Luís M. Aires, biólogo, mestre em Fisiologia e Bioquímica de Plantas e professor do ensino secundário em Portugal, é autor dc cerca de meia dúzia de livros numa pequena editora (Edições Sílabo, em Lisboa) que, apesar de não se encontrarem facilmente nas livrarias (cheios de "bestas céleres", O'Neill dixit) que ninguém quer, se apanham facilmente em livrarias online, como a da Wook.
Ligado ao ensino as suas preocupações são eminentemente pedagógicas. As suas obras destinam-se a ser lidos por professores embora aproveitem também a quaisquer curiosos pela ciência. Os dois livros mais recentes, "Planeta Verde" (2013) e "Infinito + 1" (Janeiro de 2015, escrito com Marina Almeida, professora de Matemática) mostram a necessidade de cruzamento de saberes, a fim de que a pedagogia possa ser efectiva, A separação das disciplinas não serve à pedagogia. Na primeira das obras referidas é exibida a ligação íntimas das Ciências da Vida, designadamente a Botânica, com a Química, com as Ciências da Terra e com as Ciências do Ambiente, E, na segunda obra, a ligação da Matemática com as outras ciências.
Em "O Planeta Verde" discute-se a relação entre plantas e ambiente. Na primeira parte definem-se plantas, desenvolvendo as suas características e, na segunda parte, fala-se da inserção delas com o ambiente natural conseguida através da fotosíntese. O ciclo de Calvin-Benson-Bassham, ou "a arte de transformar dióxido de carbono em glicose", apesar de ser vitar para toda a bioesfera, está longe de ser simples. Para todos aqueles que, neste Ano Internacional da Luz, estão interessados em saber como é recomendo vivamente a explicação de Luís M. Aires, com figuras elucidativas.
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É muito claro o fascínio do autor pela matemática, algo que não é muito comum no mundo das ciências da Vida. De resto, Luís M. Aires já tinha escrito antes, na mesma editora, "Uma História da Matemática" (2010) e é autor de "Conceitos de Matemática - Fundamentos para as Ciências da Vida" (2013). A dimensão pedagógica do autor é revelada em particular nas outras suas duas obras "Disciplina na Sala de Aulas" (2010) e "15 Argumentos para Reconst(ruir) a Escola Pública" (2011). Este último livro tem prefácio de Nuno Crato, do tempo em que parecia que ele tinha um projecto para a escola pública (todos vimos, com mágoa, ao longo dos últimos quatro anos, que não tinha).
Last but not least, nestes tempos de dificuldades económicas. Todos estes livros têm um preço muito acessível, a menos de dez euros com a única excepção de "O Planeta Verde", que custa um pouquinho mais. Apraz-me muito divulgar a produção bibliográfica de um professor que, não contente, em dar as suas aulas, anseia por ter um magistério à distância, partilhando os seus prazeres, as suas reflexões e as suas inquietações.
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