é salutar porque, segundo Goethe, “qualquer ideia proferida desperta outra ideia contrária”.

    Mas para que não caia no esquecimento, a minha posição não está, de forma alguma, contra o direito constitucional das manifestações sindicais. Aliás, é bem visível a crítica que no final do meu post faço a antigos países totalitários que as proibiam pela força das armas.

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  37. Rectificação:

    Na 3.ª linha do 5.º §, deverá ser retirada a palavra "contudo" da frase: Todavia, adianto, "contudo",...

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  38. Será que esta controvérsia, com nítidos contornos de índole política, tem algo a ver com o simples registo do termo "arruada" no "Dicionário" da Academia como "neologismo" do ponto de vista meramente semântico?!... Que deselegante aproveitamento! JCN

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  39. Caro Fartinho da Silva (18 Jan., 00:01):

    Chegada a vez de responder ao seu comentário, renovo o interesse que sempre me despertam as suas intervenções, mesmo quando, como no caso presente, diz discordar de mim.

    Numa perspectiva pessoal, atrevo-me, no entanto, a pensar (o Fartinho da Silva dirá se com razão ou não) que nem desta feita estamos em desacordo que mereça referência de monta. Apenas, simples reparos, como tentarei demonstrar:


    É escrito por si que “ em todos os países ocidentais existiram, existem e existirão manifestações com dezenas e até centenas de milhar de pessoas”.

    Eu, numa perspectiva menos lata, referindo-me apenas aos países europeus desde este “cantinho à beira-mar plantado” até aos montes Urais, critiquei a proibição de manifestações políticas ou populares no final do penúltimo capítulo do meu post:” Vivência que a história recente nos diz ter sido sempre reprimida de forma brutal aos cidadãos dos países de Leste, até à queda do Muro de Berlim ou à chegada do momento em que, na antiga União Soviética, ‘o relógio do comunismo soou todas as badaladas’, como escreveu Alexander Soljenitzin”.

    Por outro lado, num dos meus comentários refiro a proibição dessas manifestações durante o Estado Novo. E já que falou de Espanha, repressão até à restauração do regime democrático.

    Escreve, a finalizar, que as manifestações são fundamentais, porque a democracia não é apenas votar. Aqui estamos de acordo a 100%. Mas o voto, pelo desencanto da cena política nacional, como diria Fernando Pessoa, “hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância” , deixou de ser cumprido como um dever de cidadania.

    Uma vez mais estou de acordo consigo: demissão perigosa porque não o fazer é deixar o terreno livre de plantio nosso para que outros aí façam a sua quinta ou simples canteiro de flores.

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  40. Caro autor: Na sua dfinição de manipulação tem de retirar "contra a vontade destes". Se não retirar, as manifestações dos professores não foram manipuladas a não ser que se acredite que uma larga parte (já nem digo maioria) foi contra vontade. Há mais objecções e exemplos mas esta chega.

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  41. Quanto à carapuça. Eu não estou interessado em carapuças mas tão somente em entender conceitos e suas consequências. Ora grande parte das pessoas que utilizam a palavra "manipulação" pressupõem o significado que eu lhe dei.

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  42. O caso das arruadas
    deu agora em carapuças:
    mais duas ou três piadas
    e nos iremos às fuças.

    JCN

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  43. Anónimo (18 Jan.; 12:01):

    Agradeço o seu comentário que tive como uma análise isenta, como tal de acordo com a realidade dos factos, no que tange, por exemplo, ao tempo de Salazar em que as manifestações eram permitidas…desde que (como esclarece a seguir) promovidas pela União Nacional.

    Isto é, por um partido único que punha à disposição dos manifestantes, oriundos de vários pontos do país, camionetas que os conduziam aos magotes e de borla para o Terreiro do Paço para aí manifestarem o seu apoio à política vigente (aliás, esta metodologia foi utilizada por parte do sindicalismo da actualidade, aquando da mega e justa manifestação dos professores que encheram esse mesmo Terreiro do Paço). Parafraseando o vate: “Mudam-se os tempos, mas nem sempre se mudam os processos”!

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  44. Os professores não foram manipulados pelo Mário Nogueira e outros dirigentes. Ao contrário, estes é que foram manipulados pelos professores, não lhes restou alternativa senão aderir aos protestos contra vontade. Se não vissem tantos a aderir, eles seriam mais brandos. Ora parece que quem vai contra vontade é que é manipulado. Ou então temos de alterar a definição.

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  45. “a presença das formigas” (18 Jan., 13:48):

    Já aqui ambos debatemos esta temática suficientemente, segundo me atevo a pensar, com a isenção de nos subtrairmos ao fascínio de desacreditarmos os argumentos um do outro (comentários de 17 Jan., 19:02 e de 19 de Jan., às 02:53 e 12:02), apenas, pelas características de índole política ou quaisquer outras que pudessemos ter atribuído aos seus autores (aquilo a que os psicólogos definem como "erro de atribuição").

    Todavia, faço questão em esclarecer que aquilo escreve, no final do seu comentário, subscrito com o nome de “Aristes” - “(…) os seus amigos ´socialistas´’(…) - , não corresponde à verdade, embora do meu nome completo constarem os apelidos Pereira (da) Silva que, por vezes, quando o assino, por preguiça, abrevio com a sigla P.S., esclarecendo de imediato que nada tem a ver com o Partido Socialistas!

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  46. Anónimo (18 Jan., 14:01):

    A precipitação com que se fazem previsões que falham (haja em vista as previsões meteorológicas actuais, pese embora o seu pretendido fundamento científico ) tem, por vezes, efeitos perversos como é caso desta sua referindo-se à minha pessoa e que toma, pelos vistos, como cereja em cima do bolo: “ [o autor do post] até nem vai conseguir dar a definição que já lhe foi pedida”. Esse pedido reporta-se à definição da palavra MANIPULAÇÃO.

    Sem mais demoras, endosso-o para o meu comentário, publicado neste post, datado de 17/01/2010, e publicado às 22 horas e 31 minutos. Aí encontrará a definição que transcrevo, “ipsis verbis”, e assino por baixo, do reputado dicionário “Houaiss”.

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  47. "Vê se te callas"!!! JCN

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  48. Anónimo (18 Jan., 14:46):

    Andei na tropa, sim! Fiz o serviço militar como oficial miliciano de infantaria, tendo passado à disponibilidade com o posto de tenente.

    Consequentemente, sei o “que acontece num regimento a quem não obedeça à ordem de marchar”, como me pergunta. Se for em tempo de paz arrisca-se a prisão. Em tempo de guerra, a ser fuzilado.

    Por eu ter citado Eça de Queiroz - "quando se quer fazer marchar um regimento não se lhe explica com a subtileza dum protocolo os motivos que levam à guerra: desdobra-se uma bandeira, faz-se soar um clarim e o regimento arremete” – surge uma outra pergunta:”Que é que isto tem a ver com a manifestação dos professores? “ Respondo-lhe já. No sentido literal da citação, pouco, pouco mesmo!

    Procuremos, todavia, a analogia. Não sendo este o caso da última mega manifestação dos professores, com o objectivo bem definido de pôr cobro aos dislates da ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues que afectavam toda uma classe docente, muitas outras se fizeram anteriormente em que não foi “explicado com a subtileza dum protocolo os motivos que levavam à guerra”.

    Apenas, se desdobraram estandartes reivindicativas justos, acompanhadas de outros nada justas. E muitos professores, sem o tal protocolo que lhes explicasse todos os motivos das manifestações, nelas participaram sem saber, por vezes, ao que iam.

    Não será esta uma forma encapotada de influenciar as pessoas para uma cruzada que pouco ou nada as beneficia e que, pelo, contrário, serve às mil maravilhas, aos interesses dos sindicatos, das suas clientelas, ou mesmo, dos seus dirigentes?

    Não é por acaso que a Fenprof se situa na órbita do PCP e outros sindicatos à volta de outros partidos políticos. Por mais que se diga que não, a política não anda arredada da neutralidade por pertencer à condição humana. Segundo reconheceu e defendeu Aristóteles, “o homem é um animal político”. Procurar encontrar no meu post, nos meus comentários e nos comentários que lhes são feitos redomas de neutralidade política é o mesmo que querer caçar gambuzinos de noite. Ou mesmo debaixo dos raios de sol…

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  49. Anónimo (20 Jan., 22:16):

    Achei oportuno (com igual direito, outros o acharão inoportuno!) o seu comentário em que apela à lembrança de “alguns comunistas” para a longa e mortífera marcha de 2000 Km a pé, através das estepes geladas da Sibéria, de dissidentes da ex-União Soviética.

    Mas receio que apareça para aí quem diga que nada disto aconteceu, como dizem não ter acontecido o genocídio dos Judeus na Alemanha hitleriana. É atribuída a Goebbels, ministro da Alemanha do III Reich a frase: “Uma mentira mil vezes repetida, transforma-se numa verdade”.

    De igual forma, uma verdade mil vezes desmentida não corre o risco de se tornar numa mentira? Esta a explicação para eu comungar da sua lembrança. Como receou Jorge Luís Borges, “temos como futuro o esquecimento” se não apelarmos para a memória das pessoas que se não deixam manipular.

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  50. Que têm a ver os gambuzinos com o simples registo de um neologismo semântico no "Dicionário" de todos nós?!... Já é preciso... JCN

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  51. Caro comentador (21. Jan., 17:40):

    No meio do “mare magnum” de comentários a que me eu me obriguei e obrigo a dar resposta, sob a condição futura de se não tratarem de "bocas , penitencio-me pelo esquecimento de indicar a fonte da minha transcrição de manipulação. Faço-o agora. Foi colhida no “Dicionário Houaiss”.

    Daí eu não poder satisfazer a sua sugestão para não desvirtuar o original.

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  52. Anónimo (21 Jan., 19:47):

    Ora aqui está uma nova e insólita forma de ver o problema: o Mário Nogueira (e outros dirigentes sindicais), apesar do seu longo traquejo político e sindical (no sindicalismo dirigente de há 21 anos para cá), "foi manipulado pelos professores".

    Desta forma, o supracitado anónimo, ao querer exaltar Mário Nogueira e a sua obra (nem sempre negativa, há que lhe fazer essa justiça), procede, de forma diametralmente oposta, ao ter o combativo, irredutível e teimoso secretário-geral da Fenprof como espécie de cordeirinho obediente a uma mole imensa de docentes não só da sua federação como de todos os outros sindicatos da Plataforma Sindical.

    Foram os professores que o obrigaram (ou sequer o induziram) a assinar o “Memorando” de triste memória com Maria de Lurdes Rodrigues? Como explicar, então, que esta situação tivesse merecido o repúdio, bastante amplo, dos docentes organizando-se parte deles, por exemplo, em movimentos independentes chegando a ponto, até, de muitos se desindicalizassem da própria Fenprof e de outros sindicatos?

    Mas não se preocupe, não é necessário, como diz, alterar a definição de manipulação. Só há que não cometer a injustiça, falta de perspicácia ou tendenciosidade em atribuí-la indevidamente aos docentes. Valha-nos Deus!

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  53. Até aqui não me tenho escusado em responder, por entender ser essa a minha obrigação, aos comentários que me são dirigidos no sentido de clarificar ou refutar situações e/ou pontos de vista.

    Mas, a partir deste momento, recuso-me, a perder tempo e paciência, a responder a quem porventura, pretenda, apenas, repisar o que já foi dito por outros e por mim (aquilo que na gíria se diz "chover no molhado") ou se entretenha em “mandar bocas”. Trata-se de uma forma de manter esta temática em fronteiras de polémica que não extravaze o “soberaníssimo bom senso” . Há limites para tudo!

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  54. Até que enfim que o bom-senso
    acabou por dominar:
    esperemos que o bom-gosto
    não venha agora a faltar!

    JCN

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1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.