quinta-feira, 15 de junho de 2023

ENTRE O NADA E O INFINITO

Se eu soubesse conceber o nada,
talvez concebesse o infinito.
Entre um e outro, fica, bem guardada,
a nossa vida, feita de finito.

O infinito ninguém sabe o que seja,
o nada não há ninguém que o entenda.
Entre dois mistérios, a vida almeja,
evidente, por mais que surpreenda.

A vida entende-se por estar ali,
mas não se entende por que ou donde veio.
Eu vivi, mas não sei o que cumpri,

sempre devorado pelo anseio
de conseguir decifrar o mistério
de fulgor que acaba em cemitério.

Eugénio Lisboa

Sem comentários:

A cultura e as línguas clássicas: Um blogue a visitar

Isaltina Martins, nossa companheira do De Rerum Natura , é autora de um maravilhoso blogue com o título A cultura e as línguas clássicas , a...