terça-feira, 25 de setembro de 2007

Nanovídeo


Um grupo de cientistas da Universidade de Cambridge (Inglaterra), da Universidade de Kyoto (Japão) e do Instituto Indiano de Ciências (Índia) conseguiu, pela primeira vez, registar em tempo real a interacção entre uma enzima e o ADN de um vírus. Este vídeo mostra-nos os detalhes descritos no artigo «Fast-scan atomic force microscopy reveals that the type III restriction enzyme EcoP15I is capable of DNA translocation and looping» publicado online em Julho nos Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

No vídeo, produzido com o auxílio de um microscópio de força atómica revolucionário, podemos ver uma enzima de restrição de uma bactéria a cortar o ADN de um vírus. As enzimas que cortam a dupla cadeia do ADN em sítios especificos são denominadas enzimas ou endonucleases de restrição- porque são produzidas por bactérias para reconhecer e destruir ADN estranho, e assim restringir a proliferação de, por exemplo, vírus invasores.

Uma das técnicas usadas na sequenciação de ADN, análise dos polimorfismos dos fragmentos de restrição ou RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphisms), assenta nas enzimas que são designadas a partir do nome da espécie bacteriana de onde são extraídas, por exemplo, EcoRI, a primeira enzima de restrição a ser isolada - da estirpe R da bactéria Escherichia coli. Os fragmentos de ADN produzidos pelas enzimas de restrição podem ser separados por electroforese em gel de agarose e detectados após «blotting» (transferência) e incubação com uma sonda marcada.

Até a divulgação do vídeo, os cientistas podiam apenas contar com evidência indirecta para descrever como estas proteínas cortam o ADN. Agora, está disponível uma técnica para ver ao vivo todos os detalhes da interacção.

Segundo os autores, este trabalho terá grandes implicações para o estudo da reparação do ADN, nomeadamente no que ao tratamento do cancro diz respeito. Como referiu um dos autores, Robert Henderson, da Universidade de Cambridge:

«Esta técnica ajudará a entender como as enzimas identificam qual a parte de uma cadeia de ADN a que se devem ligar, o que é importante para compreender como as proteínas reparam ADN danificado. A longo prazo, poderá auxiliar na procura de tratamentos contra o cancro, por exemplo, uma vez que a doença muitas vezes ocorre onde o ADN está danificado, mas as enzimas não se comportam correctamente de modo a reparar o problema».

3 comentários:

  1. Um aspecto que vale realmente a pena considerar prende-se com as descobertas propiciadas pelo projecto ENCODE, que desbancou definitivamente a ideia de “junk-DNA”, tantas vezes utilizada pelos evolucionistas como “evidência” da inexistência de um designer inteligente da vida.


    Diferentemente, pode concluir-se, tendo unicamente em consideração os dados observáveis, que o DNA contém não apenas informação codificadora de proteínas, mas também meta-informação, isto é, informação que regula o modo como a informação codificadora deve ser utilizada.

    Na verdade, o suposto “junk-DNA” é, afinal, informação necessária para tornar útil e funcional a informação codificadora de proteínas contida nos genes.

    É evidente que isto coloca sérios problemas para o neo-darwinismo, na medida em que ele requer uma sequência de eventos aleatórios para criar o conteúdo informativo do genoma e os eventos aleatórios são, por definição, independentes uns dos outros.

    Porém, a meta-informação, ou informação sobre a informação, é totalmente dependente, por definição, da informação genética que lhe corresponde.

    O inverso também é verdadeiro. Os genes são inúteis sem a correspondente meta-informação, na medida em que sem esta não é possível saber como utilizá-los.

    Isto é especialmente crítico nas fases de desenvolvimento, em que os genes têm que ser ligados e desligados de forma sequencial e altamente precisa.

    Existe, assim, uma ligação indissociável entre a informação dos genes e a meta-informação não codificante que nem as mutações aleatórias nem a selecção natural conseguem ultrapassar.

    Na verdade, podemos razoavelmente concluir que antes de ser codificada num suporte miniaturizado, o DNA, todas essas informação e meta-informação já tinham que existir perfeitas e completas na mente de Deus.

    Isto, tal como a informação contida numa enciclopédia ou num programa de software tem que existir primeiro na mente dos seus autores ou programadores.

    Nunca processos aleatórios ao longo de milhões de anos poderiam explicar a criação de informação e meta-informação no DNA totalmente interdependente e integrada. Tal nunca foi observado nem explicado.

    Tanto mais, que, para sobreviver, o DNA necessita de um complexo sistema de reparação que só existe se estiver previamente codificado em DNA.

    Quem acredita que o DNA surgiu e adquiriu informação por mero acaso, fá-lo unicamente por uma fé desprovida de qualquer fundamento empírico.

    Quem acredita que Deus criou a vida, tem na complexidade e nas quantidades exponenciais de informação e meta-informação contidas no DNA, tal como o conhecemos, uma realidade inteiramente consistente com essa fé.

    Não é preciso ir mais longe, nem recorrer à magia e à astrologia, por sinal ambas recorrentemente condenadas pela Bíblia.

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  2. consistente sim, mas não com a fé (embora qq coisa seja consistente com a fé que se tem: basta tê-la, à fé, e tudo se ajusta para ser consistente). ou seja, o DNA, ou ADN, já existia quando os 'anónimos' andavam a dizer que era Deus que punha e dispunha. agora que o ADN está aí (ainda cheio de lacunas, dúvidas, zonas escuras, mas está), vêm os 'anónimos' dizer que, por causa das suas 'fraquezas', o ADN é consistente com a fé!! quanto ao 'junk DNA', veremos o que diz este 'anónimo' do criacionismo daqui a uns anos. isto se ele não arranjar nada de mais importante para fazer do que comentar algo do qual 'não vê um boi'. a malta 'mal esclarecida' das ciências agradecia...
    ah, e obrigado palmira f. da silva pelo 'lixo' que posta no de rerum natura.

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