quinta-feira, 9 de junho de 2011

Se tem filhos, case-se, por favor!

Se o leitor(a) tem filhos na escola primária e vive em união de facto com o(a) pai/mãe biológico(a) do seu filho(a) ou filho(a)s convém repensar depressa o seu estado civil e… casar-se!

Se for divorciado(a) ou viúvo(a) não dará muito nas vistas… mas se for solteiro(a) percebe-se a sua falta imediatamente! E, em circunstância alguma, considere casar com alguém do mesmo sexo.

Numa altura em que a tendência social é a de admitir diversos tipos de relacionamentos que se constituem em família, porque é que lhe digo isto?

A resposta é muito simples: Porque em alguns dos novos manuais de Estudo do Meio pede-se às crianças para escreverem datas importantes da vida familiar e uma dessas datas é a do casamento dos pais.

"Escreve a data do casamento dos teus pais", foi isto que li. Sendo que esta solicitação pode ser complementada com o pedido para levar uma fotografia para a sala de aula.

Um aspecto privado, que, por princípio, não interessa para a estratégia de aprendizagem, pode ganhar esse estatuto, como dizem os brasileiros, "sem mais, nem poréns", supondo-se que todas as famílias são constituídas à semelhança daquela que os manuais do Estado Novo mostrava em grande destaque...

Põem-se as crianças numa situação potencialmente delicada, e isto para... fazerem um friso cronológico! Como se este tipo de exercício não pudesse ser feito com outros quaiquer acontecimentos ...

É a contextualização das aprendizagens na vida dos alunos e das suas famílias num refinamento, que eu diria, ser já difícil de ultrapassar. Mas como a imaginação humana não tem limites, fico à espera de ver pior...

12 comentários:

  1. Permita-me, no entanto, uma espécie de adenda ao seu excelente post: ... sendo que nas escolas do Estado Novo não se pedia aos alunos para escreverem a data de casamento dos progenitores e para a ilustrarem , se possível, com fotografia.

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  2. Pior (pelo menos para algumas crianças): pedir, nos manuais, que digam quando nasceram, a que horas, onde, com que peso e se são parecidas com o pai ou com a mãe.

    E vejam a cara de uma criança que foi adoptada a tentar fazer um texto disto. Sou parecida com quem?

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  3. Se encararmos todas essas situações como uma possibilidade para dar informação e estrutura emocional à criança (sejamos pais ou professores) de forma a que ela cresça consciente das diferentes realidades com que será confrontada na sua vida, até posso considerar isso uma mais valia. Não vale a pena encarar tudo pelo lado negativo.

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  4. Cuido que foi por não ter andado na escola do Estado Novo, salva a 1ª classe e só até ao 2º período, que nunca fixei na data de casamento dos meus pais senão há pouco tempo. Foi no dia de São/Santa João de 1956.
    Reflexão de excelência, pois... O comentário do Roth melhora.
    Cumpts.

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  5. A leitora Sandra Cunha aponta mais um ponto crítico constante nos manuais escolares do 1.º Ciclo, da mesma natureza daquele que referi, Tenho tomado conhecimento de criança adoptadas que, em consequência deste tipo de exposição, passam a recusar-se ir à escola.

    Por isso entendo que o leitor Anónimo não tem razão. A escola deve confinar-se às suas atribuições educativas, sendo que, para tanto, não é preciso convocar as crianças para exporem a sua vida privada e das suas famílias, como é, de resto, referido pelas instâncias de protecção à infância.
    Helena Damião

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  6. Mais parvos que os manuais são os professores que os seguem cegamente, se os manuais são idiotas, o professor têm que ter competências para perceber isso e para improvisar e modificar, ora na sociedade actual estas questões estão caducas e o professor faz parte da sociedade como cidadão e profissional, se os professores fazem estas pseudo pedagogia na sala de aula então são professores de meia tigela!

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  7. Não vejo qualquer problema em que se peça essa e outras efemérides da família às crianças. Não me parece criticável! É até desejável pois localiza-as no tempo em relação à sua família e promove a discussão entre os vários educadores.

    O catraio só teria que escrever "Não aplacável" no caso de não constar na sua cronologia familiar. E se for adoptado, órfão ou esteja numa casa de acolhimento, só tem é que ter um bom professor. Pois só um mau educador faria com que a criança deitasse de ir à escola por uma banalidade!

    O mal é que hoje os professores parecem prestadores de serviços e não educadores. O pior é que muitas vezes o mesmo, ou quase, se aplica aos pais...

    Esta discussão lembra-me os eufemismos despropositados que hoje se lêem nos formulários. Em vez de se perguntar pelo sexo, pergunta-se pelo género... Que patetice... O género caracteriza a palavra e o sexo o ser humano.

    Agostinho

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  8. francamente ... tanta coisa para pegar e pega-se nisto. Que post (e que pensamento prévio) tão ... pobre (para não sair coisa agreste). E num blog deste gabarito - sem rodeios: que parvoíce.

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  9. mais: o fio condutor, óbvio, é a culpabilização do casamento. Rais parta o descontrole do pensamento

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  10. Venho saudar a pertinência do post. Nem queria acreditar quando tive de ajudar a minha filha a preencher esse 'trabalho de casa'. Não acho trágico, nem tão pouco cómico. Apenas incompreensível que se peça aos alunos uma data de casamento dos pais em qualquer época. Antigamente seria até mais constrangedor para algumas crianças, as filhas de 'pais incógnitos'; hoje em dia acredito que os que não podem preencher essa e outras alíneas se sintam menos constrangidos. Mas não deixa de ser uma atividade mal pensada e pior executada. Questiono por isso não tanto o manual mas quem o adota. E os professores que, deixando tantas páginas em branco pelo caminho, resolvem executar estas de forma acrítica.
    Como infelizmente os manuais escolares são bens muito perecíveis, esperemos que este morra este ano e que os próximos promovam uma abordagem mais aberta e menos personalizada à Família.

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  11. Talvez se possa ir longe ao pedir o "ano" ou a fotografia... agora considerar-se uma intromissão falar-se sobre os pais, sobre a família, e nisso poderá estar o casamento, não entendo não!

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