quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

"Poema da minha natureza" de António Gedeão

Poema dos "Novos Poemas Póstumos" que li no sábado passado na Casa da Cultura de Coimbra num encontro de professores e bibliotecários:

"Crescem as flores no seu dever biológico,
e as cores que patenteiam, por sua natureza,
só podem ser aquelas, e não outras.
Vermelhas, amarelas, cor de fogo,
lilazes, carmezins, azuis, violetas,
assim, e só assim,
tudo conforme a sua natureza.
Ásperas são as folhas, macias, recortadas
ou não, tudo conforme;
e o aprumo como tal,
ou rasteiras, ou leves, ou pesadas,
tudo no seu dever,
por sua natureza.

É como os animais.
Em cada qual, por sua natureza,
todo o dever se cumpre.
Comem, dejectam, dormem,
fazem amor nas horas competentes,
lutam, caçam, agridem,
rosnam à Lua, trinam, assobiam,
escondem-se, espreitam, fogem, amarinham,
dançam, mudam de pele, agacham-se, disfarçam-se,
tudo conforme a sua natureza.

Assim eu penso, e amo, e sofro, e vou andando.
Tudo conforme a minha natureza."

António Gedeão

2 comentários:

  1. A minha natureza conforme a minha natureza.
    A minha natureza conforme todas as naturezas.
    Mas
    eu penso.

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