sábado, 2 de julho de 2022

 

Podia afastar-me mais do arrebol

Que pinta este horizonte ao fim da tarde.

Podia ao universo jogar o sol

Que ruboriza este meu peito e arde.

 

Podia duvidar do ritmo deste verso

E nunca mais o retomar até à morte.

Podia ofertar o poema ao vento,

De mim separar-se a carne num corte.

 

Podia não ver mais o chão e a vinha,

A nudez do inverno e o verão verde.

Podia não viver mais na estrelinha

 

E as trevas do vale ter como albergue,

Se o teu peito em ânsias, como uma pinha,

Sobre a avidez do meu sangue ardesse.

1 comentário:

  1. Podia partir num sopro informe
    Demissão etérea deste mundo
    Cumprir um céu divino e enorme
    Em estado de êxtase profundo

    Podia ter lógica, mas não tenho
    Palavras são memória perdida
    Podia voltar para de onde venho
    Disjunção ilógica, esta vida

    Podia esperar por ti, devagar
    Para lá do sol, para além do mar
    Tangente à linha do infinito

    Podia decompor-me de coração
    Vertical e pura, sem dimensão
    Universo és tu e eu te imito!

    (Dr. Eugénio: Há sonetos de 11 sílabas?)

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