sexta-feira, 23 de maio de 2014

Votar nulo quando não há alternativas

Texto recebido do nosso leitor Augusto Kuettner Magalhães:

Como cidadão é um dever, num país supostamente, democrático, ir votar. Como a democracia só se faz com partidos, estamos obviamente em democracia, dado que existem partidos. Os partidos devem, porém, ter a capacidade de prestigiar a democracia. Acontece que tal capacidade está arredada do nosso país, como está aliás da generalidade da Europa.
Esta campanha eleitoral para o Parlamento Europeu não existiu. Chegou ao fim sem um único dos concorrentes nos ter falado minimamente da Europa, do modo como funciona o Parlamento Europeu, do que lá irão fazer os que forem eleitos e da  influência que irão ter no nosso país. Os nossos políticos conseguiram falar de nada, como tem sido seu hábito, para além de se terem atacado mutuamente, como também é costume.
Foi mais uma campanha a esquecer.
Claro que, no domingo à noite, vamos ter o espectáculo usual de todos a dizerem que ficaram à frente, que são os vencedores, mesmo que tenham perdido. Vamos ter os comentadores do costume, todos eles a falar muito e a analisar tudo. Depois ir-se-ã perfilar dois ou três políticos para primeiro- ministro. Mas vamos continuar na mesma ingovernabilidade latente, empurrando os problemas para a frente com a barriga, parecendo que aguardamos um milagre.
E, como  continuarão em força os três “FFF” (Futebol, Fátima e Fado),  continuaremos  distraídos, a lastimar-nos da situação sem nada resolver. Continuaremos, coitadinhos e infelizes, a não ser parte da solução mas sim e apenas parte do problema.
Entretanto, como é um dever ir votar e como não há nenhum partido que mereça o seu voto, alguns cidadãos optarão por fazer muitas cruzes em todos, ou uma só cruz grande por cima de todos os partidos, na esperança de que, nas próximas eleições, estes tenham o respeito pelos eleitores que agora não tiveram. Ainda não perceberam que os eleitores são afinal a razão de ser da sua  existência.
A. Küttner de Magalhães

12 comentários:

  1. Sem me querer alongar muito, digo apenas, quando vejo na TV o biólogo João Ferreira, fundador da ABIC, a submeter-se ao ridículo de estar a explicar que, para votar na CDU (e não nele, infelizmente), é no terceiro quadrado a contar do fim, acho que não é preciso dizer mais nada

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  2. Augusto:
    Não é verdadeira a sua frase «Esta campanha eleitoral (...) Chegou ao fim sem um único dos concorrentes nos ter falado minimamente da Europa (...)».
    Nos 4 maiores partidos/coligações sim.
    Nos pequenos houve quem falasse da Europa, de Portugal na Europa, houve quem apresentasse ideias.
    Vá aos 2 podcasts da RDP e ouça os debates com a Maria Flor Pedroso e os cabeças-de-lista de todos os partidos/coligações e confirmará o que digo.
    O que os «media» passam mais tempo são os 4 maiores.
    M. S.

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    1. Obrigado pelos podcasts. Tento sempre obter o máximo de informação antes de cada eleição e estes podcasts são uma excelente ajuda.

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    2. Sem dúvida, mas os 4 maiores é que "fazem mas influeencia!!!!!. Logo?

      E a comunucaçao social apoia-os e neles se apoia. Logo?

      Já fiz , hoje 16 cruzes no "voto!!!!

      Não faltei!

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  3. Alguém é capaz de dar a razão pela qual comentários de uma vulgaridade extrema serem agora publicados como "post"?

    Tal como explica o Manuel Silva, se se desse ao trabalho de procurar encontraria facilmente dentro dos "concorrentes" a estas eleições europeias várias propostas e esboços de projecto sobre a "Europa" (a comunidade europeia, deve querer dizer). Aliás, a diversidade de posições é tal que, na verdade, creio ser muito difícil existir quem tenha uma opinião sobre a Comunidade Europeia que não seja passível de ser representada por um dos partidos candidatos: de federalistas até quem esteja contra a existência da Comunidade Europeia - há de tudo. Por isso, só por amor a repetir as bocejantes queixas que sempre surgem no último dia das campanhas eleitorais, ou por profunda e inamovível ignorância é que alguém afirma coisas como este postador/comentador. Faça o seu dever de eleitor e siga a sugestão do Manuel Silva - informe-se.

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    1. Os partidos não têm opiniões, têm agenda. As pessoas é que têm opiniões.

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    2. Se tivesse lido com atenção teria notado que nunca referi que os partidos têm opinião. Contudo, nem ter agenda é contrário a ter opiniões, nem é verdade que os partidos não estão pejados de opiniões. Aliás, aquilo que a crítica comum ao partidos bem nota é que, precisamente, os partidos não têm projecto, nem pensamento estruturado sobre a sociedade, isto é: só têm opiniões. Portanto, para a próxima, leia com atenção e tente pensar antes de escrever.

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    3. Tem razão, li mal (i.e. você falou dos partidos poderem representar opiniões das pessoas). Relativamente ao resto, não era isso que eu queria dizer com agenda. E por último, não precisa de atacar o meu intelecto para ter razão. Cumprimentos.

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    4. Quem nos dera ter havido uma franca e asumida discussao nestas eleiçoes sobre a Europa:

      - PARLAMENTO EUROPEU.
      COMISSÃO EUROPEIA.

      - BCE.

      - REPRESENTATIVIDADE DE CDA PAÍS.

      -ELABORAÇAO DE LEGISLAÇAO EUROPEIA.
      - REGRAS DE VOTAÇAO.

      ETC
      - ETC...
      ....
      .....

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  4. Falar da Europa é falar em traição sistemática:
    The Coudenhove-Kalergi Plan – The Genocide Of The People Of Europe
    http://cigpapers.wordpress.com/2013/10/27/the-coudenhove-kalergi-plan-the-genocide-of-the-people-of-europe/

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  5. Nenhum dos nossos simpáticos partidos políticos defende o princípio de um homem, ou mulher, um voto. Preferem todos essa obnóxia solução que dá pelo nome de método de Hondt... e viva a Igualdade. E também nenhum defende a representação parlamentar dos votos em branco mais a dos votos nulos.
    Joaquim

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