domingo, 9 de março de 2014

LEITEÍTE

Dimensões:3,0x2,4x1,2cm Imagem obtida em «commons.wikimedia.org»
LEITEÍTE é um arseniato de zinco, de fórmula ZnAs2O4, encontrado pelo português Luís António Bravo Teixeira Leite (1942-1999) na mina de Tsumcorp, na região de Tsumeb, na Namíbia. Mineral de intenso brilho nacarado, geralmente incolor a branco pérola, podendo exibir cor acastanhada muito pálida, é séctil, muito brando (dureza 1,5 a 2), laminável (clivável) e flexível. Espécie muitíssimo rara, ocorre associada a outros minerais de arsénio e de zinco, em jazidas hidrotermais de baixa temperatura, em zonas susceptíveis de sofrerem oxidação.

Descrita em 1977, por F. P. Cesbron, R. C. Erd, G. K. Czamanski, & H. Vachey, no Mineralogical Record, n.º 8, pp. 95-97, esta espécie foi oficialmente homologada pela International Mineralogical Association (IMA) como leiteíte, em homenagem ao seu descobridor. Exemplares de referência fazem parte das colecções da Universidade Pierre-et-Marie-Curie, de Paris, e dos Museus de História Natural de Washington, Londres, Toronto e Lisboa. Além da citada na mina da Namíbia, é apenas conhecida na Alemanha, na Áustria e em França.

Luís António Bravo Teixeira Leite (1942-1999)
Nascido em Lisboa, em 1942, Luís António Bravo Teixeira Leite foi um mineralogista amador, autodidacta de reconhecido mérito, coleccionador e comerciante de minerais, de prestígio internacional. Viajante incansável, percorreu os cinco continentes, visitando museus, universidades, minas e locais com ocorrências mineralógicas de interesse, participando em feiras internacionais e em encontros da especialidade. Em todas estas paragens, Luís Leite era respeitado pela sua invulgar sabedoria e recebido como amigo.

O relacionamento do Museu Nacional de História Natural com este que foi um seu grande amigo começou no rescaldo do grande incêndio de 1978 que o destruiu em grande parte. Nessa altura, Luís Leite, esplendidamente relacionado, na área da mineralogia a nível mundial, com os responsáveis dos grandes museus, das universidades, empresas privadas e os grandes coleccionadores individuais, obteve de uns e outros, para o nosso museu, a oferta de valiosas colecções, visando minimizar as grandes perdas sofridas nesse terrível sinistro.

Como colaborador desta instituição da Universidade de Lisboa, era eu o director, Luís Leite proporcionou-nos as condições que permitiram organizar, em 1989, a primeira Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis de Lisboa, evento que, em Dezembro de 2013, cumpriu a sua 27.ª edição e que, desde sempre, atrai milhares de visitantes. Este certame, que tem sido pólo de vocações profissionais em domínios da mineralogia e da paleontologia, repete-se, regularmente, em Coimbra e no Porto e, esporadicamente, noutras cidades do País.

Uma outra realização, fruto das potencialidades deste nosso amigo, foi o 1st International Symposium on Mineralogy, reunido entre 8-11 de Dezembro de 1994, com a participação, por convite, de dez conceituados especialistas (professores e conservadores de Museus) dos EUA, Suíça, Dinamarca, Canadá, África do Sul e Portugal.
A. Galopim de Carvalho

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