quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A União Europeia e a Conferência de Copenhaga

Reproduzimos aqui, com a devida vénia, um texto do Prof. Delgado Domingos correspondente a uma versão alargada do que foi publicado no jornal Público de 7/2/2010.

O fracasso e a humilhação da União Europeia em Copenhaga

O Público de 24/12/2009 publicou nas páginas centrais do suplemento P2 um esclarecedor artigo de Viriato Soromenho Marques (VSM) intitulado “De Copenhaga rumo ao México a União Europeia pode fazer a diferença”. O desfecho da conferência de Copenhaga era previsível pelos motivos que indiquei (Jornal de Negócios 3/11/2009, Expresso Online 30/11/2009). Os que sempre vangloriaram a liderança da UE na questão das alterações climáticas confrontam-se agora com o facto de o acordo de que a COP15 tomou conhecimento em Copenhaga ter sido sobretudo uma humilhação para a UE, pois a realidade virtual que criou e liderou não lhe deu sequer acesso à mesa onde o acordo foi negociado.

Rumo ao México, a UE pode fazer efectivamente a diferença se capitalizar no que de pioneiro e muito relevante trouxe para a sustentabilidade ambiental e sobretudo energética, e na ajuda aos países mais pobres. Para isso, tem de reconhecer que a sensibilização/mobilização pública conseguida com o alarmismo climático está esgotada e é contraproducente. Esse alarmismo, baseado num pseudo-consenso científico, levou à defesa de cortes nas emissões de CO2, impossíveis de realizar sem devastadoras consequências económicas e sociais. Efectivamente, e segundo VSM, “num impressionante estudo que procura aliar ciência dura e diplomacia, o Conselho Federal Alemão para a Mudança Global (WBGU), dirigido pelo eminente físico Hans Joachim Schellnhuber (que se propunha ser o guião para as negociações em Copenhaga), concluía-se que, até 2015-2020, o consumo de combustíveis fósseis teria de estabilizar para vir a desaparecer dentro de 40 anos. Portugal, por exemplo, teria de reduzir cerca de sete vezes o seu consumo actual de combustíveis fósseis até 2050 e para a maioria dos países desenvolvidos esse consumo per capita teria de regredir para valores próximos do primeiro quartel do século XX. Tendo em conta que as energias fósseis constituem o maior sector da economia mundial (de que representam cerca de 8%), o seu desaparecimento em três ou quatro décadas, para ser substituído por energias renováveis, mesmo admitindo que era financeiramente viável, seria fisicamente impossível, tendo meramente em conta o tempo necessário para a concretização de soluções tecnológicas já conhecidas. Por este, entre outros motivos, o acordo legalmente vinculativo defendido pela UE/ONU e a maioria das ONGs não poderia ser cumprido. E quem o quisesse honestamente cumprir não o poderia assinar. Não admira, por isso, que a UE nem sequer tenha sido convidada a participar na negociação do documento que posteriormente subscreveu.

Mas será que tal acordo significou mesmo a “incapacidade da comunidade internacional (...) prevenir a primeira mudança da estrutura ecológica e ontológica do Planeta causada pela acção humana” como afirma VSM? Não me parece, porque o pilar fundamental deste tipo de argumentação é uma grosseira adulteração das implicações do conhecimento científico fundamental e básico (*), em torno do qual o consenso é inequívoco.

“Fazer batota com as leis da física...”

Alterações Climáticas e Aquecimento Global foram vulgarizados como sinónimos, e o passo seguinte foi atribuir erradamente o aquecimento global (quase exclusivamente) às emissões de CO2eq. Invocou-se, para isso, um difuso consenso científico, no qual nunca ficou claro a que fenómenos ou leis físicas se referia. Existe, efectivamente, há décadas, indiscutível consenso científico quanto ao facto de o CO2 ter um efeito de estufa e de o vapor de água ter um efeito de estufa muito maior. Mas tal consenso não existe quanto à relação quantitativa entre o aumento da concentração CO2eq na atmosfera e a elevação da temperatura média global do ar junto à superfície (ETMGAJS). Segundo o próprio relatório cientifico do IPCC, considerado como referência fundamental, (ARA4WG1, p.114), a ETMGAJS devida a uma duplicação da concentração em CO2 na atmosfera tanto poderia ser de 1,9ºC como de 5,9 ºC (dependendo do modo como se considera o efeito das nuvens). Na relação habitualmente considerada (*) a ETMGAJS é proporcional ao logaritmo da concentração da atmosfera em CO2. A constante de proporcionalidade, a chamada sensibilidade climática, varia entre ~2 e 4,5 e em relação a ela o IPCC afirma (ARA4WG1, p. 640) que:
“a set of model metrics that might be used to narrow the range of plausible climate change feedbacks and climate sensitivity has yet to be developed”.
Ou seja, o próprio IPCC reconhece que não se sabe qual o valor a escolher para a sensibilidade climática. O IPCC não sabe mas os proponentes de cortes radicais, como os referidos, actuam como se soubessem. Para isso, partem das conclusões que querem obter e escolhem o valor da sensibilidade climática que mais lhes convêm, não se coibindo sequer de invocar um suposto consenso, ou mesmo de citar o IPCC, se for conveniente. A verdade é que, por exemplo, o IPCC nunca recomendou 2 ºC como aumento de temperatura a não exceder, tal como nunca recomendou um limite de emissões para o conseguir. Um e outros valores são decisões políticas (não científicas!) da UE.

Em resumo: a argumentação da UE tem por base uma batota com as leis da Física. Uma batota que consiste em apresentar (como consequência de leis físicas fundamentais) uma relação quantificada entre emissões de CO2eq e aumento de temperatura média, que só pode ser obtida com grosseiras simplificações e factores numéricos politicamente escolhidos (*)!

O limite dos 2 ºC e os modelos climáticos

O acordo em Copenhaga fixou em 2 ºC o aumento de temperatura média a não ultrapassar. Esse valor justifica-se, nomeadamente, porque um aumento de 2 ºC se teria verificado durante o chamado período quente medieval sem que tivesse ocorrido qualquer desastre climático. Aliás, muitos dos indícios indirectos que hoje se invocam para defender que existe aquecimento (antecipação das florações na Primavera, migrações de fauna e flora, etc.) são a réplica do que a História nos diz ter existido naquele período. Foi também durante este período que os vikings colonizaram a Groenlândia (“Greenland” = Terra Verde).

Não associar um aumento da temperatura de 2 ºC a um aumento quantificado de emissões de CO2eq, é uma decisão aceitável, tendo em conta os dados das observações existentes. De facto, aceitando como válidos os valores de referência utilizados pelo IPCC, houve um aquecimento médio global nos últimos 150 anos que não ultrapassou os 0,8 ºC. Houve um aquecimento entre ~1900 e ~1945, seguido de arrefecimento entre ~1945 e ~1975. E voltou a aquecer entre ~1975 e ~1988. Desde 1998 não há aquecimento. As taxas de aumento de temperatura por década foram maiores nos períodos antes de 1945 do que depois de 1975. Durante todo este período, a concentração de CO2eq na atmosfera nunca parou de aumentar. A relação directa e quantificada entre CO2eq e aumento de temperatura (utilizada pelos alarmistas) não é validada pelas observações. Para o ser, deveria ser capaz (e não é) de reproduzir a evolução das temperaturas, em cada uma de duas ou três décadas, adoptando a mesma sensibilidade climática. Se os modelos climáticos actuais não conseguem sequer reproduzir, de modo aceitável, a evolução verificada nos últimos 50 anos, a única conclusão a extrair é a de que tais modelos são inadequados para prever alterações climáticas com décadas de antecedência, mesmo em termos de probabilidades fiáveis. Utilizá-los como único fundamento de políticas ou acordos internacionais legalmente vinculativos é, no mínimo, um contra-senso.

Conclusão

Ninguém pode seriamente negar a existência de um aquecimento global nos últimos 150 anos. Mas esse aquecimento não ultrapassou 0,8 ºC e não se pode garantir, com fundamento sólido, qual a evolução futura. Embora haja fenómenos climáticos que se podem associar ao aquecimento, atribuir tudo ao aumento da concertação de CO2eq na atmosfera é um absurdo. É muito mais honesto reconhecer que se não conhecem todas as causas do que inventar as fantasias catastróficas de que a comunicação social e algumas ONGs tanto gostam, mas que só levam ao descrédito.

Se a UE quer, de facto, liderar, tem de dar o exemplo de uma fundamentação científica das suas propostas sem contaminações políticas (que deram o Climagate), e de medidas exigentes, exequíveis e verificáveis. Se está de facto preocupada com as alterações climáticas de origem humana (e deve estar) não precisa de invocar os resultados pouco fiáveis dos modelos climáticos actuais para actuar em profundidade na reforma do seu sistema energético, porque tal reforma é exigida pela competitividade económica e pela sua dependência de fontes de energia inseguras e insustentáveis. Se está de facto preocupada, deve acabar com a hipocrisia do mercado do carbono e da contabilidade de Quioto e substituí-la pelos instrumentos regulatórios e fiscais de que tem grande experiência. Grande parte da lista do que pode e deve fazer já foi enunciado/iniciado a pretexto de aquecimento global. Manter o que se justifica por si próprio, sem ter de recorrer à ameaça de catástrofes climáticas é o pequeno grande passo que a UE tem de dar para recuperar a credibilidade perdida e uma liderança real.

3/01/2010

NOTAS:
(*) http://jddomingos.ist.utl.pt
(**) Referimo-nos à Elevação da Temperatura Média Global do Ar Junto à Superfície( ETMAJS) quando se diz, por simplicidade, “aquecimento global”, “elevação da temperatura média” ou "aumento da temperatura”.

10 comentários:

  1. José Batista da Ascenção11 de fevereiro de 2010 às 11:27

    No ensino secundário, alguns programas de biologia/geologia, assim como os manuais feitos de acordo com esses programas, insistem na relação estreita entre aumento da quantidade de CO2 na atmosfera e o aumento da temperatura global. E nós, professores, pelo menos alguns, sentimo-nos pouco confortáveis quando referimos que o teor de CO2 atmosférico é inferior a 0,04%. Ora, quando falamos do efeito de estufa provocado pelo vapor de água ou outros gases, como por exemplo o metano, e pensamos em termos comparativos, temos a sensação de que algo fica por explicar, ou mal explicado...
    E depois, quando queremos por a ênfase no combate cada vez mais difícil contra o aumento da poluição provocada pelos humanos, podemos ficar sujeitos a uma certa descredibilização, de todo indesejável...
    E se misturarmos isto com toda a pseudo-ciência que os alunos não distinguem, e em que estão imersos e "embebidos", então a imagem da escola não pára de escorregar pelo plano inclinado da falta de crédito. Como se ensinam alunos assim?

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  2. Posso estar enganado, mas estava na ideia que o limite dos 2º estava relacionado com o facto da massa de gelo da Gronelândia se tornar instável e derreter irremediavelmente a partir desse limite de aumento da temperatura, mas infelizmente falta-me o tempo para verifica-lo.
    Só mais uma achega em relação ao piscar de olhos ao Periodo Medieval Quente (PMQ) e à colonização da Gronelândia e ao bom velho argumento do "mas isto já aconteceu antes portanto só pode ser causado por processos naturais". A Gronelândia recebeu o nome de terra verde aquando da colonização num golpe de paleo-marketing para atrair mais colonos por parte do seu primeiro "líder", Eric o Vermelho que teve de fugir para lá depois de ter sido expulso da Islândia. E não há nenhum estudo que confirme que durante o referido PMQ as temperaturas globais tenham estado 2º acima da média actual. Isso pode ter acontecido em termos locais, e até é mais plausível que tal se tenha passado na Gronelândia visto estar estar numa zona particularmente sensível a qualquer alteração no sistema climático, mas não foi um fenómeno global.
    È claro que as afirmações de que os o aquecimento parou em 1998 e de modelos climáticos não conseguem reproduzir os dados dos últimos 50 anos também são altamente discutíveis e duvido que alguém com mais um bocado de experiência de análise de dados climatológicos alguma vez a fizesse, mas já há tanta coisa publicada sobre esse assunto em papers e ainda mais em blogs que nem vou (nem tenho tempo para) entrar por aí.

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  3. "(...) as afirmações de que os o aquecimento parou em 1998 e de modelos climáticos não conseguem reproduzir os dados dos últimos 50 anos também são altamente discutíveis e duvido que alguém com mais um bocado de experiência de análise de dados climatológicos alguma vez a fizesse (...)"

    Sim, pois claro, Rui M. De facto, o que sabe de modelos "climatológicos" um professor catedrático responsável por um site de previsão meteorológica?...

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  4. Caro Ricardo,

    A minha intenção era exactamente chamar a atenção para a diferença entre as séries temporais usadas para os estudos em climatologia das usadas em metereologia. Enquanto que na primeira têm de ser longas e habitualmente não inferiores a 30 anos visto que o clima é o conjunto das variações médias dos elementos meteorológicos ao longo de anos, em metereologia são bem mais curtas, á escalada dos dias, semanas, estações, etc.
    Daí achar que estar a dizer que o aquecimento global parou em 1998, ou seja, comparar um evento pontual com outro detectado numa série temporal muito maior, não seja muito honesto.
    Mas provavelmente tem razão e o Prof.Delgado Domingos até percebe muito mais disso que eu, só que não o demonstra neste texto.
    E já agora, deixo aqui um link para o texto da UE que fundamenta a escolha do alvo de 2ºC para o limite de aumento da temperatura, que a julgar por este texto é parece ser quase arbitrário e desprovido de fundamentação quando na realidade não o é.

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  5. http://www.geocraft.com/WVFossils/greenhouse_data.html

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  6. Parece que as provas de que houve um aquecimento na Idade Média não se resumem às alegações de Eric sobre a Gronelândia; veja-se http://wattsupwiththat.com/2009/11/29/the-medieval-warm-period-a-global-phenonmena-unprecedented-warming-or-unprecedented-data-manipulation, por exemplo. Aliás, não creio que o Prof. Delgado Domingos afirmasse o que afirma sem estar seguro do que diz...
    Entretanto, fui ver o tal documento sobre a fundamentação dos 2ºC, e fiquei desapontado. O documento é da União Europeia e não da ONU, o que já o torna algo suspeito, mas sobretudo não vi lá nenhuma fundamentação para os 2ºC! Ou seja, o paper explica porque acha que não se deve ultrapassar 2ºC de aquecimento, mas não demonstra que haja alguma ligação entre esse previsto aquecimento e o "efeito de estufa". Dá isso como adquirido...

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  7. José Batista Ascenção

    Os comentários que faz são muito importantes e reveladores. À sua questão “como se ensinam alunos assim ?” procurei responder no âmbito de um experiencia de ensino de Ciências do Ambiente que dirigi, em 1977 , e envolveu 90 professores e 60 escolas distribuídas pelo continente e regiões autónomas. O que na altura defendi (e defendo) relativamente às Ciências do Ambiente é válido para qualquer disciplina e sintetizava-se em “valorizar o carácter pluridisciplinar e global, evitando o enciclopedismo e reforçando a unidade pelo recurso sistemático aos conceitos científicos fundamentais”.O sucesso da experiencia e as solicitações de professores de outras áreas levou a que os textos de apoio para o professor, as metodologias e materiais audiovisuais a utilizar fossem recolhidos em livro que a Fundação Gulbenkian editou, anos depois, sob o título de “Ciências do Ambiente, livro do professor”, hoje esgotado. Salvo informação de natureza conjuntural (como informação estatística) o conteúdo científico permanece actual. A experiência durou apenas o segundo semestre de 1977 pois a disciplina desapareceu dos curricula no ano seguinte. Mais tarde foi-me explicado, ao nível oficial mais elevado, que a disciplina levava os alunos a fazer perguntas embaraçosas e a tirar conclusões que desagradavam a muitos (pais importantes e não só), quando o que se pretendia era apenas uma introdução aos assuntos de natureza cultural. São os frutos desta mentalidade que hoje estão à vista.

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  8. Rui M

    O limite dos 2ºC defendido pela UE, nomeadamente no documento que cita, teve aparentemente origem num workshop conjunto de alemães e ingleses realizado em Inglaterra e posteriormente publicado em livro, com prefácio de Tony Blair ( Schellnhuber, J. S., W. Cramer, N. Nakicenovic, T. M. L. Wigley and G. Yohe, Eds. (2006). Avoiding Dangerous Climate Change. Cambridge, Cambridge University Press). Schellnhuber conselheiro do Presidente da UE, tal como Viriato Soromenho Marques e Lord Nicholas Stern, é também o principal responsável pelo trabalho que citei e comentei neste blog. Foi também um dos autores principais e coordenador do WGII de 2007. São da responsabilidade do WGII as afirmações infundamentadas (e alarmistas) sobre os Himalaias, a Floresta da Amazónia e a Seca em África, já oficialmente reconhecidas como tal pelo IPCC. É também da sua responsabilidade a afirmação de que o aquecimento global era responsável pelo aumento dos efeitos de catástrofes naturais, como furacões, inundações, etc, invocando os resultados de trabalhos que os próprios autores já desmentiram, não só porque não constavam dos originais como por o IPCC ter feito extrapolações abusivas, citando-os. O tema foi objecto de um debate muito recente e esclarecedor na Royal Institution. O mais relevante é que uma parte muito significativa do notório relatório Stern ( Stern, N. (2006). The Economics of Climate Change - The Stern Review. Cambridge, UK, Cambridge University Press) se baseou nestes resultados. O referido documento da UE cita abundantemente estes trabalhos para justificar a proposta.
    Tendo ficado claro que, em meu entender, a justificação da UE para os 2ºC, e associadas probabilidades, não é cientificamente sólida e fundamentada, tal não significa que tal valor não seja aceitável por outros motivos. Por um lado, decorrem dos trabalhos de Lamb, famoso e prestigiado investigador, fundador e primeiro director do CRU. O período quente medieval surge no 1º Relatório do IPCC e se desapareceu do 3º foi porque o desacreditado “Hockey Stick” era muito mais apelativo e instrumental para os alarmistas, antes de se tornar central no climagate. Sucede também que, posterior ao “Hockey Stick” , surgiu um site inteiramente dedicado à recolha de dados objectivos quanto ao período medieval, peer-reviewed ou com origem em organizações cientificas reconhecidas e respeitadas.
    O site é (http://www.co2science.org/data/mwp/mwpp.php) e dele extraímos o seguinte histograma:


    Figure Description: The distribution, in 0.5°C increments, of Level 1 Studies that allow one to identify the degree by which peak Medieval Warm Period temperatures either exceeded (positive values, red) or fell short of (negative values, blue) peak Current Warm Period temperatures.

    Como se verifica, há centenas de estudos sobre este período e sobre a sua extensão territorial. Seria muito mais construtivo que Rui M, em vez de peremptoriamente afirmar que não existem, os criticasse.

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  9. Rui M

    O limite dos 2ºC defendido pela UE, nomeadamente no documento que cita, teve aparentemente origem num workshop conjunto de alemães e ingleses realizado em Inglaterra e posteriormente publicado em livro, com prefácio de Tony Blair ( Schellnhuber, J. S., W. Cramer, N. Nakicenovic, T. M. L. Wigley and G. Yohe, Eds. (2006). Avoiding Dangerous Climate Change. Cambridge, Cambridge University Press). Schellnhuber conselheiro do Presidente da UE, tal como Viriato Soromenho Marques e Lord Nicholas Stern, é também o principal responsável pelo trabalho que citei e comentei neste blog. Foi também um dos autores principais e coordenador do WGII de 2007. São da responsabilidade do WGII as afirmações infundamentadas (e alarmistas) sobre os Himalaias, a Floresta da Amazónia e a Seca em África, já oficialmente reconhecidas como tal pelo IPCC. É também da sua responsabilidade a afirmação de que o aquecimento global era responsável pelo aumento dos efeitos de catástrofes naturais, como furacões, inundações, etc, invocando os resultados de trabalhos que os próprios autores já desmentiram, não só porque não constavam dos originais como por o IPCC ter feito extrapolações abusivas, citando-os. O tema foi objecto de um debate muito recente e esclarecedor na Royal Institution. O mais relevante é que uma parte muito significativa do notório relatório Stern ( Stern, N. (2006). The Economics of Climate Change - The Stern Review. Cambridge, UK, Cambridge University Press) se baseou nestes resultados. O referido documento da UE cita abundantemente estes trabalhos para justificar a proposta.
    Tendo ficado claro que, em meu entender, a justificação da UE para os 2ºC, e associadas probabilidades, não é cientificamente sólida e fundamentada, tal não significa que tal valor não seja aceitável por outros motivos. Por um lado, decorrem dos trabalhos de Lamb, famoso e prestigiado investigador, fundador e primeiro director do CRU. O período quente medieval surge no 1º Relatório do IPCC e se desapareceu do 3º foi porque o desacreditado “Hockey Stick” era muito mais apelativo e instrumental para os alarmistas, antes de se tornar central no climagate. Sucede também que, posterior ao “Hockey Stick” , surgiu um site inteiramente dedicado à recolha de dados objectivos quanto ao período medieval, peer-reviewed ou com origem em organizações cientificas reconhecidas e respeitadas.
    O site é (http://www.co2science.org/data/mwp/mwpp.php) e dele extraímos o seguinte histograma:


    Figure Description: The distribution, in 0.5°C increments, of Level 1 Studies that allow one to identify the degree by which peak Medieval Warm Period temperatures either exceeded (positive values, red) or fell short of (negative values, blue) peak Current Warm Period temperatures.

    Como se verifica, há centenas de estudos sobre este período e sobre a sua extensão territorial. Seria muito mais construtivo que Rui M, em vez de peremptoriamente afirmar que não existem, os criticasse.

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  10. Ricardo e Rui M
    A dissertação dos R... sobre séries meteorológicas e séries climáticas tem sido recorrente e divertida na discussão destes temas. Um exemplo é a afirmação de que as recentes tempestades de neve e os mínimos de temperatura nos EUA que se não verificavam há décadas se deviam ao aquecimento global. Dos R... cuja sabedoria não questiono, esperaria que começassem por uma rigorosa definição do que entendem ser uma série climática e uma séria meteorológica, e das implicações que tais definições têm para as conclusões que delas se tiram. Como sabem, certamente muito melhor do que eu, da serie instrumental conhecida podem extrair-se as mais variadas e contraditórias tendências e extrapolações, sobretudo quando se usam as estatísticas peculiares e criativas que produzem os Hockey Stick. No caso vertente, sucede que eu não falei de séries e afirmei apenas que “.Desde 1998 não há aquecimento”. É certo que poderia ter sido mais explicito e repetir as conclusões do MetOffice/HadleyCenter e as afirmações de K.Trenberth que constam de outras textos meus, nomeadamente aqui, no DRN. Poderia também ter citado e discutido a discrepância com os dados do NASA/GISS.
    Em vez disso remeto-os para as respostas de Phill Jones a um recente questionário da BBC
    ( http://newsvote.bbc.co.uk/mpapps/pagetools/print/news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/8511670.stm?ad=1)
    “BBC: Do you agree that from 1995 to the present there has been no statistically-significant global warming
    P.Jones:
    Yes, but only just. I also calculated the trend for the period 1995 to 2009. This trend (0.12C per decade) is positive, but not significant at the 95% significance level. The positive trend is quite close to the significance level. Achieving statistical significance in scientific terms is much more likely for longer periods, and much less likely for shorter periods”
    Resta acrescentar que os modelos do IPCC previam 0,2ºC/decada e não os 0,12ºC verificados.

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