sexta-feira, 28 de maio de 2021

O QUE VÃO OS CENSOS FAZER À ESCOLA?


Para sensibilizar a população portuguesa a responder aos Censos, o Instituto Nacional de Estatística (INE) em colaboração com a Acção Local de Estatística Aplicada (ALEA), têm uma acção prevista junto das escolas designada “Os Censos vão às escolas”. Foi assim há dez anos, foi assim agora. O objectivo mantém-se:

"dar a conhecer aos alunos dos diversos graus de ensino o que são, para que servem e como se fazem os Censos e mobilizar e incentivar os alunos e familiares na resposta aos Censos 2021 pela Internet e em segurança."

Como múltiplas entidades públicas e privadas, também o INE tem autorização da Direcção Geral da Educação para chegar aos alunos. Nesse sentido, produziu um "conjunto de atividades" que, além de colocarem evidentes problemas de ordem ética, são de uma enorme pobreza sob o ponto de vista da estimulação cognitiva (ver aqui).

Atentemos, porém, na palavra "segurança". O INE assegurou aos alunos que as respostas que os seus familiares iriam dar ao Censos, e que eles, menores de idade, deveriam incentivar, eram mantidas em segurança. Li bem.

Mas não é assim: a Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), através da sua presidente, veio declarar na Comissão de Assuntos Constitucionais que o INE tinha falhado em termos de segurança dos dados recolhidos. Terá feito um contrato com uma empresa estrangeira e, neste momento, não se sabe aonde, em que pais ou países, eles foram parar (ver aqui).

Nos jornais sobressaem duas afirmações da mesma presidente: "o que quer que tenha acontecido já aconteceu" e o INE "fê-lo sem quaisquer reservas e sem salvaguardar os dados pessoais dos cidadãos".

Lamentavelmente, o INE é "apenas" mais uma entidade que, além de falta de legitimidade para entrar na escola pública, o faz de uma maneira deseducativa e moralmente incorrecta. Passado este "incidente", nos próximos Censos o INE lá estará.

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