Devo tudo aos meus pais. E para além deles devo tudo aos meus
professores, desde a escola primária (que foram duas, a Escola da Voz do
Operário em Lisboa e a Escola dos Olivais em Coimbra) até à
universidade (também duas: a Universidade de Coimbra e a Universidade
de Frankfurt, na Alemanha), passando pelo liceu (que foi só um, o Liceu
de D. João III, hoje Escola Secundária José Falcão, em Coimbra). Se os
pais me transmitiram as primeiras noções do mundo e da sociedade, os
professores transmitiram-me o melhor do património
da humanidade. Sem os pais e sem os professores não poderia ser quem
sou.
Guardo gratas memórias de todos os meus professores, sendo difícil fazer
o que me pedem: distinguir alguns. Mas não fujo ao desafio. Na Escola
Primária dos Olivais, lembro a exigência do Prof. Nobre. Fazia-se exame
da quarta classe e de admissão aos liceus
e pude passar nos dois com facilidade, porque sabia na ponta da língua o
que ele me ensinou. Era o tempo em que se ensinavam as serras (o monte
Ramelau, em Timor, era o pico maior) e os reis portugueses das várias
dinastias (com os cognomes, claro).
No liceu lembro-me com saudade do Padre Urbano Duarte, professor de
Moral. Aos quinze anos atribuiu-me a mim, e a um colega (o António Pedro
Pita, hoje professor de Filosofia), a responsabilidade de uma página no
Correio de Coimbra, o jornal que ele dirigia. A página, intitulada Início,
foi o meu início na imprensa. O Padre deu-nos total liberdade de
escrever o que entendêssemos, mas já o mesmo não se passou com a
censura…
Por último na Universidade, quero homenagear o Doutor Joaquim Domingos,
falecido há pouco tempo. Muito sábio, atento ao mundo e dono de um humor
extraordinário ensinou-me a mecânica quântica e a física nuclear nos
atribulados tempos da Revolução. Lembro-me
tanto da Física que ele fez por transmitir como das suas histórias de
vida, que tinham por cenário Oxford ou Lourenço Marques.
O que são bons professores? Aqueles que jamais esquecemos.
4 comentários:
Teve mais sorte do que eu. Tive avós analfabetas e pais quase. Professores, quase só nabos. Mesmo assim consegui qualquer coisa na carreira académica embora muito abaixo oo Professor Fiolhais. Não admira, inteligente eu era mas com os pais e professores que tive...fiz mais que o Professor e acho que até merecia um prémio. Não me identifico pois receio que algum maluco mo dê. Nem ponho o NIB senão ainda me põem lá dinheiro.
"Não admira, inteligente eu era mas com os pais e professores que tive...fiz mais que o Professor e acho que até merecia um prémio" O que é que o senhor fez que merecesse algum prémio e que o coloque acima do Professor Carlos Fiolhais?
Que é que eu fiz? Nada e estou muito abaixo, como disse, do Professor Fiolhais. O mérito que me atribuo deriva de ter partido de um nível muito inferior ao dele. Não posso dar detalhes porque receio que alguém que os conheça pretenda dar-me algum prémio o que rejeito. Há malucos para tudo e já uma vez tentaram homenagear-me.
Essa conversa não faz sentido nenhum, mas pronto... Fiquemos assim.
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