The rules of the game: the evaluation of Portuguese research units

quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

MUSEU DO QUARTZO - SETEMBRO PRÓXIMO


RESUMO DO CURSO

1ª SESSÃO (11 de Setembro)

INTRODUÇÃO

É nesta Terra, o Planeta Azul, envolto nos farrapos brancos das nuvens, que reside tudo o que temos: o ar que respiramos, a água que bebemos, o chão que pisamos e nos dá o pão. É só com isto que contamos para viver. É, pois, fundamental, conhecer melhor esta nossa casa que nos transporta através da imensidão do Cosmos, à velocidade de 30Km por segundo. E a Geologia é a ciência que nos permite chegar a esse conhecimento.

O nosso Planeta, velho de cerca de quatro mil quinhentos e setenta milhões de anos, lar da biodiversidade, incluindo a humanidade inteira, não foi sempre como hoje o conhecemos. Esta nossa Terra, um ponto azul na imensidade do espaço cósmico, é o resultado de uma longa e complexa evolução, e o homem é o fruto mais jovem dessa mesma evolução, numa cadeia imensa de inter-relações em que participaram as rochas, através dos solos, a água, o ar e todos os seres vivos. Assim, interessa ao cidadão em geral, como criatura consciente que é no quadro da Natureza, conhecê-la melhor, a fim de bem avaliar os problemas que se lhe põem no seu relacionamento com o ambiente natural.

Com acento tónico no estudo das rochas, dos minerais e dos fósseis, são preocupações da Geologia a origem, natureza e constituição internas da Terra, a sua história, como planeta dinâmico que continua a ser, e a história da Vida a que deu berço. Estuda a expansão dos oceanos e a deriva dos continentes, a formação das montanhas, o vulcanismo e a sismicidade. São ainda do seu âmbito a meteorização das rochas e a formação dos solos, a erosão do relevo e a sedimentação e, ainda, a evolução da biodiversidade. No campo aplicado ocupa-se, entre outros domínios, da prospecção de matérias-primas minerais e da maior parte dos recursos energéticos, da procura e captação racional dos aquíferos e do apoio à grandes obras de engenharia.

Quase tudo o que nos rodeia e de que constantemente nos servimos, ou com o qual nos articulamos diariamente, resultou das conquistas da Ciência e da Tecnologia e, nestes domínios, a Geologia teve e continua a ter papel importante, muitas vezes subavaliado ou esquecido. Os transportes e comunicações, as indústrias e actividades mais variadas e os respectivos equipamentos radicam, em boa parte, nestas conquistas do génio humano, e nestas conquistas são fundamentais as conseguidas nos domínios da Geologia.

Em suma, a Geologia e as tecnologias com ela relacionadas são alguns dos pilares sobre os quais assentam as sociedades humanas, o progresso social e o bem-estar da humanidade. A Geologia envolve conhecimentos que não podem deixar de interessar o cidadão comum, pois ensina-o a situar-se no todo natural e, assim, compreender e abraçar os problemas de defesa do ambiente e da conservação da Natureza. A premente necessidade de desenvolvimento da sociedade dos dias de hoje e do futuro não deve deixar de ser, a cada momento e em cada situação, confrontada, em termos científicos, com a preservação do ambiente natural e, nesse diálogo, os ensinamentos da Geologia não podem estar ausentes.

Estão os cidadãos habilitados a pronunciar-se sobre: a sismicidade e as normas que regulam a construção anti-sísmica nos locais que habitam; a sobreexploração dos recursos minerais ou dos riscos decorrentes das minas abandonadas; os aterros sanitários, cimenteiras, plataformas petrolíferas, exploração de minerais radioactivos; as reservas mundiais dos recursos minerais e energéticos; o aquecimento global.

A resposta é, ainda, seguramente, não! Mas a importância da Geologia não se limita à vida económica e ao dia-a-dia das sociedades. Faz parte das preocupações científicas e culturais de muitos cidadãos.

Para além dos aspectos económicos, científicos e culturais relacionados com o conhecimento geológico há, ainda, os aspectos filosóficos que procuraram respostas a reflexões como: de onde viemos nós, humanos? E os nossos pares da biodiversidade? Porque estamos aqui? Desde quando e até quando? Reflexões para as quais a Geologia dispõe de elementos fundamentais, em pé de igualdade com a Biologia, a Astrofísica e a Astroquímica.

A CIÊNCIA QUE ESTUDA A TERRA E NOS ENSINA A VIVER EM SOCIEDADE E EM HARMONIA COM A NATUREZA.

O Homem, feito dos mesmos átomos de que são feitas as estrelas, os minerais, as plantas, os outros animais e tudo o mais que existe, é matéria que adquiriu complexidade tal que se assumiu com capacidade de se interrogar, de se explicar e de intervir no seu próprio curso e no do ambiente onde foi “fabricado”. Na sua possibilidade de adquirir conhecimento e de o transmitir, é a manifestação mais elaborada da realidade física do mundo que conhecemos, na qual foi consumida a quase totalidade do tempo do universo.

Pode dizer-se que a Natureza “pensa” através do cérebro humano e, com igual razão, pode aceitar-se que o Homem deu voz à Natureza. É uma realidade que, na ânsia desenfreada de lucro e de prazer, a civilização industrial desenvolvimentista, incontrolada, está a atentar contra a natureza. Assim urge perguntar «Perante quem deve o Homem prestar contas da maneira como decide articular-se com a Natureza?».

A resposta é, sem dúvida, «aos outros homens, ou seja, à Sociedade.» Se o Homem deu voz à Natureza, a Sociedade deu-lhe ética e assume-se no direito de estabelecer regras entre os seus pares no usufruto deste vasto condomínio. A capacidade de intervenção de cada indivíduo, como elemento consciente desta mesma Sociedade, está, pois, na razão directa das suas convenientes informação e formação. Importa, assim, incrementá-las. E incrementá-las é facultar-lhe o acesso aos conhecimentos que, desde sempre, a ciência nos vem revelando.

DO ASTRO-REI AO PLANETA AZUL

Nós vivemos graças ao Sol, e tudo na Terra, de uma forma directa ou indirecta, depende da actividade do “astro-rei. Ele é a fonte de energia que assegura grande parte dos processos actuantes à superfície da Terra, entre os quais a vida. Mesmo os processos não naturais, criados pelo génio humano, consumidores de energia, como as indústrias e os transportes, têm no Sol a respectiva fonte.

À semelhança de uma cereja, com caroço no centro de uma plopa mais volumosa, por sua vez, envolvida numa delgada pele, a Terra caracteriza-se pela existência de um núcleo central, envolto num manto muito espesso, totalmente coberto por uma capa, proporcionalmente muito fina a que se dá o nome de crosta.

2ª SESSÃO (12 de Setembro)

UM PLANETA VIVO 

A Terra é um planeta dinâmico e esse dinamismo radica em duas fontes de energia: uma delas é o calor que ainda conserva no seu interior; a outra é, como se disse atrás, o Sol, através da sua radiação. Como manifestações do dinamismo induzido pelo calor interno, somos sensíveis à actividade vulcânica e aos tremores de terra, directamente presenciáveis a partir dos seus efeitos. Outras expressões deste dinamismo correspondem a processos imensamente lentos, só perceptíveis à escala do tempo geológico, entre os quais, a elevação das cadeias de montanhas, a abertura e alastramento dos oceanos, a deriva dos continente e a formação de rochas em profundidade.

Como dinamismo radicado na energia solar, relacionam-se processos e ambientes ao alcance da nossa possibilidade de observação, com destaque para a alteração das rochas e a formação dos solos, o clima e a sua influência no relevo e na ocupação vegetal e animal, a manutenção da vida. Mas de nada serviria esta imensa energia se não existissem os principais veículos que lhe dão eficácia, ou seja, a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera. 

PARA BAIXO TODOS OS SANTOS AJUDAM

À semelhança da ajuda dos santos, a gravidade puxa sempre para baixo. Centrando-nos no nosso planeta e na nossa vivência, todos sabemos que um corpo aqui existente e que tudo o que aqui acontece, em termos de mecânica, está sujeito à atracção da Terra. Tudo cai para ela e tudo se afunda nela. Todos sabemos que a massa de um corpo é a medida da quantidade de matéria nele contida e que o peso desse corpo é a força com que a Terra o atrai. Essa força gravítica, como nos ensinou Newton (1642-1727) e que todos decorámos na escola, é directamente proporcional às massas do planeta e desse corpo e inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa os respectivos centros de gravidade.

Uma vez que a Terra não é perfeitamente esférica, uma mesma massa tem pesos diferentes consoante os locais onde se encontra O soerguimento e afundamento de porções maiores ou menores da crosta terrestre resultam de movimentos verticais de há muito bem conhecidos. Sabemos hoje que a Escandinávia se está a elevar à razão de 10mm por ano. Coberta por uma camada de gelo, com dois a três mil metros de espessura, durante a última glaciação, esta porção da crosta afundou-se. Posteriormente, no período que se seguiu, marcado pelo degelo e recuo da calote polar gelada, e progressivamente aligeirada dessa sobrecarga, tem vindo a soerguer-se numa procura de equilíbrio ainda não atingido.

3ª SESSÃO (13 de Setembro)

A GRANDE FORNALHA

René Descartes (1596-1650), filósofo francês, via na Terra um pequeno Sol abortado, que arrefeceu e solidificou em superfície, mas mantendo o fogo central. A Terra funciona como uma máquina térmica, sendo o seu calor interno o somatório: do calor criado ao longo do processo de acreção, do resultante dos choques entre os corpos envolvidos; do desenvolvido durante a contracção gravítica do planeta; do resultante do mergulho gravítico do ferro e consequente formação do núcleo; do resultante dos megaimpactos meteoríticos e do gerado pela radioactividade de certos isótopos, ao longo de muitos milhões de anos.

Especialmente concentrado e intenso no núcleo, este calor alimenta um conjunto de penachos sobreaquecidos (plumas) que atingem a superfície, gerando o vulcanismo, bem como a convecção térmica do manto, motor da expansão dos oceanos e da deriva dos continentes e ainda da elevação da cadeias de montanhas.

NOS REINOS DE VULCANO E DE PLUTÃO 

No interior da crosta e do manto superior são conhecidos ambientes aquecidos acima de 800º C, que promovem a fusão total ou parcial das rochas aí existentes. Geram-se, assim, magmas que, ao arrefecerem, dão origem a outras rochas que classificamos de magmáticas ou ígneas. O magma é, pois, um material rochoso, ígneo, provido de mobilidade, de que temos uma ideia através da lava incandescente descendo a encosta do vulcão. Para que o magma tenha mobilidade, basta que parte dos seus minerais esteja no estado líquido. A outra parte, a dos minerais mais refractários, permanece no estado sólido, dentro do fundido fluindo com ele.

O magma pode ascender e solidificar à superfície, num processo conhecido por vulcanismo, termo que alude a Vulcano, deus romano do fogo, ou permanecer e solidificar a profundidades que podem ultrapassar os 35km, onde as pressões são muito elevadas, num processo a que se dá o nome de plutonismo, em alusão a Plutão, deus romano dos infernos Bibliografia de apoio: A.M. Galopim de Carvalho – “Como Bola Colorida – A Terra, Património da Humanidade”, Âncora Editora, Lisboa, 2007.

A. Galopim de Carvalho

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