terça-feira, 28 de maio de 2019

A Revisão da Carreira Docente e Avaliação dos Professores


Meu artigo de opinião saído hoje no “Jornal as Beiras”, a que acrescento esta introdução de que acabo de tomar conhecimento: “A escola francesa – fábrica de cidadãos, motor da meritocracia e pilar histórico da identidade da França republicana – volta ao básico. Ler, escrever, contar, respeitar. (…) No ano e meio que está no governo; Blanquer [ministro da Educação Nacional], que deu impulso à proibição de telefones celulares nas classes, também tem promovido o aprendizado de latim e grego” (‘El País’, 23/11/2018):
“Entre nós a mediocridade é ainda decreto”

João Lobo Antunes, neurocirurgião (1994-2016)
Segundo o “Expresso” (11/05/2019), “Costa recusa uma ideia que já ganhou lastro no PS e no Governo: a de que se devia mexer nas carreiras e avaliação dos docentes, como pedia a direita”. Releve-se, ainda, que “até na ala esquerda [do Partido Socialista] se admite que era desejável”.

Num país bicéfalo em questões de Ensino, por um lado uma belicosa Fenprof, por outro lado tíbios ministérios da tutela permeáveis a pressões sindicais, existe e prospera uma carreira docente única, sem paralelo no mundo, para professores do básico e secundário, que nem a época Gonçalvista teve a coragem de criar.

E nesta anómala situação, em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu, assiste-se a uma espécie de tréguas sagradas, a exemplo da Grécia Antiga, durante os Jogos Olímpicos: o governo não mexe nas carreiras e avaliação dos docentes e a Fenprof compromete-se a desconvocar uma greve ameaçadora à avaliação dos alunos por si previamente gritada aos quatro ventos!  

Trata-se de uma carreira docente que nivela por igual todos os professores submetendo-os ao suplício de um  hodierno “Leito de Procusto”, da mitologia grega, “esticando os professores menos letrados e amputando as pernas aos mais habilitados para, nesse parto teratológico, caberem todos os docentes com parca distinção das respectivas estaturas científica, técnica e pedagógica”, como escrevi na introdução do meu livro: “O Leito de Procusto” e o subtítulo: “Crónicas Sobre o Sistema Educativo” (Outubro de 2005).
Anos atrás, num meu artigo de opinião, formulei a pergunta sobre a percentagem de professores negativamente avaliada. Até hoje silêncio absoluto, mantendo-se, como tal, de pé a questão a que ninguém responde o que me leva a pensar  ser ela residual e, como tal, demonstrativa do facilitismo da avaliação dos professores.

Só um julgamento enviesado à partida por interesses sindicais  pode fazer engolir à opinião pública a pílula da boa qualidade de todos os docentes, como tal, dignos de chegarem ao topo da carreira docente com idêntica desfaçatez de considerar que todos  os pianistas  são  aptos a pertencerem a uma orquestra de música erudita. Em minha defesa, evoco a inexistência de antigos alunos que se não recordem  dos bons e maus professores que tiveram, prestando  homenagem aqueles e invectivando estes.

A não ser por surto amnésico, considero isso impossível embora possa ser contraditado por “haver sempre uma caterva de ingénuos prontos a escrever a história da última idiotice, a solenizar as tolices, a encontrar significados recônditos nas nulidades, a conceder entrada às imbecilidades no ensino  de todas ordens e graus, pensando que fazem obra democrática e progressista” (Mario Perniola, professor da Universidade ‘Tor Vergata’ de Roma).
Estas personagens, sob a capa de pedagogos progressistas, não passam de bobos de uma maltratada pedagogia ao serviço de determinados fins políticos!   

1 comentário:

Anónimo disse...

Um professor de Física, ou de Química, do 12.º ano, não pode pertencer à carreira profissional de um educador de infância. Ponto final.

"A escola como plataforma do comércio"

    Artigo de opinião do Professor Mário Frota, especialista em Direito do Consumo, publicado no jornal As Beiras de hoje, 12 de Maio de 20...