THE PORTUGUESE RECTORS ON THE EUROPEAN SCIENCE FOUNDATION EVALUATION

sábado, 21 de janeiro de 2012

Ainda o meu "post" “Um Artigo Sobre o Ensino Superior no Blogue da Universidade de Aveiro” e respectivos comentários

“Não é possível discutir com alguém que prefere matar-nos a ser convencido pelos nossos argumentos” (KarlPopper, 1902-1994)
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O meu último post aqui publicado (19/01/2012) , “Um Artigo obre o Ensino Superior no Blogue da Universidade de Aveiro”, suscitou uma interessantíssima troca de opiniões, diria mesmo uma saudável controvérsia, através de vários comentários nele deixados pelos leitores António Pedro Pereira e Joaquim Manuel Ildefonso Dias. Em princípio, pouco mais haveria a dizer, quiçá, para além do apreço e proveito com que os li e o conselho que dou aos leitores em os ler
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Mas faço-o pela simples razão do meu agrado pelos comentários que, de uma forma geral, fazem aos meus posts lustrando-os, quer com eles concordem ou não, com argumentos que não pecam por ataques biliosos demonstrativos de um mau funcionamentodo fígado para gáudio do portuguezinho que, como escreveu Vitorino Nemésio, “gosta de ver um bravo, ou mesmo um louco, ao parapeito”. E, por outro lado, por esses comentários incidirem, como seria de esperar, sobre o contexto do Ensino Superior e a controversa questão do acesso à Universidade em situações morais em contraponto às injustas "Novas Oportunidades" e "Acesso ao Ensino Superior para maiores de 23 anos".

Tenho como aval, para esta minha tomada de posição, o facto de há muito me debruçar sobre estas questões, mormente sobre o ingresso nos cursos de Medicina, em que a procura excede largamente a respectiva oferta pela obstrução sistemáticade abertura a novas faculdades. Embora sabendo do perigo que corro em deslustrar, com a minha escrita, esta controvérsia, mas com a eperança em a não deixar cair em saco roto pelo interesse de que se reveste numa altura emque um novo Ministro da Educação, Nuno Crato, ele próprio um académico prestigiado, tem em suas mãos os inúmeros e graves problemas que afectam o ensino desde as primeiras letras ao ensino universitário. Para o efeito, transcrevo este texto parcelar de um meu artigo de opinião (reproduzido, posteriormente, no meu livro “O leito de Procusto”, 2005, ps. 107-108):

“Em idos tempos havia o exame de aptidão em que, por exemplo, a admissão ou exclusão do alunos que desejassem ir para os cursos de Medicina ficava ao exclusivo encargo das respectivas faculdades e das exigências por si havidas necessárias. Hoje, um aluno que queira ingressar na profissão de Esculápio em primeira escolha, por declarada vocação, dono de capacidades humanas e culturais incontestáveis, mas sem as elevadíssimas classificações que roubam aos estudantes do ensino secundário os prazeres de uma juventude sadia de corpo e espírito vivida em plenitude de estudo, lazer, prática desportiva e usufruto cultural (como reconheceu o professor de Medicina Abel Salazar, 'um médico que só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe'), por vezes, apenas por um décima de valor nãoentra. Em consequência, tem como solução de recurso matricular-se em outro curso universitário ou mesmo do ensino politécnico no âmbito da Saúde. E quando nem isso consegue, acede, numa espécie de roleta de azar, a cursos de segunda, terceira ou demais escolhas em matérias para que não está minimamente vocacionado e muito menos sabedor do contragosto do exercício profissional que o espera!

Por isso, defendo que deve competir à Universidade estabelecer o perfil do aluno que reúne condições para a sua frequência semestar dependente, unicamente, da classificação do ensino secundário, e respectivos exames nacionais, em que aquela, não raras vezes, pouco diz a verdade ou espelha a realidade. Mesmo correndo o risco de me repetir, quantas vezes um aluno merecedor de maior classificação que um outro, mas porque em situação diversa de avaliação, por diferente ser o critério da escola que frequentou, dos professores que o avaliaram ou as condições em que é avaliado, não sai prejudicado?

Como luminar do Saber Humanístico, do Conhecimento Científico e do mais elevado “know-how”, a Universidade apenas deve franquear a entrada a alunos convenientemente preparados que lhe batam à porta da entrada principal e nunca aos medíocres que lhe são impostos pela porta do cavalo, como alunos com 4,7 valores de ensino secundário que, anos atrás, tiveram acesso ao Curso de Engenharia Geotécnica da Universidade da Beira Interior ( 'Expresso', 15.06.96). Ou, outro exemplo, de entre muitos, alunos que entram nos cursos universitários de Matemática com nota negativa e bem baixa de acesso nesta disciplina!

Será o regresso ao Exame de Aptidão à Universidade (ainda que adaptado aos tempos que correm) uma solução óptima? Com o aval da sabedoria popular, 'o óptimo é inimigo do bom'. Contentemo-nos, portanto, com o bom ou, mesmo até, com o menos mau. O que já não é nada mau, convenhamos“ (Público, 5 de Setembro de 2005).

Nem de propósito, duas semanas após a saída deste meu artigo de opinião, era publicada a seguinte notícia jornalística: “'Contudo, o facto de não haver falta de candidatos para o curso não significa que o método de seriação seja correcto. Tenho a convicção que não é inteiramente justo', afirma António Sousa Pereira [presidente do Instituto de Ciências Biomédicas do Porto]. Confrontado com os alunos que entram no curso, explica que 'nem todos correspondem ao padrão que esperamos, dadas as provas que prestaram para entrar, e apresentam altíssimas taxas de insucesso. E se alguns encontram o seu caminho, outros não, o que deixa a sensação que outros mais vocacionados terão ficado de fora'" (Diário de Notícias, 19 de Setembro d e2005)". É a voz da experiência académica e profissional de António Sousa Pereira que fala. Ouçamo-la, pois!

Post scriptum: Não gostaria de terminar sem me referir, também, a um pequeno comentário de um leitor anónimo que mostra dúvidas sobre a entrevista sobre o perfil psicológico que na República Checa é realizada no acesso ao curso de Medicina, dizendo que “abre caminho a todas as arbitrariedades”. E, logo, acrescenta: “Pior do que isso só as Novas Oportunidades”. Para não ser mal interpretado, declaro que sou a favor dessa entrevista no caso específico dos cursos de Medicina portugueses. Todavia, pelo facilitismo com que se entra no ensino superior em Portugal “cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”, como nos diz a vox populi. Como é sabido, as entrevistas no acesso a empregos, por vezes, são utilizadas para proveito dos “cunhados”, palavra que nem sempre tem conotação de parentesco. Mas um uso em Portugal de finalidade duvidosa pode ter virtudes na República Checa. Terá?

Na imagem: As novas instalações da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto ontem inauguradas pelo Presidente da República.

4 comentários:

  1. Caro Rui Baptista:
    As dúvidas do comentador anónimo do Post anterior são pertinentes na perspectiva em que se deverá fazer tudo para se evitar a subjectividade na entrevista de acesso ao ensino superior (Medicina, o caso em apreço).
    Mas jamais essa potencial subjectividade poderá ser posta em contraponto com a situação actual (ideal para o dito comentador), pois na situação actual há uma grande discricionariedade e disparidade na atribuição de notas em cada escola. A única prova universal que existe (o exame nacional) tem um peso quase insignificante na média final devido à sua reduzida percentagem e também devido a incidir apenas em 4 disciplinas (2 no 11.º ano e 2 no 12.º ano).
    Portanto, já temos subjectividade que baste, não seria a dita entrevista de acesso que a criaria.

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    1. Caro António Pedro Pereira: Salvo melhor opinião, julgo que os caminhos na procura de uma forma “justa” de acesso ao disputadíssimo curso de Medicina (mas isto da justiça dá pano para mangas; o próprio Sófocles reconheceu que “há um ponto em que até a Justiça é injusta”), pela sua e minha parte e até do anónimo opinador, embora podendo passar por linhas paralelas o não são, por se cruzarem no caso da necessidade, por nós defendida, em haver exames de aptidão às respectivas faculdades.

      Isto pela vantagem de os respectivos candidatos serem postos em situação de igualdade, o que não sucede nas escolas do ensino secundário em que um determinado aluno pode ter a (des)ventura de ser avaliado por um professor banazola que pouco ensina mas que distribui altas classificações com quem dá um bodo aos pobres. Outro aluno de um professor competente que bem ensine e bem avalie os alunos. Finalmente, um terceiro aluno de uma fera de professor que avalie os alunos, por sistema, com negativas (se for nove valores não se livra da alcunha de “moca”). A nota destes alunos, embora tenham estudado o mesmo e saibam o mesmo sofrerá, assim, a influência destas três diferentes situações que podem fazer com que estes alunos entrem em Medicina ou fiquem à porta.

      Mas vejamos agora, o caso das entrevistas que se forem feitas por pessoas competentes e honestas terão um resultado impoluto. Se viciadas, à partida, pelo factor cunha, ou qualquer outro, poderão favorecer o entrevistado. O mesmo sucede com as grelhas de concursos para determinados empregos em que há o perigo de determinados itens terem um determinado peso que favoreça o candidato desejado (embora não desejável) para o preenchimento da respectiva vaga.Nada disto sucederia se a honestidade fosse o objectivo a perseguir nestas situações.

      Mas como diz o povo, a carne é fraca…e todas as acções humanas podem levar ao erro, seja ele premeditado ou não! Uma coisa, no entanto, não me merece, sequer, o benefício da dúvida. Refiro-me às Provas de Acesso ao Ensino Superior para maiores de 23 anos (em que o presumível autodidacta pode ser apenas, como escreveu Mário Quintana, um ignorante por conta própria). Acesso que mais vergonhoso se assume em casos de estabelecimentos de ensino privados (e até público) que se encontrem às moscas sob o risco, portanto, de terem que fechar as portas como qualquer negócio de má qualidade ou mal sucedido.

      Mas isto é uma discussão, quase diria do género de pescadinha de rabo na boca, com dúvidas muitas e certezas quase nenhumas. Mas uma coisa é certa. Como escreveu Stephen Covery, “se continuarmos a fazer o que estamos a fazer continuaremos a conseguir o que estamos a conseguir”. E o acesso a Medicina, nos moldes actuais, leva-me a concluir que não estamos a conseguir nada de bom ou positivo em termos de Justiça de acesso a Medicina. Bem pelo contrário!

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  2. Post scriptum: Não gostaria de terminar sem me referir, também, a um pequeno comentário de um leitor anónimo que mostra dúvidas sobre a entrevista sobre o perfil psicológico que na República Checa é realizada no acesso ao curso de Medicina...com o poste escrotum o nível de alarvidade aumentou...

    o comentário revela que o autor se considera honesto e competente?

    numa avaliação psicológica?

    não deves conhecer os filhos do daniel sampaio...

    resumindo: avaliar as potencialidades psíquicas de putos de 18
    é tão injusto como o sistema actual

    mas pronto todos vocês têm um ego muito grande...

    lamento pelas disfuncionalidades orgânicas associadas...
    o Jorge Nuno Silva tamém tinha destas
    deve ser o síndroma Gradiva...
    ele ao menos era genro do editor....

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  3. o acesso a medicina e a outras ciências deveria passar por uma especialização do 10º ao 12º

    e professores decisores políticos e alunos aprenderem a reflectir e pensarem um bocadinho de tempos a tempos

    era capaz de ...

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