terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ainda a guerra contra a ciência

Christopher Hitchens escreve um excelente artigo na Slate, que vale a pena ler na íntegra, sobre o que está em jogo nas próximas eleições norte-americanas. O artigo, que refere entre outras palinadas, o recente caso da mosca, resume num único artigo o que tem sido apontado no De Rerum Natura, sobre o anti-intelectualismo do ticket republicano, mesmo antes de ter sido divulgada a escolha de Sarah Palin para VP. Transcrevo a parte final do artigo «Sarah Palin's War on Science. The GOP ticket's appalling contempt for knowledge and learning».

«With Palin, however, the contempt for science may be something a little more sinister than the bluff, empty-headed plain-man's philistinism of McCain. We never get a chance to ask her in detail about these things, but she is known to favor the teaching of creationism in schools (smuggling this crazy idea through customs in the innocent disguise of "teaching the argument," as if there was an argument), and so it is at least probable that she believes all creatures from humans to fruit flies were created just as they are now. This would make DNA or any other kind of research pointless, whether conducted in Paris or not. Projects such as sequencing the DNA of the flu virus, the better to inoculate against it, would not need to be funded. We could all expire happily in the name of God.

Gov. Palin also says that she doesn't think humans are responsible for global warming; again, one would like to ask her whether, like some of her co-religionists, she is a "premillenial dispensationalist"—in other words, someone who believes that there is no point in protecting and preserving the natural world, since the end of days will soon be upon us. Videos taken in the Assembly of God church in Wasilla, Alaska, which she used to attend, show her nodding as a preacher says that Alaska will be "one of the refuge states in the Last Days." For the uninitiated, this is a reference to a crackpot belief, widely held among those who brood on the "End Times," that some parts of the world will end at different times from others, and Alaska will be a big draw as the heavens darken on account of its wide open spaces.

An article by Laurie Goodstein in the New York Times gives further gruesome details of the extreme Pentecostalism with which Palin has been associated in the past (perhaps moderating herself, at least in public, as a political career became more attractive). High points, also available on YouTube, show her being "anointed" by an African bishop who claims to cast out witches. The term used in the trade for this hysterical superstitious nonsense is "spiritual warfare," in which true Christian soldiers are trained to fight demons. Palin has spoken at "spiritual warfare" events as recently as June. And only last week the chiller from Wasilla spoke of "prayer warriors" in a radio interview with James Dobson of Focus on the Family, who said that he and his lovely wife, Shirley, had convened a prayer meeting to beseech that "God's perfect will be done on Nov. 4."


This is what the Republican Party has done to us this year: It has placed within reach of the Oval Office a woman who is a religious fanatic and a proud, boastful ignoramus. Those who despise science and learning are not anti-elitist. They are morally and intellectually slothful people who are secretly envious of the educated and the cultured. And those who prate of spiritual warfare and demons are not just "people of faith" but theocratic bullies.

On Nov. 4, anyone who cares for the Constitution has a clear duty to repudiate this wickedness and stupidity.
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5 comentários:

  1. A Palmira Silva continua na sua quixotesca cruzada contra os alegados inimigos da ciência.

    No entanto, ela é que equipara o DNA aos cubos de gelo!!

    Talvez isso dê ideias aos cientistas que andam a fazer computadores de DNA no sentido de tentarem fazer computadores de cubos de gelo.

    Será que a Palmira também é daqueles que, como o Ludwig Krippahl, ignora que o DNA tem um código que armazena informação nas sequâncias de nucleótidos?

    Essa ignorância deliberada só tem uma justificação: como a ínformação e o código que a codifica são realidades imateriais, cuja origem não é explicada pelas propriedades da matéria e da energia, torna-se evidente e incontornável que a sua origem só pode ser imaterial.

    Só um Deus omnisciente e omnipotente é que pode, ao mesmo tempo:

    1) ter imediatamente presente, na sua mente, todos os triliões, e triliões e triliões de reacções químicas necessários à produção de todos os seres vivos,

    2) codificar toda essa informação no DNA, o sistema de armazenamento de informação mais miniaturizado e eficiente que se conhece;

    3) criar todos os mecanismos necessários à transcrição, tradução e execução precisa e sincronizada de todas instruções contidas no DNA.

    4) não sem antes ter criado e sintonizado o Universo, o sistema solar e a Terra para a vida, como a evidência científica mais recente atesta, evidencia essa que leva os cientistas de uma nova revolução coperniciana, só que agora em sentido contrário (vid. Science et Vie, Outubro 2008).

    Apesar de se apresentar como grande defensora da ciência, o pensamento da Palmira assenta em duas premissas não científicas falsas:

    1) Deus não existe, não tendo nada que ver com a origem e a existência do mundo.

    2) a evidência científica é contraditória com a revelação de Deus.

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  2. o autor do dito artigo, a invocar a Constituição norte-amerciana, esquece que quem ler a Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 4 de Julho de 1776, a linguagem de direitos norte-americana tinha uma base criacionista, sem que isso signifique, evidentemente, que todos os pais fundadores dos Estados Unidos acreditassem em Deus ou acreditassem em Deus do mesmo modo.

    Na verdade, Thomas Jefferson, o seu redactor, escreveu:

    “We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness”.

    No constitucioanismo norte-americano, o criacionismo não surge como o inimigo das liberdades, mas como o fundamento das liberdades.

    É o Criador que confere a todos os indivíduos uma dignidade intrínseca e que torna os direitos individuais indisponíveis por qualquer ditador, minoria aristocrática ou revolucioniária ou maioria democrática.

    No constitucionalismo norte-americano, o inimigo das liberdades não é a religião, mas a ausência de liberdade religiosa e a ligação entre a religião e o poder político.

    Foi contra estes males, e não contra a religião em si mesma, que o constitucionalismo norte-americano sempre reagiu, e muito bem.

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  3. Parabéns Jonatas, hoje conseguiu comentar o texto do post e reduzir imenso a treta criacionista sem nada a ver com o post, usou só a fronha em lugar do lençol :-), por isso leva apenas uma sobremesa simples em resposta ao seu 1º comentário.


    Gelatina Colorida
    Ingredientes:
    6 caixinhas de gelatina uma de cada sabor
    2 pacotinhos de gelatina incolor e sem sabor
    1 lata de leite condensado
    1 lata de creme de leite
    1 lata (como medida) de leite

    Preparação:
    Faça a gelatina de acordo com as instruçõs da caixa. Deite tudo numa taça de vidro bem transparente e leve novamente á geladeira por aproximadamente umas 3 horas.

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  4. A Palmira Silva, na sua "profunda sabedoria científica" diz que no DNA e cubos de gelo é tudo a mesma coisa.

    São só moléculas!!!

    Para ela, a existência de um código no DNA é só produto da imaginação de uns criacionistas anti-ciência que querem fazer evangelização (provavelmente Francis Crick e James Watson são criacionistas disfarçados!!).

    No entanto, já demonstrámos abundamente quão errada está a Palmira.

    Mas podemos fazê-lo outra vez.

    Veja-se o artigo intitulado:

    "The genetic code is nearly optimal for allowing additional information within protein-coding sequences" dos autores Shalev Itzkovitz e Uri Alon, ambos de Israel.

    No seu abstract, os mesmos dizem que na verdade não existe apenas um código no DNA, mas múltiplos códigos paralelos altamente eficientes.

    No seu profundo autismo intelectual, a Palmira diz que o DNA é estruturalmente idêntico ao sal ou aos cubos de gelo.

    O seu problema é que esta posição é simplesmente insustentável do ponto de vista científico.

    E depois os outros é que são anti-ciência!!

    Ã posição da Palmira é pura cegueira, de quem já percebeu que a existência de informação e código é uma evidência incontornável de inteligência.

    Daí que a Palmira se tenha encurralado num beco sem saída. Vejamos como é que ela consegue saír de lá.

    Quando é que ela perceberá que o DNA tem informação codificada e que isso supõe inescapavelmente uma origem imaterial?

    Mas vejamos algumas palavras dos referidos autores que falam de múltiplos códigos paralelos.

    Sem quererem, eles dão fortes munições aos criacionistas, que não têm que negar a ciência como a Palmira.

    Eis as suas palavras:

    "DNA sequences that code for proteins need to convey, in addition to the protein-coding information, several different signals at the same time.

    These "parallel codes" include binding sequences for regulatory and structural proteins, signals for splicing, and RNA secondary structure.

    Here, we show that the universal genetic code can efficiently carry arbitrary parallel codes much better than the vast majority of other possible genetic codes.

    This property is related to the identity of the stop codons.

    We find that the ability to support parallel codes is strongly tied to another useful property of the genetic code—minimization of the effects of frame-shift translation errors.

    Whereas many of the known regulatory codes reside in nontranslated regions of the genome, the present findings suggest that protein-coding regions can readily carry abundant additional information."

    Published online before print February 9, 2007, 10.1101/gr.5987307
    Genome Res. 17:405-412, 2007
    ©2007 by Cold Spring Harbor Laboratory Press; ISSN 1088-9051

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  5. Vamos lá ver se percebo. Para haver Criação é necessário haver um Criador. Pelo menos um, certo?

    Por que razão os adeptos do criacionismo não deixam aqui uma prova irrefutável da existência de um Criador ? Pelo menos de um Criador. E uma só prova chega. Não é pedir muito.

    Aliás, a possibilidade de existência de mais do que um Criador constitui uma hipótese de trabalho estimulante. Os vários criadores podiam até competir entre si.

    Uns, do género sensato, estariam ocupados a criar gente inteligente, bondosa e educada, destinada a divulgar o criacionismo.

    Outros, do género gozão, estariam ocupados a criar gente estúpida, malcriada e autista, destinada a inventar parlapatices como o darwinismo e outras aldrabices da Ciência, só para pôr à prova a fé dos criacionistas.

    Parece-me que podíamos explorar esta hipótese.

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