quinta-feira, 6 de setembro de 2007

De Rerum Commentario

Os comentários são muito bem-vindos e gostaríamos que este blog fosse um espaço aberto de debate, troca de informações e partilha de conhecimentos. Mas queremos que esse debate seja intelectualmente sério e rico, cuidadosamente articulado e baseado no estudo e na reflexão. Gostaríamos também que fosse cordial e simpático.

Assim, desencorajamos os comentários ofensivos, vazios de conteúdo, meramente bombásticos e de ocasião. Os comentários mais irrelevantes deste género serão apagados. Fazemos isto porque quando os comentários se tornam em conversa de ocasião, sem rigor intelectual nem seriedade, as pessoas que gostariam de ter um espaço de debate articulado acabam por deixar de participar nos comentários ao ver tais comentários. Os próprios autores deste blog deixariam de ler os comentários, se eles se tornassem no habitual "tu-cá-tu-lá" sem articulação nem seriedade, e ainda mais de lhes responder. O resultado de tal coisa seria com o tempo acabarmos por eliminar pura e simplesmente os comentários deste blog.

Gostaríamos também que os comentários não fossem anónimos, nem se usassem pseudónimos, como é habitual noutros blogs.

53 comentários:

  1. (saltou com gralhas)

    Gostava que me explicassem o que é um comentário não anónimo.

    Por exemplo. Se alguém assinar com um nome inviável porque de personagem literária ou de BD, é anónimo. Certo?

    Se essa mesma pessoa assinar com um nome e apelido português ou estrangeiro, já não é anónima, certo?

    Pergunto: como conseguem distinguir ou saber a quem corresponde um e outro? Como é que encontram a identidade de Um Sr. António Silva ou de uma senhora Mariana Vasconcelos e Mello?
    ........

    Serve isto para dizer que o único não anonimato que esse critério segue é o da boa fé e o do nome conhecido por ser figura pública.

    Qualquer outro nome e apelido de milhares de pessoas que abrem uma página virtual de um blogue gratuito é, por natureza, anónimo.

    Ou melhor- tem a mesma possibilidade de identificação. Aquela com que qualquer pessoa pode provar que o escrito é seu. Seja o Carlos Fiolhais, seja o Desidério Murcho, seja quem for - chama-se IP e registo do blogger.
    ..........

    À parte isso, existe uma outra funcionalidade técnica: a disponibilidade de um e.mail. É através dele que as pessoas educadas se identificam.
    Por uma outra razão muito simples que também faz parte do trato das pessoas educadas:

    O mundo virtual é idêntico a um café, onde anda quem quer e passa quem quer à porta ou ao balcão.

    Como é óbvio, ninguém chega a um café e exige a identificação a todos os presentes e aos que vão a passar na rua.

    A isso costuma chamar-se uma rusga. É feita pela polícia e, geralmente, só acontece por ter existida desacato entre os presentes.

    Quero com isto dizer que os autores do blogue parece que acabaram agora de chegar à blogosfera e ainda não se familiarizaram com o meio.

    Eu e muitas outras pessoas andamos por cá ainda antes da própria blogosfera- no que a gerou: o Pastilhas do MEC

    Foi Miguel Esteves Cardoso que criou este hábito de uso de nicks. Seguindo, aliás, o que é feito na generalidade dos sites de figuras públicas.

    Antes do Pastilhas fiz parte dos membros do site criado pelo David Lynch. Tive várias conversas com ele, com o Badalamenti e outros artistas dos seus filmes. Nunca ninguém se preocupou em saber nome verdadeiro.
    O próprio David Lynch conhece-me com a zazie dans le metro (do Raymond Quenau) e de Portugal. E, o trato sempre foi tu-cá-tu-lá. De forma educada e descontraída como costuma ser apanágio das pessoas inteligentes num meio virtual.

    À parte esta explicação "histórica" há que explicar aos recém-chegados às tecnologias virtuais que, a maior parte das pessoas já se conhece ao vivo.

    Eu conheço cerca de 20 bloggers, em qualquer ocasião haveria quem pudesse testemunhar quem sou. Por outras palavras: identificar-me.

    Em contra partida, o que escrevo no Cocanha ou que escrevi no Janela Indiscreta, sempre foi oferta da casa. Quem quiser pode levar e dar-lhe o uso que melhor entender.

    Foi com este espírito de "igualdade e dádiva" que a blogosfera se iniciou.
    Quem quiser mudar-lhe as regras tem é livre para isso.

    Poderia até fazer outra coisa mais em consonância com a pretensão. Usar um site pago e exigir inscrição paga aos seus membros.

    O site do David Lynch era (e é pago) o Pastilhas também chegou a ser pago. No entanto, como disse, não foi à custa disso que se fizeram exigências de vedeta.

    E o David Lynch, é vedeta e mundialmente famosa. Mas, como homem inteligente, ele próprio ainda diz que é apenas “ a regular guy from Montana”.

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  2. No entanto, se concluirem que por zazie eu sou anónima e quiserem outro nome, eu posso dá-lo.

    Restará dizer que, ao fazê-lo, duvido que quem me conhece à cerca de 5 anos no mundo virtual dos blogues, saiba quem seja.

    Suponho mesmo que aí é que terão que recorrer ao IP para obterem melhores provas de uma coisa simples- eu sou eu. E nunca me escondo, pelo facto de usar este nick. Nem mudo de nick. E sou tão responsável pelos meus actos como se assinasse com o nome, prenome, apelidos materno e paterno. Ou até com o acompanhamento do BI e nº de contribuinte.

    Em troca, garanto que aos outros nunca me passaria pela cabeça exigir mais do que isto- verdade e nunca se escapar à sua responsabilidade.

    Ou melhor, se me desse na cabeça de pedir mais detalhes identificativos acho que sim, fazia-o mas era pedindo o nº do cartão de crédito. Por menos não vale a pena.

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  3. Olá!

    Claro que não podemos saber se uma pessoa dá o seu nome verdadeiro ou não. Mas gostaríamos que o fizessem. É só isso.

    Há maior transparência se as pessoas disserem realmente quem são. Mas do facto de não podermos controlar se as pessoas estão a dar o seu nome verdadeiro ou um inventado não se segue que não possamos pedir isso. Depois, é com a consciência de cada um. Podem mentir ou dizer a verdade. E podem continuar a usar pseudónimos. Apenas gostaríamos que não o fizessem.

    Porquê? Porque o anonimato ou os pseudónimos têm um efeito terrível na Internet que é o de favorecer a falta de civilidade.

    Fez uma analogia com o café. Pois, mas num café quando a apresentam a um amigo não lhe dizem "olha, aqui está o XEerFt". Não; dizem-lhe: "este é o João". Podem estar a mentir, e o João pode estar também a mentir e chamar-se Desidério, que é um nome tão bonito, e não temos maneira de lhe ir ver o bilhete de identidade para saber se está a mentir. Mas nem por isso passamos a usar pseudónimos no café.

    Quanto a saber há quantos anos andamos nisto, é irrelevante, mas posso dizer-lhe que sou director de uma revista online que já existia muito antes de haver blogs e animei fóruns de discussão muito antes de haver comentários em blogs.

    O nosso objectivo aqui é dar uma contribuição diferente para a "blogosfera" portuguesa. Um espaço diferente dos outros, com maior articulação de ideias, baseadas na reflexão e estudo e não apenas na mera opinião à balda, e ainda menos no insulto. Favorecemos a diversidade e a polémica, mas civilizada e baseada na boa-fé e no estudo sério. É uma proposta diferente, de facto, no que respeita à "blogosfera" nacional. A ideia é mesmo essa!

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  4. Caro Desidério,

    aqui fica o meu voto de solidariedade. Percebo completamente as intenções das pessoas que escrevem neste blogue ao fazerem o pedido que consta neste postal. Acho este blogue uma excelente iniciativa, que merece ser acarinhada e respeitada, pelo que de novo e interessante traz à blogosfera nacional.

    E, como estamos num meio totalmente livre, quem se sentir insatisfeito com o pedido feito neste postal pode sempre fazer o uso supremo dessa mesma liberdade e deixar de frequentar este blogue. Eu, logicamente, não me incluo neste grupo.

    Um abraço
    Miguel

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  5. Quando se importam métodos e seguidores fanáticos doutros locais, é nisto que dá. Eu não sei quem é a Zazie, mas "conheço-a" há 4 anos, do blogue "Os Marretas", onde éramos visitas muitas vezes ao dia, com a "laura" (que sei quem é), a "aurora" (que também sei quem é) e tantos outros. Quanto a mim, tenho o meu espaço e o perfil diz quem eu sou. Além disso, o Desidério conhece-me, sabe que assino com o meu diminutivo de criança, bem como a razão por que o faço. Se não puder comentar assim, paciência. Nunca insultei ninguém e disso a Palmira também pode ser testemunha. Nasci pobre e pobre hei-de morrer, mas mal educado acho que não.

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  6. A questão é outra. A internet é um meio livre e um blogue é um meio à borla por onde passa quem quer.

    Ao contrário do que está a dizer, este espaço não é privado. Ou seja, nem v.s o pagam- usufruem de uma regalia dada pelo blogger, como não oferecem protecção a ninguém que o frequente.

    Se eu estou em minha casa, quem eu recebo está sob a minha responsabilidade, pelo simples facto que também sou responsável por todos os presentes.
    Se há um roubo numa casa privada, o dono da casa também é responsável pelo facto.

    Um blogue não é nem uma casa privada nem um jornal. No que toca aos seus colaboradores e a quem passa.

    O facto de se estar a exigir mais que o recato que a qualquer pesso é dado, baseia-se apenas num outra questão.

    V.s vieram com um "estatuto" de personalidades públicas e acham que os outros, ou não têm estatuto idêntico ou podem ter más intenções para convosco.

    O erro é apenas este. Porque, querer saber o nome de alguém sem ser para lhe pedir responsabilidade dos seus actos, sempre teve outro nome: coscuvilhice, "hábito de porteira".

    Este é aliás um tema longamente debatido na blogosfera. Porque a liberdade do meio já foi várias vezes ameaçada. E este é o espaço por excelência de liberdade. Para tudo. È até no presente caso de Portugal o espaço por passa a liberdade de informação que não existe nos media.

    Existem muito mais personagens públicas na blogosfera. Umas escolhem o formato de não comentários e depois podem optar até pelo estilo Abrupto. Seria uma alternativa: O de rerum natura feito pelas criaturas".

    Pensem nisso. Porque, quem por cá anda, sabe que mesmo não é preciso muito para se ter a vida privada devassada, mesmo usando nick.

    Eu tenho leitores que me conhecem ao vivo e que nem me contam quem são. Deixei de me preocupar com o assunto. Até posso cruzar-me com eles nos corredores do trabalho.

    Não gosto de coscuvilhices, prefiro mistérios.

    Mas garanto-lhe que, mesmo com este recato e idêntica distância em relação ao meio, já tive "chatices" . E não vieram de "zés ninguém". Uma delas até veio de "personagem relativamente pública". Há sempre que goste de tricas e não perca a oportunidade para isso.

    Conheço até casos da vida profissional ser devassada e prejudicada. Houve um outro que, à custa de um debate, teve uma denúncia a um professor seu na Católica. Apenas por o ter citado e o opositor se sentir derrotado intelectualmente. E repito, isto não foi feito entre "ferrabotas".

    Por isso, pela minha parte não há-de ser em nome da "natureza, nem do Lucrécio ou do Einstein que largo o nick.

    É que, nem todos conseguem ser anónimos.

    Por outro lado, se v.s querem fazer experiências ou testar comportamentos com cobaias, nesse caso, quem quiser que se ofereça como tal.

    Eu deixo que o meu médico me toque, mas é só quando preciso que me resolva algum problema. Fora isso, ele é um ser humano na mais perfeita igualdade hierárquica.

    Para terminar. No cocanha está o meu mail, posso repeti-lo aqui: zazienometro@yahoo.com. Esteja à vontade, também não me incomodam as meras curiosidades, ainda que, como disse, pela minha parte prefira mistérios. Enganos ao vivo, todos, no mundo virtual, nenhuns - é esta a minha regra. Quando estão em causa trocas de ideias, para mim, não existe nada de pessoal por trás e esta é a única regra inviolável que imponho. Só debato ideias, não admito intromissões pessoais.

    ............

    Só para terminar. Eu acredito que o texto escrito e assinado por Desidério Murcho pertença ao Desidério Murcho.

    Se estivesse a usar um computador público até podia ter ficado o registo do login e alguém escrever o mesmo texto sem ser o Desidério Murcho.

    Foi isto que quis fazer entender.

    O blogger oferece várias formas de comentários. V.s escolheram uma em que é permitido o comentário de registados no blogger, de outros e até de anónimos.

    Se facultam estas opções não há a menor lógica de depois exigirem menos.

    Se querem menos, não facultem tanto.

    É precisamente a mesma coisa que um logista ter a porta aberta do estabelecimento, alguém entrar e depois ele dizer-lhe que o não devia ter feito porque o estabelecimento estava fechado

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  7. pessoa e outras gralhas. Foi escrito à pressa e não quis apagar para não obrigar a perderem mais tempo com a publicação dos "comments".

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  8. «Fez uma analogia com o café. Pois, mas num café quando a apresentam a um amigo não lhe dizem "olha, aqui está o XEerFt". Não; dizem-lhe: "este é o João"».

    O meu exemplo demonstrou precisamento isto- para alguém se identificar tem de ser apresentado.

    Eu não fui apresentada, não pedi apresentação de ninguém e não sou amiga de nenhum dos presentes nem dos milhares "transueuntes" que por aqui passem.

    Suponho que, nesse caso, a melhor opção é aquela que o blogue também faculta.

    Diz lá, «comentários apenas para "time members"».

    Traduzindo em estilo adequado à problemática teórica aqui levantada, daria algo como-
    "comentários para os 5 e o cão".

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  9. cá por mim, desde que as pessoas se respeitem, o anonimato não é mal nenhum.
    quando as pessoas nem se dão ao trabalho de escolher um pseudónimo (resultando em inúmeros anónimos indistinguíveis), isso sim, é rude.

    de resto, as ideias não valem só pelo o orador que as profere. o anonimato tem também a vantagem de proteger as pessoas de considerações preconceituosas completamente irrelevantes quando se argumenta. a blogosfera é uma selva, espero que não levem demasiado a sério essa exigência da identidade (e eu nem sequer estou anónimo) pois há boas razões para as pessoas se protegerem.

    hoje por exemplo dei conta de um caso extremo de uma blogger ameaçada de morte e violação por anónimos com insistência suficiente para a deixar aterrorizada em casa. podem ler aqui: http://headrush.typepad.com/creating_passionate_users/2007/03/as_i_type_this_.html
    sei que é um caso extremo mas a canalhice abunda no meio virtual.

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  10. Caros leitores:

    Tudo o que dissémos foi: "gostaríamos que os comentários não fossem anónimos nem se usassem pseudónimos". Claro que poderíamos impedir completamente os comentários, ou permitir apenas a quem tem perfil no Google (já o fizémos temporariamente), ou moderar todos os comentários. Não fazemos nada disso. Apenas pedimos que as pessoas se identifiquem, pelas razões expostas; não o exigimos.

    Mas exigimos civilidade, relevância e seriedade. Os comentários ofensivos, sem articulação de ideias ou irrelevantes (meras "bocas") poderão ser apagados. E se a quantidade de comentários deste género for superior à dos comentários articulados, passarão a ser moderados ou deixarão de existir, como acontece noutros blogs -- e precisamente pelas mesmas razões. Queremos um espaço onde seja informativo e intelectualmente estimulante ler comentários, e não um espaço onde seja pura perda de tempo ler insultos (e "bocas" desarticuladas) que ainda por cima já foram feitos noutros blogs.

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  11. Eu, proponho que o de rerum natura estude a zazie, ela merece estudo e faz por isso.

    Onde há figuras públicas aparece logo a comentar e polui as caixas de comentários até à exaustão.

    Uma boa solução é não alimentar. Deixá-la voltar ao convívio "gratuito" e livre com David Lynch e com o Miguel Esteves Cardoso.

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  12. Viva,
    Uma das diferenças fundamentais entre uma conversa no café, como foi aqui exemplo, e um blog, é que, na conversa de café, pessoas razoáveis respeitam ritmos da conversa e, nos blogs, pessoas razoáveis acham que podem impor as regras que querem. De resto, dizermos publicamente quem somos, é somente um sinal de respeito para com os outros, seja no café ou na internet e se eu não encontro razão para assinar o meu nome verdadeiro na internet, que razões tenho para o fazer na minha vida real? Precisamente por a internet nos possibilitar esta liberdade é que deveríamos usá-la responsavelmente. Não faz sentido estar, sequer , a perder mais tempo com esta questão. Uma das possibilidades morais do ciberespaço é que, nele, as pessoas são mais livres. Se souberem ser livres. O rerum natura é um blog que expressa posições muito invulgares neste país pobre de pensamento. e era bom que começassemos a aproveitar. De resto, eu sou autor de um blog e, no meu blog, os comentários são moderados. É que alguns, não interessam para nada nem para a discussão. Deito-os ao lixo.
    Abraço
    Rolando Almeida

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  13. A verdade é que o anonimato desresponsabiliza. Há certos comentários (insultos violentos, ameaças de agressão física, etc), que nunca seriam feitos se as pessoas os tivessem que assinar com o nome real.

    Assinar com o nome não é tirar liberdade, é responsabilizar.

    Devassas sobre a vida privada das pessoas, já as vi muitas vezes. Sempre feitas por anónimos.

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  14. Caro Rolando

    Tocas num aspecto importante: do facto de podermos na Internet fazer coisas como assinar com um nome falso ou com um nome de outra pessoa ou sem nome algum não se segue que o devamos fazer. Isto devia ser óbvio.

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  15. Desidério,

    Antes de mais acho que faz muito bem em recordar-nos do vínculo à verticalidade, e só lamento não ter reparado há mais tempo no seu apelo, pois também eu lhe faço um. Dando-se o caso de apagar este comentário, que tenha a bondade de me explicar exactamente por que motivo o apagou. Serei assim, com base no respeito que também trago em boa conta, um pouco mais extenso.

    A questão que levanta sobre a identidade dos comentadores, se bem entendo, decorre apenas de um desejo dos autores do blogue e não de um qualquer imperativo ou norma do trânsito de opinião, sendo que isso constitui uma adaptação constritora da "utilização" deste espaço. No meu caso, devo informá-lo de que uso um "nick" por me parecer, em consciência e por opção, a ferramenta de identificação mais consentânea com os blogues e vou continuar a não me preocupar com isso. E porquê:

    - o público com nome ou sem nome é sempre desconhecido ao contrário da circunscrição "turma" que alguns bloggers, por deformação profissional, tendem a generalizar;
    - o valor de uma afirmação é independente do seu autor, com excepção para as subtilezas que a amizade, antipatia, submissão ou arrogância façam surgir do nada (bem sei: abre-se aqui a questão "autoridade da afirmação" do sujeito credenciado, mas essa cabe-vos a vós demonstrá-la, não aos comentadores);
    - a omissão da identidade ajuda o comentador a não pretender promoção /afirmação com recurso a diversas mecânicas da vaidade e intransigência, sobejamente conhecidos em formato analógico, o que a meu ver jogaria também a vosso favor;
    - a blogosfera alimenta-se da liberdade na sua extensão possível, com ou sem "nicks", pelo que a possibilidade de um autor ler comentários desagradáveis resulta naturalmente das leis da probabilidade, e apenas por ingenuidade (comovente) poderá alguma vez ver-se surpreendido por lesa-majestade;
    - assiste aos autores a possibilidade de difusão unívoca fechando a caixa de comentários, ou, ainda mais seguro, optar pelos formatos editoriais ortodoxos auto-legitimados pelo critério inerente à qualidade da publicação;
    - podem bloquear o IP de um agitador específico, ainda que essa medida arraste consigo a mediocridade de não se ter conseguido um formato de solução mais eloquente;

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  16. Como possivelmente terá reparado, para além de usar um "nick" vejo-me muitas vezes na circunstância de desabafar ao silêncio esfíngico da Palmira. Ora isto não sucede de forma alguma na fluência do anonimato. É que a Palmira conhece o Bruce Lóse tão bem como o Bruce Lóse conhece a Palmira, e em tudo somos semelhantes a não ser que a Palmira é que me hostiliza alguns comentários (isto vem de longe) por motivos que em nada se assemelham com a impertinência. Procuro assim responder, dentro dos meus recursos, com sentido de humor e alguma provocação (ora ora) à dimensão mais grave que o desgoverno censório poderia eventualmente constituir, caso algum de nós se levasse mais a sério do que o previsto na Biologia, ou caso os blogues fruíssem de algum valor mineral que alguém fará o favor de me explicar.

    Acrescentar apenas que alguns dos seus colaboradores escrevem com asco subversivo e incontido ao Pentateuco (que eu por acaso partilho), veja-se a adjectivação da Palmira nestas matérias, e talvez seja isso, justamente, que abre a porta ao tal patamar de conversação que o Desidério vem agora repudiar.

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  17. Concordo com a necessidade de utilizar identidades reais para uma discussão se manter séria, mas não sou insensível ao que diz a zazie. O uso de pseudónimos virtuais será realmente um forma de anonimato? Não tanto. Apenas no sentido em que não dá o verdadeiro nome. Ainda assim, para quem, como a zazie, usa o pseudónimo de forma consistente, este tornar-se-à a sua personna virtual e, como tal, tão real neste espaço da blogosfera como o seu nome verdadeiro no mundo físico.

    Aliás, o uso destes pseudónimos é até bastante prático, na medida que permite a diferenciação entre pessoas com nomes semelhantes. Imaginemos um caso quase cliché: dois comentadores chamados José Manuel Silva que pretendem comentar como tal. O uso de um pseudónimo será portanto útil para a diferenciação (e responsabilização, como já foi correctamente apontado) dos bloggers. Aliás, no caso de bloggers registados no blogger.com, a identificação extra pode, na maioria dos casos, tornar-se simples. Eu assino com as minhas iniciais (jsa), mas basta um clique no nome para verificar o restante da minha informação pública (nome verdadeiro: João (Sousa) André, já agora).

    Ainda assim, a palavra fundamental é "gostaríamos", o que identifica o carácter facultativo do pedido. Tenho a certeza que os autores saberão dar o passo seguinte se este pedido não for suficiente.

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  18. O meu comentário dirige-se somente ao título «De Rerum Comentaria». Uma vez que a preposição latina «de» rege ablativo (cf. «de rerum natura»,não sei onde foram buscar «comentaria»! Veja-se, por exemplo, o título da obra de César «Commentarii de Bello Gallico». De facto, a palavra latina pode ser do género neutro ou do género masculino, mas o ablativo singular seria sempre «commentario» e o do plural «commentariis». Desculpai-me o comentário, mas ... a César o que é de César, tanto mais que é latim...

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  19. Pois se até o Fernando Pessoa usou vários "nicks"... correspondentes a várias personalidades... Não vejo mal nenhum nisso. Essas personalidades eram consistentes e coerentes. Não foram usadas para fazer tropelias, somente para exprimir diversas maneiras de ser, que podem coexistir num mesmo indivíduo. As pessoas têm muitas facetas.
    Eu tenho aqui comentado sob um nick que corresponde a um blog onde está patente a minha personalidade. Tenho como ponto de honra respeitar os blogs dos outros e se vejo os comentários enveredarem pelo caminho do insulto ou agressão verbal, afasto-me.
    É muito mais informativo o uso do meu nick que o do meu nome próprio.
    O problema que aqui se pretende resolver é o de evitar comentários descabidos, agressivos e irrelevantes. Concordo completamente que são de evitar. Mas não estou a ver como é que o facto duma pessoa assinar "Maria", "José", "anónimo" ou "gato pardo" vai evitar esse tipo de comentários indesejáveis. Eu percebo o problema, mas não acho que a solução apontada o resolva. O apelo feito poderá chamar ao bom senso algumas pessoas, só isso.

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  20. Obrigado pela correcção, professora. Na verdade, o título da entrada pretendia ser apenas uma brincadeira com o latim e não latim mesmo. Mas vamos emendar!

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  21. http://cocanha.blogspot.com/2007/03/como-que-algum-que-d-pelo-nome-de.html#comments

    Eu bem digo que ela merece estudo cientifico.

    Rui Minas

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  22. Estranha esta tendência humana, para a falta de coerencia...
    Quando se pretende falar da natureza das coisas, e se falha na compreensão mais básica da natureza da coisa que é o meio de comunicação.
    A natureza de um blog é a divulgação pública, mas, com a coerencia de um tema. A natureza do comentário é a troca de impressões... Num blog, presume-se que o comentário se cinge ao tema do blog, ou dos respectivos posts.
    Na troca de ideias, quando não é compreendida a mensagem, pode-se pedir clarificação, o que já vi feito noutros comentários, a censura ainda não a vi. O que já vi foi insinuações e comentários pessoais que efectivamente estão desalinhados do propósito de qualquer blog desta natureza.
    Só o desconhecimento do meio em questão permite admintir a hipótese da identificação nominal ser mais rigorosa que a identificação associada a determinados nicks (muitas vezes forçados pela impossibilidade de existirem dois nomes iguais no mesmo dominio).
    Só uma completa falta de respeito pelas pessoas permite que alguém teça comentários como os que já li neste e noutros posts deste blog, de onde compreendo a posição dos colaboradores deste blog em relação a este post. Mas, mais que enveredar pela censura pura e simples, talvez o pedido de clarificação prévio evite passar mensagens erradas. E procuremos esclarecer quem comenta, por muito errado que o comentário possa ser. Pode dar-se o caso de a mensagem não ser tão claramente transmitida quanto se julgava estar a acontecer.
    Não me parece que a censura de ideias torne mais valiosa qualquer discussão. Isso seria a atitude de "filósofos dogmáticos", com tudo o que de aberrante possa estar implicito nesta definição.

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  23. O que é que interessa ser ou não ser anónimo?
    Interessa sim, é se são ou não civilizados.
    Como é que você tem a certeza de que eu me chamo Luís Bonifácio!
    Como é que eutenho a certeza que os nomes dos autores são os reais, tal como Desedério Murcho?

    Na realidade isso não interessa.

    Não conheço a Zazie, mas se a conhcesse continuava a chamar "Zazie", tal como chamo ao "José Sarney", José Sarney, apesar de já o conhecer pessoalmente.

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  24. Numa caixa de comentários, o que realmente interessa é a qualidade do diálogo (mesmo se ele comportar ironia e até alguma fogosidade). A identidade real da pessoa é irrelevante quando o diálogo é estimulante.

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  25. Está bem que o blog é para quem quiser ler, poder ler. Não acho que pelo facto de não se pagar para aceder tudo seja permitido, até porque os posts são sempre muito bons. Ainda por cima as pessoas que os escrevem perdem tempo para explicar um série de assuntos nestas caixas de comentários, além de que as explicações dadas são produto de muito estudo e muito trabalho!

    Por favor continuem!

    Obrigado e um abraço,

    José Manuel Oliveira.

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  26. Eu estou de acordo com o apelo e com as recomendações de moderação dos autores do Rerum.
    Pela minha parte posso revelar facilmente a minha identidade. Assino os meus comentários com o nome reduzido de Jorge Oliveira, mas os leitores mais frequentes do Diário Económico possivelmente já leram artigos meus, na coluna do "Forum para a Competitividade", com a assinatura Jorge Pacheco de Oliveira, acompanhados da minha foto. Ainda hoje saiu um artigo com o título "O jogo do bolso".
    Jorge Oliveira

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  27. Concordo em absoluto com a proposta (uma proposta não é um meio de coacção: pode ser ou não aceite!) aqui deixada que tornaria os comentários uma relação dialogal cara-a-cara. Assim como a moral não se encontra codificada em leis a cumprir com sanções para o seu não cumprimento, os comentários só poderão ser sancionados através de uma filtragem prévia à sua publicação, o que teria o inconveniente de uma censura prévia de triste memória!Costuma dizer-se, quem não deve não teme! Fica aqui a promessa de, tal como tenho feito até aqui, continuar a subscrever os meus comentários com o meu nome: Rui Baptista.

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  28. Parabéns pelo conteúdo do blogue.
    O pedido sobre os comentários (qualidade, autoria, etc...) é justificado.
    A minha impressão sobre os 26 que precedem este: como de costume, muito vento e pouco movimento.

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  29. De tudo o que li nesta caixa de comentários especialmente dessa personagem 'zazie' só posso chegar a uma conclusão: há para aí muita personalidade virtual que parece não ter mais que fazer na vida, e depois ainda se queixam das elevadas taxas de desemprego. Batatas!

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  30. Caro jrc: Já é ser mauzinho! Obrigar-me a contar os 26 comentários que precedem o seu (para verificar se o meu está incluído)é uma tarefa qase ciclópica. Fi-la e fiquei na dúvida, pois a antecederem o seu comentário existem 28 e o meu é o 27.º Agora a sério, estou completamente de acordo consigo: parabenizo o blogue e subscrevo "o pedido sobre os comentários (qualidade, autoria, etc...) é justificado". Quanto à autoria do comentário, cumpro a promessa feita no 27.º comentário da minha autoria. Quanto à qualidade concedo que eu possa estar a procurar lenha para me qeimar! Só faço este comentário na certeza de que me não vai levar a mal: a vida levada demasiado a sério é uma chatice!
    Cordiais cumprimentos
    Rui Baptista

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  31. Eliminem os comentários idiotas ou ofensivos e esqueçam o resto. Não importa se é a Jaculina ou um anónimo que os faz. Cada um identifica-se como quer.

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  32. Eu sinceramente acho que a identidade de cada um é relevante para aquilo que se diz. Podia citar-vos bibliografia recente, mas terei de contactar os autores para discutir isto um pouco com eles, porque eu própria tenho dúvidas sobre se aquilo que eles afirmam (e a que aderi de bom grado) se aplica de facto ao mundo que vivemos AGORA...
    Não que possamos ou sequer devamos ser totalmente transparentes! Não dá. Mesmo com o nosso nome usamos inúmeras vezes disfarces.
    Aqui não vos falo de inúmeros assuntos, e isso identifica-me também. Nem o tempo me chega para tal nem vos conheço o suficiente para o poder fazer.
    Em tempos, usei um pseudónimo. Ou quase... Cheguei a inventar uma personagem com quem entrava em diálogos fictícios, numa fase da internet anterior aos blogs. Nada disso me satisfez! Essa personagem ficou algures pendurada numa prateleira da anti-matéria. Um dia talvez a reencontre, quem sabe.
    Mas não há tempo nem pachorra para tanto blogue, ou para tanto nick, ou para tanta password.
    É preferível procurar apenas o que vale a pena. E para valer mesmo a pena necessita de vir assinado.
    Não por se tratar de alguém VIP. Que me interessa o estatuto dos meus interlocutores para argumentar com alguém, num blogue? Mas o nome, ao menos o nome, é importante, para nos orientarmos...
    Digamos que, com esta reivindicação, me sinto um pouco «estrangeira» na net. Ou melhor: nunca me adaptei verdadeiramente a ela.
    Tomem-na portanto como uma reivindicação um pouco ao jeito dos cafés de antigamente, do face-to-face tão agradável de antanho, que se está a perder.
    Lembra cidades sem tantos carros, esplanadas amplas, um intervalo nas ceifas de outros tempos, um naco de pão-com-queijo dos antigos.
    Andem, estiquem essa coluna, que já vos deve doer de se encarquilharem tanto em frente ao écran. Já pensaram no tempo que demora a bater uma frase no teclado e a deixá-la esvoaçar por aí?
    Um dia, um dia mesmo, escrevo-vos sobre um invento em que ando cá a magicar. Um invento fabuloso, e nem sequer sou de Ciências!
    Mas são vocês, com os vossos excelentes posts, que me põem a arquitectar inventos. É para isso que serve este blog, não é? Adelaide Chichorro Ferreira

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  33. Apaguem. Se me apagarem a mim, não me importo.
    É tanta censura como numa sala de aula: um bocadinho de disciplina nunca fez mal a ninguém. E se apagarem demais, a gente dá conta. Exemplo: se começarem a ser visíveis só louvores e elegias.

    Porque é absolutamente utópico pedir às pessoas o obséquio de se identificarem. Há 300 razões para o não fazerem (a principal sendo talvez que essa opção está activa). E algumas delas são até muito louváveis, como já alguém disse antes (ou mesmo trivialmente respeitáveis, como "não me apetece").
    Na verdade, parece-me que a bola está no vosso campo, não no dos comentadores (que têm podido escolher, e têm escolhido, identificarem-se, usarem niks ou permanecerem anónimos). Se estas opções permanecerem abertas, não cabe ao Rerum Natura decidir por cada qual. Muito embora se compreenda o sentido do apelo (que, ou eu me engano muito, ou tem boas hipóteses de se tornar cíclico).

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  34. Acho este debate muito construtivo. Os meus parabéns aos autores do blog por lançarem mais este tema à discussão.

    Mireille Mathieu
    Coordenadora serviço-cliente

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  35. Há mais pessoas a conhecer-me pelo meu nick do que pelo meu nome.

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  36. Quanta agitação provocada por um pedido cortês e legítimo.
    Quem não deve não teme.
    Apesar de não me parecer que os comentadores, pelo que tenho lido, sejam inconvenientes, também considero que o anonimato é 'cobarde'.

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  37. Tudo muito bem, excepto a última frase. Não faz, quanto a mim, o menor sentido.

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  38. Caros,
    parte dos comentários deste post dizem respeito à data em que ele foi colocado. Agora foi repetido e arrastou todos os comentários. Com efeito, insisto na ideia que expus na altura: na realidade "física" ou na realidade virtual, podemo-nos identificar como bem entendermos. Não vejo diferença substancial. Senão perguntem ao "El Solitário". Só que esse cometia crimes e teve de ser descoberto. Caso contrário, se o fizesse somente para se divertir, poderia passar a vida a fazê-lo sem nunca ser notado. Pessoalmente passei rapidamente da fase do preconceito do mundo virtual. Não faço grandes distinções. Uso a internet para vários fins, um dos principais, informar-me e trabalhar. Sempre mantive interesse em assinar as minhas comunicações. Já vim a conhecer pessoalmente muitas pessoas que conheci via internet, ou porque existiu interesse de trabalho ou outro tipo de afinidades. Quem traça um determinado percurso na net, já me conhece, sabe do meu perfil, etc... claro que estamos expostos a vários ataques, de vária ordem. Mas são ataques que também podemos sofrer na vida física, fora da internet. Creio que muitos usuários da internet ainda olham para a rede como um local onde se vai passeando quando não se tem mais nada para fazer. Mas isso é como andar na rua. Uns andam simplesmente a passear enquanto outros andam a trabalhar ou a fazer outras coisas. Como uso a internet basicamente para trabalhar, tenho por hábito assinar tudo com o meu nome verdadeiro. Compreendo que se viesse para a internet brincar não o fizesse. Só não compreendo que viesse brincar para sítios como o Rerum Natura. Virtual ou físico seria eticamente algo como entrar para uma sala de aula ou uma conferência e começasse a mandar piadolas engraçadas armado em parvo. Não faço isso na vida física porque haveria de o fazer na internet? Mas, por regra, o curioso é que quem o faz na internet, nunca o faz na vida física. Já conheci muitos casos assim. Mas esse comportamento denuncia um enorme complexo no que respeita a relações humanas, um comportamento infantilizado e, como se tem dito aqui, cobardolas.
    Obrigado
    Rolando Almeida
    Funchal

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  39. Concordo com a posição dos gestores deste blogue quando afirmam a intenção de apagar os comentários irrelevantes ou insultuosos. Tal como o Desidário refere isso afasta leitores interessados. Deixei de participar e até de ler os comentários porque alguns não tinham qualquer interesse intelectual.

    Quanto ao anonimato, creio que há algumas objecções pertinentes. Não creio que seja muito relevante se o nome corresponde, ou não, à pessoa, embora considere que há uma certa desigualdade, pois os autores do blogue dão a "cara" e os seus interlocutores permanecem ocultos. Mas irão permanecer sempre, já que eu posso dizer que sou qualquer pessoa.
    Quero ainda acrescentar que este é o primeiro blogue no qual participo com alguma regularidade, exactamente porque noutros os comentários descambam rapidamente para o insulto pessoal. Por isso, o anonimato, o uso de niks e assim por diante, é também uma forma de protecção pessoal.
    Maria Rodrigues

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  40. Deixem-se de tretas...e de falsos moralismos....a Zazie tem toda a razão.......

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  41. Coisa realmente estranha! Como
    é possível estar-se aqui a discutir o pedido dos autores do blogue? Falar de censura e outras coisas do género a propósito de um simples e, quanto a mim, justificado pedido é simplesmente delirante. Parece-me até que considerações como as de Zazie (embora não tivesse tido paciência para ler tudo) são mais hostis à liberdade das pessoas do que o pedido dos autores do blogue. Porquê? Ora, porque parecem ser motivadas pelo desejo de impedir os autores do blogue de pedir o que muito bem entenderem. Se a Zazie não quiser aceder ao pedido, não acede. Ponto final, parágrafo. É assim tão difícil de entender isto? O resto é, com o devido respeito, conversa afectada e vazia.
    Nuno Rebelo

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  42. Só agora segui o link para este post...
    Parece um daqueles estilos de argumentação dissecados algures num post deste blog...
    ts ts ts

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  43. Não tenho estado tão activo na leitura do DRN como antes, por isso não sei o que motivou o ressurgimento deste post de Março. Seja como for, não mudo uma vírguka ao que escrevi antes:

    «Concordo com a necessidade de utilizar identidades reais para uma discussão se manter séria, mas não sou insensível ao que diz a zazie. O uso de pseudónimos virtuais será realmente um forma de anonimato? Não tanto. Apenas no sentido em que não dá o verdadeiro nome. Ainda assim, para quem, como a zazie, usa o pseudónimo de forma consistente, este tornar-se-à a sua personna virtual e, como tal, tão real neste espaço da blogosfera como o seu nome verdadeiro no mundo físico.

    Aliás, o uso destes pseudónimos é até bastante prático, na medida que permite a diferenciação entre pessoas com nomes semelhantes. Imaginemos um caso quase cliché: dois comentadores chamados José Manuel Silva que pretendem comentar como tal. O uso de um pseudónimo será portanto útil para a diferenciação (e responsabilização, como já foi correctamente apontado) dos bloggers. Aliás, no caso de bloggers registados no blogger.com, a identificação extra pode, na maioria dos casos, tornar-se simples. Eu assino com as minhas iniciais (jsa), mas basta um clique no nome para verificar o restante da minha informação pública (nome verdadeiro: João (Sousa) André, já agora).

    Ainda assim, a palavra fundamental é "gostaríamos", o que identifica o carácter facultativo do pedido. Tenho a certeza que os autores saberão dar o passo seguinte se este pedido não for suficiente.»

    (Re)Assinado:
    João Sousa André
    Holanda

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  44. compreendo que certos comentários sejam aborrecidos e compreendo que haja este "pedido" que, apesar de não ser cínica, todavia me parece ingénuo. ingénuo não porque não vá surtir efeito ou porque o seu autor tenha demasiada esperança na natureza humana. ingénuo, sim, por partir do princípio que esta advertência é uma boa maneira de lidar com a questão. há vários modos de lidar com esta situação - o blogger é bastante amável e dá-nos hipóteses de escolha. este "poderão ser apagados" sujeito a critérios mais ou menos privados levanta algumas questões das quais, se levarem a cabo o que neste post propõem, cedo se aperceberão.
    ingénuo porque, apesar deste blog ter a sua linha própria, se esqueceram de que a liberdade, com todas as suas consequências, é um direito e um dever de todos os que cá andam. este pedido é mais complexo do que uma tabuleta no jardim que pede "por favor não atire lixo para o chão".
    na qualidade de quem enfrentou um problema semelhante, posso palpitar que há maneiras mais sagazes e efectivas de resolver o problema. mais do que uma crítica, é uma sugestão.
    seja como for, que continue a haver coerência e humildade suficiente para se reverem as posições.
    cada casa é um caso e no meu espaço, por exemplo, a caixa de comentários estava ali a mais e substitui-se pelo e-mail sempre disponível.
    quanto a nicks /anónimos/"nome verdadeiro" acho que é uma escolha absolutamente pessoal. por esse mesmo motivo acho um pouco "tu-cá-tu-lá" fazer-se um pedido quanto a essa matéria. revelamos as nossas identidades a cada palavra que dizemos. podemos não gostar de assistir a uma certa cobardia ou timidez no anonimato mas -opinião de quem já experimentou esta estratégia - qual era a real diferença se estivesse assinado conforme o B.I.? o que faria nesse caso? era o comentário mais permissível? agiria contra o comentador? louvada liberdade e distância que estas lides permitem! garanto que fazem mais bem do que mal e com isto v.exas concordarão visto terem o estabelecimento aberto.
    se calhar estou a misturar vários assuntos ao mesmo tempo e a exigir demasiada paciência da parte de quem me lê, mas opinar é uma tentação. sublinho que estou no entanto totalmente solidária com o vosso incómodo. mas adianto que esse incómodo é um fenómeno que todos aprendemos a ultrapassar e que com a experiência se torna quase invisível. um post destes, fora o mérito de levantar problemas, afinal dá importância a uma coisa que quase não a tem. fossem todas as conversas de café como a vossa caixa de comentários. que como todos sabemos pode ser uma caixa de pandora. faz parte do jogo.
    aqui no vosso sítio, estou certa de que encontrarão o modo mais equilibrado de gerir estas coisas.
    fico à espera para ver.

    salto em cumprimento,
    pimpinela

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  45. Ao que me parece, a identificação, segundo o sr. Desisério Murcho, é a utilização de um nome que poderia ser real.
    Não percebo a diferença entre saber que estou a ler os comentários da zazie ou do sr. Desidério - até porque, este último nome, me soa ainda mais estranho que o primeiro (estou brincando!).
    Percebo que se queira retirar comentários impróprios - mas o que tem isso a ver com o nome com que se assina?


    Eu sei que é só uma sugestão sua - mas ainda não percebi o valor acrescentado de estar numa discussão só com nomes reais, em que uns são mais reais que outros!?
    Dir-me-á que isso fica com a consciência de cada um - pois bem, pelos menos, quando se assina com Nick ou anónimo, já uma boa parte dos "falsos" são identificados!

    Sem assinatura

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  46. Estou indeciso. Alguém poderá ajudar-me a escolher o meu nome de entre os vários que me ocorreram?

    Sebastião José
    Luis Serôdio
    Vasco Rodrigues
    Aníbal Silva
    Carlos Queiroz

    PS - Por favor não afugentem a Zazie. Achei delicioso aquele post erótico em que ela conta como se deixa «tocar» pelo médico...

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  47. Li estes comentários com muito interesse. Há muito que defendo que a questão do anonimato (ou melhor, pseudonimato) que é levantada na Web é, essencialmente, cultural a um primeiro nível; emocional no nível seguinte; e finalmente, pessoal.

    Os dois últimos níveis são difíceis de analisar sem um estudo mais profundo, mas o primeiro é mais fácil: basta comparar a tradição anglo-saxónica, onde, legalmente, qualquer pessoa pode adoptar o nome que quiser desde que não o faça com intenções ilegais e/ou criminosas (note-se que difamação é um crime punível por lei — "escondermo-nos" por trás de um nome para ofender outras pessoas não é legalmente admissível, já nem falando, obviamente, da questão puramente ética). Por outras palavras, nem sequer o Estado, nesses países com essa tradição liberal, pode impedir os seus cidadãos de usarem o nome que muito bem lhes apetecer. O nome não é propriedade do Estado, mas do cidadão.

    Contrastem essa posição com a portuguesa. Somos talvez o único país desenvolvido, ocidental, e democrático, onde diariamente mostramos o nosso BI em tudo o que é sítio: desde os locais mais óbvios, como a abertura de uma conta num banco ou à polícia quando nos apanham a conduzir depressa demais; mas até para entrarmos em edifícios de escritórios com o segurança à porta temos de mostrar o nosso BI... e não nos faz confusão. Estamos tão habituados que nos esquecemos que, em Portugal, o nome é praticamente propriedade do Estado e não "nosso". "Identidade" significa termos um BI e o podermos apresentar. Não podemos facilmente mudar de nome (excepto se nos casarmos ou divorciarmos, e mesmo assim, mudamos de apelido, não o nome próprio) — não é proibido fazê-lo, mas é um processo burocrático complexo, que, ainda por cima, nos pode ser negado. Mas estamos também habituados a isso; não passa pela cabeça de nenhum português ou portuguesa "mudar de nome porque lhe apetece".

    A noção de que a identidade está no nome, e que por sua vez esta é regulada e regulamentada pelo Estado, que é o fiel depositário da nossa integridade enquanto indivíduo, é uma questão profundamente interessante do ponto de vista filosófico-político-legal, mas, para nós portugueses, é um fait accompli. Se assinamos o nome que está no BI, somos cidadãos e cidadãs cumpridores da Lei — logo, honestos e dignos de confiança (quando, obviamente, não nos lembramos que as pessoas desonestas e criminosas também têm BIs...). Essa associação, na nossa mente, é instantânea porque estamos condicionados desde que entramos para o liceu e temos de ir ao Arquivo de Identificação deixar lá as nossas impressões digitais — com nove ou dez anos, é esse o momento em que forjamos esse laço indelével entre o nosso nome e o Estado, e isso fica gravado nas nossas memórias e vai condicionar a forma como lidamos com "identidade".

    Por isso olhamos para a TV e vemos o furor com que Britânicos e Americanos combatem ferozmente a iniciativa dos respectivos Governos que procuram introdução um cartão de identidade. Sorrimos, mas não compreendemos. A nossa cultura "lavou-nos o cérebro" de tal forma que a noção de um cidadão reclamar o direito a ter a identidade que quiser — sem ser obrigado pelo Estado — é uma coisa para nós alienígena e estranha. Está fora da nossa experiência. A reacção que temos é "mas qual é o mal em ser identificado?" Em que medida é que a identificação "condiciona" a liberdade individual?

    Como disse, essas respostas são bem diferentes para os portugueses e para os anglo-saxónicos. Por isso é que temos 4, 5, 6 e mais nomes — na tradição árabe em que o número de nomes apontava para uma descendência de muitas famílias ilustres, e o nome era uma primeira forma de valorizar a nossa personalidade enquanto indivíduo honrado. Isso faz "parte de nós" e não se consegue mudar de um dia para o outro. Em contraste, os anglo-saxónicos vivem numa cultura de respeito e reconhecimento baseado no que as pessoas fazem, não no que elas são. É completamente diferente.

    Não quero com isto dizer que eles sejam "melhores" do que nós, pelo contrário. Sinto-me pessoalmente muito atraída pela noção do indivíduo ser definido pelos actos e palavras, e não pelos documentos que apresenta (não só o BI, mas o diploma do curso que tirou, os certificados que tem colados na parede, o cartão de sócio, etc...), e que é o indivíduo que se auto-nomeia, e não o Estado que impõe o seu nome e o fixa "para sempre" num cartão amarelo — mas eu assumo-me culpada de lirismo. Nas sociedades antigas, o "rito de passagem" era quase sempre o momento em que o indivíduo adoptava o seu próprio nome, abandonando o nome que os seus pais (provisoriamente) lhe tinham dado. Era quando assumíamos o nosso próprio nome que passávamos a ser adultos. Há até uma explicação mágica para isso — conhecer o verdadeiro nome dá-nos poder sobre o objecto o pessoa nomeado, nas tradições herméticas, místicas, e esotéricas (por isso o Harry Potter, na série de livros da J. K. ROwling, tratar Aquele-Que-Não-Pode-Ser-Nomeado sempre por Voldemort: ao chamá-lo pelo seu próprio nome, mostra que tem poder sobre ele).

    E não vou mais por aí, que a minha filosofia é barata, e o comentário já vai longo. Por ser algo que francamente se fala muito pouco em Portugal, e é bem-vinda esta discussão, deixo-vos dois artigos relevantes para o assunto, mas tenham em consideração que são escritos por uma cultura que considera o nome uma propriedade sagrada associada à liberdade individual, que não é a nossa cultura. O primeiro é um texto antigo do século passado, quando a Internet começava a entrar na "bolha":

    Text is Self: The Merger of Property and Identity, que explica a diferença entre anonimato e pseudonimato num contexto pós-moderno de autoria online, como é o caso dos blogs e dos forums.

    O outro texto é de uma amiga minha inglesa, que, confesso, tem "pancada" e fará muitos de vós sorrirem com o que ela escreve, mas que tem uma lucidez na abordagem à identidade pessoal. Não quero de forma alguma "impingir" a filosofia transhumanista e extropiana, até porque a acho demasiado arrevezada para a considerar seriamente, mas isso não significa que não hajam algumas pérolas de sabedoria em The Post-Human Perspective of Self (existe também uma parte 2 deste ensaio) e que por isso tenha resolvido publicá-lo no meu próprio blog.

    Divirtam-se, pois o assunto da identidade nestes novos espaços virtuais é deveras interessante. E nós, portugueses, de tão habituados que estamos a considerar "identidade" aquilo que o BI nos diz que somos, raramente discutimos estes assuntos tão profundamente, porque, para nós, são assuntos que não merecem ser tratados.

    Zazie, mantém o teu nome por favor. Como disseste e muito bem, citando-te: Restará dizer que, ao fazê-lo [usando o nome que está no BI], duvido que quem me conhece à cerca de 5 anos no mundo virtual dos blogues, saiba quem seja.

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  48. Ou seja: o objectivo do Desidério não é debater ideias, mas afirmar as suas «ideias» e «conhecer pessoas», que ele assume como sendo «o seu público». É claro que isso revela desconhecimento ou desadaptação do meio em que se instalou, e que torna patente uma inevitável deriva pidesca.
    De facto, as ideias não têm rosto, nem número de contribuinte, nem IP, e é assim que elas devem ser debatidas- coisa que um «filósofo» deveria, de resto, ser o primeiro a entender.
    Amadeu Leite Furtado

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  49. Também nós, que caímos por aqui de vez em quando, gostaríamos que «esse debate seja intelectualmente sério e rico, cuidadosamente articulado e baseado no estudo e na reflexão.»

    No entanto, ao consultar os arquivos é fácil constatar que boa parte das postas publicadas pelo Murcho - tal como boa parte das suas reacções aos comentários dos visitantes - mostram estar bem abaixo desse nível, e devem mais à bílis do que propriamente ao estudo, à reflexão, ao cuidado na articulação, ou à seriedade e riqueza intelectuais.

    Quanto à «deriva pidesca» identificada mais acima por outro comentarista, penso que os comentários e argumentos da Zazie e do Bruce Lóse são suficientemente esclarecedores.

    Domingos Feriado e Dias Santos

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  50. Num comentário antigo referi a coerencia temática de um blog, e vou agora voltar a referir a mesma, por diversos motivos.
    Começa pelo público frequentador deste blog. Se fosse respeitado um tema comum a todos os autores deste blog, creio que reduziriam os comentários desenquadrados, e os comentadores ocasionais, e fixariam melhor o público desejado neste blog.
    Como falamos de um blog a 7, aceito que seja impossível reduzir a dispersão temática, mas, não vejo um esforço nesse sentido.
    Quando frequentava este blog assiduamente, gostava muito dos posts do Desidério (sem excepção), da Palmira (uma grande maioria), e pontualmente alguns dos posts dos outros autores, mas, surgiram posts gigantescos, outros desinteressantes, e por fim, surgiram posts que considerei irrelevantes e absurdos, sobre questões que não contribuem de forma nenhuma para a intelectualidade de nenhum debate que possa ocorrer num blog. Coisas que têm mais a vêr com gostos pessoais e posições pessoais dos autores, do que aquilo que interessa num blog de acesso público, onde, se vende a ideia que se pretende discutir temas intelectualmente relevantes e interessantes, sobre ciência, ao ponto de se dever manter um nível intelectual elevado nos comentários.
    Neste particular, este blog começou a assemelhar-se a um biography channel à portuguesa. Tal como o B.C., mistura o interessante com o trivial. Fica aqui o desabafo.

    Sobre a identificação, pessoalmente até prefiro que os comentários venham assinados, mas, sem virem de bloggers registados. Evita-se que tenham a possibilidade de apagar os comentários à posteriori, e retirar o contexto da discussão, numa das atitudes mais baixas, que alguma vez presenciei em blogs.

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  51. (agc)

    A escolha parece-me fácil: eu compreendo o Rerum comentário e concordo com o Desidério.

    Não conheço nenhum blogue com o nível do Rerum natura. A participação dos comentadores deveria tentar atingir o mesmo nível.

    Fiat ut petitur

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