segunda-feira, 17 de maio de 2021

"Educação através da Internet"

No ponto 2 do artigo 11.º (Direito ao desenvolvimento de competências digitais) da recém publicada Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, diz o seguinte "educação através da Internet". 

Muito mal pensamos a educação quando a atribuímos a um recurso, seja este seja outro. A verdade é que a educação acontece entre pessoas que, eventualmente usam recursos, podendo um deles ser a internet

Esta nota não é um jogo de palavras ou um preciosismo académico, muito longe disso, na verdade é um alerta para a destituição do sentido da educação. O que, de resto, de tão comum, não consegue surpreender-me.

4 comentários:

  1. A escolaridade de base nos países ocidentais, que entraram em decadência económica e social, como é o caso de Portugal, já pouco ou nada tem a ver com educação. Atualmente, o que interessa é que as classes mais desfavorecidas tenham acesso à escola, onde já pouco se ensina e, ainda menos, se aprende, para também terem direito a vistosos diplomas, iguais aos dos seus condiscípulos mais abastados.
    Para aprender, precisamos de estudar. Não basta ter livros ou computadores. Para nos ajudar a estudar precisamos de professores de carne e osso.

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  2. Estimado Leitor Anónimo
    Subscrevo, por inteiro, as suas palavras.
    Cumprimentos,
    MHD

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  3. Claro que não é um jogo de palavras ou um preciosismo académico. Uma ignorância escrita numa norma jurídica reflete bem a mediocridade de quem nos (des)governa.

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  4. Não concordo que se ensine assim tão pouco. Mas estamos a fazer algumas coisas muito mal: há pouco ênfase na necessidade de disciplina e de trabalho, não se treina a memória, o ensino básico não está a conseguir colmatar as diferenças sociais e culturais (por falta de tempo e excessiva carga burocrática que «come» o tempo que os professores deviam gastar em preparação de aulas e estudo), os jovens são cada vez menos autónomos e o facto de a percepção da escola que a maioria dos adultos tem ser a que adquiriram enquanto alunos e, portanto, ingénua e infantil (por isso é tão fácil levar o cidadão comum a acreditar que os professores têm 3 meses de férias e trabalham apenas 4 ou 5 horas por dia) não ajuda nada a pôr os pais onde deviam estar: ao lado dos professores.
    Os meses de confinamento contribuíram para esbater muito as fronteiras entre o espaço de lazer e o espaço de trabalho e a capacidade de resistência à frustração - depois de meses com a casa de banho e o frigorífico ali à mão de semear, é difícil convencer os miúdos a esperar para ir fazer um xixi ou para comer um pacotinho de bolachas.
    Claro que não basta ter livros ou computadores (embora os primeiros nos levem mais longe do que os segundos). Mas é preciso ter professores e dentro de 10 anos acho que nem isso vamos ter. Neste momento, ninguém quer ser professor. E com razão.

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